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sábado, 19 de abril de 2014

Estreias da Semana #112

Nove filmes estrearam nos cinemas nacionais esta Quinta-feira, dia 17 de Abril. As atenções viram-se para O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro, O Acto de Matar e A Dois Passos do Estrelato.

A Dois Passos do Estrelato (2013)
20 Feet From Stardom
O documentário, vencedor do Oscar este ano, revela as histórias das vozes que se escondem nos coros de ídolos tão célebres como Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Tina Turner, The Rolling Stones ou Ray Charles. 

Borgman: O Mal-Intencionado (2013)
Borgman
O filme conta a história de um mendigo que entra na vida de uma família de classe alta, transformando-a num enorme pesadelo psicológico.

Em Segredo (2013)
In Secret
Em Paris no final da década de 1860, Therese (Elizabeth Olsen) é uma jovem sexualmente reprimida, presa a um casamento sem amor com o seu primo Camille (Tom Felton), um homem frágil e doente, imposto pela sua dominadora tia Madame Raquin (Jessica Lange). Therese passa os dias atrás do balcão de uma pequena loja, enquanto as noites são gastas a assistir aos jogos de dominó da tia. Mas quando Therese conhece Laurent (Oscar Isaac), um sedutor amigo de infância do seu marido, tudo muda.

Conhecemos Isabelle, uma jovem de 17 anos, ao longo de quatro estações, acompanhada por quatro canções. Ela prostitui-se, mas sabemos que não é por falta de dinheiro.

O Acto de Matar (2012)
The Act of Killing
Num país onde os assassinos são celebrados como heróis, o realizador e a sua equipa desafiaram os líderes impenitentes dos esquadrões da morte a encenar o seu papel no genocídio.

Neste filme, o Homem-Aranha (Andrew Garfield) continua a proteger os seus concidadãos. Mas quando surge Electro (Jamie Foxx), Peter tem de enfrentar um adversário bem mais poderoso que ele. Ao mesmo tempo, com o regresso do seu velho amigo Harry Osborn (Dane DeHaan), o jovem super-herói apercebe-se que há um elo comum a todos os seus inimigos: a OsCorp.

O que a Maisie sabe (2012)
What Maisie Knew
Baseado no clássico romance de Henry James, e situado na cidade de Nova Iorque, a história centra-se em Maisie (Onata Aprile), uma menina de seis anos de idade, involuntariamente envolvida no amargo divórcio dos pais -  a mãe, um ícone do rock (Julianne Moore), o pai um negociante de arte (Steve Coogan). No meio do problemático divórcio, Maisie começa a depender cada vez mais de Lincoln (Alexander Skarsgård), o novo companheiro da mãe, e de Margo (Joanna Vanderham) a sua ex-ama e que entretanto se torna a nova mulher do pai. Na ausência dos pais, e através do apoio que acabam por ter de dar a Maisie, Lincoln e Margo apercebem-se de como egoístas desequilibrados aqueles eram.

Os Inquilinos (2009)
Valter estuda de noite. Iara, a sua mulher, diz que os novos inquilinos não trabalham, que devem ser bandidos. Ninguém sabe de onde vieram os três rapazes, Iara diz que eles levam mulheres para casa e falam palavras sujas. Os jovens da rua querem ir para a briga, Valter quer dormir. Ele não tem uma arma, tem uma filha e um filho pequenos, fica fora o dia inteiro, não vê o que se passa na rua, ouve o que a mulher diz, o que a rua diz, ouve o barulho da música e das risadas dos inquilinos, de madrugada. E não consegue dormir. Quem vai morrer? Valter não sabe.

Supercondríaco (2014)
Supercondriaque
Aos 40 anos, Romain Faubert, não tem nem mulher nem filhos. O facto de ser fotógrafo para um dicionário médico online, não ajuda à hipocondria que domina o seu estilo de vida há muito tempo e que faz com que seja um neurótico apavorado. O seu único e verdadeiro amigo é o seu médico, o Dr. Dimitri Zvenska que, inicialmente, cometeu o erro de lhe dar atenção e que, actualmente, muito o lamenta. Dimitri pensa ter encontrado a cura que o livrará de Romain: ajudá-lo a encontrar a mulher da sua vida. Mas descobrir quem seja capaz de suportar Romain e que, por amor, o ajude a superar finalmente a sua hipocondria, mostra-se bem mais difícil que o esperado…

domingo, 20 de outubro de 2013

Crítica: Jovem e Bela / Jeune et Jolie (2013)

*7/10*

Jovem e Bela (Jeune et Jolie) é o novo filme de François Ozon que, depois do inteligente Dentro de Casa (2012), trouxe-nos um trabalho que apela mais aos sentidos. A longa-metragem será exibida este Domingo, a fechar a Festa do Cinema Francês, pelas 22h00 no Cinema São Jorge. O filme esteve na corrida pela Palma de Ouro, no último Festival de Cannes.

Conhecemos Isabelle, uma jovem de 17 anos, ao longo de quatro estações, acompanhada por quatro canções. Ela prostitui-se, mas sabemos que não é por falta de dinheiro. O que verdadeiramente a leva a entrar neste jogo perigoso é o que Ozon nos desafia a descobrir.

Longe da grandiosidade do seu último trabalho, em Jovem e Bela o realizador não traz uma história original. A sua abordagem é, contudo, interessante. Os motivos que levam Isabelle a prostituir-se não ficam claros até ao fim da longa-metragem e o espectador ficará a reflectir, ainda assim, sem conseguir encontrar respostas.

Isabelle é, percebemos desde o início, uma jovem provocadora, de poucas palavras. Há em si uma dificuldade em amar, em ligar-se a alguém - a pessoa mais próxima de si é o irmão mais novo, com a curiosidade típica da entrada na adolescência -, e daí parece advir esta decisão de receber dinheiro por sexo de pessoas desconhecidas. Ainda assim, a questão permanece: o que faz com que uma jovem a quem não falta nada se prostitua? Perto do final, a personagem de Charlotte Rampling - Alice - parece querer dar-nos uma possível resposta. Ainda assim, fica no ar a sensação de que algo nos escapou - ou Ozon preferiu guardar para si.


Jovem e Bela prima pela sensibilidade que traz consigo nas imagens que nos oferece. A nudez surge de forma suave, bem como as cenas de sexo, onde as cores suaves contrastam com as acções de uma jovem pouco comum. Por seu lado, a protagonista Marine Vacth tem um desempenho corajoso e competente. Ela encara sem pudor esta jovem prostituta, que parece não encontrar o seu lugar no mundo. E quando a sua "fantasia" desaba e acreditamos que tudo está a voltar à sua ordem - a sua mudança na festa dos colegas da escola é dos momentos mais curiosos do filme -, ela consegue voltar a surpreender-nos.

Com Jovem e Bela, François Ozon traz-nos uma obra com tanto de delicado como de brutal. A temática desafiante pedia, no entanto, uma maior consistência argumentativa - tal como a Jovem e Bela do título, o filme precisa de um melhor rumo.