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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Crítica: Roda Gigante / Wonder Wheel (2017)

"When it comes to love we all turn out to be our own worst enemy." 
Ginny


*7/10*

Woody Allen mantém a inspiração mediana, mas continua a oferecer às actrizes papéis de garra e extremamente emocionais. Desta vez, contudo, o visual do filme eleva-o a um estatuto de que já tínhamos saudades.


O realizador entra literalmente num mundo de fantasia ou não estivéssemos num parque de diversões junto à praia. No entanto, a história não é especialmente fantasiosa: as vidas de quatro personagens cruzam-se no meio da agitação do Parque de Diversões de Coney Island, nos anos 50. Ginny (Kate Winslet) é uma emocionalmente volátil ex-actriz que trabalha agora como empregada de mesa numa marisqueira; Humpty (Jim Belushi) é o severo marido de Ginny e operador de carrossel; Mickey (Justin Timberlake) é um bonito nadador-salvador que sonha ser dramaturgo; e Carolina (Juno Temple) é a filha de Humpty, que se esconde de gangsters no apartamento do pai. 

Os temas habituais na obra de Woody Allen regressam: traição, sonhos desfeitos, paixões impossíveis. Há novamente ligações ao teatro e à interpretação, há a máxima de "o amor não escolhe idades", há adultério, resignação e até mafiosos. Há ainda uma jovem personagem que quebra a já instável rotina da personagem principal, um filho pré-adolescente com tendências pirómanas - um dos melhores elementos de humor.


Tão teatral como os seus personagens, Roda Gigante é expansivo - com Kate Winslet a dominar o ecrã, emotiva e radiosa -, com bons momentos de humor e o estilo do realizador a imperar. O texto chega a ser denso, a roçar o repetitivo, e torna-se, por vezes, um ponto fraco na acção, que não avança. Mas o grande trunfo da longa-metragem reside no director de fotografia: o veterano Vittorio Storaro pinta quadros de emoções com as cores brilhantes, luminosas ou néon que iluminam cenários e actores. Mais do que as expressões faciais, a cor faz-nos ler sentimentos nas mentes das personagens. Também a direcção artística é fabulosa ao retratar a década de 50, sendo que a viagem no tempo é inevitável.


Woody Allen, fiel a si, vai, aos poucos, chamando a magia que caracterizou a sua obra ao longo de alguns anos. Ainda longe do seu auge, o cineasta recupera em Roda Gigante algum do brilho que o caracteriza, mas ainda sabe a pouco.

sábado, 12 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Vittorio Storaro apresenta 'O Último Imperador' em Lisboa

Começou esta Quinta-feira mais uma edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que abriu com Viva a Liberdade, de Roberto Andò. Ao arranque em grande, junta-se uma novidade de última hora: Vittorio Storaro, director de fotografia de O Último Imperador, marcará presenta no festival para apresentar a versão 3D do filme, no dia 18 de Abril.


Storaro é vencedor de três Oscars da Academia, um deles pelo seu trabalho em O Último Imperador. O director de fotografia foi também premiado por Apocalypse Now e Reds. Vittorio Storaro e Bernardo Bertolucci fizeram parte do processo do restauro para a versão 3D de O Último Imperador, que estreou no Festival de Cannes. A sua vinda a Lisboa será também ocasião para apresentar o seu último livro, The Art of Cinematography.

Até dia 18, muito cinema nos espera pelo 8 ½ Festa do Cinema Italiano. Consulta aqui o programa.