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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Crítica: Nação Valente / Tommy Guns (2022)

"A pátria está orgulhosa de si, meu cabo"


*9/10*

Nação Valente, a segunda longa-metragem de Carlos Conceição, reaviva os fantasmas da guerra colonial em Angola, com o toque provocador e contemporâneo que caracteriza o realizador. As pistas vão sendo deixadas ao longo do filme, cuja narrativa esconde segredos acima e debaixo da terra. Os mortos estão prontos para lembrar os vivos das atrocidades que já esqueceram.

"A história começa em 1974, apenas um ano antes da independência do país, após séculos de domínio português. Portugueses e seus descendentes estão a fugir do país enquanto os revolucionários angolanos reclamam gradualmente a sua terra de volta. Uma rapariga mumuíla descobre o amor e o perigo quando o seu caminho se cruza com o de um militar português. Por outro lado, um grupo de soldados, completamente isolados do mundo exterior, cumpre cegamente as ordens brutais do seu comandante, em nome do serviço à Pátria."


Com a guerra colonial perto do fim, Nação Valente apresenta o clima de medo que se sentia entre os portugueses que ainda permaneciam em Angola - Leonor Silveira é a freira portuguesa que apoia as tribos locais -, mas igualmente dos nativos que receiam as tropas portuguesas ainda no terreno. Noutro local, mais isolado, jovens soldados portugueses treinam incessantemente preparando-se para lutar contra um inimigo, aparentemente, invisível. E, neste filme, não há descanso, nem para as vítimas nem para os agressores, todos em constante alerta, de arma em punho, olhar atento a cada movimento ou sombra.

Carlos Conceição lança dúvidas e provocações à plateia ao longo de todo o filme, dos momentos sensuais que se tornam instantaneamente violentos, às fotos a preto e branco e recortes de jornal bem guardados, um cordão de Nossa Senhora que passa de mão em mão - unindo personagens que nunca se conheceram, bem como as duas metades da longa-metragem -, uma musa Brigitte Bardot salva das águas pelos jovens soldados, um muro infindável que os intriga, memórias que escasseiam, visões fantasmagóricas e a chegada de uma prostituta que lhes traz a revelação e a salvação.


Entre o realista e o sobrenatural, de dia ou de noite, o fabuloso trabalho da direcção de fotografia de Vasco Viana, capta a magia incómoda que as analogias, os traumas e os fantasmas carregam.
 
Apesar de todo o lado fantasioso e irónico de Nação Valente, há uma clara mensagem para reavivar memórias nunca totalmente assimiladas pelo povo português, espelhadas agora no crescimento dos movimentos extremistas, racistas e saudosistas. Conceição criou uma longa-metragem simbólica e incompassiva, que não quer esquecer, para alertar e acordar os mortos, exorcizar os descrentes ou esquecidos. Traz a Memória colectiva ao cinema de uma forma diferente do que já se fez e com a coragem e personalidade necessária.


De forma inesperada, Nação Valente confronta o Presente com o Passado do qual tem fugido e que lhe é desconfortável lembrar, e fá-lo de uma forma visualmente perturbadora e com uma criatividade que lhe é muito particular.

domingo, 23 de abril de 2023

Sugestão da Semana #557

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme Nação Valente, de Carlos Conceição.

NAÇÃO VALENTE



Ficha Técnica:
Título Original: Nação Valente
Realizador: Carlos Conceição
Elenco: João Arrais, Anabela Moreira, Miguel Amorim, Ivo Arroja, André Cabral, João Cachola, Vicente Gil, Diogo Nobre, Gustavo Sumpta, Sílvio Vieira, Ulé Baldé, Meirinho Mendes, Leonor Silveira, Angelina Gonga
Género: Drama, Guerra
Classificação: M/14
Duração: 118 minutos

domingo, 16 de outubro de 2022

LEFFEST 2022: De 10 a 20 de Novembro, com Cronenberg, Angela Davis, Michael Fassbender e Alicia Vikander, entre outros

A 16.ª edição do LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival acontece de 10 a 20 de Novembro, entre Lisboa e Sintra, e já é conhecida a programação deste ano. David Cronenberg estará de regresso a Portugal, bem como Stephen FrearsJerzy SkolimowskiOlivier Assayas entre outros nomes do cinema e das artes.

Selecção Oficial: Em Competição e Fora de Competição

A Selecção Oficial em Competição conta com 11 filmes, oriundos da Europa, Ásia e África. São eles: El Agua, de Elena Lopez Riera; Leila’s Brothers, de Saeed Roustaee; Nostalgia, de Mario Martone; Le Bleu du Caftan, de Maryam Touzani; Return to Dust, de Ruijun Li; Poet, de Darezhan Omirbayev; Goutte d'or, de Clément Cogitore; Padre Pio, de Abel Ferrara; Fairytale, de Aleksandr Sokurov; Nação Valente, de Carlos Conceição; e Beyond the Wall, de Vahid Jalilvand.

Já a Selecção Oficial Fora de Competição reúne alguns nomes sonantes do cinema actual, e tem, para já, 15 obras confirmadas: Crimes of the Future, de David Cronenberg, será o Filme de Abertura do festival, e o realizador marcará presença na sessão para uma conversa; The Lost King, de Stephen Frears, que também irá acompanhar o seu filme; EO, de Jerzy Skolimowski, mais uma presença confirmada no LEFFEST; Armageddon Time, de James Gray; White Noise, de Noah Baumbach; Decision to Leave, de Park Chan Wook; Broker, de Hirokazu Kore-eda; All the Beauty and the Bloodshed, de Laura Poitras, com a artista Nan Goldin; Leonora Addio, de Paolo Taviani; Close, de Lukas Dhont; Master Gardener, de Paul Schrader; Corsage, de Marie Kreutzer; Living, de Oliver Hermanus; R.M.N., de Christian Mungiu; e Vadio, de Simão Cayatte.

Crimes of the Future, de David Cronenberg

O júri desta edição do LEFFEST conta com o realizador Olivier Assayas, como presidente, acompanhado pela cineasta do movimento L.A. Rebellion, Julie Dash, o arquitecto francês Rudy Ricciotti e a actriz portuguesa Joana Ribeiro.

Retrospectivas e Homenagens

Nas retrospectivas desta 16. ª edição do LEFFEST, estará em foco o movimento L.A. Rebellion, "surgido nos anos 60, e que reuniu uma série de realizadores associados à UCLA, foi um movimento inovador e revolucionário, atento às vivências das comunidade afro-americana nos EUA". Para além da exibição de alguns dos filmes do movimento, haverá espaço para uma exposição, e os realizadores Charles Burnett, Billy Woodberry, Julie Dash, Ben Caldwell e Haile Gerima estarão presentes no festival para várias conversas.

Jim Carrey será um dos homenageados com Jim Carrey: Mito ou Realidade?; assim como o realizador Sérgio Tréfaut, de quem será exibida a obra completa, e ainda o seu mais recente filme, A Noiva, em antestreia no LEFFEST.

A Noiva, de Sérgio Tréfaut

Programas e ciclos temáticos: Romper das Grades e Sou Culpado?

Destaque ainda para o programa especial Romper as Grades, que pretende "aproximar as vivências das prisões ao nosso público" ao mesmo tempo que quer "aproximar o cinema dos reclusos". Haverá um debate sobre o abolicionismo com Angela Davis, activista, "professora e ensaísta, autora de obras como A Liberdade é uma Luta ConstanteAs Prisões Estão Obsoletas?, ou, o mais recente, uma obra colectiva, Abolition. Feminism. Now., escrito com outras autoras, entre as quais Gina Dent, que também estará presente". Junta-se-lhe um ciclo de filmes, onde se destaca a apresentação de Fome, de Steve McQueen, pelo protagonista Michael Fassbender, debates, dois concertos - Dino D’Santiago e Archie Shepp -, e um espectáculo de dança coreografado por Olga Roriz, com um corpo de bailarinos reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó. Este programa terá uma extensão aos Estabelecimentos Prisionais do Linhó e de Tires, com a projecção de filmes para os reclusos, seguidos de conversas com alguns convidados.

Fome, de Steve McQueen

O LEFFEST 2022 apresenta um ciclo temático sobre culpa, responsabilidade e escolha, intitulado Sou Culpado?, com curadoria de Alexei Artamanov, Denis Ruzaev e Ines Branco Lopez. As questões em redor do tema serão exploradas em sete sessões de cinema, com filmes de Ingmar BergmanNobuhiko Obayashi, Barbara Loden, Thomas Heise, Thomas Harlan, Robert Kramer, Camille Billops, Toshio Matsumoto e Jules Dassin.


Exposições, Teatro, Música e Dança

John Malkovich traz ao LEFFEST uma apresentação do espectáculo The Infamous Ramirez Hoffman, a partir de textos de Roberto Bolaño; haverá concertos de Dino D’Santiago, no Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, e do saxofonista Archie Shepp, no Teatro Tivoli BBVA; e a dança da Companhia Olga Roriz na já referida colaboração com um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional do Linhó, intitulada A minha história não é igual à tua.

No dia 13 de Novembro, serão inauguradas no MU.SA – Museu das Artes de Sintra, as exposições L.A. Rebellion – Uma Viagem com Ben Caldwell Através da História e do Legado do Movimento e Arte Entre Ruínas: Sublimação Artística na Faixa de Gaza, com as obras da pintora e autora Malak Mattar.

Irma Vep, de Olivier Assayas

Nas Sessões Especiais, o festival promove o workshop Como dirigir actores, com Cristi Puiu, com a exibição de vários excertos de filmes seus; a exibição em sala da série de Olivier Assayas, Irma Vep, com sessões apresentadas pelo realizador e pela actriz Alicia Vikander; uma conversa com John Malkovich, Being John Malkovich, seguida da exibição do filme O Tempo Reencontrado, de Raúl Ruiz, assinalando o centenário da morte de Marcel Proust; uma conversa com o actor Melvil Poupaud, De Raúl Ruiz a Woody Allen, seguida da exibição do filme Combate de Amor em Sonho, de Raúl Ruiz; a exibição de Christophe… Définitivement, sobre o cantor Christophe, com apresentação de Dominique Gonzalez-Foerster, co-realizadora do filme; uma conversa sobre o aqui e agora do cinema de David Cronenberg, seguida da exibição de eXistenZ; a celebração do centenário do pintor Lucian Freud, à conversa com a sua filha Bella Freud e a exibição de um documentário e materiais inéditos sobre o pintor.

Mais informação sobre o Lisbon & Sintra Film Festival em https://www.leffest.com/.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

MOTELx 2021: De 7 a 13 de Setembro com terror feminista e Guerra Colonial no programa

A 15.ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa regressa à capital de 7 a 13 de Setembro. Entre os destaques deste ano estão filmes de terror feministas e a memória da Guerra Colonial.

A Sessão de Abertura do festival trará a antestreia de The Green Knight (2021),de David Lowery, protagonizado por Dev Patel. O filme é uma releitura da lenda arturiana de Sir Gawain.

Este ano, a partir da selecção de filmes feministas para a competição oficial como Black Medusa, de Ismaël e Youssef Chebbi, ou Violation, de Madeleine Sims-Fewer e Dusty Mancinell, o festival inspira-se no movimento #metoo. Desconstruindo o estereótipo da representação masculina nos filmes de terror, estes dois títulos lançam as bases para a criação da identidade do MOTELx 2021 - protagonizada em spot por Sónia Balacó - e para um programa especial intitulado Fúria Assassina - Mulheres Serial Killer. Trata-se de uma retrospectiva que reúne filmes de serial killers mulheres apresentando o biopic de Erzsébet Bathory, a A Condessa Sangrenta (2009), de Julie Delpy; Monster (2003), de Patty Jenkins, com Charlize Theron, sobre a mais famosa assassina norte-americana; o filme Baise-Moi (2000), de Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi; o ritualístico Audition (1999), de Takashi Miike; e a sátira puritana de John Waters, Serial Mom (1994).

Na selecção oficial destaque para Um Fio de Baba Escarlate, de Carlos Conceição, que faz uma actualização do Giallo à luz da era das redes sociais, e para o novo documentário de Rodney Ascher, A Glitch in the Matrix, que aborda uma ideia cada vez mais levada a sério de que a realidade é uma simulação de computador. Ainda sobre a actualidade, a pandemia é a protagonista do filme taiwanês The Sadness, de Rob Jabbaz, em que o vírus promove uma regressão civilizacional.

Quando se assinalam 60 anos do início da Guerra Colonial, a reflexão sobre a memória pessoal e colectiva dá o mote para o Quarto Perdido desta edição: O Coração das Trevas Português - A Trilogia (Inacabada) do Ultramar. Nesta secção, revisita-se a tentativa da dupla produtor/realizador com mais sucesso nos anos 90, Tino Navarro e Joaquim Leitão. Ideia original de Navarro, escrita a meias com Leitão, este tríptico assenta em três tempos: Inferno (1999), um filme passado no pós-guerra com veteranos; Purgatório (2006), a decorrer num quartel em África durante um bombardeamento; e Paraíso, o capítulo ainda por fazer, em torno de jovens na véspera do seu alistamento. Nos dois filmes que aqui ganham destaque, o western spaghetti convive com a comédia, acção, melodrama, romance, thriller, terror e buddy movie.

Também já anunciados estão os filmes: The Amusement Park (1973), o banido filme institucional de George Romero, e a celebração dos 20 anos da obra-prima A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki, na secção Lobo Mau.

Na secção de Curtas Internacionais, entre os sete filmes já anunciados destaque para A Terra do Não Retorno, de Patrick Mendes, e  O Lobo Solitário, de Filipe Melo.

Warm-Up - De 2 a 4 de Setembro

De 2 a 4 de Setembro, reforça-se a importância das propostas artísticas multidisciplinares com a estreia mundial absoluta de As Vizões do Ego – Uma Encenação Pictórica de Edgar Pêra, que marca a primeira incursão do cineasta português na pintura, com dramatização luminotécnica de Rui Monteiro e banda sonora de Artur Cyaneto. Rapsodo é o espectáculo que, no Convento de São Pedro de Alcântara, se constrói a partir de histórias aterradoras contadas por actores como Maria João Luís ou Miguel Borges, envolvidas na música de Noiserv. E haverá ainda tempo para clássicos a anunciar, na habitual sessão de cinema ao ar livre no Largo Trindade Coelho.

Em parceria com os Cinemas NOS, o MOTELx terá uma nova extensão, A Volta a Portugal MOTELX nos Cinemas NOS, que terá início imediatamente após a realização do festival em Lisboa, com sessões por todo o país. Os filmes, salas e datas serão anunciados no decorrer do mês de Agosto.

Até 2 de Agosto, o público pode ainda submeter curtas até 2 minutos, filmadas por telemóvel, tablet ou webcam, para a secção microCURTAS.


Mais informações sobre o MOTELx em https://www.motelx.org/.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Doclisboa'19: Serpentário / Serpentarius (2019)

*6/10*


Na secção Riscos do Doclisboa'19, encontrámos Serpentário, a primeira longa-metragem de Carlos Conceição, protagonizada por João ArraisSerpentário segue um rapaz, que vagueia por uma paisagem africana pós-catástrofe, em busca do fantasma da sua mãe.

Através da câmara viajamos até África, entre memórias e tradições. Percorremos desertos, praias, cascatas, visitamos tribos ou casas abandonadas. Questiona-se a História de Portugal, com forte crítica aos Descobrimentos e colonização, ao mesmo tempo que se procura uma parte de si que o protagonista (e o realizador) deixou em terras africanas. Filmado em película 16mm e Super 8, ainda mais adensada fica a sensação de mito, quase sonho.


João Arrais assume a posição de guia, num papel desafiante também para si. O jovem actor já trabalhou com Carlos Conceição e incorpora a mensagem e a transcendência de Serpentário com a inocência no olhar, fortemente aliada à esperança de encontrar o que tanto procura - em especial, respostas. Entre ressentimentos, saudade e uma poética latente, tudo se traduz na memória da mãe, a última ligação que ainda o poderá unir ao Mundo imaginário do filme. A busca incessante exorciza os medos e é o motor que faz avançar o jovem protagonista.

A subjectividade de Serpentário, por vezes experimental, mas, principalmente, demasiado íntima, poderá também jogar contra o filme de Carlos Conceição. A exploração do tema prolonga-se em demasia (e perde-se, muitas vezes) mas culmina no encontro mais esperado - e, aí, não desilude.

sábado, 15 de junho de 2019

Curtas Vila do Conde 2019: My Generation, Carlos Conceição e outras novidades

A 27.ª edição do Curtas Vila do Conde tem uma nova secção competitiva, a My Generation. Carlos Conceição será o segundo realizador em foco e apresentará a sua primeira longa-metragem, Serpentário, em estreia nacional no festival.


My Generation será uma secção competitiva direccionada para a faixa etária entre os 14 aos 18 anos do Ensino Secundário e envolve quatro escolas de Vila do Conde e da Póvoa do Varzim (Escola Secundária José Régio, Vila do Conde; Escola Secundária Afonso Sanches, Vila do Conde; Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim; Escola Secundária Rocha Peixoto, Póvoa de Varzim). Os filmes em competição foram escolhidos pelos alunos dessas escolas, e serão exibidos nos estabelecimentos de ensino e durante o festival, contando com a presença dos realizadores. Os alunos estarão envolvidos, para além da selecção dos filmes, na promoção da acção dentro da escolar, na elaboração de textos e sinopses e na apresentação das sessões e dos realizadores convidados.

PROGRAMAÇÃO MY GENERATION
Albatross Soup de Winnie Cheung; EUA; 7'; 2018; ANI
Empty Skies de Wenting Deng Fisher; EUA; 18'; 2018; FIC
Fatiya de Marion Desseigne-Ravel; França; 20'; 2018; FIC
Gun Shop de Patrick Smith; EUA; 2'; 2019; ANI
Le Mans 1955 de Quentin Baillieux; França; 15'; 2018; ANI
Malanka de Paul-Louis Léger, Pascal Messaoudi; França; 14'; 2018; DOC
Mort Aux Codes de Léopold Legrand; França; 14'; 2018; FIC
Nefta Football Club de Yves Piat; França; 17'; 2018; FIC
O Mar Enrola na Areia de Catarina Mourão; Portugal; 15'; 2019; DOC
Selfies de Claudius Gentinetta; Suiça; 4'; 2018; ANI
To Plant a Flag de Bobbie Peers; Noruega, Islândia; 15'; 2018; FIC
Untravel de Ana Nedeljkovic; Sérvia; 9'; 2018; ANI

Carlos Conceição junta-se a Todd Solondz como realizador em foco nesta edição do Curtas Vila do Conde. A primeira longa de ConceiçãoSepentário é protagonizado por João Arrais, e acompanha a viagem de um cineasta na busca pela alma da mãe numa África pós-apocalíptica. A curta Versailles será apresentada em Vila do Conde numa versão inédita remontada. Esta fará parte da retrospectiva do trabalho do realizador, juntamente com Coelho Mau e O Inferno.

Serpentário

A programação para este foco encerra-se com uma carta branca, onde o realizador escolhe filmes que dialogam com o seu percurso e a sua obra. La Sequenza Dei Fiore di Carta, de Pasolini, Thorvaldsen, de Carl Dreyer, Le Musée, de Walerian Borowczyk, são alguns dos títulos escolhidos. Carlos Conceição marcará presença no festival para apresentar os filmes e participar numa conversa com João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues.

PROGRAMAÇÃO
Serpentário, Carlos Conceição, Portugal, Angola, 2019, doc./fic.,75'
Coelho Mau, Carlos Conceição, Portugal, França, 2017, fic., 30'
O Inferno, Carlos Conceição, Portugal, 2011, fic., 20'50''
Versailles (versão inédita remontada), Carlos Conceição, Portugal, fic., 2019, 18'

PROGRAMAÇÃO CARTA BRANCA
Andy Warhol Eating a Hamburger (exc. de "66 Scenes From America"), Jørgen Leth, 1982, Dinamarca, doc., 4'38''
Brando - Scott Walker + Sunn o))), Gisele Vienne, 2014, França, mv, 9'28''
Cat Listening To Music, Chris Marker, 1990, França, fic., 2'47''
La Sequenza Dei Fiore di Carta, Pier Paolo Pasolini, 1969, Itália, fic.,10'28''
Le Musée, Walerian Borowczyk, 1964, França, fic., 2'
Moving Stories, Nicolas Provost, 2011, fic., Bélgica, 7'15''
Thorvaldsen, Carl Dreyer, 1949, Dinamarca, doc., 10'
Werner Herzog Eats His Shoe, Les Blank, USA, 1980, doc., 22'

A secção STEREO, que junta os filmes à música traz ao Curtas Thurston MooreThe HeliocentricsMontanhas Azuis e a colaboração entre Tiago Cutileiro e Marta Navarro, que irão musicar o filme alemão Das Cabinett Des Dr. Caligari, de Robert Wiene. A propósito do filme, a exposição O Caso Caligari inaugura no dia de abertura do festival, na Solar – Galeria de Arte Cinemática.

As 56 curtas que integram as competições internacional e experimental do Curtas Vila do Conde propõem reescrever acontecimentos, redescobrir os arquivos da memória, reclamar heranças e redesenhar velhas simbologias.

A 27.ª edição do Curtas integrará ainda estreias nacionais de obras recentes de Ken Jacobs (The Whole Shebang), James Franco e Pedro Gómez Millán (Birth of a Poet), Chema García Ibarra e Ion de Sosa (Leyenda dorada), Kevin Jerome Everson (Polly One), Stéphane Aubier e Vincent Patar (Panique au Village - La foire Agricole), Franck Dion (Per Aspera Ad Astra), Ben Rivers (Trees Down Here), Bill Morrison (Cinematograph) e Brandon Cronenberg (Please Speak Continuously and Describe Your Experiences as They Come to You).

Cinema Revisitado é mais uma nova secção do Curtas Vila do Conde - empenhado em valorizar o lugar da curta-metragem na História do Cinema - e vai incluir obras não mostradas de António Reis, um ciclo que assinala os 50 anos da morte de José Régio e uma sessão especial com os primeiros grandes filmes de animação de Walt Disney. A nova secção do festival integrará ainda a projecção de Sophia de Mello Breyner Andresen, de João César Monteiro, assinalando o centenário do nascimento da autora, entre outras propostas para descobrir.

Douro Faina Fluvial

​PROGRAMA CINEMA REVISITADO
Arabesques on the Pirosmani Theme, Sergei Parajanov, Arménia, 1985, 25'
Do Céu ao Rio, António Reis, César Guerra Leal, Portugal, DOC, 1964
Hakob Hovnatanyan, Sergei Parajanov, Arménia, DOC, 1967, 10'
Kiev Frescoes, Sergei Parajanov, Arménia, 1966, 15'
Rambo: First Blood, Ted Kotcheff, USA, FIC, 1982, 97'
Sophia de Mello Breyner Andresen, João César Monteiro, Portugal, DOC, 1969, 19'
The Cabinet of Dr. Caligari, Robert Wiene, Alemanha, 1919, FIC, 55' (filme-concerto)
The Movie Orgy − Ultimate Version, Joe Dante, USA, DOC, 1968, 280'

Sessão José Régio
A Glória de Fazer Cinema em Portugal, Manuel Mozos, Portugal, FIC, 2015, 15'
As Pinturas do meu Irmão Júlio, Manoel de Oliveira, Portugal, DOC, 1965, 15'
Douro Faina Fluvial, Manoel de Oliveira, Portugal, DOC, 1931, 20'
O Poeta Doido, o Vitral e a Santa Morta, Manoel de Oliveira, Portugal, DOC, 2008, 7'
Romance de Vila do Conde, Manoel de Oliveira, Portugal, DOC, 2008, 6'

Sessão Disney Technicolor
Flowers and Trees, Burt Gillett, USA, ANI, 1932, 8'
The Goddess of Spring, Wilfred Jackson, USA, ANI, 1934, 10'
The Golden Touch, Walt Disney, USA, ANI, 1935, 10'
The Old Mill, Wilfred Jackson, USA, ANI, 1937, 9'
The Tortoise and the Hare, Wilfred Jackson, USA, ANI, 1935, 9'
The Ugly Duckling, Jack Cutting, Clyde Geronimi, USA, ANI, 1939, 9'
The Wise Little Hen, Wilfred Jackson, USA, ANI, 1934, 8'
Three Little Pigs, Burt Gillett, USA, ANI, 1933, 9'

O 27.º Curtas Vila do Conde, que decorre entre 6 e 14 de Julho. Mais informações em http://festival.curtas.pt/.

domingo, 1 de novembro de 2015

Doclisboa'15: Acorda, Leviatã (2015)

*7.5/10*

Carlos Conceição surgiu na Competição Portuguesa do Doclisboa'15 com Acorda, Leviatã, uma docuficção original que atinge, em parte, o nível de filme de ficção científica.


O realizador parte de um poema de T. S. Eliot, The Hollow Men, onde o autor repete três vezes a frase “É assim que acaba o mundo”, acrescentando, de seguida: “Não com um estrondo, mas com um gemido”. Em Acorda, Leviatã, do espaço, um terráqueo a recuperar de um coração partido regressa à Terra quando se apercebe de que toda a água do planeta desapareceu.

No filme viajamos da Terra ao espaço e regressamos com o jovem terráqueo, interpretado por João Arrais, acompanhados por uma banda sonora envolvente. Na chegada, resta-nos deserto, vento e areia. A Terra, sem água, é como alguém cujos sentimentos desapareceram, tal como o coração partido da sinopse. O planeta parece partilhar da sua angústia.

Rodado em Angola, Acorda, Leviatã proporciona-nos planos que realçam a grandiosidade das paisagens e do Mundo que nos rodeia. Aberto a diversas interpretações, o filme de Carlos Conceição foi uma boa surpresa neste Doclisboa.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Crítica: Boa noite, Cinderela (2014)

*8/10*

Passou por Cannes, pelo IndieLisboa'14 e agora pelo Queer Lisboa 18, a curta-metragem Boa noite, Cinderela, de Carlos Conceição, traz originalidade ao conto da Cinderela, e uma visão fetichista desta história de encantar.


Afinal, o príncipe nem sempre é assim tão encantado, nem a Cinderela é tão apaixonada. Afinal, também nos contos de fadas podem haver segundas intenções. Eis uma versão mais arriscada e muito original de um dos mais famosos contos clássicos da infância.

Sabemos que estamos no século XIX. À meia-noite a Cinderela escapa, deixando para trás um sapato de cristal. Nos dias que se seguem, o príncipe não consegue abandonar a ideia de completar o par.

Aqui os protagonistas são dúbios - Príncipe, Escudeiro e Gata Borralheira - e o sapato cativa as atenções dos três e do público. Uma visão fetichista toma conta da história, entre pés e sapatos, prazer e ambição. Os interesses trocam as voltas ao romantismo, o ambiente é sombrio mas encantado, com fortes marcas temporais, que no entanto, não definem a época. A abordagem é corajosa e provocadora, atenta a todos os detalhes, com um interessante trabalho de fotografia e bonitas paisagens.


No elenco, três boas interpretações: o Príncipe João Cajuda (que mostra cada vez mais a sua versatilidade), o Escudeiro David Cabecinha e a Gata Borralheira Joana de Verona.

terça-feira, 22 de abril de 2014

IndieLisboa'14: A Caça Revoluções e Boa Noite Cinderela no Festival de Cannes

Duas curtas-metragens seleccionadas para a Competição Nacional IndieLisboa'14 - A Caça Revoluções, de Margarida Rêgo, e Boa Noite Cinderela, de Carlos Conceição - fazem parte da selecção do Festival de Cannes.


Realizado por Margarida Rêgo, A Caça Revoluções está seleccionado para a Quinzena dos Realizadores em Cannes. O filme explora a relação entre duas gerações, dois tempos e duas lutas diferentes. A curta-metragem mostra a Revolução de Abril a inspirar as gerações que a conhecem através de relatos dos que a viveram e das fotografias de que se apropriam para a tornar sua. A Caça Revoluções passa no IndieLisboa no dia 25 de Abril, às 19h00 no Pequeno Auditório da Culturgest, 26 de Abril, às 18h00 no Grande Auditório da Culturgest, e dia 27 de Abril, às 16h45 no Pequeno Auditório da Culturgest.


Por seu lado, Boa Noite Cinderela, realizado por Carlos Conceição, foi seleccionado para a secção competitiva da Semana de Crítica, na secção de curtas e médias-metragens. O realizador recria o famoso conto de fadas, protagonizado por João Cajuda, David Cabecinha e Joana de Verona. Boa Noite Cinderela é exibido no IndieLisboa a 27 de Abril, às 18h00 no Grande Auditório da Culturgest, 30 de Abril, às 19h00, no Pequeno Auditório da Culturgest e dia 2 de Maio, às 21h45 no Pequeno Auditório da Culturgest.

Mais informações sobre o IndieLisboa'14 aqui.