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domingo, 18 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #390

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez... em Hollywood.

ERA UMA VEZ... EM HOLLYWOOD


Ficha Técnica:
Título Original: Once Upon a Time ... in Hollywood
Realizador: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot RobbieEmile Hirsch, Bruce DernDakota Fanning, Al Pacino
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/16
Duração: 161 minutos

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Crítica: Os Oito Odiados / The Hateful Eight (2015)

"The nigger in the stable has a letter from Abraham Lincoln?"
Chris Mannix
*8.5/10*

Quentin Tarantino nunca me desilude. Os Oito Odiados é mais um trabalho cinematográfico fabuloso, mesmo ao estilo do realizador: muito sangue, violência, um argumento especialmente bem construído, inesperado do início ao fim.

Um western na neve, com os oito protagonistas confinados, na maior parte do tempo, a um único espaço - uma pequena estalagem onde se abrigam da tempestade que se faz sentir lá fora. Só os mestres conseguem fazer cinema assim. Polémico, mordaz, divertido e filmado em 65 mm. Que mais podemos nós pedir?

Alguns anos após o final da Guerra Civil, uma diligência atravessa a paisagem invernosa do Wyoming. Os passageiros, o caçador de prémios John Ruth (Kurt Russell) e a sua prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) vão a caminho da cidade de Red Rock onde Ruth entregará Domergue à justiça. Pelo caminho encontram dois desconhecidos, o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), antigo soldado da União que também se dedica a caçar criminosos foragidos, e Chris Mannix (Walton Goggins), um antigo rebelde sulista que afirma ser o novo xerife da cidade. Um nevão obriga-os a procurar abrigo numa estalagem onde são recebidos por quatro estranhos. Bob (Demián Bichir) - que está a tomar conta do estabelecimento enquanto a proprietária visita a mãe - Oswaldo Mobray (Tim Roth), carrasco em Red Rock, o cowboy Joe Gage (Michael Madsen) e o antigo general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern). À medida que a tempestade se espalha sobre o vale, os nossos oito viajantes ficam a saber que podem nunca chegar a Red Rock...


Premonitório desde os primeiros planos, mas completamente imprevisível, até ao último momento, Os Oito Odiados traz-nos Tarantino no seu esplendor, com actores de fibra, personagens bem trabalhadas, desconhecidos que vamos descobrindo, desmascarando e surpreendendo a cada plano e, mais ainda, através da analepse fulcral que põe tudo em pratos limpos. Numa segunda visualização, um novo ponto de vista, somos o nono odiado e sabemos demais.

Quentin Tarantino sabe contar histórias como ninguém e filma-as com impacto, com o movimento de câmara certo, arrisca, desconstrói. Os Oito Odiados têm tudo isso: argumento forte e bem engendrado, ao pormenor, com tiradas certeiras, diálogos inteligentes, realização a provar como o formato 65 mm também sabe fazer-se valer em espaços fechados; a direcção de fotografia que varia entre as paisagens gélidas e o ambiente quente e violento da estalagem; a banda sonora que, finalmente, deu um Oscar ao genial Ennio Morricone, a intensificar as tensões e ódios sentidos naquele local.


No elenco, oito protagonistas odiosos e fabulosos: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Walton Goggins, Demián Bichir, Tim Roth, Michael Madsen, Bruce Dern e a única mulher Jennifer Jason Leigh. Entre os colaboradores regulares do realizador, descobrimos surpresas à altura como Goggins e Leigh. Bichir, RothMadsen e Dern surgem mais discretos que os restantes, mas eficazes e fundamentais para o desenrolar da trama. Jackson, o Major Marquis Warren, é inteligente, perspicaz e provocador, sem medo das consequências. Um desempenho excelente do actor. Russell é John Ruth, empenhado em levar com vida até à forca a criminosa procurada. Cauteloso - ainda que não o suficiente -, é hilariante observar a sua relação com Domergue ao longo do filme. Walton Goggins é a personagem que mais nos diverte. Ele é o xerife Chris Mannix em quem ninguém acredita, mas vale-se do título para tentar instaurar alguma ordem naquela estalagem. Todos os seus modos, comentários e atitudes são cómicos e será, até ao fim, uma excelente surpresa. Finalmente, a grande mulher da história: ela é a causa de tudo o que acontece nesse filme, a prisioneira insolente e, aparentemente sem nada a perder. Daisy Domergue mostra o poder das mulheres entre os homens, mesmo que seja apenas uma no meio de sete. Jennifer Jason Leigh é assombrosa na pele da personagem, numa junção entre o ordinário, o mimado, o infantil e traiçoeiro. Vamos gostar dela por mais odiosa que venha a ser.

Os Oito Odiados chega para nos divertir e surpreender. Quentin Tarantino reinventa-se, tem uma criatividade e imaginação infindáveis - felizmente - e sabe muito bem qual é a equipa certa com quem trabalhar. Quem dera que todos os "ódios" fossem assim!

terça-feira, 4 de março de 2014

Sugestão da Semana #105

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque vai para o mais recente filme de Alexander PayneNebraska é uma melancólica história de sonhos desfeitos e de perseverança, acompanhada por um amor muito especial. Podes ler ou reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui.


Ficha Técnica:
Título Original: Nebraska
Realizador: Alexander Payne
Actores:  Bruce Dern, Will Forte, June SquibbBob OdenkirkStacy Keach
Género: Aventura, Drama
Classificação: M/12
Duração: 115 minutos

sábado, 1 de março de 2014

Oscars 2014: Os Actores Principais

Depois das actrizes e actores secundários, passemos agora aos principais. Aqui ficam, por ordem de preferência, os cinco nomeados para o Oscar de Melhor Actor, com uma breve análise ao seu desempenho.

1. Matthew McConaughey em O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Da transformação física ao consolidar de um grande talento, se, como se prevê, Matthew McConaughey vencer na sua categoria, o Oscar não poderia ficar melhor entregue. 20 kg mais magro, o actor deixou de lado o charme que marcou parte da sua carreira, para incorporar, de corpo e alma, Ron Woodroof um homem bruto, homofóbico e de maus modos, que descobre ser seropositivo. Da surpresa e incredulidade, à vontade de lutar e de contrariar o diagnóstico de uma morte demasiado precoce, McConaughey conduz brilhantemente o percurso do protagonista - agora solitário, que encontra o mais próximo de um amigo no transexual interpretado por Leto - que desafia a lei, em nome da sobrevivência de muitos. Ao mesmo tempo, é o protagonista quem sofre mais mudanças, quer em termos de relações de amizade, formas de ver o mundo e de encarar o futuro. McConaughey é brilhante.

2. Bruce Dern em Nebraska
Apesar do meu favoritismo ir para McConaughey, Bruce Dern segue-o de muito perto. O seu Woody é frágil, ingénuo, teimoso, mas cheio de esperança. No meio da debilidade que aparenta, surge uma força de vontade marcante, entre vícios e um passado doloroso. Woody - e Dern - "é" Nebraska e é muito por sua causa que nos deixamos conduzir nesta jornada em busca de um sonho.

3. Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
Nunca mais lhe dão o Oscar e ainda não será desta, mas ele há-de chegar. A cada novo papel, Leonardo DiCaprio proíbe-nos de negar o seu talento e versatilidade. Em O Lobo de Wall Street ele introduz-nos à vida boémia e corrupta dos corretores da bolsa e veste a pele de uma das maiores fraudes dos anos 80. DiCaprio faz-nos chorar de tanto rir, presta-se às mais hilariantes situações e tem o companheiro de farra perfeito: Jonah Hill.

4. Chiwetel Ejiofor em 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Chiwetel Ejiofor tem uma prestação à altura da personagem principal de 12 Anos Escravo: sofrida e corajosa. No entanto, esperava-se um maior fôlego e entrega. No mesmo filme, Lupita Nyong'o faz-nos sentir muito mais.

5. Christian Bale em Golpada Americana (American Hustle)
Bale já tem um Oscar e, por enquanto, não merece mais nenhum. O actor camaleónico (já estamos habituados às abismais transformações físicas de que é capaz) surge irreconhecível na pele de um vigarista gordo, careca e pouco atraente - quem adivinharia que é o Batman? -, mas que as mulheres disputam. Christian Bale tem uma prestação competente e hilariante, mas já fez melhor.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crítica: Nebraska (2013)

"...he just believes what people tell him."
David Grant

*9/10*

Alexander Payne trouxe-nos uma inesperada obra-prima. Nebraska é uma melancólica história de sonhos desfeitos e de perseverança, acompanhada por um amor muito especial. Com os protagonistas, viajamos, a preto e branco, por uma América abandonada, desencantada e sem esperança.

Ao receber pelo correio uma carta de um sorteio, o velho Woody Grant (Bruce Dern) acredita estar rico e o seu filho David (Will Forte) vê-se obrigado a acompanhá-lo numa viagem para reclamar a sua fortuna. Nebraska é o destino de pai e filho, que partem numa jornada ao longo de quatro estados norte americanos, onde reencontram velhos amigos e família.

O argumento original da autoria de Bob Nelson é apaixonante desde o primeiro momento e inesperado, até ao fim. Nada é previsível ou cai no cliché, o humor é arrasador, sarcástico, chegando a ser cruel. As personagens são simples mas profundas e a viagem até Nebraska é uma lição de vida para pai e filho - e plateia. A família é parte fundamental da longa-metragem, seja pela fabulosa relação pai/filho, seja pelo reencontro com a família interesseira e disfuncional de Woody - como tantas que por aí andam.


Ao mesmo tempo, um triste retrato pintado em tons de cinza - potenciado pela fabulosa fotografia de Phedon Papamichael que revela toda a beleza da tragédia -, mostra-nos o lado mais obscuro dos Estados Unidos da América, desolado e sem futuro. Um deserto sem esperança nem jovens, repleto de recordações dolorosas.

Woody e David percorrem um longo caminho em busca de um sonho do patriarca. A conquista vai, contudo, muito para lá da desejada fortuna. A relação entre o par que nos guia por esta América perdida cresce a cada cena, e resulta numa grande prova de amor de um filho a um pai. As personagens dão-se a conhecer e vão-se revelando - a nós e umas às outras. Woody, de saúde débil e dependente do álcool, sabe bem o que quer, e não desiste, ama os filhos apesar de não o demonstrar da melhor forma, e é dono de um passado que deixou marcas profundas. Provavelmente, David nunca conheceu tão bem o pai como durante os dias que passaram juntos, até Nebraska.


Bruce Dern e Will Forte resultam de forma muito credível na pele de pai e filho e a sua relação, com os seus altos e baixos, apaixona-nos de forma indescritível. Dern tem uma das melhores prestações da temporada de prémios: frágil, ingénuo, teimoso, mas cheio de esperança. No meio da debilidade que aparenta, surge uma força de vontade marcante. Ao seu lado, Forte tem um desempenho contido mas cheio de amor. Um homem tímido e simples que faz tudo pelo sonho do pai. Aos dois homens junta-se a fantástica June Squibb que encarna Kate Grant, mulher de Woody e mãe de David, sem paciência para os desvarios do marido, mas que, no fundo, o ama e estima. A actriz cresce no decorrer da longa-metragem e protagoniza os momentos mais hilariantes de Nebraska.

Alexander Payne dá-nos uma lição de vida, embalada por uma das mais belas bandas sonoras do ano, composta por Mark Orton. Uma história de família, numa América esquecida, que nos lembra que há laços e valores que nenhum milhão de dólares é capaz de pagar.

domingo, 26 de maio de 2013

Cannes 2013: Os Vencedores

O 66º Festival de Cannes chegou ao fim, e ficámos há pouco a conhecer os grandes vencedores desta edição. O Júri, presidido pelo realizador Steven Spielberg, atribuiu a Palma de OuroLa Vie d'Adèle, de Abdellatif Kechiche. O filme debruça-se sobre o amor entre duas mulheres - interpretadas por Adèele Exarchopulos e Léa Seydoux.


Bérénice Bejo (Le Passé) e Bruce Dern (Nebraska) arrecadaram os prémios de interpretação e, por sua vez, Amat Escalante foi premiado pelo seu trabalho como realizador de Heli.

Aqui fica a lista completa dos principais vencedores desta 66ª edição do Festival de Cannes:

PALMA DE OURO
La Vie d'Adèle, de Abdellatif Kechiche

GRANDE PRÉMIO
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen e Joel Coen

PRÉMIO DE INTERPRETAÇÃO FEMININA
Bérénice Bejo (Le Passé)

PRÉMIO DE INTERPRETAÇÃO MASCULINA
Bruce Dern (Nebraska)

PRÉMIO DE REALIZAÇÃO
Amat Escalante (Heli)

PRÉMIO DO JÚRI
Tal Pai, Tal Filho, de Hirokazu Kore-eda

PRÉMIO DE ARGUMENTO
Jia Zhang-ke (A Touch of Sin)

PALMA DE OURO PARA MELHOR CURTA-METRAGEM
Safe, de Moon Byoung-Gon