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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sugestão da Semana #154

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque da Sugestão da Semana recai sobre um dos títulos mais injustamente ignorados pelos Oscars 2015, Um Ano Muito Violento. Das interpretações aos aspectos técnicos, este filme merecia muito mais reconhecimento. Podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UM ANO MUITO VIOLENTO


Ficha Técnica:
Título Original: A Most Violent Year
Realizador: J.C. Chandor
Actores: Oscar Isaac, Jessica Chastain, David OyelowoAlbert Brooks
Género: Acção, Crime, Drama
Classificação: M/14
Duração: 125 minutos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Crítica: Um Ano Muito Violento / A Most Violent Year (2014)

"When it feels scary to jump, that is exactly when you jump, otherwise you end up staying in the same place your whole life, and that I can't do."
Abel Morales
*8/10*

O convite irrecusável de J.C. Chandor para entrarmos numa viagem à máfia dos anos 80 chegou com Um Ano Muito Violento. O ambiente sujo e sombrio de Nova Iorque, as desconfianças que nos fazem olhar por cima do ombro a todo o momento e um inusitado mafioso ingénuo e cheio de sentido de justiça e moral ao comando como protagonista fazem desde filme um marco no cinema recente.

Na Nova Iorque de 1981, um ambicioso imigrante luta para proteger o seu negócio e a sua família ao longo do ano mais perigoso da História daquela cidade.

Aqui está uma aposta ganha, e única nos tempos que correm. Um Ano Muito Violento é cativante e envolve-nos num ambiente do qual temos saudades. Se o juntássemos aos famosos Coppola ou Scorsese dos anos 70 e 80, notaríamos muitas diferenças? Parece-me justo afirmar que não. A irónica história do mafioso mais honesto que conhecemos, que anseia por justiça no meio de uma sociedade brutal e corrupta fará as delícias dos fãs de um género que parecia esquecido para o cinema actual. O ponto de partida é inteligente e começa desde logo no título: nada como inserir o nosso lutador protagonista na Nova Iorque mais violenta de que há memória. Ali está a nossa anfitriã. Seguimos o protagonista pelas ruas desertas, pelas estações de comboio grafitadas, seguimos os camiões de combustível pelas estradas intransitáveis, onde o perigo espreita pelos espelhos laterais. No meio desta cidade suja e insegura vamos temer pelas personagens que vemos e vamos ansiar pela justiça que teima em chegar.


Oscar Isaac incorpora o nosso protagonista Abel Morales, imigrante, homem de negócios do ramo dos combustíveis, que se vê, de repente, com problemas em várias frentes que põem em jogo o seu trabalho, família e tudo o que construiu. Perante as adversidades, Abel coloca o orgulho de lado, rebaixa-se, corre atrás de culpados e clama por justiça. Isaac tem uma interpretação sóbria e sentida, com a caracterização a contribuir para o seu aspecto de homem maduro, que sofre na luta por salvar o seu sonho. Ao seu lado, uma mulher dos "diabos", a sua esposa, Anna Morales ou Jessica Chastain num registo mais agressivo e provocador - que parece estar no sangue da personagem -, e extremamente protectora da família, mesmo que isso envolva atitudes menos comuns. Ela não é bem aquilo que parece, e a actriz tem aqui uma das suas melhores performances.


A realização de J.C. Chandor abrilhanta o argumento, relativamente simples, mostrando-nos Nova Iorque como já não a víamos há muito tempo. Uma aura pesada paira sobre ela - a mesma que se sente na banda sonora -, uma espécie de névoa, quase invisível, deixa-nos desconfortáveis e receosos, tal como às nossas personagens. A fotografia é fabulosa e leva-nos nesta viagem no tempo, a esta cidade sombria e de negócios obscuros, onde direcção artística, caracterização e guarda-roupa fazem igualmente um trabalho muito competente.

Chandor supera-se a cada filme e nós alinhamos em entrar na sua visão deste ano muito violento nova-iorquino. Abel e Anna fazem-nos companhia entre máfia, jogos de interesses e insegurança e ensinam-nos a deixar de ser ingénuos... porque, provavelmente, ninguém é totalmente honesto.