sábado, 23 de fevereiro de 2019

Crítica: Black Panther (2018)

"Guns... So primitive!"
Okoye


*6/10*

A Marvel chegou ao rol de nomeados para Melhor Filme com Black Panther, o nomeado mais inesperado(?) do ano. O filme de super-heróis distancia-se dos seus "parentes", em especial, pelo universo onde se insere a história que conta e pelo elenco maioritariamente de ascendência africana.

O realizador, Ryan Coogler, começou de mansinho mas cheio de talento com Fruitvale Station: A Última Paragem, onde iniciou a parceria com o actor Michael B. Jordan, que continuou em Creed: O Legado de Rocky. Agora, agarrou com coragem e empenho o desafio dos super-heróis (e lá está B. Jordan novamente).

Black Panther acompanha T'Challa (Chadwick Boseman), que após a morte do seu pai, o Rei de Wakanda, regressa a casa, uma isolada e tecnologicamente avançada nação africana, para tomar o seu lugar como Rei. No entanto, quando um velho inimigo reaparece, a força de T'Challa como Rei e Black Panther é testada, sendo atraído para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco. O jovem rei deve agora reunir os seus aliados e libertar o poder de Black Panther para derrotar os inimigos e garantir a segurança do seu povo.


No argumento - escrito com algum humor -, o mais interessante é a analogia feita entre a ficção e a realidade, onde países entram em guerra para roubar preciosos recursos naturais. Ao mesmo tempo, há um contraste muito bem conseguido na fusão entre o tribal e o futurista que se encontra em Wakanda - duas realidades tão diferentes coexistem com uma naturalidade que impressiona. Curiosamente, há também algum empoderamento feminino neste filme, com as mulheres a assumirem o papel de guerreiras - veja-se o exército que protege o Rei - e a irmã de T'Challa como uma prendada inventora.

A realização de Ryan Coogler destaca-se nos movimentos de câmara entusiasmantes e alguns planos sequência (falsos ou não, resultam) que potenciam os momentos de acção, sem demasiada confusão. A banda sonora é uma das grandes forças de Black Panther, composta por Ludwig Göransson e com temas de Kendrick Lamar. As equipas de efeitos especiais e de design de produção são fundamentais na criação de um universo tão diferente, com o paraíso africano a sobressair, no meio de cores vivas e inovação.


Michael B. Jordan regressa à parceria com Coogler em Black Panther, onde veste a pele de Erik Killmonger, um anti-herói muito especial. Um renegado que, no fundo, não é tão mau como aparenta. Ou pelo menos, há razão fortes por detrás do desejo de vingança e de não pertença que comandam as suas acções. Esta interpretação e personagem são, provavelmente, os pontos mais fortes do filme. No restante elenco, os destaques vão para Chadwick Boseman, o protagonista T'Challa / Black Panther que se revela à altura do desafio. Ao seu lado, Lupita Nyong'o foi bem escolhida para o papel de Nakia, uma doce espia, apaixonada por T'Challa, que se interessa pelas desigualdades no mundo. Ainda de elogiar é a personagem de Danai Gurira que interpreta a General Okoye, de presença forte e humor inteligente.

Apesar de cair em alguns dos lugares-comuns de filmes do género, Black Panther destaca-se entre os filmes da Marvel pela diversidade de temas que trata, tão actuais como pertinentes.

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