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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cinema romântico pelo mundo

O Dia dos Namorados já passou, mas nunca é má altura para ver um filme romântico. Para fugir dos clichés do costume, o Espalha-Factos viajou no tempo e por vários cantos do mundo e apresentou dez formas de filmar o amor com títulos de dez países diferentes.


As minhas escolhas chegaram de Espanha, Hong Kong e México. Fica a recomendação:

Espanha – Chico & Rita, Tono Errando, Javier Mariscal, Fernando Trueba (2010)


De Espanha, chega um exemplo animado. Em Cuba, no ano de 1948, Chico é um jovem pianista com grandes sonhos. Rita é uma bonita cantora com uma voz extraordinária. Música e desejo romântico unem-se a eles, mas a sua jornada – na tradição do bolero – traz mágoa e tormenta. Com eles percorremos Havana, Nova Iorque, Paris, Hollywood e Las Vegas.

É nesta viagem que nos apaixonamos pelos protagonistas e torcemos por eles. A animação tem traço simples e as suas cores são quentes, como as nossas personagens. Uma história de amor e música, de desencontros, de ambições e sonhos. Romântico e sensual, Chico & Rita é um filme a descobrir no dia dos namorados – ou em qualquer outro.

Hong Kong – Disponível Para Amar, Wong Kar-wai (2000)


Em 2000, o mundo pôde conhecer Disponível Para Amar, uma longa-metragem sensível, romântica e realista, que nos dá a conhecer Chow Mo-Wan (Tony Leung) e Su Li-Zhen (Maggie Cheung), vizinhos que vivem num prédio de apartamentos lotados na Hong Kong de 1962. Casados com pessoas sempre ausentes, os dois passam muitas noites sozinhos. Quando se conhecem, descobrem ter muito em comum: ambos gostam de artes marciais, frequentam o mesmo stand de noodles e, eventualmente, descobrem que são traídos pelos parceiros. Ao mesmo tempo que encontram conforto um no outro, escolhem não ser como os seus amantes infiéis.

O amor e a paixão pairam em todo o ambiente de Disponível para Amar, quer nos sentimentos dos protagonistas, nas ruas da cidade, nos gostos em comum, nos movimentos de câmara, nas cores, nas cortinas que esvoaçam… Entre o conforto e a alegria que os protagonistas sentem juntos, à consciência que lhes diz para não passarem os limites que impuseram a si mesmos, o dilema que sentem alastra até ao espectador. Um filme para ver, apreciar e sentir.

México – Como Água para Chocolate, Alfonso Arau (1992)


O romantismo alia-se a um realismo mágico pouco comum e este Romeu e Julieta à mexicana torna-se numa experiência original e divertida – com grandes dotes culinários. No México do início do século XX, esta história de tradições e de um amor infeliz (mas muito doce), apresenta-nos Tita e Pedro que se apaixonam, mas são impedidos de casar. Elena, a mãe dela, segue o costume ancestral de que a filha mais nova (neste caso, Tita) não deve casar e sim ficar em casa para cuidar da mãe. Mas tudo piora mais ainda para a jovem, quando a mãe oferece outra das suas filhas a Pedro e ele aceita a união. Agora, vão viver na mesma casa e Elena não poderá proibir o seu amor tal como fez com o seu casamento.

Este é o amor trágico e mágico de Tita e Pedro, que agradará a românticos incuráveis ou aos mais descomprometidos que gostam de arriscar novas aventuras cinematográficas. Inesperado do início ao fim, Como Água para Chocolate irá abrir o apetite, aquecer corações e, acima de tudo, proporcionar momentos hilariantes, mas também muito românticos. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

LEFFEST'13: Crítica: Disponível para Amar / In the Mood for Love (2000)

*8.5/10*

Entre os homenageados do LEFFEST'13 esteve Wong Kar-Wai. Para além do mais recente trabalho do realizador, The Grandmaster, foram exibidos outros títulos da sua filmografia - Ao Sabor da Ambição, Days of Being Wild, As Cinzas do TempoChungking Express, Anjos Caídos, Felizes Juntos, Disponível para Amar, 2046 My Blueberry Nights - O Sabor do Amor

Em 2000, o mundo pôde conhecer Disponível Para Amar, uma longa-metragem sensível, romântica e realista que tem como palco Hong Kong dos anos 60. Wong Kar-Wai deixa o seu público hipnotizado pelas suas características marcas visuais que dão a este filme uma componente extra de brilhantismo.

O filme gira em torno da relação de Chow Mo-Wan (Tony Leung) e Su Li-Zhen (Maggie Cheung), vizinhos que vivem num prédio de apartamentos lotados na Hong Kong de 1962.  Casados com pessoas que estão sempre ausentes, os dois passam muitas noites sozinhos. Quando se conhecem, descobrem ter muito em comum: ambos gostam de artes marciais, frequentam o mesmo stand de noodles e, eventualmente, descobrem que são traídos pelos parceiros. Ao mesmo tempo que encontram conforto um no outro, escolhem não ser como os seus amantes infiéis.

O argumento simples ganha na originalidade ao tratar um tema que poderia ser tão comum. Contudo estes dois personagens  traídos preferem fugir à regra e manter a fidelidade aos que lhes são infiéis, com o consolo mútuo como único retorno desta relação. O amor e a paixão pairam em todo o ambiente de Disponível para Amar, quer nos sentimentos dos protagonistas, nas ruas da cidade, nos gostos em comum, nos movimentos de câmara, nas cores, nas cortinas que esvoaçam... Cada gesto, pensamento ou mínimo pormenor técnico ou de cenário transpira sentimentos fortes e contagia-nos.


Tecnicamente Wong Kar-Wai conquista-nos nos planos íntimos, inteligentes e sensíveis, que, por vezes, jogam com espelhos, ou com o arrastamento da imagem (tão típico do realizador), e onde a fotografia soberba evidencia cores fortes e padrões inebriantes (o vermelho domina e só nos enche de paixão), o fumo e a chuva, que unem as personagens. Recordem-se algumas cenas inesquecíveis em que os dois se cruzam, junto à escadaria que conduz ao stand de massas, ou o regresso a casa debaixo de chuva, onde não querem ser vistos a chegar juntos. A montagem faz igualmente um óptimo trabalho sendo os (belos) vestidos de Su Li-Zhen que nos informam da passagem do tempo. A banda sonora, não muito variada, é, no entanto, intensa e apaixonante.

Maggie Cheung e Tony Leung proporcionam-nos grandes interpretações com personagens divididas entre o amor e a fidelidade, numa árdua luta para não fazerem o mesmo que lhes fizeram. Entre o conforto e a alegria que sentem juntos, à consciência que lhes diz para não passarem os limites que impuseram a si mesmos, o dilema que sentem alastra até ao espectador, que sofre com eles.

Ao longo de todo o filme, Chow Mo-Wan e Su Li-Zhen têm de fazer escolhas e terão de viver com elas, para o melhor e para o pior. Será que estão disponíveis para amar?