Hoje vi(vi) um filme: FESTin'14: Maratona de Documentários - Curtas-metragens

quarta-feira, 9 de abril de 2014

FESTin'14: Maratona de Documentários - Curtas-metragens


Esta segunda-feira, dia 7 de Abril, o Hoje Vi(vi) um Filme marcou presença na Maratona de Documentário de Curta-metragem. Na sessão, foram exibidos os seguintes títulos: As Vozes que Ouvi, de Antonio Almeida, Edison Larronda, Tom Peres e Paulo Renato PinheiroCape Verde Independence July 5th and 6th, de Anthony D. RamosUma voz timorense em Brasília, de Denilson Félix, e Cova da Moura - Portugal ou Cabo Verde, de Paulo Cabral (os dois últimos realizadores marcaram presença na sessão).

Cova da Moura - Portugal ou Cabo Verde - 8/10

Cova da Moura, Portugal ou Cabo Verde?, de Paulo Cabral, tem como tema central a condição social cabo-verdiana na Cova da Moura, um bairro da grande Lisboa cuja população é maioritariamente composta por imigrantes. O documentário pretende abordar a origem, evolução, situação actual do bairro, bem como a relação dos habitantes com o bairro e com a PSP, a relação intercultural dos seus habitantes e as vantagens e os inconvenientes da imigração.

Em apenas 36 minutos, Paulo Cabral consegue desmistificar o que se sabe ou supõe saber sobre o bairro da Cova da Moura, falando com os habitantes, portugueses e cabo-verdianos, e com quem ali trabalha, apresenta-nos as associações que lá operam e conta-nos a História deste bairro. Reúnem-se opiniões que apontam o que está mal e devia mudar na Cova da Moura, mas não faltam também as boas experiências e os pontos fortes do bairro, que conta até com um programa de turismo. Cova da Moura - Portugal ou Cabo Verde convida à reflexão da plateia, e introduz as personagens e histórias com ritmo, cor e música, onde até as legendas nos são apresentadas de forma muito original.

As Vozes que Ouvi - 7/10

A partir de diversas histórias que se formaram em torno da criação e do desenvolvimento da rádio em Bagé, Rio Grande do Sul, desenvolve-se o documentário As Vozes que Ouvi. Os entrevistados são alguns dos locutores que marcaram a História da rádio na cidade.

A curta-metragem traz-nos curiosos depoimentos dos radialistas dos grandes tempos da rádio em Bagé. O tom descontraído conquista facilmente o espectador, que se irá divertir com as aventuras e peripécias que nos contam, e com os momentos que mais marcaram estes locutores. As Vozes que Ouvi tem ritmo e mantém aceso o interesse da plateia.

Uma Voz Timorense em Brasília - 6/10

Em 2008, a República Democrática de Timor-Leste abriu a sua embaixada na capital brasileira. Uma Voz Timorense em Brasília , de Denilson Félix, conta-nos brevemente alguns acontecimentos marcantes da História de Timor, a partir de uma conversa com Domingos de Sousa, o embaixador de Timor em Brasília. Participante da resistência timorense, Domingos de Sousa dedica-se à preservação da memória daquele período até aos dias de hoje, tendo publicado quatro livros.

Há poucos filmes que nos falem sobre Timor, e, relativamente a esse ponto, Uma Voz Timorense em Brasília destaca-se pela positiva. A curta-metragem dá-nos a conhecer a História timorense, que é contada por quem viveu parte dela. Um relato curioso, mas que precisaria de uma montagem mais dinâmica que alternasse, por exemplo, com imagens de arquivo, para que o espectador não perca o interesse na conversa.

Cape Verde Independence July 5th and 6th - 5.5/10

Cape Verde Independence July 5th and 6th é uma curta-metragem documental constituída a partir de imagens de arquivo de Anthony D. Ramos filmadas em Cabo Verde nos dois primeiros dias da independência do país, após 500 anos de domínio colonial.

Num primeiro momento, observamos a alegria nas ruas, os gritos de liberdade do povo, as crianças que cantam, os carros que buzinam, em tom de festejo. Num segundo momento, vemos uma série de efusivos discursos dos grandes dirigentes e responsáveis pela independência de Cabo Verde, que evocam o nome de Amílcar Cabral, e de outros líderes, sempre muito aplaudidos pelo povo. Cape Verde Independence July 5th and 6th documenta bem os primeiros dias da independência, em 1975, mas sente-se a falta de um ritmo mais constante, que poderia ser melhorado com a introdução de testemunhos da população.

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