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domingo, 28 de novembro de 2021

Sugestão da Semana #483

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Benedetta, de Paul Verhoeven, que já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

BENEDETTA


Ficha Técnica:
Título Original: Benedetta
Realizador: Paul Verhoeven
Elenco: Virginie Efira, Charlotte Rampling, Daphne PatakiaLambert WilsonOlivier RabourdinElena Plonka
Género: Biografia, Drama, História
Classificação: M/16
Duração: 131 minutos

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Crítica: Benedetta (2021)

*7/10*

O erotismo do cinema de Paul Verhoeven é indissociável de cada novo filme, mais ainda quando a religião está no centro do argumento - o caso do mais recente Benedetta. Polémico como se quer, a longa-metragem mexe com as sensibilidades da Igreja, mas também com o lugar das mulheres na sociedade, ao longo dos séculos.

Verhoeven baseia-se no livro Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy, de Judith C. Brown, que por sua vez é inspirado numa história real, e cria Benedetta, com a colaboração de David Birke no argumento.

No final do século XVII, em Itália, Benedetta traça o retrato de uma freira católica que tem visões religiosas e eróticas perturbadoras. Desde muito nova que Benedetta Carlini (Virginie Efira) demonstra ter um dom, e ao entrar para um convento, em Pescia, essa capacidade torna-se mais evidente. Os anos passam e quando Bartolomea (Daphne Patakia) pede abrigo e proteção no convento, as duas mulheres tornam próximas e cresce entre elas uma atracção que vem abalar e Igreja e a sociedade.

Paul Verhoeven filma a sensualidade, mas também a violência, como poucos. Em Benedetta, como em grande parte das suas obras, as duas parecem inseparáveis. O assombro do pecado e das tentações de Cristo reflectem-se nos sonhos e visões da protagonista, ao mesmo tempo que descobre o corpo feminino (o seu e o das outras mulheres com quem partilha o tecto) e a paixão, para além da religião.

Benedetta percorre todo o filme como uma personagem dúbia, causando desconfiança em todos os que a rodeiam, mas também a plateia. Entre os que crêem nos dons que a freira descreve e exibe; são também muitos os que a vêem como uma falsa. A adoração que desenvolve por si mesma e a vontade de estar no centro das atenções em muito contribuem para essa suspeita.

Social e politicamente, o convento era o escape para todo o tipo de mulheres, com os mais difíceis passados. E entre as devotas plenas, encontram-se também as descrentes, mas que criaram no convento a sua vida e família. Num filme quase totalmente dominado por personagens femininas, são contudo os homens que detém o poder instituído, sejam os párocos ou o núncio apostólico - representante da Santa Sé -, e são também eles os que menos vocação e valores demonstram ter para os cargos que ocupam.

Entre o talento e entrega das actrizes, em especial Virginie Efira, Charlotte Rampling e Daphne Patakia, e a destreza ao filmar a trama, como só o realizador sabe, Benedetta balança entre o erotismo e a sensualidade; o sonho e a realidade, e sempre numa tensão latente entre personagens, sentimentos e acções.

Verhoeven cria uma ardente e provadora viagem à Idade Média e aos segredos que as portas de um convento guardam, numa época em que o mundo se debatia contra a peste negra, e todas as preces apelavam à protecção divina.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sugestão da Semana #247

Das estreias da passada Quinta-feira, Ela, de Paul Verhoeven, é a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme. Um filme brutal cuja crítica pode ser lida aqui.

ELA


Ficha Técnica:
Título Original: Elle
Realizador: Paul Verhoeven
Actores: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira, Christian Berkel
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 130 minutos

sábado, 5 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Elle (2016)

"I killed you by coming here"
Michèle
*8/10*

Doentio, perturbador e viciante, assim é Elle, de Paul Verhoeven. A longa-metragem partilha algumas características com a sua protagonista. Cuidado com ela!

Michèle (Isabelle Huppert) aparenta ser indestrutível. É directora de uma grande empresa de vídeo-jogos, adopta uma atitude implacável tanto nos negócios como na sua vida amorosa. Quando é atacada em casa por um assaltante desconhecido, a vida de Michèle muda para sempre. Persegue-o resolutamente e os dois acabam por ser arrastados para um jogo singular e emocionante, que pode, a qualquer momento, fugir do seu controlo.

Verhoeven regressa sem se desapegar da violência e da sensualidade. As personagens são misteriosas, escondem segredos escabrosos, vivem de aparências. Sem moral, sem valores, sem dignidade. Ninguém é bom, mas todos nos conquistam a atenção e aguçam a curiosidade sobre o seu passado. Em especial, claro, a nossa protagonista Michèle, a mulher de meia idade que vive sozinha numa casa enorme com o seu gato (figura de especial simbolismo), divorciada, mas surpreendentemente sexual.


Michèle - Elle - tem uma aparência tão frágil que contrasta com a frieza de carácter que é a sua maior arma. Ela é agredida e não reage como se espera, é imprevisível. Todos são psicologicamente complexos neste filme: a protagonista, marcada fortemente por um macabro episódio da sua infância,  o agressor, que encontra o prazer na violência, o filho de Michèle, que procura ser pai a todo o custo, entre tantos outros casos que conhecemos ao longo do filme

Verhoeven volta à ribalta com força e, mesmo que em alguns momentos o argumento possa ser pouco original, não queremos tirar os olhos do ecrã, com a câmara a conduzir-nos no suspense e na loucura.


Por seu lado, Isabelle Huppert mostra como é uma das melhores actrizes da sua geração e está preparada para todos os papéis, sem pudor, cheia de entrega. Fria, inteligente, matreira, egoísta, perturbada, ela conquista-nos a nós e a todos os que a rodeiam. Ninguém lhe resiste, ninguém lhe faz frente.

Elle está em Competição no Lisbon & Estoril Film Festival. Foi hoje exibido às 15h30, no Casino Estoril, e repete esta noite, às 22h00, na sala 4 do Monumental.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Crítica: Instinto Fatal / Basic Instinct (1992)

"You know I don't like to wear any underwear, don't you, Nick?"
Catherine Tramell

*7/10*

Sexy e erótico são duas palavras que assentam na perfeição a Instinto Fatal (Basic Instinct), do Herói Independente do IndieLisboa'16, Paul Verhoeven. A estas duas características, juntou-lhes uma história de crime e mistério (o argumento é de Joe Eszterhas) e, voilà, eis os ingredientes certos para estalar a polémica e ficar na História, nem que seja pelo mais famoso (des)cruzar de pernas do cinema.

Em Instinto Fatal, Sharon Stone é Catherine Tramell, uma escritora suspeita de assassinar o amante, e Michael Douglas é o detective Nick Curran, com um passado atribulado, chamado a investigar o caso.

Um enredo bem construído, com suspense e a dúvida a pairar na mente das personagens e do espectador. Somos também detectives deste caso. Verhoeven mostra como a estética do seu trabalho também tem conteúdo, criando este perigoso jogo de sangue, sedução, sexo e crime com mestria e personalidade. Mais do que escandalizar a época, o realizador consegue cativar a audiência que não vai querer perder nenhum momento da acção. Os planos incómodos e íntimos constituem outro ponto de envolvimento da plateia: perturbam e seduzem-na.


As personagens têm a sua complexidade, e vamos dar por nós a tentar compreender o encanto animalesco de Nick por Catherine, e igualmente a sua obsessão pelo detective. Mentes perturbadas em corpos movidos pelo instinto e temos Instinto Fatal.

O filme é exibido no IndieLisboa no dia 27 de Abril (quarta-feira), às 21h30, na Cinemateca Portuguesa.