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terça-feira, 6 de maio de 2025

Sugestão da Semana #664

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca The Shrouds - As Mortalhas, de David Cronenberg. Não será um filme para todos os gostos, mas um desafio para os mais corajosos.

THE SHROUDS - AS MORTALHAS


Ficha Técnica:
Título Original: The Shrouds
Realizador: David Cronenberg
Elenco: Vincent Cassel, Diane Kruger, Guy Pearce, Sandrine Holt, Elizabeth Saunders
Género: Drama, Ficção Científica, Terror, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 120 minutos

sexta-feira, 17 de março de 2023

Ads & Cinema #32

A Yves Saint Laurent reuniu quatro cineastas veteranos para a sua campanha de Primavera-Verão intitulada The Director’s Cut. Cada um com um estilo muito próprio, quer no visual com que se apresenta, quer na sua filmografia, os eleitos para dar rosto e corpo à campanha foram: Abel Ferrara, David Cronenberg, Jim Jarmusch e Pedro Almodóvar. 

Filmados a preto e branco, de fatos pretos e a condizer com a sua personalidade, o resultado é uma campanha cheia de classe.

Vê os clips de cada realizador:

David Cronenberg

Jim Jarmusch

Pedro Almodóvar

Abel Ferrara

domingo, 27 de novembro de 2022

Sugestão da Semana #536

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Crimes do Futuro, o mais recente filme de David Cronenberg, protagonizado por Viggo Mortensen, e com Léa Seydoux, Kristen Stewart, Scott Speedman e o luso-guineense Welket Bungué no elenco. A longa-metragem tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Crimes of the Future
Realizador: David Cronenberg
Elenco: Viggo Mortensen, Léa Seydoux, Kristen Stewart, Scott Speedman, Welket Bungué, Don McKellar
Género: Drama, Ficção Científica, Terror
Classificação: M/16
Duração: 107 minutos

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Crítica: Crimes do Futuro / Crimes of the Future (2022)

“Surgery is the new sex"
Timlin


*7.5/10*

Crimes of the Future é o regresso de David Cronenberg ao estilo que marcou grande parte da sua filmografia: um cinema visceral, onde dor e prazer se misturam. Longe de ser tão chocante como alguns dos seus títulos mais famosos, o filme demonstra como a criatividade do realizador não se esgota, enquanto recupera temas sobre os quais já tem trabalhado.

"Crimes of the Future mergulha num futuro não tão distante onde a humanidade aprende a adaptar-se a ambientes sintéticos. Esta evolução leva o ser humano para lá do seu estado natural, para uma metamorfose, alterando a sua composição biológica. Enquanto alguns abraçam o potencial ilimitado deste transhumanismo, outros tentam policiar o mesmo. Saul Tenser é um apreciado artista que abraçou esta Síndrome de Evolução Acelerada, germinando órgãos novos e inesperados no seu corpo." Ele e a sua parceira, Caprice, fazem da remoção destes órgãos um espectáculo artístico, perante uma plateia maravilhada. No entanto, são muitos os que os vigiam.


A estranheza está de volta ao cinema de David Cronenberg. Num futuro onde tudo é antigo e está em ruínas, os corpos alteram-se e a dor, o prazer e a arte misturam-se para o êxtase das massas, que sempre deliraram com o grotesco. Eis Crimes of the Future, a sua estética singular e personagens tão ambíguas, mas igualmente fascinantes. E no meio de uma biologia tão doente e corrompida, eis que os adeptos do sintético, e até os cépticos, se imiscuem entre os admiradores da componente artística da doença.

O body horror regressa à filmografia de Cronenberg, onde, agora, o prazer é obtido através da combinação da arte e da dor (ausente na maioria dos humanos). E eis que o realizador volta a explorar os corpos e as mais inesperadas formas de prazer.


Esteticamente tudo é antiquado (ruas, casas, corpos, sensações), e nem a tecnologia tem um aspeto moderno, mas sim mecânico, industrial - e, algumas vezes, até monstruoso. O fabuloso trabalho da direcção artística, com uma criatividade imensa, cria um ambiente tão ambíguo que condiz com o enredo, conferindo-lhe ainda maior estranheza. A direcção de fotografia potencia todo o obscurantismo da história, dos cenários e dos actos das personagens, entre sombras, tons escuros e cores vívidas, tudo filmado e iluminado, tal qual uma pintura clássica. 


E por entre a excentricidade de Crimes of the Future, com todas características que têm marcado a carreira de David Cronenberg, pode encontrar-se uma mensagem ecológica (desde o mundo em ruínas, a abundância do plástico, os tumores cada vez mais complexos, uma genética cada vez menos natural, etc.) entre as linhas do argumento. 

No elenco, Viggo Mortensen surge de figura frágil como Saul, atormentado por um corpo em constante mutação, num desempenho tão contido como violento. Destaque ainda para Kristen Stewart, a atraente e algo bizarra burocrata Timlin; e para o luso-guineense Welket Bungué, um polícia misterioso e descrente na evolução "artística" do corpo.


Em Crimes of the Future, David Cronenberg repete a fórmula e continua a dividir o público, entre o choque do visceral e a forma provocadora como recupera os mesmos temas, dotando-os de actualidade, num misto de violência e beleza visual.

domingo, 16 de outubro de 2022

LEFFEST 2022: De 10 a 20 de Novembro, com Cronenberg, Angela Davis, Michael Fassbender e Alicia Vikander, entre outros

A 16.ª edição do LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival acontece de 10 a 20 de Novembro, entre Lisboa e Sintra, e já é conhecida a programação deste ano. David Cronenberg estará de regresso a Portugal, bem como Stephen Frears, Jerzy Skolimowski, Olivier Assayas entre outros nomes do cinema e das artes.

Selecção Oficial: Em Competição e Fora de Competição

A Selecção Oficial em Competição conta com 11 filmes, oriundos da Europa, Ásia e África. São eles: El Agua, de Elena Lopez Riera; Leila’s Brothers, de Saeed Roustaee; Nostalgia, de Mario Martone; Le Bleu du Caftan, de Maryam Touzani; Return to Dust, de Ruijun Li; Poet, de Darezhan Omirbayev; Goutte d'or, de Clément Cogitore; Padre Pio, de Abel Ferrara; Fairytale, de Aleksandr Sokurov; Nação Valente, de Carlos Conceição; e Beyond the Wall, de Vahid Jalilvand.

Já a Selecção Oficial Fora de Competição reúne alguns nomes sonantes do cinema actual, e tem, para já, 15 obras confirmadas: Crimes of the Future, de David Cronenberg, será o Filme de Abertura do festival, e o realizador marcará presença na sessão para uma conversa; The Lost King, de Stephen Frears, que também irá acompanhar o seu filme; EO, de Jerzy Skolimowski, mais uma presença confirmada no LEFFEST; Armageddon Time, de James Gray; White Noise, de Noah Baumbach; Decision to Leave, de Park Chan Wook; Broker, de Hirokazu Kore-eda; All the Beauty and the Bloodshed, de Laura Poitras, com a artista Nan Goldin; Leonora Addio, de Paolo Taviani; Close, de Lukas Dhont; Master Gardener, de Paul Schrader; Corsage, de Marie Kreutzer; Living, de Oliver Hermanus; R.M.N., de Christian Mungiu; e Vadio, de Simão Cayatte.

Crimes of the Future, de David Cronenberg

O júri desta edição do LEFFEST conta com o realizador Olivier Assayas, como presidente, acompanhado pela cineasta do movimento L.A. Rebellion, Julie Dash, o arquitecto francês Rudy Ricciotti e a actriz portuguesa Joana Ribeiro.

Retrospectivas e Homenagens

Nas retrospectivas desta 16. ª edição do LEFFEST, estará em foco o movimento L.A. Rebellion, "surgido nos anos 60, e que reuniu uma série de realizadores associados à UCLA, foi um movimento inovador e revolucionário, atento às vivências das comunidade afro-americana nos EUA". Para além da exibição de alguns dos filmes do movimento, haverá espaço para uma exposição, e os realizadores Charles Burnett, Billy Woodberry, Julie Dash, Ben Caldwell e Haile Gerima estarão presentes no festival para várias conversas.

Jim Carrey será um dos homenageados com Jim Carrey: Mito ou Realidade?; assim como o realizador Sérgio Tréfaut, de quem será exibida a obra completa, e ainda o seu mais recente filme, A Noiva, em antestreia no LEFFEST.

A Noiva, de Sérgio Tréfaut

Programas e ciclos temáticos: Romper das Grades e Sou Culpado?

Destaque ainda para o programa especial Romper as Grades, que pretende "aproximar as vivências das prisões ao nosso público" ao mesmo tempo que quer "aproximar o cinema dos reclusos". Haverá um debate sobre o abolicionismo com Angela Davis, activista, "professora e ensaísta, autora de obras como A Liberdade é uma Luta Constante, As Prisões Estão Obsoletas?, ou, o mais recente, uma obra colectiva, Abolition. Feminism. Now., escrito com outras autoras, entre as quais Gina Dent, que também estará presente". Junta-se-lhe um ciclo de filmes, onde se destaca a apresentação de Fome, de Steve McQueen, pelo protagonista Michael Fassbender, debates, dois concertos - Dino D’Santiago e Archie Shepp -, e um espectáculo de dança coreografado por Olga Roriz, com um corpo de bailarinos reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó. Este programa terá uma extensão aos Estabelecimentos Prisionais do Linhó e de Tires, com a projecção de filmes para os reclusos, seguidos de conversas com alguns convidados.

Fome, de Steve McQueen

O LEFFEST 2022 apresenta um ciclo temático sobre culpa, responsabilidade e escolha, intitulado Sou Culpado?, com curadoria de Alexei Artamanov, Denis Ruzaev e Ines Branco Lopez. As questões em redor do tema serão exploradas em sete sessões de cinema, com filmes de Ingmar Bergman, Nobuhiko Obayashi, Barbara Loden, Thomas Heise, Thomas Harlan, Robert Kramer, Camille Billops, Toshio Matsumoto e Jules Dassin.


Exposições, Teatro, Música e Dança

John Malkovich traz ao LEFFEST uma apresentação do espectáculo The Infamous Ramirez Hoffman, a partir de textos de Roberto Bolaño; haverá concertos de Dino D’Santiago, no Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, e do saxofonista Archie Shepp, no Teatro Tivoli BBVA; e a dança da Companhia Olga Roriz na já referida colaboração com um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó, intitulada A minha história não é igual à tua.

No dia 13 de Novembro, serão inauguradas no MU.SA – Museu das Artes de Sintra, as exposições L.A. Rebellion – Uma Viagem com Ben Caldwell Através da História e do Legado do Movimento e Arte Entre Ruínas: Sublimação Artística na Faixa de Gaza, com as obras da pintora e autora Malak Mattar.

Irma Vep, de Olivier Assayas

Nas Sessões Especiais, o festival promove o workshop Como dirigir actores, com Cristi Puiu, com a exibição de vários excertos de filmes seus; a exibição em sala da série de Olivier Assayas, Irma Vep, com sessões apresentadas pelo realizador e pela actriz Alicia Vikander; uma conversa com John Malkovich, Being John Malkovich, seguida da exibição do filme O Tempo Reencontrado, de Raúl Ruiz, assinalando o centenário da morte de Marcel Proust; uma conversa com o actor Melvil Poupaud, De Raúl Ruiz a Woody Allen, seguida da exibição do filme Combate de Amor em Sonho, de Raúl Ruiz; a exibição de Christophe… Définitivement, sobre o cantor Christophe, com apresentação de Dominique Gonzalez-Foerster, co-realizadora do filme; uma conversa sobre o aqui e agora do cinema de David Cronenberg, seguida da exibição de eXistenZ; a celebração do centenário do pintor Lucian Freud, à conversa com a sua filha Bella Freud e a exibição de um documentário e materiais inéditos sobre o pintor.

Mais informação sobre o Lisbon & Sintra Film Festival em https://www.leffest.com/.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Passos no Escuro: A Mosca, de David Cronenberg, a 4 de Julho no Porto

A Mosca, de David Cronenberg, será exibido no Passos no Escuro, no dia 4 de Julho, às 19h00, no Cinema Passos Manuel, no Porto. 


Ainda sem uma agenda regular, a iniciativa Passos no Escuro regressa esta semana com o filme de 1986, A Mosca, com Geena Davis e Jeff Goldblum. Um filme que "chocou plateias de todo o mundo, ao mostrar em detalhe a metamorfose lenta e dolorosa da personagem principal até se tornar num insecto", refere a organização, em comunicado. A caracterização da longa-metragem, a cargo de Chris Walas e Stephan Dupuis, conquistou um Oscar.

A Mosca conta a história de um "cientista, que na tentativa de dominar o teletransporte, se vê a transformar na mosca que inadvertidamente viajou com ele". E apesar de partilhar a sinopse com o filme original de 1958, com Vincent Price, "a motivação de David Cronenberg vai para além dos sustos ou do choque, explorando aqui o deteriorar de uma relação, ao materializar num monstro o distanciamento, a ambição e a alienação". 

De acordo com as regras da DGS, a lotação da sala do Cinema Passos Manuel estará limitada a 91 lugares, com um lugar de separação entre cada espectador, e haverá pontos de higienização identificados, para além do uso obrigatório de máscara durante toda a sessão.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Lisbon & Sintra Film Festival'17: Programação

O Lisbon & Sintra Film Festival começa no dia 17 e prolonga-se até 26 de Novembro em Lisboa e Sintra. Serão exibidos mais de 180 filmes e entre os convidados desta edição estão nomes como Isabelle Huppert, David Cronenberg, Robert Pattinson, Abel Ferrara e Willem Dafoe, entre muitos outros, fora os que ainda poderão aparecer.


Na Selecção Oficial - Em Competição, encontram-se 13 longas-metragens: Cocote, de Nelson​ ​Carlo​ ​de​ ​Los​ ​Santos, Geu-Hu ​(The Day After), de​ ​Hong​ ​Sangsoo, How to Talk to Girls at Parties, de ​John​ ​Cameron​ ​Mitchell, La Libertad del Diablo, de Everardo​ ​González, Lerd​ ​(A Man of Integrity)​, de Mohammad​ ​Rasoulof, Les Gardiennes, de Xavier​ ​Beauvois, Lucky, de​​ ​John​ ​Carroll​ ​Lynch, Šerkšnas (Frost), de Sharunas​ ​Bartas, Tesnota (Closeness), de ​Kantemir​ ​Balagov, Verão Danado, de Pedro Cabeleira, e Western, de ​Valeska​ ​Grisebach.

Também na Selecção Oficial mas Fora de Competição estão filmes muito esperados como A Hora mais Negra, de​​ ​Joe​ ​Wright, First Reformed, de Paul​ ​Schrader, I Love You, Daddy, do agora tão polémico ​Louis​ ​C.K., It Comes at Night, de Trey​ ​Edward​ ​Shults, Last Flag Flying, de Richard​ ​Linklater, Mektoub, My Love: Canto Uno, de Abdellatif​ ​Kechiche, ou Roda Gigante, de Woody Allen.


Para além das primeiras novidades anunciadas em Junho passado, sabemos agora que os artistas alvo de homenagens e retrospectivas são Isabelle Huppert, Abel Ferrara, Alain Tanner, Julian Schnabel, João Mário Grilo, José Vieira e Peter Brook.

O realizador pioneiro de uma filmografia dedicada à emigração - em especial aos portugueses que partiram para França nos anos 60 -, José Vieira, terá direito a uma Retrospectiva da sua obra no festival, onde marcará presença. Souvenirs d'un Futur Radieux, Os Emigrantes, O Pão que o Diabo Amassou, Le Bateau en Carton e A Ilha dos Ausentes são alguns dos títulos exibidos no LEFFEST. 

Nas sessões especiais, destaque para o Foco Mathieu Amalric, com​ ​a​ ​presença​ ​do​ ​realizador, e para The Exorcist Revisited que conta com a exibição do clássico do terror de William Friedkin, de 1973, O Exorcista, e com o documentário The Devil and the Father Amorth, onde o realizador conhece o Padre Gabriele Amorth, conhecido como "o exorcista do Vaticano", filmando o seu nono exorcismo.

O actor Robert Pattinson marcará presença no LEFFEST'17, no dia 23 de Novembro, para uma conversa com o público e com o escritor Don DeLillo, após a exibição do filme Cosmopolis, no Centro Cultural Olga Cadaval. A 25 de Novembro, o actor vem ao Monumental para uma sessão Q&A após a projecção de Good Time, dos irmãos Safdie.

No Teatro, o público do LEFFEST terá a oportunidade de assistir a Battlefield​,​ de​ ​Peter​ ​Brook​ ​e​ ​Marie-Hélène​ ​Estienne, Ensaio para uma Cartografia, de Mónica​ ​Calle, e Colecção de Amantes, de Raquel André.


Para conhecer o programa completo do Lisbon & Sintra Film Festival e horários é só consultar o site http://www.leffest.com ou o facebook do festival https://www.facebook.com/leffest/.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sugestão da Semana #146

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de David Cronenberg, Mapas para as Estrelas, que convida a mergulhar num lado obscuro da fama com os fantasmas de cada um. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

MAPAS PARA AS ESTRELAS


Ficha Técnica:
Título Original: Maps to the Stars
Realizador: David Cronenberg
Actores: Julianne Moore, Mia Wasikowska, Robert Pattinson, John Cusack, Evan Bird, Olivia Williams, Sarah Gadon
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 111 minutos

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

LEFFEST'14: Maps to the Stars (2014)

*7/10*

Os fantasmas de cada um surgem no lado mais obscuro da fama e David Cronenberg faz questão de mostrá-los no seu Maps to the Stars. No elenco deste pesadelo cinematográfico temos Julianne Moore, Mia Wasikowska, Robert Pattinson e John Cusack.


O passado aqui define, efectivamente, o presente. Na Los Angeles actual, Maps to the Stars apresenta-nos uma jornada negra e satírica em volta de uma família de Hollywood, de uma actriz de meia idade e de um motorista que quer ser actor, entre encontros e desencontros, desequilíbrios e passados atormentadores.

Não simpatizaremos com ninguém, não tomaremos partido, mas ficaremos chocados com os bastidores da fama - aqui marcados pelo incesto. A introdução e ligação entre cada personagem é feita de forma brilhante e sarcástica, onde é o incesto que une os protagonistas desta longa-metragem. É muito o que têm em comum Havana Segrand, Agatha e Benjie e será neles que as principais atenções vão recair, também muito graças ao excelente desempenho dos seus actores. Julianne Moore tem aqui mais uma das suas grandes performances, na pele de uma mulher capaz de tudo por um papel e totalmente desequilibrada, com uma transformação física que não tem medo de mostrar o cansaço e as marcas da idade. Mia Wasikowska é a sinistra Agatha, numa das sua melhores interpretações, extremamente bizarra e parca de sentimentos. Uma boa revelação é Evan Bird como Benjie, o jovem actor que alcançou o sucesso cedo demais e se deixou deslumbrar pelas drogas e vida fácil, mas que vive atormentado por um passado que teima em não o deixar.


Sexo, drogas, obsessão, loucura, família, alucinações e morte são os ingredientes fulcrais deste Maps to the Stars, que apesar da superficialidade com que nos apresenta a história de cada personagem - queríamos saber mais sobre Havana, sem dúvida -, consegue perturbar e deixar-nos a pensar sobre o outro lado deste sonho que tantos ambicionam. E nesta Hollywood irónica e mordaz, encontramos facilmente marcas de Cronenberg, um pouco por toda a parte.

Depois de passar pelo LEFFEST'14, o filme chegará aos cinemas portugueses ainda este ano.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Crítica: Cosmopolis (2012)

"Show me something I don't know"
Eric Packer

O desejo de liberdade, nas suas formas mais selváticas, vagueia por Manhattan, no novo filme de David Cronenberg. Ao protagonista Robert Pattinson é dada a oportunidade de se afastar da personagem que o tornou famoso, na saga Twilight, entrando num projecto muito diferente de qualquer um em que já tenha estado envolvido. Já o realizador, parece ter voltado às origens com este Cosmopolis.

Com produção portuguesa, de Paulo Branco, o filme trouxe Cronenberg, Pattinson e Don Dellilo, o autor do livro que lhe deu origem, a Lisboa, que marcaram presença nas duas antestreias da passada terça-feira. Cosmopolis tem dividido a crítica um pouco por todo o mundo, mas é certo que ninguém lhe fica indiferente.

Depois de Um Método Perigoso, filme que se afastou um pouco da originalidade característica do realizador, Cosmopolis é, claramente, um regresso ao passado e aos filmes que marcaram a carreira de Cronenberg, como Videodrome (Experiência de Alucinante). Aqui, não há medo de mostrar nada, nem obsessões, nem violência, nem sexo. Ainda assim, o mestre parece estar ainda algo “tímido” em Cosmopolis.