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quarta-feira, 15 de março de 2023

Razzie Awards 2023: Vencedores

Os vencedores da 43.ª edição dos Razzie Awards, que premeiam o pior que se faz no cinema, foram conhecidos no passado dia 11 de Março. BlondeMorbius e Tom Hanks destacaram-se entre os piores.


Eis a lista completa de vencedores:

Pior Filme
Blonde
Disney’s Pinocchio
Good Mourning
The King’s Daughter
Morbius

Pior Actriz
Os RAZZIES (pelo erro na nomeação para Pior Actriz)
Bryce Dallas Howard / Jurassic Park: Dominion
Diane Keaton / Mack & Rita
Kaya Scodelario / The King’s Daughter
Alicia Silverstone / The Requin

Pior Actor
Colson Baker (aka Machine Gun Kelly) / Good Mourning
Pete Davidson (apenas voz) / Marmaduke
Tom Hanks (como Gepetto) / Disney’s Pinocchio
Jared Leto / Morbius
Sylvester Stallone / Samaritan

Pior Actor Secundário
Pete Davidson (cameo) / Good Mourning
Tom Hanks / Elvis
Xavier Samuel / Blonde
Mod Sun / Good Mourning
Evan Williams / Blonde

Pior Actriz Secundária
Adria Arjona / Morbius
Lorraine Bracco (voz apenas) / Disney’s Pinocchio
Penélope Cruz / The 355
Bingbing Fan / The 355 e The King’s Daughter
Mira Sorvino / Lamborghini: The Man Behind the Legend

Pior Dupla
Colson Baker (aka Machine Gun Kelly) e Mod Sun / Good Mourning
As duas personagens reais na falaciosa cena do quarto da Casa Branca / Blonde
Tom Hanks e o seu rosto carregado de látex (e sotaque ridículo) / Elvis
Andrew Dominik e os seus problemas com as mulheres / Blonde
As duas sequelas 365 Days (ambos lançados em 2022)

Pior Remake, Rip-Off ou Sequela
Blonde
Ambas as sequelas de 365 Days — 365 Days: This Day e The Next 365 Days [um Razzie "leve dois, pague um"]
Disney’s Pinocchio
Firestarter
Jurassic World: Dominion

Pior Realizador
Judd Apatow / The Bubble
Colson Baker (aka Machine Gun Kelly) and Mod Sun / Good Mourning
Andrew Dominik / Blonde
Daniel Espinosa / Morbius
Robert Zemeckis / Disney’s Pinocchio

Pior Argumento
Blonde
Disney’s Pinocchio
Good Mourning
Jurassic World: Dominion
Morbius

Prémio de Redenção
Colin Farrell / Os Espíritos de Inisherin

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Crítica: Elvis (2022)

«A reverend once told me, "When things that are too dangerous to say, sing."»
Elvis Presley


*6.5/10*

Fiel ao estilo extravagante e frenético que caracteriza os seus filmes, Baz Luhrmann escolheu também a personalidade certa para a sua mais recente longa-metragem: Elvis. Contagiado pelos passos de dança e pelo gingar do rei do Rock n'Roll, Luhrmann constrói um filme ritmado, repleto de música e potenciado pela prestação quase inacreditável de Austin Butler.

"O filme explora a vida e a música de Elvis Presley (Austin Butler) sob o prisma da complicada relação com o seu enigmático agente, Colonel Tom Parker (Tom Hanks). A história mergulha na complexa dinâmica entre Presley e Parker ao longo de 20 anos, desde o início da carreira de Presley até ao seu estrelato sem precedentes, contrastando com as mudanças culturais e a perda da inocência da América. No centro desta jornada está uma das pessoas mais importantes da vida de Elvis, Priscilla Presley (Olivia DeJonge)".


Elvis é eficaz ao retratar a ascensão de Presley, a revolução socio-cultural que criou e, posteriormente, a decadência da sua carreira, a dependência de fármacos e todas as más decisões que tomou, influenciadas por Parker.

O percurso de Elvis Presley é contado da perspectiva do seu agente, o charlatão Colonel Tom Parker. E é aqui que reside o grande problema do filme de Luhrmann. A personagem de Tom Hanks assume um protagonismo desnecessário (e nada meritório) e há momentos em que se tem dúvidas sobre qual dos dois é o verdadeiro centro da acção - Hanks assume uma omnipresença desconfortável que parece querer roubar as atenções de Butler.

E se Tom Hanks tem um overacting que enfraquece o filme, já Austin Butler é a grande revelação, criando uma réplica fiel de Elvis Presley, incorporando todos os movimentos, a voz e o olhar que sempre distinguiram o artista. Da ingenuidade inicial à inércia que tomou conta de si enquanto a carreira ia decaindo, o jovem actor nunca descura a personagem, dotando-a de fragilidade e realismo.


As equipas de guarda-roupa e direcção artística são responsáveis por recriar a era dos acontecimentos da longa-metragem, recuperando locais e fatos icónicos de Elvis, de cores vibrantes e a transbordar a energia e o ritmo da sua música. 

E apesar dos exageros de Baz Luhrmman (em que Tom Hanks é o maior de todos), Elvis é uma obra competente e cheia de ritmo, que Austin Butler comanda com a segurança de um veterano.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Crítica: Notícias do Mundo / News of the World (2020)

"See all those words printed in a line one after the other? Put 'em all together and you have a story."

Captain Kidd

*6/10*

Paul Greengrass alia-se novamente a Tom Hanks (depois de Capitão Phillips) para levar Notícias do Mundo (News of the World), pela América pós-guerra civil. O filme chega-nos pela Netflix, e revela-nos a jovem actriz alemã Helena Zengel.

"Cinco anos após o fim da Guerra Civil, o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks), viúvo e veterano de três guerras, desloca-se de cidade em cidade como um contador de histórias reais, partilhando notícias de presidentes e rainhas, lutas gloriosas, catástrofes devastadoras e aventuras emocionantes nos confins do globo. Nas planícies do Texas, cruza-se com Johanna (Helena Zengel), uma menina de 10 anos, acolhida pelo povo Kiowa seis anos antes e criada como um dos seus. Hostil a um mundo que ela nunca conheceu, Johanna está prestes a ser devolvida aos seus tios biológicos. Kidd concorda em entregar a criança onde a lei diz que ela pertence. À medida que viajam centenas de quilómetros, os dois enfrentam enormes desafios, humanos e naturais, enquanto procuram um lugar a que possam chamar lar."

Baseado no romance homónimo de Paulette Jiles, Notícias do Mundo, em tons e ambiente de western, faz-nos viajar pelos territórios sulistas decadentes e racistas, sem lei ou ordem, guiados por protagonistas solitários e de passado trágico. 

Mas Notícias do Mundo é previsível e está longe de ser brutal, estando os horrores subentendidos ou revelados através de mensagens subliminares. E se, numa das paragens de Kidd, este quase é culpabilizado por incitamento à revolta - apenas por ler uma notícia de reivindicação de melhores condições de trabalho -, ao espectador não provocará grande comoção. Paul Greengrass lança as críticas mas não as espicaça ou questiona, no longo caminho que percorre, e quase foge delas para viver a sua vida em paz, mesmo que Kidd e Johanna tenham de enfrentar crimes, ameaças e preconceitos. 

Tom Hanks está à vontade na pele desde veterano de guerra nómada, que ganha a vida a levar notícias aos outros, enquanto foge do seu próprio destino. À sua altura, está a companheira de viagem Johanna, interpretada pela jovem actriz alemã Helena Zengel, que, com poucas falas - normalmente no dialeto do povo Kiowa ou alemão -, conquista o ecrã, quer pela inocência, pelo olhar selvagem e desconfiado, pelos gestos, gritos, e pela naturalidade com que se emociona, move ou relaciona com Hanks

Visualmente, Notícias do Mundo ganha pontos, pela direcção de fotografia que proporciona belos planos, diurnos ou nocturnos, das planícies sem fim;  bem como pela direcção artística, fabulosa na representação da época, com a banda sonora de James Newton Howard, a adensar todo o ambiente de western.

Paul Greengrass não acompanhou as aventuras dos seus protagonistas, nem desafiou cânones ou estigmas. Preferiu jogar seguro, com uma dupla forte ao comando e uma história simples e harmoniosa, em paisagens que contam mais que a acção.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com três desempenhos que poderiam todos partilhar o primeiro lugar da minha lista. Mas o quarto actor segue-os de perto. Não vi o filme de Tom Hanks e, por isso, não o posso avaliar. Eis os nomeados, por ordem de preferência.


Sei que ele é um dos melhores actores da sua geração, mas não consigo deixar de admirar cada nova personagem como se fosse a primeira vez. Em The Irishman, eis mais um estrondoso Al Pacino, o sindicalista irreverente, intransigente e orgulhoso, que desafia a máfia sem querer saber das consequências.


Brad Pitt surge discreto mas nem por isso menos impactante, numa personagem secundária que depressa assume o protagonismo, em especial após a metade do filme. Sempre jovial e sem deixar o seu ar de galã, o actor interpreta o duplo da personagem de DiCaprio. De destacar que os dois actores trabalharam pela primeira vez juntos neste filme de Tarantino, ficando provado que vamos gostar de vê-los mais vezes a contracenar.


Quando pensávamos que Joe Pesci já não precisava de provar nada a ninguém, eis que é ele a maior surpresa do elenco de The Irishman. O actor (que fez uma pausa na reforma só porque Martin Scorsese insistiu muito) surge reinventado, comedido, limitando-se a seguir as regras da máfia, para que nada saia do seu controlo - bem diferente da sua personagem de Tudo Bons Rapazes.


Sempre talentoso, Anthony Hopkins, incorpora o austero e conservador Papa Bento XVI, conferindo-lhe, ainda assim, a humanidade que muitos cristãos não lhe associavam. Ao mesmo tempo, o actor dá-lhe a dignidade que merece, para lá da ostentação que exibia, a par dos costumes tradicionais da Igreja, e mesmo que o seu papado tenha ficado marcado por escândalos financeiros e padres acusados de abusos sexuais. Mais um desafio superado para o veterano.

Tom Hanks (A Beautiful Day in the Neighborhood)

Sem avaliação

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Crítica: The Post (2017)

 "The press was to serve the governed, not the governors."

*7/10*

Nos tempos áureos em que o jornalismo era o quatro poder, os jornais norte-americanos coleccionaram histórias de denúncia das mentiras dos governos ou outros órgãos de poder e influência na sociedade. Ao longo dos anos, sucedem-se os filmes - inspirados ou não em factos reais - sobre casos onde o jornalista foi um herói: o recente O Caso Spotlight (2015), Boa Noite, e Boa Sorte (2005), O Informador (1999), Os Homens do Presidente (1976), A Última Ameaça (1952), O Grande Carnaval (1951), O Mundo a Seus Pés (1941), O Grande Escândalo (1940), entre tantos outros.

Claro que quando a ficção tem por base casos verídicos, as atenções são ainda maiores. The Post tem esse bónus e ainda é realizado por Steven Spielberg e protagonizado por Meryl Streep e Tom Hanks. Eis os ingredientes ideais para um filme de sucesso.


Katharine Graham (Meryl Streep) do Washington Post, a primeira mulher na liderança de um dos principais jornais norte-americanos, alia-se a Ben Bradlee (Tom Hanks), o editor do jornal, e entram na corrida com o New York Times para expor um dos maiores segredos governamentais que durou três décadas e passou por quatro presidentes americanos. Os dois protagonistas têm de ultrapassar as suas diferenças enquanto arriscam as carreiras e a própria liberdade para desenterrar verdades há muito escondidas do público.

Mais um hino à liberdade de imprensa, contra qualquer censura, onde a guerra do Vietname é a temática secreta para o governo de Nixon (e seus antecessores). De repente, a censura queria entrar, em plenos anos 70, pelas redacções e proibir a publicação de factos. Os então chamados Pentagon Papers foram ouro nas mãos dos jornalistas.


Spielberg conta esta história que opõe jornalistas ao governo e fá-lo bem à sua maneira. Sucedem-se os planos sequência, onde seguimos as personagens, a direcção de fotografia faz-nos entrar ecrã adentro directamente para a época do filme, num trabalho estupendo de Janusz Kaminski.

É grande igualmente o destaque que o realizador dá ao papel de Katherine Graham, a mulher entre os homens, alvo de desconforto da parte masculina e de admiração das mulheres que ainda não conseguiram a emancipação. Meryl Streep e Tom Hanks estão à vontade nas suas personagens. Ela, uma mulher pioneira em cargos de poder, perturbada com o dilema em que a sua posição a coloca. Ele, decidido e corajoso, o editor que tem a verdade nas mãos.


The Post é um bom filme de jornalistas, mais um que se junta ao rol acima enunciado. Não é o melhor Spielberg de sempre mas traz-nos o cineasta, fiel a si mesmo, com uma equipa de peso a acompanhá-lo.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Crítica: A Ponte dos Espiões / Bridge of Spies (2015)

"We have to have the conversations our governments can't."
James Donovan
*7.5/10*

Steven Spielberg é excelente a filmar históricos. Se ainda alguém tinha dúvidas, A Ponte dos Espiões chegou para as dissipar de vez. O realizador trouxe agora para o grande ecrã a Guerra Fria e uma história pouco conhecida. Espiões e advogados, Estados Unidos e Rússia, Spielberg conta-nos tudo.

Durante a Guerra Fria, James Donovan (Tom Hanks), um advogado de Brooklyn, é recrutado pela CIA para negociar a troca de um espião russo capturado, por um piloto americano abatido enquanto sobrevoava território soviético.

Spielberg mune-se dos actores ideais, e dá-nos mais uma lição de história, com personagens bem exploradas e um suspense de invejar. Mais ou menos conhecedores desta época, é impossível tirar os olhos do ecrã e o tempo - quase 2h30 de filme - passa a voar.


A montagem é inteligente, oferecendo-nos um mistério ritmado, potenciado mais ainda pela direcção de fotografia - sempre ao estilo de Spielberg -, que joga com luz e sombra de forma brilhante. As negociações que pareciam ser improváveis (ou impossíveis) entre americanos e russos fazem-nos temer por Donovan e mesmo pelo espião russo. Afinal, poucos são como Spielberg a fazer-nos compreender as personagens e ficar do seu lado.

A reconstituição histórica - óptimo trabalho da direcção artística - tem momentos inesquecíveis como a edificação do muro de Berlim e a violência do lado oriental e ocidental do mesmo. A desconfiança paira nas sombras, nas ruas geladas e inseguras, nas salas de negociação, sempre acompanhada pela banda sonora de Thomas Newman, a tornar o ambiente ainda mais desconcertante. Também o trabalho sonoro intensifica as emoções da plateia.


Tom Hanks é sempre uma mais-valia no elenco. Como James Donovan o actor mostra-se muito à vontade e competente no seu tipo de personagem: seguro e de fácil empatia. Já o espião russo, Rudolf Abel, é interpretado por Mark Rylance. Um desempenho comedido, de ar frágil, mas com uma presença muito forte, capaz de comover o público.

Em A Ponte dos Espiões, Spielberg trata com respeito e zelo mais um importante momento histórico, filma-o como ninguém e arrebata-nos novamente com a sua mestria cinematográfica.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Crítica: Capitão Phillips / Captain Phillips (2013)

"I'm the captain now." 
Muse
*7/10*

Tom Hanks chega ao comando do navio e mergulha em mais uma interessante prestação como Capitão Phillips, no filme de Paul Greengrass. Capitão Phillips está nomeado para seis Oscars da Academia, incluindo Melhor Filme, mas, inesperadamente, escaparam ao protagonista e ao realizador as nomeações nas suas categorias.

A longa-metragem é baseada na história verídica do Capitão Richard Phillips e do assalto ao navio US MV Maersk Alabama por piratas da Somália, em 2009, o primeiro navio de carga a ser assaltado em 200 anos.

O argumento é actual, baseado num acontecimento real - quase regra ultimamente -, mas não traz grandes novidades ao cinema. Ainda assim, a narrativa é empolgante e está construída de forma a que sintamos a tensão que se vive entre piratas e tripulação e, inevitavelmente, chegaremos a temer pela vida de Phillips. Curiosa é a empatia que sentiremos igualmente por Muse, o pirata interpretado por Barkhad Abdi. Apesar de comandar o grupo de rebeldes, demonstra inexperiência e mesmo alguma ingenuidade, nunca conseguindo impor-se perante os seus colegas

Dos pontos mais curiosos da narrativa é a troca de posições que acontece entre Phillips e Muse, com o segundo a tomar o lugar de Capitão e ditar as ordens. "I'm the captain now", afirma de arma em punho, e, a partir dali, o jovem somali passa a deter o controlo da situação - ou assim o quer, contra todas as tentativas da tripulação de Phillips para colocar a vantagem do seu lado.


A partir do momento em que se sente a presença dos barcos dos somalis a perturbar a tranquila viagem do cargueiro, Phillips toma as medidas recomendadas para evitar que a sua embarcação seja atacada. Dos contactos de alerta - incrivelmente desvalorizados pela polícia marítima naquela altura em que os ataques eram menos comuns -, à activação de todas as medidas preventivas, a actividade torna-se frenética e a ansiedade das personagens é transmitida ao espectador, até que o inevitável acontece.

Tom Hanks veste na perfeição a pele do protagonista Phillips. A tensão que se gera, o medo que se apodera dele e a força de vontade em zelar pela vida dos seus subordinados, acima de tudo, mostra como Hanks é convincente e não deixa nenhum papel ficar mal. Por seu lado, o estreante Abdi - nomeado para Melhor Actor Secundário - presenteia-nos com uma personagem que alia pobreza, brutalidade e fragilidade como poucas.

A câmara móvel coloca-nos no cenário - quer no cargueiro, quer no salva-vidas onde grande parte do filme acontece -, sentimos o balanço do barco e a tensão apodera-se igualmente de nós. O trabalho de som é competente e adensa o ambiente pesado e o suspense.


Capitão Phillips não é um marco no cinema, mas revela-se um bom thriller e faz-nos temer. Paul Greengrass mostra-se à altura do desafio de contar uma história a quem não a viveu, e os actores incorporam o terror que, não tão estranhamente assim, se vive de ambos os lados: piratas e capitão - e mesmo na plateia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #101

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre um filme da Disney, inspirado na sua própria história. Ao Encontro de Mr. Banks revela-se uma surpresa com uma magia de que já tínhamos saudades. Emma Thompson oferece-nos uma fantástica interpretação.

AO ENCONTRO DE MR. BANKS


Ficha Técnica:
Título Original: Saving Mr. Banks
Realizador: John Lee Hancock
Actores: Emma Thompson, Tom HanksAnnie Rose BuckleyColin FarrellPaul Giamatti
Género: Biografia, Comédia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 125 minutos

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Actores do Ano #2013

Depois das actrizes, passemos aos actores que mais se destacaram no cinema que por cá estreou em 2013. Relativamente a interpretações masculinas, não consigo falar em menos de 11 nomes.


11. Mads Mikkelsen por A Caça (Jagten)
Nos cinemas vimo-lo em Um Caso Real e A Caça, mas foi no segundo que se destacou. Mads Mikkelsen apresentou-nos uma prestação poderosa, na pele de um homem acusado injustamente... por uma criança. A empatia com o espectador é imediata e a sua dor será partilhada. Pelo menos, nós estamos do seu lado.

10. Michael Douglas por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Douglas não precisa de provar o excelente actor que é, mas neste filme consegue voltar a surpreender-nos  com uma personagem excêntrica e egoísta no seu amor - por si e pelo seu companheiro.


9. Matt Damon por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Matt Damon reinventa-se e mostra-nos aqui mais uma das suas facetas numa personagem inesperada. As mudanças físicas são enormes, os gestos, o modo de agir e de falar, tudo se junta para nos surpreender.

8. Matthew McConaughey por Fuga (Mud)
McConaughey prova a cada nova personagem que merece reconhecimento e, se possível, muitos prémios. Fuga não é excepção, onde veste a pele do protagonista, Mud, um fugitivo apaixonado, que encontra aliados em duas crianças locais.

7. Tom Hanks por Capitão Phillips (Captain Phillips)
Tom Hanks encarna e bem o protagonista Phillips, capitão de um navio atacado por piratas somalis. A tensão que se gera, o medo que se apodera dele e a força de vontade em zelar pela vida dos seus subordinados, acima de tudo, mostra como Hanks não deixa nenhum papel ficar mal.

6. Daniel Brühl por Rush - Duelo de Rivais (Rush)
Das parecenças físicas à atitude demonstrada em Rush, poderíamos acreditar estar perante o verdadeiro Niki Lauda, há alguns anos. Uma interpretação cheia de brilho faz com que Daniel Brühl não seja esquecido nesta temporada de balanços e de prémios.

5. Christoph Waltz por Django Libertado (Django Unchained)
Hilariante, implacável e, claro, fiel aos seus princípios e promessas, ninguém ficou indiferente a Christoph Waltz como o dentista caçador de recompensas Dr. Schultz.

4. Oscar Isaac por A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis)
Um dos actores revelação de 2013. Já o tínhamos visto noutros - pequenos - papéis, mas nunca nos tínhamos apercebido do talento que Oscar Isaac comporta em si. Finalmente, uma personagem profunda e à sua altura, que canta e encanta, e traz consigo uma onda de nostalgia como poucas conseguem.

3. Hugh Jackman por Os Miseráveis (Les Misérables)Raptadas (Prisoners)
Foram muitos os filmes com Hugh Jackman no cinema em 2013. Os Miseráveis, Raptadas e Wolverine trouxeram consigo papéis que reforçam o talento do actor. Destacando os dois primeiros, Jackman surge quase irreconhecível em Os Miseráveis, e o seu papel em Raptadas é brilhante, na pele de um pai desesperado e com sede de vingança, que tudo faz para encontrar a sua filha.

2. Joaquin Phoenix por O Mentor (The Master)
Fenomenal está Joaquin Phoenix em O Mentor na pele de um homem desequilibrado e traumatizado, marcado um amor irrecuperável e por um passado doloroso.

1. Daniel Day-Lewis por Lincoln
As semelhanças físicas são evidentes, e Daniel Day-Lewis provou uma vez mais que é capaz de incorporar todos os desafios que lhe propuserem e sempre de forma magistral. Ponderado e teimoso, Lincoln deu-lhe mais um Oscar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Crítica: Cloud Atlas (2012)

"I believe there is a another world waiting for us, Sixsmith. A better world. And I'll be waiting for you there. "

Robert Frobisher
*6.5/10*
Os realizadores da trilogia Matrix, Andy e Lana Wachowski, aliaram-se a Tom Tykwer e prometiam vir revolucionar o cinema deste ano. Cloud Atlas, que liga personagens do passado, presente e futuro, revelou-se, afinal, um filme pouco mais do que razoável, com um elenco de luxo, sim, mas sem nada que o torne especial ou o faça destacar-se.
Um emaranhado de histórias pouco criativas, de onde pouco se extrai, Cloud Atlas ambicionou ser muito mais do que o que conseguiria alcançar. Dos seis casos que nos são expostos, destacam-se pela positiva dois ou três; visualmente, há bons momentos, mas como um todo, os irmãos Wachowski e Tykwer não conseguem impressionar e, muito menos, demarcar-se do que já foi feito.

Tendo por base o livro de David Mitchell, em Cloud Atlas as personagens conhecem-se e voltam a reunir-se de uma vida para a próxima. Nascem e renascem. Acções e escolhas individuais têm consequências e impacto entre si quer no passado, presente ou futuro. Uma alma é moldada, de assassino a herói, e um simples acto de bondade tem repercussões ao longo de séculos, tornando-se na inspiração de uma revolução.

As boas intenções dos realizadores parecem estar espelhadas na sinopse. Elas existem, mas faltou maior dedicação para atingir o patamar a que se propuseram. As próprias personagens surgem quase como épicas, mas no desenrolar do filme percebemos que não têm muito conteúdo.

Cada actor divide-se por uma multiplicidade de personagens, que vivem em tempos distantes. Todos eles têm alguma relação com os restantes, as acções de uns têm repercussões na vida e no mundo dos outros. Certo é que a continuidade de história para história está extremamente bem conseguida e o trabalho de montagem merece elogios. No que toca ao argumento, Cloud Atlas peca pelo vazio da mensagem que pretende transmitir. Das seis histórias, apenas metade se destaca por algum motivo, ou acrescentam algo ao todo.
É a história do compositor interpretado por Ben Whishaw que conquista a atenção e demonstra maior originalidade e qualidade. É ela a chave do filme, através da Cloud Atlas Sextet, que funciona como uma metáfora de toda a longa-metragem com as suas seis narrativas. É nestas cenas que o espectador consegue sentir-se envolvido no que vê, criando laços com o seu protagonista, que pode ser visto como o verdadeiro criador de Cloud Atlas. De destacar, também é a narrativa futurista, onde o amor e os direitos humanos estão em jogo. Por último, protagonizado por Jim Broadbent, o caso do editor livreiro que se vê internado num lar de idosos proporciona talvez dos momentos mais divertidos da longa-metragem.

Cloud Atlas ganha muito na excelente caracterização das personagens, tornando os actores por vezes irreconhecíveis. A nível visual, a direcção de fotografia faz um bom trabalho, a par da realização, e os efeitos especiais estão bem conseguidos.

O elenco é outro ponto de interesse do filme. Tom Hanks lidera as interpretações, na pele de uma grande diversidade de personagens, desde um pastor protector da família, a um escritor endiabrado, ou um médico ganancioso, por exemplo. Ben Whishaw prova mais uma vez o seu talento, com uma discreta mas importante participação, na pele de Robert Frobisher, personagem com pequenos pormenores que a tornam cativante e essencial. O veterano Jim Broadbent oferece-nos agradáveis interpretações em todas as personagens que encarna, em especial duas delas: o compositor Vyvyan Ayrs e o editor Timothy Cavendish. Outros nomes a realçar no elenco são Jim Sturgess, Hugo Weaving, Halle Berry ou Doona Bae.

Cloud Atlas assemelha-se a um sonho, confuso, com muitas personagens e histórias cruzadas, mas está longe de ser um filme inesquecível. Andy e Lana Wachowski e Tom Tykwer queriam chegar às nuvens mas pouco fizeram por levantar os pés do chão.