Hoje vi(vi) um filme: MOTELx'15: Entrevistas - Ricardo Machado (The Bad Girl)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Ricardo Machado (The Bad Girl)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Fica agora a conhecer melhor a curta-metragem The Bad Girl. É o seu realizador Ricardo Machado quem nos conta mais sobre o filme.

The Bad Girl coloca a religião como elemento do terror, como em outros filmes do género. O que pode o público esperar desta curta-metragem?
Ricardo Machado: O público pode esperar uma curta-metragem muito bem filmada, muito bem editada, muito bem interpretada, com uma fotografia e uma banda sonora que estão num patamar acima do habitual. A religião é abordada em The Bad Girl pelo mito da estátua de uma santa que chora lágrimas de sangue mas isso é apenas o mote, o início do filme; a história propriamente dita é acerca daquela mulher e dos seus sentimentos, do porquê ela ali estar a confessar-se.

De onde surgiu a ideia de filmar The Bad Girl?
R.M.: A ideia de filmar esta curta surgiu por quatro motivos. Primeiro motivo: o ter andado/estudado numa escola salesiana durante 15 anos da minha vida (da pré-primária à conclusão do 12º ano de escolaridade) daí ter desejo de realizar um filme que tivesse algo haver com a religião; segundo motivo: a (simples) vontade de fazer um filme com o título The Bad Girl; terceiro motivo: o ter lido o breve conto O Sapato de Gonçalo M. Tavares; quarto motivo: a ambição de querer realizar um filme em que as imagens contassem a história sem recorrer a diálogos, fazendo assim jus à máxima do cinema.

Como correram as filmagens?
R.M.: Como acontece com grande frequência as filmagens foram algo atribuladas, ou seja, diria que foram 50% atribuladas e 50% a decorrerem bem. No Cabo Espichel tivemos desde o drone que avariou e que por muito pouco não aterrou no mar, a transeuntes curiosos que passavam/paravam constantemente no enquadramento, a pagamentos imprevistos de espaço/local, ao tempo limitado de luz natural da hora mágica, ao ator que inicialmente tinha e que infelizmente não podia cair ao chão, quando o plano que tinha para ele fazer era mesmo o de cair, cair e cair... repetir as vezes que fossem necessárias. Em suma, agora à distância, a rodagem no Cabo Espichel correu mal e a rodagem na igreja do Convento dos Inglesinhos correu bem – inclusive, a cena final teve de ser (re)filmada dentro da igreja dado que no exterior, no Cabo Espichel, essa cena não ficou como tinha idealizado. Ah!.. Parabéns à Sílvia pela dedicação que teve, o filme vive muito do trabalho da atriz e ela entregou-se como eu lhe tinha pedido.

Qual é para o Ricardo a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
R.M.: A importância de estar entre os 10 selecionados é muitíssima dado que este Festival é o meu preferido em Portugal, e, acredito que brevemente se tornará no maior festival de cinema do país. O MOTELx faz em 2015 nove anos e, apenas com esta idade, está quase no que respeita à divulgação, promoção, quantidade de espetadores, ao nível de um Fantasporto ou de um IndieLisboa. O MOTELx era o Festival que se eu não fosse selecionado ia ficar chateado comigo mesmo! Aliás, eu realizei o The Bad Girl para estar no Festival – ganhar o prémio seria um autêntico estrondo de satisfação.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
R.M.: O papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional é excelente; para mim é a melhor divulgação e avaliação qualitativa que um trabalho nosso pode ter. Somos vistos por membros do júri, bem como, somos vistos por espetadores que para além de entrarem na sala para se divertirem estão lá para apreciar, sentir, vibrar e viver um filme. O que mais poderia ser feito era os próprios festivais “agarrarem” nos filmes (obviamente não digo todos mas algumas curtas que lhes faça sentido) e enviá-las, divulgá-las, promovê-las em festivais internacionais – à imagem do que o MOTELx faz com a curta vencedora de cada ano.


Sinopse
Uma mulher de alma perdida confessa-se depois de assistir ao fenómeno milagroso de uma estátua a chorar lágrimas de sangue.

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