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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sugestão da Semana #705

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana chega em dose dupla e - ligeiramente - polémica. São dois filmes muito diferentes, para gostos diversos, e ambos realizados por mulheres: A Voz de Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania, nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e O Monte dos Vendavais, de Emerald Fennell, com Margot Robbie e Jacob Elordi.

A VOZ DE HIND RAJAB


Ficha Técnica:
Título Original: The Voice of Hind Rajab / Sawt Hind Rajab
Realizadora: Kaouther Ben Hania
Elenco: Motaz Malhees, Saja Kilani, Amer Hlehel, Clara Khoury, Nesbat Serhan
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 89 minutos



O MONTE DOS VENDAVAIS


Ficha Técnica:
Título Original: Wuthering Heights
Realizadora: Emerald Fennell
Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif, Owen Cooper, Vy Nguyen, Charlotte Mellington
Género: Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 136 minutos

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: As Actrizes Secundárias

Começo a análise pré-Oscars aos nomeados com a categoria de Melhor Actriz Secundária. Temos grandes nomes nomeados e algumas estreantes nestas andanças dos prémios. Há duas actrizes - as minhas favoritas deste ano - que, a meu ver, se destacam das restantes. Eis as nomeadas por ordem de preferência.

Kathy Bates já conta com um Oscar no curriculo, e é mais que certo que não vencerá este ano. Contudo, é ela a mais merecedora das cinco nomeadas. Interpreta Bobbi, a mãe de Richard Jewell, no filme homónimo de Clint Eastwood, e, em poucos minutos, consegue comover e convencer qualquer um.

A jovem actriz interpreta Amy, a mais nova das quatro irmãs March. Ela quer ser pintora mas cedo percebe que pintar nunca lhe garantirá o futuro. É mimada, apaixonada, por vezes maliciosa, mas especialmente esclarecida. Florence Pugh interpreta-a com a fúria e clarividência que a personagem pede. Esta primeira nomeação só prova o talento anunciado no seu soberbo desempenho em 2016, como protagonista de Lady MacBeth, totalmente ignorado pela Academia.

Margot Robbie é Kayla Pospisil, das três protagonistas de Bombshell, a única que é ficcional. Ela é a jovem ambiciosa mas ingénua, que não espera os avanços de Ailes. De repente, a confiança que exibe inicialmente transforma-se em medo e insegurança, especialmente quando percebe que parece estar sozinha naquela redacção cheia de competitividade e beleza. Um tipo de papel a que a actriz já nos tem habituado, mas desempenhado com competência.

Scarlett Johansson encarna a mãe carinhosa e revolucionária, em tempos difíceis. Para além de representar no grande ecrã uma família monoparental (com o marido ausente na Guerra), é a figura clara da mulher emancipada na Alemanha nazi. A actriz cria facilmente empatia com a plateia já que depressa percebemos que é uma mulher lutadora e com valores. Um papel mais à imagem de Johansson (duplamente nomeada este ano) do que a protagonista do dramático Marriage Story.

A actriz é Nora Fanshaw, a advogada irascível contratada por Nicole para tratar do seu divórcio. Uma mulher superficial, independente, provocadora, num misto de características que não fazem Laura Dern parecer nada realista. Pelo contrário, penso que se justificaria muito mais uma nomeação nesta categoria mas pelo papel de Marmee March em Mulherzinhas, uma personagem totalmente distinta e carinhosa. Ironicamente, é quase certo que Dern irá conquistar o seu primeiro Oscar graças a Nora.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Crítica: Bombshell: O Escândalo (2019)

"Early on he realized for a network to stay on 24 hours a day you need something to hold an audience. That something is legs. There's a reason for clear desks."
Megyn Kelly


*7.5/10*

Bombshell: O Escândalo é um filme #MeToo, com três grandes actrizes a encabeçar o elenco, e um argumento inspirado numa história real que explodiu pouco antes das primeiras denúncias do movimento. Jay Roach explora os meandros da Fox News, o assédio e a progressão na carreira, com foco nas mulheres que deram a cara pelas notícias e pelos seus direitos.

Bombshell - O Escândalo segue o grupo de mulheres (Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie) que decide denunciar Roger Ailes (John Lithgow), o presidente da Fox News, por assédio sexual, e enfrentar a atmosfera tóxica gerada no ambiente profissional.

O filme é-nos narrado pelas três actrizes, relatando a experiência de cada uma das suas personagens, expectativas e terrores. Dinâmico e corajoso, Jay Roach conta-nos a trama com muito ritmo, com um argumento de Charles Randolph, bem construído, inspirado nos casos das jornalistas Megyn Kelly Gretchen Carlson.


O trabalho de caracterização é fenomenal, transformando de tal modo Charlize Theron, Nicole Kidman John Lithgow que quase não os reconhecemos.

No entanto, Bombshell é, acima de tudo, um filme de actrizes. Charlize Theron é camaleónica para além da maquilhagem, vestindo a pele de Megyn Kelly com destreza, confiança e ambição. Uma mulher poderosa que sofreu assédio e, provavelmente, se julgava sozinha. Quando desafia as ideias de Trump - ele que tanto ama a Fox News -, vê a sua carreira em risco, com o ódio a cercá-la. Nicole Kidman, por sua vez, é quem dá o primeiro passo para a exposição dos assediadores. Ela é Gretchen Carlson, jornalista de meia idade, cujas ideias chocam com as de Ailes e que parece estar no limite para permitir que o machismo continue a imperar em seu redor. Também ela foi vítima do homem poderoso que tem a coragem de denunciar e procura encorajar outras vítimas. Margot Robbie é Kayla Pospisil, das três protagonistas a única que é ficcional. Ela é a jovem ambiciosa mas ingénua, que não espera os avanços de Ailes. De repente, a confiança que exibe inicialmente transforma-se em medo e insegurança, especialmente quando percebe que parece estar sozinha naquela redacção cheia de competitividade e beleza.


Bombshell é uma arma contra a masculinidade tóxica, contra o poder de subjugar as mulheres. Jay Roach traz ao cinema um filme que elogia quem quer mudar o establishment, mas revela igualmente como tudo e nada mudou. Ainda há muito a fazer.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Sugestão da Semana #413

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda Bombshell - O Escândalo, de Jay Roach, protagonizado por Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie.

BOMBSHELL - O ESCÂNDALO


Ficha Técnica:
Título Original: Bombshell
Realizador: Jay Roach
Elenco: Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow, Allison Janney, Kate McKinnon, Malcolm McDowell, Mark Duplass
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 109 minutos

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Globos de Ouro 2020: Red Carpet

Mais uma edição dos Globos de Ouro e chega a primeira análise à red carpet de 2020, no Hoje Vi(vi) um Filme. Numa passadeira vermelha com alguma exuberância, escolhi os modelos que mais me agradaram, alguns bastante discretos, por sinal. Porque todos temos os nossos favoritos. 


Nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Actriz (Drama), SCARLETT JOHANSSON surgiu num vestido Vera Wang, vermelho vistoso. O decote em V e o laço nas costas fizeram-na sobressair na red carpet


Vencedor do Globo de Ouro para Melhor Actor Secundário, BRAD PITT surgiu elegante, num fato Brioni, mas sempre com o seu toque rebelde, de cabelo comprido.


LAURA DERN conquistou o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária e deslumbrou neste modelo preto florido Saint Laurent que lhe deu um ar jovem, a condizer com o cabelo solto. Radiante.


REESE WITHERSPOON apostou num modelo que nunca passa de moda. A actriz desfilou num elegante vestido branco justo Roland Mouret.


SAOIRSE RONAN também optou pela simplicidade num vestido de alças Celine, reluzente em tons prateados, com uma abertura lateral. O cabelo ainda lhe deu mais glamour.


Mesmo que quisesse, SOFIA VERGARA nunca passaria despercebida numa red carpet. Desta vez, a actriz optou por um vestido Dolce & Gabbana em tons bordô com uns pormenores dourados, que fez jus à sua figura.


HELEN MIRREN está sempre fabulosa na passadeira vermelha. A actriz desfilou num modelo muito elegante e jovial Christian Dior em tons de vermelho-bordô. Cabelo, maquilhagem e jóias realçaram ainda mais a beleza da actriz veterana.


KIRSTEN DUNST optou por um modelo discreto em tons rosa da Rodarte, que lembra os contos de fadas. Os bordados e o efeito junto aos ombros e pescoço deram-lhe um toque quase angelical.


MARGOT ROBBIE levou um dos modelos que mais gostei nesta noite. Elegante e prática, a actriz nomeada desfilou num vestido Chanel, de top cheio de cor e saia branca com bolsos.


A nomeada ANA DE ARMAS foi a minha favorita a desfilar na red carpet. Ninguém lhe ficaria indiferente. O vestido azul escuro cintilante Ralph & Russo revelou uma mulher confiante e segura. Cabelo, maquilhagem e jóias combinaram na perfeição para um look estrondoso.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crítica: Era Uma Vez... Em Hollywood / Once Upon a Time in Hollywood (2019)

"I'm the Devil. And I'm here to do the Devil's business."
Tex


*7/10*

Quentin Tarantino
gosta de fazer justiça pelas próprias mãos, isso já sabemos. Em Era Uma Vez... Em Hollywood, o realizador baseia-se pela primeira vez em acontecimentos reais para criar a sua história, num tributo a uma época menos dourada de Hollywood.

Juntar Leonardo DiCaprio e Brad Pitt no mesmo filme não é para todos - prova disso é que esta foi a primeira vez que os dois actores contracenaram -, mas é para Tarantino. E que belíssima dupla nos é apresentada, o galã dos filmes de cowboys em crise e o seu duplo, não menos charmoso.

Tudo acontece na Los Angeles de 1969, onde o clima é de mudança. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela de TV, e o seu duplo de muitos anos, Cliff Booth (Brad Pitt), confrontam-se com uma indústria que já não reconhecem.


E eis que entram em cena os "factos reais" em que a história de Era Uma Vez... Em Hollywood se baseia: na madrugada do dia 9 de Agosto de 1969, a jovem actriz Sharon Tate (esposa do realizador Roman Polanski), de 26 anos e grávida de oito meses, foi assassinada, tal como alguns amigos com quem estava, pela seita de Charles Manson, na sua casa em Los Angeles.

Tarantino coloca-nos no ano de 1969, numa Hollywood decadente (onde os novos rostos são também uma nova esperança), com o florir do movimento hippie e do bando de Charles Manson - ele próprio um frustrado que nunca conseguiria singrar em Hollywood, pelo menos por bons motivos. É neste ambiente que surgem como novos vizinhos de DaltonSharon Tate e Roman Polanski. E o cenário está montado. Misturando personagens reais a fictícias, o cineasta cria a sua versão da História do ano 1969. Claro que a direcção artística e o guarda-roupa fazem um trabalho esplêndido na recriação da época e dos locais.


Mas, afinal, este é provavelmente o filme menos inspirado de Quentin Tarantino, pelo menos desde há uns bons anos. Isso não é ser mau, longe disso, mas o cineasta já nos habituou a um patamar mais elevado e é sempre difícil vê-lo recuar. As homenagens são mais que muitas, como sempre, onde a longa-metragem como um todo será a maior delas. As personagens são dúbias mas muito divertidas - Leonardo DiCaprio faz tudo com uma perna às costas, seja bêbado, deprimido, galã ou vilão -, Brad Pitt surge mais discreto mas não menos impactante, numa personagem secundária que depressa assume o protagonismo, em especial após a metade do filme. Os dois actores provam ser uma dupla que vamos gostar de ver mais vezes no grande ecrã.

Não há a profundidade que talvez gostássemos de ver explorada, mas há imensas referências em personagens símbolos desta Hollywood em mudança. Por vezes, sentimos um dèjá vu, com claras alusões a filmes anteriores (Sacanas Sem Lei será provavelmente o mais facilmente comparável em determinados momentos - desde logo, nos nazis que Rick Dalton fulmina num dos seus filmes). Sentimos que este nono filme quer ser mais um retrato de uma época, do que um marco da criatividade do seu criador.


Era Uma Vez... Em Hollywood revela-se menos certeiro, apesar dos delirantes 20 minutos finais, que serão, sem dúvida, inesquecíveis. O fulgor com que culmina não suporta as quase três horas da longa-metragem, não deixando contudo de ser um belo desafio à História e à indústria. No fundo, será Hollywood sonhada por Quentin Tarantino.

domingo, 18 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #390

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez... em Hollywood.

ERA UMA VEZ... EM HOLLYWOOD


Ficha Técnica:
Título Original: Once Upon a Time ... in Hollywood
Realizador: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot RobbieEmile Hirsch, Bruce DernDakota Fanning, Al Pacino
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/16
Duração: 161 minutos

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: As Actrizes Principais

Mais um ano de interessantes personagens femininas. As duas primeiras da lista têm desempenhos muito fortes, a quinta nomeada parece já ter lugar cativo, roubando sempre a vaga para alguém que realmente merece. Este ano, Kate Winslet, por Roda Gigante, é uma das principais esquecidas. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.

1. Frances McDormand, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Frances McDormand é uma força da Natureza na pele de Mildred Hayes, uma mãe-justiceira, sem medo de consequências, sem remorsos, sem papas na língua. Ela nunca sorri, é fria, dura, mas também chora. Já foi vítima, mas aprendeu a não se sentir intimidada por nada, desafia a autoridade e as provocações e protege os seus como pode.



Margot Robbie reinventa-se na pele da protagonista Tonya, expressiva e camaleónica. A actriz assusta-nos (no bom sentido) com alguns olhares e sorrisos, mais ameaçadores e tresloucados do que de simpatia, e revela-se empenhada na pele desta mulher que, desde cedo, viveu num ambiente desequilibrado.

3. Sally Hawkins, A Forma da Água (The Shape of Water)


Sally Hawkins encarna uma mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Uma interpretação tão consistente sem dizer uma palavra não é para todos.

4. Saoirse Ronan, Lady Bird


Saoirse Ronan continua talentosa e nem o sotaque americano a deixa ficar mal. A actriz é uma força da Natureza e prova que ainda tem muito para mostrar. Na pele de Lady Bird sabe convencer-nos de que é, verdadeiramente, uma adolescente insolente e criativa, cheia de sonhos.

5. Meryl Streep, The Post


É grande o destaque que o Spielberg dá ao papel de Katherine Graham, a mulher entre os homens, alvo de desconforto da parte masculina e de admiração das mulheres que ainda não conseguiram a emancipação. Meryl Streep representa bem esta mulher pioneira em cargos de poder, perturbada com o dilema em que a sua posição a coloca. Contudo, está a tornar-se demasiado frequenta a presença da actriz entre os nomeados. Certo que ela faz bem qualquer papel que lhe dêem, mas nem todos são dignos de nomeações, é o caso deste.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Sugestão da Semana #313

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Eu, Tonya, com três nomeações para os Oscars. A crítica ao filme, protagonizado por Margot Robbie, pode ser lida aqui.

EU, TONYA


Ficha Técnica:
Título Original: I, Tonya
Realizador: Craig Gillespie
Actores: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney 
Género: Biografia, Comédia, Drama
Classificação: M/16
Duração: 120 minutos

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Crítica: Eu, Tonya / I, Tonya (2017)

"America. They want someone to love, they want someone to hate." 
Tonya Harding

*6/10*

A história de Tonya Harding chega ao cinema em jeito de docudrama, pela mão de Craig Gillespie. Eu, Tonya é um filme divertido que vive de duas grandes interpretações femininas: Margot Robbie e Allison Janney.

O que aconteceu, não aconteceu ou talvez tenha acontecido é filmado e dado a conhecer à plateia que, assim, melhor poderá fazer o seu juízo ou, se tal não acontecer, pode pelo menos dar umas boas gargalhadas.


Tonya (Margot Robbie) dominou o gelo com um desportivismo sem precedentes, mas acabou por aparecer nas manchetes dos jornais por razões muito diferentes, protagonizando um dos maiores escândalos da História do desporto. A patinadora artística norte-americana viu o seu futuro no mundo do desporto em risco, ao ver-se envolvida num violento ataque à sua rival, Nancy Kerrigan, mesmo antes das Olimpíadas de Inverno de 1994 em Lillehammer.

Craig Gillespie relata os factos, alternando entre a acção central, que nos mostra a história de Tonya desde a infância, e uma série de entrevistas (baseadas nas dos verdadeiros envolvidos), cheias de sarcasmo e algum humor. Esta opção revela-se pouco eficaz pois quebra o ritmo do filme, tornando-o muito fragmentado. Por outro lado, as personagens falam directamente para a câmara em muitos momentos, fazendo da plateia um cúmplice dos acontecimentos.


Apesar de Eu, Tonya nos apresentar as personagens muito caricaturadas, onde o exagero não tem limites, é o elenco que consegue elevar a longa-metragem a um patamar superior. Margot Robbie reinventa-se na pele da protagonista, expressiva e camaleónica. A actriz assusta-nos (no bom sentido) com alguns olhares e sorrisos, mais ameaçadores e tresloucados do que de simpatia, e revela-se empenhada na pele desta mulher que, desde cedo, viveu num ambiente desequilibrado. Ao seu lado, Allison Janney, a mãe intransigente, que não parece nutrir qualquer amor pela filha. Um dos motivos da desgraça de Tonya. Janney é fabulosa nos gestos, palavras e seriedade com que encara o papel. 


Eu, Tonya vale pelas interpretações e trabalho de fotografia e direcção artística. Acima de tudo, desperta a curiosidade para saber mais sobre a verdadeira Tonya Harding e ver imagens da ex-patinadora nos seus tempos áureos na pista de gelo.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Globos de Ouro 2018: Red Carpet

Depois dos prémios e discursos, olhamos, como de costume, para a red carpet dos Globos de Ouro 2018. Numa noite em que o preto dominou como forma de protesto, o Hoje Vi(vi) um Filme destacou os seus 10 looks favoritos.


 A protagonista da polémica série 13 Reasons Why, Katherine Langford, estreou-se nos Globos de Ouro com um bonito vestido preto Prada, cintado com brilhantes.


Susan Kelechi Watson vestiu um macacão de lantejoulas preto Monsoori que lhe deu um brilho especial nesta noite de prémios. O cabelo foi mais um ponto a favor da actriz de This Is Us.


Sempre elegante, Penélope Cruz foi mais uma das que soube tirar partido do vestido preto rendado e com uma cauda Ralph & Russo, muito glamoroso.


Simples e natural, Viola Davis deslumbrou no vestido preto Brandon Maxwell, com um colar a dar vivacidade ao look e, claro, o belíssimo cabelo, que lhe dá uma imensa jovialidade.


Alexis Bledel surgiu discreta mas muito elegante neste conjunto Oscar de la Renta de top preto e branco e calça preta. O lenço à cintura é um detalhe inesperado mas que funciona.


Vencedora de um Globo de Ouro pelo seu papel na série The Handmaid's Tale, Elisabeth Moss apresentou-se na passadeira vermelha com um vestido preto simples Christian Dior, que se adapta especialmente bem à sua silhueta e estilo jovial e divertido. A gola faz toda a diferença.


 A Mulher-Maravilha Gal Gadot surgiu num vestido preto Tom Ford, com um blazer curto que lhe deu um estilo mais formal, mas não menos elegante. O cabelo apanhado foi mais um factor a seu favor.


Como já nos tem habituado, Margot Robbie surgiu elegantíssima num vestido Gucci de decote em V. No preto, destaca-se o estampado de flores prateado.


Angelina Jolie regressa à passadeira vermelha esplendorosa. O vestido preto Versace, com uma capa transparente que termina de forma bastante original, destaca a sua figura e torna-a ainda mais majestosa.


A minha favorita da noite foi Dakota Johnson neste vestido preto da Gucci, cuja cauda, com detalhes em prateado, lhe dá todo o encanto. Uma bela surpresa que fez a actriz destacar-se entre tantos vestidos da mesma cor.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Crítica: Esquadrão Suicida / Suicide Squad (2016)

"Uh-Oh"
Harley Quinn

*6/10*

Um dos filmes mais esperados de 2016 - em especial pelos fãs de comic books - toma de assalto os cinemas em forma de Esquadrão Suicida. Os vilões mais implacáveis são obrigados a juntarem-se para... salvar o mundo.

O realizador David Ayer parece ter-se sentido intimidado pelos actores e personagens que tinha em mãos e, afinal, são só mesmo eles que brilham no meio do argumento pouco elaborado e muito atribulado. As atenções são sugadas especialmente pela fabulosa Harley Quinn de Margot Robbie, encantadora e mortífera. É a namorada de Joker o elo entre os vários conflitos do filme, e é ela também quem mais se destaca.


A agente Amanda Waller (Viola Davis) quer reunir um grupo secreto de indivíduos com pouco ou nada a perder, e construir uma equipa – o Esquadrão Suicida - com os mais perigosos, até agora encarcerados, super vilões. Será preciso armá-los com um poderoso arsenal à disposição do Governo e enviá-los numa missão para derrotar uma enigmática e, aparentemente, invencível entidade que ameaça o mundo. No entanto, quando os seus membros percebem que não foram escolhidos pela possibilidade de sucesso mas antes pela sua fácil culpabilidade se falharem a missão, irão tentar chegar ao fim ou será cada um por si? 

É com a companhia de Harley Quinn (Margot Robbie), Deadshot (Will Smith), Boomerang (Jai Courtney), Killer Croc (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Diablo (Jay Hernandez), Katana (Karen Fukuhara), do soldado Rick Flag (Joel Kinnaman) e da arqueóloga June Moone - ou Enchantress - (Cara Delevingne), para além da mentora do Esquadrão, Amanda Waller, e de Joker (Jared Leto), que não larga a sua amada, que partimos nesta jornada perigosa e um tanto imprevisível, onde os vilões surgem de onde menos se espera. Vilões contra vilões, numa luta entre o bem e os vários males.


Bruxas, espíritos e criminosos a abater no mesmo filme não será tarefa fácil para o Esquadrão Suicida de Ayer. A longa-metragem tem medo de arriscar, receia os seus vilões que tão bem a dominam, com humor e personalidade e com uma ou outra batalha entusiasmante. Contudo, nada de novo no que toca a super-heróis (ou super-vilões).

Eis as forças do filme: Will Smith, Jared Leto, Viola Davis, Joel Kinnaman, Cara Delevingne, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara, Jay Hernandez, Jai Courtney e, principalmente, Margot Robbie. Como Quinn, Robbie é maquiavélica, apaixonada, louca, mas doce e perspicaz em igual medida, a actriz é magnética e revela-se a grande surpresa do filme. Jared Leto segue-a de perto, com o seu Joker brutal, impiedoso, de gargalhada arrepiante e sorriso mordaz - mesmo com pouco tempo de antena, ele intimida-nos. Jay Hernandez é o reservado Diablo, num desempenho tímido, mas sofredor e com quem facilmente se cria empatia. Ainda de destacar são as interpretações de Will Smith, competente como Deadshot, certeiro, líder e cheio de esperança, e Viola Davis, na pele da fria e intransigível agente Waller, que lidera as operações e as vidas dos vilões.


Com uma uma excelente e ritmada banda sonora, que combina faixas que marcaram gerações com o trabalho do compositor Steven Price, o filme de David Ayer é apenas mediano. Este Esquadrão Suicida não vai além de um desfile de personagens icónicas com que, é verdade, iremos sentir afinidade, por muito maus que sejam. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Red Carpet

E depois de entregues os prémios da grande noite do cinema é tempo de eleger os meus modelos favoritos que desfilaram pela passadeira vermelha dos Oscars. Aqui ficam os meus eleitos e, já sabem, eu não percebo nada de moda.


Jared Leto destacou-se entre os homens pela originalidade. Um cravo vermelho ao pescoço, em vez da gravata, lembrou-nos que o 25 de Abril está perto e conjugou-o muito bem com o seu blazer preto da Gucci.

Flores nasceram no vestido verde claro da nomeada Cate Blanchett. O modelo da Armani com decote em V assenta de forma fabulosa na actriz que transpira elegância e jovialidade.


Houve quem dissesse que ela era o Oscar deste ano, dada a opção pelo dourado. Para mim, Margot Robbie fez a aposta certa, mais jovial que as suas opções em anos anteriores e não menos sensual, mas, acima de tudo, elegante. O vestido Tom Ford consegue ser tão simples como vistoso e realça o visual leve e fresco da actriz.


Sofia Vergara não deixa ninguém indiferente onde quer que esteja. Os Oscars não foram excepção. A actriz surgiu com um vestido Marchesa, longo, cai-cai, azul escuro. Conferiu-lhe elegância, sofisticação e potenciou ainda mais a sua beleza latina.


Já provou que é muito mais do que uma popstar excêntrica. Tem uma voz extraordinária, proporcionou, provavelmente, o melhor momento da noite dos Oscars com a sua actuação e mostrou elegância no modelo branco de Brandon Maxwell. Lady Gaga não conquistou o Oscar para Melhor Canção Original mas deslumbrou na red carpet.

Jovial e descontraída, mas com muita classe, a estrela de Star Wars, Daisy Ridley, não passou despercebida no tapete vermelho. Desfilou num vestido prateado da Chanel, aliando a simplicidade à sofisticação.


Se há mulher que é raro desiludir na red carpet, ela é Jennifer Garner. A actriz escolheu um vestido preto do Atelier Versace que é tudo menos banal. Fabulosa, Garner está certamente entre as mais bem vestidas da noite.


Com o verde esmeralda a realçar a sua pele muito clara e os seus hipnotizantes olhos azuis, Saoirse Ronan não conquistou nenhum Oscar mas todos demos pela sua presença. A talentosa actriz, de 21 anos, desfilou num vestido Calvin Klein, de decote profundo. O cabelo solto fez a combinação perfeita.


Num ano onde o preto e branco predominaram (não tanto na minha lista), Charlize Theron não foi de modas e surgiu fabulosa num vestido vermelho Dior. O profundo decote em V e a saia tipo sereia acentuaram a silhueta da actriz que, aos 40 anos, continua a não dar hipótese na passadeira vermelha. É mesmo um "mulherão" de uma elegância invejável.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Crítica: O Lobo de Wall Street / The Wolf of Wall Street (2013)

"Sell me this pen!"
Jordan Belfort
*8/10*
Mais polémico do que alguma vez foi, Martin Scorsese aliou-se a Leonardo DiCaprio num projecto corajoso e provocador que nos leva aos inacreditáveis bastidores dos corretores da bolsa dos anos 80. Com a câmara de Scorsese, o argumento de  Terence Winter (baseado no livro do verdadeiro Jordan Belfort) e as alucinadas interpretações de DiCaprio e Jonah Hill, O Lobo de Wall Street chegou para chocar e surpreender.

Sexo, drogas e dinheiro são a chave da história verídica que aqui nos contam. Uma comédia que desconstrói um submundo cheio de loucura, festa e burlesco, que caminha de braço dado com grandes fraudes financeiras. Vamos rir-nos muito, mas vamos igualmente arrepender-nos de o fazer ao perceber a dimensão do drama e do "caso de polícia" que temos pela frente. Se fosse apenas ficção - sem fundo real -, ficaríamos mais descansados.

O Lobo de Wall Street conta a história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio). Belfort passa de acções de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título O Lobo de Wall Street.


O argumento, tal como todas as componentes da longa-metragem, é atrevido, com momentos hilariantes e óptimos diálogos. A linguagem é agressiva, mas divertida, recorre frequentemente ao calão, enquadrando-se perfeitamente no ambiente de excessos que envolve O Lobo de Wall Street.

Belfort, por seu lado, é narrador e protagonista. Ele tem-nos como confidentes, conta-nos toda a sua versão dos acontecimentos, olha-nos nos olhos como se fôssemos mais uma personagem. Sentimo-nos dentro do ecrã e deixamo-nos contaminar pela atmosfera mundana e currupta. 

As cores garridas, a montagem - de Thelma Schoonmaker, habitual colaborada de Scorsese -, os enquadramentos, travellings e planos por vezes frenéticos, a utilização da câmara lenta, tudo contribui para nos contaminar com o ambiente vibrante e alucinante vivido na empresa e nas vidas daqueles corretores. Toda a componente técnica parece partilhar dos vícios dos protagonistas, no melhor sentido possível.


No elenco, destaque óbvio para Leonardo DiCaprio, seguido de perto por Jonah Hill - sem esta dupla o filme não seria o mesmo. Os dois actores proporcionam-nos momentos impressionantes e verdadeiramente inesquecíveis, de levar às lágrimas de rir. Margot Robbie assume-se como uma jovem promessa na pele da sensual esposa de Jordan. Jean Dujardin surge na pele de um banqueiro suíço, muito igual ao que nos tem habituado e com uma prestação competente. Já a pequena participação de Matthew McConaughey surge como fundamental, sendo a sua personagem o mentor de Jordan Belfort, que ajuda na construção da sua personalidade como corretor da bolsa - o diálogo entre os dois no restaurante é imperdível.

Vamos condená-lo, mas vamos também ter vergonha de gostar tanto de O Lobo de Wall Street. Martin Scorsese não tem medo de nenhum projecto e com a sua ousadia conseguiu cinco nomeações para as principais categorias dos Oscars: nem a Academia resiste à história de Jordan Belfort.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Globos de Ouro 2014: Red Carpet

Depois de conhecidos os vencedores dos Globos de Ouro 2014, fala-se agora dos modelos com que as estrelas desfilaram na passadeira vermelha.


Mais uma vez, e como é hábito, farei um breve destaque das escolhas que mais me agradaram, vistas na noite de Domingo na red carpet - sempre com a ressalva de que não percebo de moda. 


Uma Thurman surgiu muito elegante num vestido escuro Versace.

Olivia Wilde apresentou-se uma grávida lindíssima no vestido verde da Gucci Premiere.

Jessica Chastain raramente desilude. Desta vez surgiu discreta mas a transbordar elegância num vestido Givenchy

Um dos vencedores da noite, Leonardo DiCaprio chegou vestido pela Armani e cheio de glamour.

Quem também levou um Globo de Ouro para casa foi Matthew McConaughey que esteve muito elegante, ao lado da esposa Camila Alves, ambos vestidos pela Dolce & Gabbana.

Discreta, simples e cheia de estilo, esteve Julia Roberts, lindíssima num vestido Dolce & Gabbana.


Mais uma grávida nesta lista, Kerry Washington desfilou pela red carpet com um bonito e simples vestido branco Balenciaga.

Uma das minhas nomeadas favoritas, Lupita Nyong'o, não levou o Globo de Ouro para casa, mas foi, sem dúvida, uma das mais bem vestidas da noite. O vestido vermelho da Ralph Lauren deixou-a deslumbrante.

Não foram muitos os que morreram de amores pelo vestido Prabal Gurung que Sandra Bullock escolheu para esta noite de prémios. Para mim, no entanto, o outfit assentou-lhe que nem uma luva, dando-lhe um ar leve, que, em conjunto com a maquilhagem e o cabelo, resultou num look fresco e sedutor.

O casal Tatum - Channing e Jenna Dewan - transbordou elegância na passadeira vermelha. O actor num fato Gucci e a esposa num justo vestido branco com bordados em preto da Roberto Cavalli.

Margot Robbie foi certamente uma das mais sexy e bem-vestidas da noite, num discreto vestido branco-pérola da Gucci. Um dos meus preferidos.

Outro dos meus vestidos favoritos da noite foi envergado pela actriz Amber Heard, que desfilou num lindíssimo Versace azul escuro, elegante e sensual, que pedia um cabelo a condizer - o que, na minha opinião, não aconteceu.