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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Prigionieri della Guerra / Prisoners of War (1995)

*6.5/10*

A secção O nosso Século XX - O Cinema face à História do Doclisboa'14 recebeu Prigionieri della Guerra, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, que reúne materiais cinematográficos da Primeira Guerra Mundial recolhidos nos arquivos dos impérios que se enfrentaram. O documentário põe em confronto “filmes-reportagem” militares dos dois lados da Guerra.


Os realizadores mostram os campos de prisioneiros, os órfãos de guerra, os mortos e feridos - com algumas imagens complicadas de digerir - ou mesmo imagens dos confrontos no campo de batalha. Às imagens da época, os realizadores dão cor e música, numa experiência curiosa e em jeito de documento histórico.

Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi abriram a passada edição do Doclisboa'13 com Pays Barbare, título mais recente, que repetia este género de estética onde a cor domina as imagens de arquivo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DocLisboa'13: Pays Barbare (2013)

*7/10*
Pays Barbare, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, abriu o DocLisboa'13 e integra a Competição Internacional de longas-metragens do festival. Um documentário sobre o fascismo de Mussolini, Il Duce, capaz de arrepiar.


Pays Barbare é o retrato de uma época terrível na história da Itália e do Mundo. Através de imagens de arquivos privados e anónimos da Etiópia e fotogramas de filmes do período do colonialismo italiano recentemente descobertos (que datam dos anos 20 e 30 do século passado), bem como de fotografias de soldados italianos em África, os realizadores trazem-nos o que chamam de "o filme necessário".

A acompanhar as imagens fortes e impressionantes a que assistimos, ouvimos narrações quase poéticas, frases que são repetidas, ora faladas, ora cantadas, mas sempre tristes. Desde o Carnaval - a demonstrar o poder da ditadura -, a corpos sem vida espalhados pelo chão, ou imagens do colonialismo, onde surgem mulheres africanas semi-nuas - o que os realizadores chamam de erotismo colonial -, são diversos os momentos-chave que Pays Barbare traz até nós.

Os arquivos são-nos apresentados relativamente modificados. Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi optaram por darem-lhes cor ou outros efeitos, no que poderá ser entendido como uma espécie de desafio àquele fascismo aterrador ou ao fascismo que os realizadores afirmam que cada era tem.

Nesta longa-metragem nada é de fácil digestão. O ponto máximo da emotividade e horror surge, provavelmente, quando nos relatam um ataque aéreo com gás a uma pequena povoação, que matou todas as pessoas e animais do local. Mussolini queria a guerra e gostava dela. Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi mostram ao mundo imagens que pouca gente viu, e oferecem-nos o retrato de um país bárbaro.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DocLisboa'13: Abertura, Encerramento e Mohammad Rasoulof

O Doclisboa – Festival Internacional de Cinema acontece este ano entre 24 de Outubro e 3 de Novembro e já se conhecem os filmes de abertura e encerramento. Pays Barbare, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, abre esta 11ª edição e será Manuscripts don’t Burn, de Mohammad Rasoulof, a marcar o encerramento do festival.


A Sessão de Abertura do Doclisboa’13 acontece a 24 de Outubro, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, onde Pays Barbare, será apresentado pelos cineastas, sediados em Milão, Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi. Através de arquivos, o filme relata a presença colonial italiana na Etiópia e os mecanismos de subjugação aí utilizados durante a ditadura de Mussolini. Este documentário surge como um acto político, apelando à memória e à reflexão.

Por sua vez, a Sessão de Encerramento, no dia 2 de Novembro, apresentará Manuscripts don’t Burn, do realizador iraniano Mohammad Rasoulof, que conta a história real de um homem perseguido pelos serviços secretos iranianos, que tenta publicar as suas memórias de presidiário e sair do país. O filme é uma denúncia meticulosa de repressão no Irão. Ao longo do DocLisboa'13, serão apresentados documentários de outros dois cineastas iranianos dissidentes: Mohsen Makhmalbaf, exilado desde 2005, e Jafar Panahi (Isto não é um Filme, 2011), impedido de filmar no Irão e condenado a seis anos de prisão domiciliária.

Mohammad Rasoulof foi um dos cineastas detidos juntamente com Jafar Panahi. Em 2011, apresentou Goodbye, filme que venceu o prémio de realização Un Certain Regard, em Cannes. Este ano, conquistou o prémio FIPRESCI, no mesmo festival, por Manuscripts don’t Burn, filmado clandestinamente no Irão.

Manuscripts don’t Burn
O DocLisboa acrescenta também, em comunicado, que ainda este mês, Rasoulof disse reconhecer algumas razões de optimismo quanto ao regime iraniano, com a reabertura da House of Cinema. Contudo, o cineasta foi detido à chegada a Teerão, no dia 19 de Setembro onde lhe confiscaram o passaporte, encontrando-se agora sob interrogatório.“As últimas notícias de Mohammad Rasoulof indicam que se encontra em Teerão, impedido de sair do país. Depois do primeiro interrogatório, na quinta-feira, dia 26 de Setembro, foi chamado para contactar novamente as autoridades, no Sábado”, disse uma fonte próxima do realizador iraniano. A mesma fonte enviou um e-mail à direcção do DocLisboa explicando que "esta situação é inaceitável e que é necessário esclarecer que Rasoulof foi detido contra a sua vontade e que está impedido de fazer o seu trabalho como realizador e artista”.

A organização do DocLisboa explica pois que, por esta razão, não pode garantir a presença do realizador no júri da Competição Internacional da edição deste ano, para o qual foi convidado, e na Sessão de Encerramento. O festival afirma que está e estará solidário com a situação de Mohammad Rasoulof.