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domingo, 18 de abril de 2021

Oscars 2021: Os Actores Principais

Foco-me agora nos nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria em que é quase certo quem ganha (postumamente), fica um certo desapontamento que o Oscar não possa ir para três actores em simultâneo. Entre os cinco candidatos, se há três que são brilhantes, há igualmente dois que não se destacam por aí além. John David Washington poderia ocupar um desses lugares pelo seu papel em Malcolm & Marie e ainda mais justa seria a nomeação de Mads Mikkelsen por Another Round


Mas como não sou eu que escolho os nomeados, eis os cinco candidatos, por ordem de preferência:

1. 

Ex aequo

Riz Ahmed (Sound of Metal)


Entre um elenco que conta com muitos actores amadores surdos, Riz Ahmed passa com distinção. O actor aprendeu a tocar bateria, língua gestual, e supera-se na pele de Ruben. O desnorte que sente; a vergonha inicial em revelar o seu problema à companheira; a esperança numa operação cara mas aparentemente milagrosa; a insistência em continuar a tocar, mesmo sem conseguir ouvir; e todas as mudanças no seu comportamento depois de integrar a comunidade de surdos - reencontrando uma alegria que pensava perdida -; são vividas com a intensidade do som e do silêncio nos ouvidos do actor. 

Ex aequo



Mesmo que Ma Rainey: A Mãe dos Blues sugira que Viola Davis é a grande estrela do filme, certo é que é Chadwick Boseman quem mais brilha e se destaca. O actor, falecido em 2020, rouba todas as atenções quando está em cena, na pele de um trompetista ambicioso e traumatizado, com mudanças de humor capazes de aterrorizar. Um excelente desempenho no derradeiro filme de Boseman.

Ex aequo

Anthony Hopkins (O Pai / The Father)


Anthony Hopkins é soberbo na pele deste protagonista com quem partilha o nome e data de nascimento. O golpe que sente na sua independência provoca-lhe revolta e desconfiança. A memória atraiçoa-o, os rostos e locais deixam momentaneamente de ser familiares, o desespero e as frases repetidas evidenciam a fragilidade da sua condição. Se, por um lado, ele não admite (nem compreende) a sua fraqueza, por outro, a rispidez - e o humor - é a melhor arma que encontra para se defender.

4. Gary Oldman (Mank)

Gary Oldman está irrepreensível nos maneirismos que incorpora para interpretar um homem frágil e doente, alcoólico e com gosto pelas apostas perigosas, que diz o que pensa sem receios. 

5. Steven Yeun (Minari


Em Minari, Steven Yeun tem uma interpretação competente como Jacob, um imigrante sul-coreano nos Estados Unidos, homem de família dedicado e ambicioso, demasiado crente no sonho americano, que descura a vontade da família e o casamento.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Os Actores Principais

Avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Duas interpretações surpreendentes e outra que as segue de perto distanciam-se das restantes. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

Se não for desta, não sabemos que mais terá Leonardo DiCaprio que fazer para receber um Oscar. O actor tem um desempenho assombroso como Hugh Glass, de uma exigência física imensa. Sem falas durante grande parte do filme, DiCaprio sabe servir-se do corpo e das expressões faciais para dizer muito mais do que as palavras o permitiriam.

Vencedor do Oscar para Melhor Actor em 2015, Redmayne tenta repetir o feito este ano. E se como Stephen Hawking foi surpreendente, na pele de Lili Elbe não ficou atrás. Os gestos, o olhar, os movimentos e a sensibilidade nas palavras, o sofrimento enclausurado que quer sair para sempre, custe o que custar. O protagonista sofre, experimenta, sabe que tem o corpo errado e, a cada pequena mudança, mais mulher se sente. 

3. Michael Fassbender por Steve Jobs
Se o mundo fosse justo Fassbender já podia ter na prateleira pelo menos um Oscar pelo seu papel em Vergonha (já nem falemos em Fome), mas nem nomeado foi. Este ano contabiliza a sua segunda nomeação (a primeira foi por 12 Anos Escravo) e o seu desempenho é exemplar como Steve Jobs. Ele é duro, arrogante, antipático, mas não chega a igualar as fabulosas interpretações nas primeiras duas longas-metragens de Steve McQueen, e dificilmente conseguiria bater Redmayne ou DiCaprio.

4. Bryan Cranston por Trumbo
Cranston é um excelente actor mas o cinema ainda não lhe ofereceu o papel que lhe dê o Oscar. Em Trumbo, tem um bom desempenho, onde até a postura foi trabalhada, mas não há margem de manobra para uma grande interpretação.

Matt Damon é bom actor, ninguém duvida. Contudo, não foi certamente na pele de Mark Watney, o astronauta botânico que fica esquecido em Marte, que o actor se conseguiu superar. Damon tem um desempenho descontraído, com algum humor, no meio da tragédia em que a sua personagem se encontra. É, acima de tudo, divertido vê-lo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Principais

Chega o momento de olhar e avaliar os nomeados para Melhor Actor. E mais uma vez, tenho a mesma sensação que com as actrizes: três grandes interpretações e duas muito menores.



Tive alguma renitência em aceitar que esta foi realmente a minha interpretação favorita dos nomeados para Melhor Actor, mas temos de ser justos: Eddie Redmayne sofreu e surpreendeu-me muito. Ao encarnar Stephen Hawking, o jovem actor entrega-se a uma performance extremamente física, que exigiu de si um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original.



Entre os melhores - e praticamente colado ao meu favoritismo por Redmayne - está Keaton e o seu desequilibrado actor em decadência, Riggan Thomson, que sonha com altos voos. O actor tem uma interpretação muito acima da média e surpreende na pele deste protagonista com quem tem, inevitavelmente, algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Michael Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público, só lhe falta mesmo o Oscar!

3. Steve Carell por Foxcatcher


Mais um dos meus favoritos: o mauzão do lado dos nomeados para Melhor Actor (numa espécie de paralelismo com o lugar que a personagem de Rosamund Pike ocupa na mesma categoria feminina). Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna John du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Carell sai, contudo, em desvantagem nesta corrida para Melhor Actor, dado o carácter mais secundário da sua personagem - apesar de ser fulcral para o desenvolvimento da narrativa de Foxcatcher.

4. Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)


Cumberbatch é competente em todos os papéis que encarna, contudo, como Alan Turing sente-se que poderia fazer melhor. O actor confere-lhe a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, dotando-o de uma personalidade forte e de um génio muito característico, mas também de uma sobriedade em demasia que faz Cumberbatch brilhar menos do que provavelmente seria capaz.

5. Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)



Eis o nomeado mais fraco. Bradley Cooper tem uma prestação aceitável como Chris Kyle, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Está, no entanto, formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

sábado, 1 de março de 2014

Oscars 2014: Os Actores Principais

Depois das actrizes e actores secundários, passemos agora aos principais. Aqui ficam, por ordem de preferência, os cinco nomeados para o Oscar de Melhor Actor, com uma breve análise ao seu desempenho.

1. Matthew McConaughey em O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Da transformação física ao consolidar de um grande talento, se, como se prevê, Matthew McConaughey vencer na sua categoria, o Oscar não poderia ficar melhor entregue. 20 kg mais magro, o actor deixou de lado o charme que marcou parte da sua carreira, para incorporar, de corpo e alma, Ron Woodroof um homem bruto, homofóbico e de maus modos, que descobre ser seropositivo. Da surpresa e incredulidade, à vontade de lutar e de contrariar o diagnóstico de uma morte demasiado precoce, McConaughey conduz brilhantemente o percurso do protagonista - agora solitário, que encontra o mais próximo de um amigo no transexual interpretado por Leto - que desafia a lei, em nome da sobrevivência de muitos. Ao mesmo tempo, é o protagonista quem sofre mais mudanças, quer em termos de relações de amizade, formas de ver o mundo e de encarar o futuro. McConaughey é brilhante.

2. Bruce Dern em Nebraska
Apesar do meu favoritismo ir para McConaughey, Bruce Dern segue-o de muito perto. O seu Woody é frágil, ingénuo, teimoso, mas cheio de esperança. No meio da debilidade que aparenta, surge uma força de vontade marcante, entre vícios e um passado doloroso. Woody - e Dern - "é" Nebraska e é muito por sua causa que nos deixamos conduzir nesta jornada em busca de um sonho.

3. Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
Nunca mais lhe dão o Oscar e ainda não será desta, mas ele há-de chegar. A cada novo papel, Leonardo DiCaprio proíbe-nos de negar o seu talento e versatilidade. Em O Lobo de Wall Street ele introduz-nos à vida boémia e corrupta dos corretores da bolsa e veste a pele de uma das maiores fraudes dos anos 80. DiCaprio faz-nos chorar de tanto rir, presta-se às mais hilariantes situações e tem o companheiro de farra perfeito: Jonah Hill.

4. Chiwetel Ejiofor em 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Chiwetel Ejiofor tem uma prestação à altura da personagem principal de 12 Anos Escravo: sofrida e corajosa. No entanto, esperava-se um maior fôlego e entrega. No mesmo filme, Lupita Nyong'o faz-nos sentir muito mais.

5. Christian Bale em Golpada Americana (American Hustle)
Bale já tem um Oscar e, por enquanto, não merece mais nenhum. O actor camaleónico (já estamos habituados às abismais transformações físicas de que é capaz) surge irreconhecível na pele de um vigarista gordo, careca e pouco atraente - quem adivinharia que é o Batman? -, mas que as mulheres disputam. Christian Bale tem uma prestação competente e hilariante, mas já fez melhor.