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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Crítica: Notícias do Mundo / News of the World (2020)

"See all those words printed in a line one after the other? Put 'em all together and you have a story."

Captain Kidd

*6/10*

Paul Greengrass alia-se novamente a Tom Hanks (depois de Capitão Phillips) para levar Notícias do Mundo (News of the World), pela América pós-guerra civil. O filme chega-nos pela Netflix, e revela-nos a jovem actriz alemã Helena Zengel.

"Cinco anos após o fim da Guerra Civil, o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks), viúvo e veterano de três guerras, desloca-se de cidade em cidade como um contador de histórias reais, partilhando notícias de presidentes e rainhas, lutas gloriosas, catástrofes devastadoras e aventuras emocionantes nos confins do globo. Nas planícies do Texas, cruza-se com Johanna (Helena Zengel), uma menina de 10 anos, acolhida pelo povo Kiowa seis anos antes e criada como um dos seus. Hostil a um mundo que ela nunca conheceu, Johanna está prestes a ser devolvida aos seus tios biológicos. Kidd concorda em entregar a criança onde a lei diz que ela pertence. À medida que viajam centenas de quilómetros, os dois enfrentam enormes desafios, humanos e naturais, enquanto procuram um lugar a que possam chamar lar."

Baseado no romance homónimo de Paulette Jiles, Notícias do Mundo, em tons e ambiente de western, faz-nos viajar pelos territórios sulistas decadentes e racistas, sem lei ou ordem, guiados por protagonistas solitários e de passado trágico. 

Mas Notícias do Mundo é previsível e está longe de ser brutal, estando os horrores subentendidos ou revelados através de mensagens subliminares. E se, numa das paragens de Kidd, este quase é culpabilizado por incitamento à revolta - apenas por ler uma notícia de reivindicação de melhores condições de trabalho -, ao espectador não provocará grande comoção. Paul Greengrass lança as críticas mas não as espicaça ou questiona, no longo caminho que percorre, e quase foge delas para viver a sua vida em paz, mesmo que Kidd e Johanna tenham de enfrentar crimes, ameaças e preconceitos. 

Tom Hanks está à vontade na pele desde veterano de guerra nómada, que ganha a vida a levar notícias aos outros, enquanto foge do seu próprio destino. À sua altura, está a companheira de viagem Johanna, interpretada pela jovem actriz alemã Helena Zengel, que, com poucas falas - normalmente no dialeto do povo Kiowa ou alemão -, conquista o ecrã, quer pela inocência, pelo olhar selvagem e desconfiado, pelos gestos, gritos, e pela naturalidade com que se emociona, move ou relaciona com Hanks

Visualmente, Notícias do Mundo ganha pontos, pela direcção de fotografia que proporciona belos planos, diurnos ou nocturnos, das planícies sem fim;  bem como pela direcção artística, fabulosa na representação da época, com a banda sonora de James Newton Howard, a adensar todo o ambiente de western.

Paul Greengrass não acompanhou as aventuras dos seus protagonistas, nem desafiou cânones ou estigmas. Preferiu jogar seguro, com uma dupla forte ao comando e uma história simples e harmoniosa, em paisagens que contam mais que a acção.

domingo, 31 de julho de 2016

Sugestão da Semana #231

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca Jason Bourne, de Paul Greengrass, a continuação da saga protagonizada por Matt Damon.

JASON BOURNE


Ficha Técnica:
Título Original: Jason Bourne
Realizador: Paul Greengrass
Actores: Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia VikanderVincent CasselJulia Stiles
Género: Acção, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 123 minutos

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Crítica: Capitão Phillips / Captain Phillips (2013)

"I'm the captain now." 
Muse
*7/10*

Tom Hanks chega ao comando do navio e mergulha em mais uma interessante prestação como Capitão Phillips, no filme de Paul Greengrass. Capitão Phillips está nomeado para seis Oscars da Academia, incluindo Melhor Filme, mas, inesperadamente, escaparam ao protagonista e ao realizador as nomeações nas suas categorias.

A longa-metragem é baseada na história verídica do Capitão Richard Phillips e do assalto ao navio US MV Maersk Alabama por piratas da Somália, em 2009, o primeiro navio de carga a ser assaltado em 200 anos.

O argumento é actual, baseado num acontecimento real - quase regra ultimamente -, mas não traz grandes novidades ao cinema. Ainda assim, a narrativa é empolgante e está construída de forma a que sintamos a tensão que se vive entre piratas e tripulação e, inevitavelmente, chegaremos a temer pela vida de Phillips. Curiosa é a empatia que sentiremos igualmente por Muse, o pirata interpretado por Barkhad Abdi. Apesar de comandar o grupo de rebeldes, demonstra inexperiência e mesmo alguma ingenuidade, nunca conseguindo impor-se perante os seus colegas

Dos pontos mais curiosos da narrativa é a troca de posições que acontece entre Phillips e Muse, com o segundo a tomar o lugar de Capitão e ditar as ordens. "I'm the captain now", afirma de arma em punho, e, a partir dali, o jovem somali passa a deter o controlo da situação - ou assim o quer, contra todas as tentativas da tripulação de Phillips para colocar a vantagem do seu lado.


A partir do momento em que se sente a presença dos barcos dos somalis a perturbar a tranquila viagem do cargueiro, Phillips toma as medidas recomendadas para evitar que a sua embarcação seja atacada. Dos contactos de alerta - incrivelmente desvalorizados pela polícia marítima naquela altura em que os ataques eram menos comuns -, à activação de todas as medidas preventivas, a actividade torna-se frenética e a ansiedade das personagens é transmitida ao espectador, até que o inevitável acontece.

Tom Hanks veste na perfeição a pele do protagonista Phillips. A tensão que se gera, o medo que se apodera dele e a força de vontade em zelar pela vida dos seus subordinados, acima de tudo, mostra como Hanks é convincente e não deixa nenhum papel ficar mal. Por seu lado, o estreante Abdi - nomeado para Melhor Actor Secundário - presenteia-nos com uma personagem que alia pobreza, brutalidade e fragilidade como poucas.

A câmara móvel coloca-nos no cenário - quer no cargueiro, quer no salva-vidas onde grande parte do filme acontece -, sentimos o balanço do barco e a tensão apodera-se igualmente de nós. O trabalho de som é competente e adensa o ambiente pesado e o suspense.


Capitão Phillips não é um marco no cinema, mas revela-se um bom thriller e faz-nos temer. Paul Greengrass mostra-se à altura do desafio de contar uma história a quem não a viveu, e os actores incorporam o terror que, não tão estranhamente assim, se vive de ambos os lados: piratas e capitão - e mesmo na plateia.