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terça-feira, 10 de junho de 2014

Crítica: O Duplo / The Double (2013)

"...Cause I know what it feels like to be lost and lonely and invisible."
Simon 

*6/10*

Depois de ter conquistado o público e a crítica com Submarino, em 2010, Richard Ayoade regressa mais frenético, cheio de boas ideias, mas com dificuldade em desenvolvê-las. O resultado surge pela forma de O Duplo, uma avalanche de luz, cor e escuridão, com uma premissa aterradora.

Jesse Eisenberg encabeça o elenco na pele de duas personagens. Ele é Simon, um homem tímido, à beira de uma existência isolada num mundo indiferente. É negligenciado no trabalho, desprezado pela própria mãe e ignorado pela mulher dos seus sonhos. A chegada de um novo colega de trabalho, James (também Eisenberg), perturba-o. Fisicamente, James é um duplo de Simon, contudo, em termos de personalidade é o seu oposto: confiante, carismático e um sucesso com as mulheres. Infelizmente para Simon, James começa, aos poucos, a assumir a sua vida.

Ayoade adapta o romance de Dostoievski a uma sociedade mais actual - que surge quase como um futuro imaginado num passado longínquo, onde o trabalho de direcção artística é de louvar -, onde poucos prestam atenção aos que os rodeiam e muitos convivem com a sua própria solidão, desencadeando pensamentos (ou mesmo atitudes) suicidas e depressivas. O desespero chega sorrateiramente e manifesta-se aos poucos, ganhando terreno mesmo do lado seguro do ecrã: o do espectador. A reflexão é angustiante, assistimos aos passos de James, à sua aproximação a Simon e como, aos poucos, vai tomando o seu lugar. Será assim tão fácil usurpar a alguém a sua identidade, a sua existência? O Duplo é principalmente um filme sobre a existência de cada um e alerta para que a preservemos.


Mas a premissa promete bem mais do que a concretização oferece. O Duplo peca pelo descuido com que guia a excelente história, pelo ritmo demasiado frenético com que tudo se diz, com que tudo se mostra. Sente-se essa falta de tempo para respirar, para reagir perante uma temática tão atordoante - é-o para o protagonista, mas também para a plateia. O final, inteligente, não é, todavia, consistente que chegue para sairmos satisfeitos da sala de cinema.

É tecnicamente que a longa-metragem de Richard Ayoade mais se destaca. Os pormenores que já distinguiam o trabalho do realizador em Submarino encontram-se aqui em dobro. O som inconstante, incómodo e perturbador, as cores que vibram, repletas de flashes, os jogos claro escuro, as sombras, que se traduzem num óptimo trabalho de fotografia, de Erik Wilson, tudo está presente em O Duplo e contribui fortemente para o seu ambiente sombrio e de desconfiança. Já o trabalho de montagem incrementa o tom frenético do filme.


Nas interpretações, Jesse Eisenberg tem aqui um desafio. Como Simon, veste a pele ao personagem-tipo a que está relativamente habituado, um homem tímido, inteligente e submisso, com uma falta de personalidade tremenda. Como James, pode experimentar uma faceta mais descontraída, provocadora e um tanto maquiavélica. O actor tem um desempenho competente, mas poderia dar-nos mais. Mia Wasikowska é quem mais se destaca, ao vestir a pele da insegura Hannah. Nos papéis mais pequenos é curioso encontrar as mesmas caras que em SubmarinoYasmin PaigeCraig RobertsSally Hawkins ou Noah Taylor.

Essencialmente, O Duplo poderia ser muito mais do que é. Falta-lhe concentração e um pouco mais de dedicação ao argumento. Tal como Simon, o filme carece de personalidade, de algo que o distinga para além do visual. A existência cinematográfica de Richard Ayoade dilui-se com esta segunda longa-metragem, depois do impulso que Submarino lhe havia dado.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Estreias da Semana #116

São sete os filmes que chegaram às salas de cinema esta Quinta-feira. Godzilla concentra a maioria das atenções.

Capital Humano (2014)
Il capitale umano
Dino Ossola é um agente imobiliário que sonha com a ascensão social. A oportunidade aparece através da amizade da sua filha com o filho do empresário Bernaschi. Dino fica obcecado com a sua nova posição de “melhor amigo” do empresário, algo que compromete quem lhe é mais próximo, Um misterioso acidente na véspera de Natal complica a situação, formando um retrato sarcástico do Norte da Itália.

Depois de Maio (2012)
Après mai
Em Paris, no início da década de 1970, Gilles é um jovem estudante envolvido na atmosfera criativa e política da época. Como os seus colegas, ele está dividido entre o investimento radical na luta política e a realização dos seus desejos pessoais. Entre descobertas amorosas e artísticas, a sua busca leva-o à Itália e ao Reino Unido, onde terá de tomar decisões essenciais para o resto de sua vida.

Godzilla (2014)
A humanidade encontra-se indefesa perante o ataque de criaturas maléficas e o monstro mais famoso do mundo renasce para restaurar o equilíbrio.

Inatividade Paranormal 2 (2014)
A Haunted House 2
Após ter exorcizado os demónios da sua ex-namorada, Malcolm começa do zero, iniciando uma vida nova, com uma nova namorada e os dois filhos dela. Contudo, na casa nova, o casal vê-se novamente atormentado por novas e estranhas manifestações paranormais.  

O Duplo (2013)
The Double
Simon é um homem tímido, à beira uma existência isolada num mundo indiferente. Ele é negligenciado no trabalho, desprezado pela sua própria mãe e completamente ignorado pela mulher dos seus sonhos. Ele sente-se impotente para mudar a sua vida. A chegada de um novo colega de trabalho, James, perturba-o. Fisicamente, James é um duplo de Simon, no entanto em termos de personalidade é exactamente o oposto: confiante, carismático e lida bem com as mulheres. Infelizmente para Simon, James começa lentamente a assumir a sua vida.

Ressaca de Saltos Altos (2014)
Walk of Shame
Meghan Miles (Elizabeth Banks), uma pivot de noticias de uma estação televisiva de Los Angeles, decide sair à noite com amigas para esquecer o facto de não ter conseguido o seu trabalho de sonho numa outra estação televisiva. No dia seguinte, ela acorda na cama de um estranho (James Marsden) com uma mensagem do agente no telemóvel a dizer que afinal o lugar é seu. Mas para isso ela tem de estar no seu posto de trabalho, que fica do outro lado da cidade, antes das cinco da tarde. Presa num local sem dinheiro, telefone e carro, ela embarca numa série de aventuras para tentar chegar a tempo à entrevista mais importante da sua carreira.

Savannah (2013)
Situado no pós-guerra civil, Savannah narra a verdadeira história do lendário Ward Allen (Jim Caviezel), um aristocrata romântico que rejeita a sua herança em troca de uma vida livre, tornando-se um caçador comercial (fornecendo estabelecimentos e restaurantes com pato fresco), ao lado do seu parceiro de negócios - um escravo liberto chamado Christmas Moultrie (Chiwetel Ejiofor) e do amor da sua vida, a livre-espírito Lucy Stubbs (Jaimie Alexander). Lucy desafia o seu pai (Sam Shepard) e a sociedade ao casar-se com Ward.