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domingo, 16 de outubro de 2022

LEFFEST 2022: De 10 a 20 de Novembro, com Cronenberg, Angela Davis, Michael Fassbender e Alicia Vikander, entre outros

A 16.ª edição do LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival acontece de 10 a 20 de Novembro, entre Lisboa e Sintra, e já é conhecida a programação deste ano. David Cronenberg estará de regresso a Portugal, bem como Stephen FrearsJerzy SkolimowskiOlivier Assayas entre outros nomes do cinema e das artes.

Selecção Oficial: Em Competição e Fora de Competição

A Selecção Oficial em Competição conta com 11 filmes, oriundos da Europa, Ásia e África. São eles: El Agua, de Elena Lopez Riera; Leila’s Brothers, de Saeed Roustaee; Nostalgia, de Mario Martone; Le Bleu du Caftan, de Maryam Touzani; Return to Dust, de Ruijun Li; Poet, de Darezhan Omirbayev; Goutte d'or, de Clément Cogitore; Padre Pio, de Abel Ferrara; Fairytale, de Aleksandr Sokurov; Nação Valente, de Carlos Conceição; e Beyond the Wall, de Vahid Jalilvand.

Já a Selecção Oficial Fora de Competição reúne alguns nomes sonantes do cinema actual, e tem, para já, 15 obras confirmadas: Crimes of the Future, de David Cronenberg, será o Filme de Abertura do festival, e o realizador marcará presença na sessão para uma conversa; The Lost King, de Stephen Frears, que também irá acompanhar o seu filme; EO, de Jerzy Skolimowski, mais uma presença confirmada no LEFFEST; Armageddon Time, de James Gray; White Noise, de Noah Baumbach; Decision to Leave, de Park Chan Wook; Broker, de Hirokazu Kore-eda; All the Beauty and the Bloodshed, de Laura Poitras, com a artista Nan Goldin; Leonora Addio, de Paolo Taviani; Close, de Lukas Dhont; Master Gardener, de Paul Schrader; Corsage, de Marie Kreutzer; Living, de Oliver Hermanus; R.M.N., de Christian Mungiu; e Vadio, de Simão Cayatte.

Crimes of the Future, de David Cronenberg

O júri desta edição do LEFFEST conta com o realizador Olivier Assayas, como presidente, acompanhado pela cineasta do movimento L.A. Rebellion, Julie Dash, o arquitecto francês Rudy Ricciotti e a actriz portuguesa Joana Ribeiro.

Retrospectivas e Homenagens

Nas retrospectivas desta 16. ª edição do LEFFEST, estará em foco o movimento L.A. Rebellion, "surgido nos anos 60, e que reuniu uma série de realizadores associados à UCLA, foi um movimento inovador e revolucionário, atento às vivências das comunidade afro-americana nos EUA". Para além da exibição de alguns dos filmes do movimento, haverá espaço para uma exposição, e os realizadores Charles Burnett, Billy Woodberry, Julie Dash, Ben Caldwell e Haile Gerima estarão presentes no festival para várias conversas.

Jim Carrey será um dos homenageados com Jim Carrey: Mito ou Realidade?; assim como o realizador Sérgio Tréfaut, de quem será exibida a obra completa, e ainda o seu mais recente filme, A Noiva, em antestreia no LEFFEST.

A Noiva, de Sérgio Tréfaut

Programas e ciclos temáticos: Romper das Grades e Sou Culpado?

Destaque ainda para o programa especial Romper as Grades, que pretende "aproximar as vivências das prisões ao nosso público" ao mesmo tempo que quer "aproximar o cinema dos reclusos". Haverá um debate sobre o abolicionismo com Angela Davis, activista, "professora e ensaísta, autora de obras como A Liberdade é uma Luta ConstanteAs Prisões Estão Obsoletas?, ou, o mais recente, uma obra colectiva, Abolition. Feminism. Now., escrito com outras autoras, entre as quais Gina Dent, que também estará presente". Junta-se-lhe um ciclo de filmes, onde se destaca a apresentação de Fome, de Steve McQueen, pelo protagonista Michael Fassbender, debates, dois concertos - Dino D’Santiago e Archie Shepp -, e um espectáculo de dança coreografado por Olga Roriz, com um corpo de bailarinos reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó. Este programa terá uma extensão aos Estabelecimentos Prisionais do Linhó e de Tires, com a projecção de filmes para os reclusos, seguidos de conversas com alguns convidados.

Fome, de Steve McQueen

O LEFFEST 2022 apresenta um ciclo temático sobre culpa, responsabilidade e escolha, intitulado Sou Culpado?, com curadoria de Alexei Artamanov, Denis Ruzaev e Ines Branco Lopez. As questões em redor do tema serão exploradas em sete sessões de cinema, com filmes de Ingmar BergmanNobuhiko Obayashi, Barbara Loden, Thomas Heise, Thomas Harlan, Robert Kramer, Camille Billops, Toshio Matsumoto e Jules Dassin.


Exposições, Teatro, Música e Dança

John Malkovich traz ao LEFFEST uma apresentação do espectáculo The Infamous Ramirez Hoffman, a partir de textos de Roberto Bolaño; haverá concertos de Dino D’Santiago, no Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, e do saxofonista Archie Shepp, no Teatro Tivoli BBVA; e a dança da Companhia Olga Roriz na já referida colaboração com um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó, intitulada A minha história não é igual à tua.

No dia 13 de Novembro, serão inauguradas no MU.SA – Museu das Artes de Sintra, as exposições L.A. Rebellion – Uma Viagem com Ben Caldwell Através da História e do Legado do Movimento e Arte Entre Ruínas: Sublimação Artística na Faixa de Gaza, com as obras da pintora e autora Malak Mattar.

Irma Vep, de Olivier Assayas

Nas Sessões Especiais, o festival promove o workshop Como dirigir actores, com Cristi Puiu, com a exibição de vários excertos de filmes seus; a exibição em sala da série de Olivier Assayas, Irma Vep, com sessões apresentadas pelo realizador e pela actriz Alicia Vikander; uma conversa com John Malkovich, Being John Malkovich, seguida da exibição do filme O Tempo Reencontrado, de Raúl Ruiz, assinalando o centenário da morte de Marcel Proust; uma conversa com o actor Melvil Poupaud, De Raúl Ruiz a Woody Allen, seguida da exibição do filme Combate de Amor em Sonho, de Raúl Ruiz; a exibição de Christophe… Définitivement, sobre o cantor Christophe, com apresentação de Dominique Gonzalez-Foerster, co-realizadora do filme; uma conversa sobre o aqui e agora do cinema de David Cronenberg, seguida da exibição de eXistenZ; a celebração do centenário do pintor Lucian Freud, à conversa com a sua filha Bella Freud e a exibição de um documentário e materiais inéditos sobre o pintor.

Mais informação sobre o Lisbon & Sintra Film Festival em https://www.leffest.com/.

sábado, 5 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Essential Killing – Matar para Viver (2010)

*6.5/10*

Do conceituado realizador polaco Jerzy Skolimowski (The Departure, 1967; The Shout, 1978; Moonlighting, 1982; The Light Ship, 1985), este filme é um thriller perturbador, onde a luta pela sobrevivência se sobrepõe a qualquer outro valor e onde os instintos mais primitivos vêm ao de cima (como o próprio título indica). Apesar da temática da guerra estar inevitavelmente presente, bem como as questões políticas a si associadas, estas não são, de todo, a alma do filme.

A fotografia e os cenários deslumbrantes, a que se junta a realização de Skolimowski e a incrível interpretação de Vincent Gallo, fazem esquecer por momentos o argumento pouco forte, que deixa a desejar.

Essential Killing – Matar para Viver pretende mostrar Mohammed (Vincent Gallo) que, após matar três soldados americanos no Afeganistão, é capturado pelo exército americano e transferido para uma base militar na Europa. Contudo, a carrinha onde é transportado despista-se e Mohammed consegue fugir, refugiando-se numa floresta gelada, onde terá de lutar pela sobrevivência, tentando escapar do exército que o continua a querer capturar, ao mesmo tempo que tem de enfrentar outros perigos.


O argumento de Skolimowski e de Ewa Piaskowska, apesar de interessante, não se revela suficiente. Há muito pouca história e não se cria uma ligação ao protagonista que, a meu ver, seria necessária. Assiste-se a toda a luta de Mohammed pela sobrevivência, perante situações arrepiantes que, de uma forma ou de outra, irão mexer com as emoções de quem assiste, todavia, não se conhece a história do protagonista.

O seu passado é apresentado de forma muito ténue, através de flashbacks, recordando a mulher e o filho. Nada mais se sabe sobre o seu passado, se cometeu algum outro crime, não se percebe porque é que as tropas americanas o querem capturar vivo, que segredos ele saberá… Tudo isto são questões que se vão colocando e que nunca serão respondidas. Mais ainda, Essential Killing não dá quaisquer dados objectivos quanto ao espaço, apesar de ser intencional por parte do realizador, facto é que também não ajuda à compreensão do filme.


Quanto às questões políticas que, como referi, não são o que interessa “reter” aqui, elas estão presentes e não se lhes consegue ficar indiferente. A forma como os homens capturados são tratados (e torturados) dá que pensar e não deixa de levantar polémica.

Filmado em Israel, Polónia e Noruega, a longa-metragem apresenta cenários incríveis, tanto no que respeita às paisagens geladas europeias, como aos tons quentes do médio oriente. Aliada a isso, a direcção de fotografia, a cargo de Adam Sikora, está brilhante. A realização de Jerzy Skolimowski utiliza frequentemente a handcamera e proporciona uma experiência diferente ao público que, por vezes, está a “ver” o mesmo que o protagonista e, em outras, o segue. Vive-se o filme tão intensamente, ao ponto de se tornar “sufocante”, no melhor sentido possível.

A interpretação de Vincent Gallo é fabulosa, apesar de não lhe ouvirmos sequer uma fala. É surpreendente como o actor, apesar de não falar, consegue transmitir tudo o que é preciso. E, afinal, um homem à margem da sociedade, para quem tudo vale para sobreviver, precisaria dizer o que mais que as imagens já por si não dissessem? Trata-se de um desempenho forte, selvagem e perturbador.


Apesar de Essential Killing – Matar para Viver não ser brilhante, sendo o argumento o grande responsável pela desilusão que o filme pode provocar, há um conjunto de pontos fortes, principalmente em termos visuais, que valem a pena ser apreciados. Não é, claramente, um filme para todos, mas o choque que algumas cenas provocam apenas demonstra como o Homem pode tornar-se animalesco quando a sobrevivência está em jogo.

Texto originalmente publicado em https://espalhafactos.com/2011/06/23/missao-sobreviver/ a 23 de Julho de 2011, por ocasião da estreia comercial do filme. Recupero-o agora dada a sua exibição no LEFFEST'16, na Retrospectiva de Jerzy Skolimowski.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

LEFFEST'16: Jean-Luc Godard e Jerzy Skolimowski homenageados

Na sua 10.ª edição, o Lisbon & Estoril Film Festival vai homenagear os cineastas Jean-Luc Godard e Jerzy Skolimowski. O evento irá decorrer entre 4 e 13 de Novembro.


As obras de Godard e Skolimowski serão alvo de uma retrospectiva integral durante o festival. O trabalho do realizador francês será igualmente tema de discussão no simpósio internacional desta edição. Figuras do mundo cinematográfico, das artes, da literatura e da crítica internacional vão partilhar com o público a influência que o cineasta teve em cada um e nas gerações futuras.  Jerzy Skolimowski, por sua vez, e após ter conquistado o prémio para Melhor Filme do LEFFEST'15 com 11 Minutos, regressa para ser homenageado e ainda para fazer parte do júri da Selecção Oficial em Competição. Também a obra da realizadora portuguesa Teresa Villaverde será alvo de uma retrospectiva integral.

No que ao teatro diz respeito, o LEFFEST'16 vai apresentar Dias Felizes, peça de Samuel Beckett, onde a actriz italiana Nicoletta Braschi interpreta o papel de Winnie. A encenação é de Andrea Renzi, que veste a pele de Willie, e será apresentada no Teatro Nacional D. Maria II, nos dias 10 e 11 de Novembro.

Nesta 10.ª edição, poderemos ver a exposição fotográfica Chema Prado/Series que inclui retratos de grande formato de personalidades do cinema, como John Malkovich, Manoel de Oliveira, António Banderas, Pedro Almodóvar, Stephen Frears, Jim Jarmusch, Robert de Niro, entre outros. Trata-se de uma série de fotografias espontâneas de autoria de Chema Prado, que dirigiu durante 30 anos a Cinemateca Espanhola.