O IndieLisboa'15 começa já amanhã, dia 23, e, com ele, muito do melhor cinema independente chega à capital e por cá fica até dia 3 de Maio. A escolha é imensa e variada, mas aqui ficam alguns títulos a ter em atenção durante o festival.
Longas-metragens
Capitão Falcão, de
João Leitão - Sessões Especiais
Em 1968, várias ameaças parecem cercar o regime que salvou Portugal da bancarrota: o Estado Novo. Entre elas, grupos de comunistas, feministas, e os chamados “Capitães de Abril” conspiram contra
António de Oliveira Salazar e os seus princípios nacionalistas. A autoridade do Estado já não chega para proteger os portugueses. Nasce então o super-herói português por excelência para salvar Portugal de todos os seus males:
Capitão Falcão (e o seu
sidekick Puto Perdiz). O resto da história é conhecida.
Force majeure (Força Maior), de
Ruben Östlund - Sessões Especiais
Prémio do Júri
Un Certain Regard no
Festival de Cannes e nomeado para
Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro,
Força Maior conta a história de uma família sueca que viaja para os Alpes Franceses para desfrutar de uns dias de esqui. O sol brilha e as pistas estão espectaculares, mas durante o almoço num restaurante na montanha, uma avalanche vai provocar o caos. Com os comensais a fugir em todas as direcções, a mãe
Ebba chama pelo seu marido
Tomas, enquanto tenta proteger os seus filhos.
Tomas, entretanto, está a fugir para se salvar…
Aferim!, de
Radu Jude - Competição Internacional
Radu Jude é um dos maiores destaques da nova vaga do cinema romeno.
Aferim! é uma aventura pelos territórios feudais da Roménia do séc. XIX: um terreno pouco visto no novo cinema romeno, mas sempre domado pelo humor forte, a sátira social do presente, e personagens herdeiras das histórias de Gogol.
Melbourne, de
Nima Javidi - Competição Internacional
A primeira obra de
Nima Javidi inspira-se nos melhores princípios de
Hitchcock para criar uma história de suspense dentro de um apartamento de Teerão. Aqui, é o que acontece entre as suas paredes que interessa a quem está fora delas: amigos, vizinhos e uma autoridade sem rosto que, por visitas não anunciadas, ameaçam uma emigração planeada para Melbourne. E pelos mecanismos do cinema, quer-se revelar uma população cujos caminhos, da nascença à idade adulta, se encontram atados às prisões mentais de cada um.
Les gants blancs, de
Louise Traon - Director's Cut
O cinema cuida-se com luvas brancas – assim o era quando metros de película exigiam cortes e recortes, pelo olhar de montadores e realizadores, antes de se encontrar um filme numa rodagem de muitas horas. A era digital veio dispensar as luvas – mas não uma delicadeza redobrada em imagens vistas e revistas até surgir o corpo de um filme e, depois, o seu espírito e versão definitiva. Mais ainda se falarmos de
Manoel de Oliveira e da sua montadora
Valérie Loiseleux.
Rabo de Peixe – Director’s Cut, de
Joaquim Pinto, Nuno Leonel - Director's Cut
Em
E Agora? Lembra-me,
Joaquim Pinto evoca uma passagem pelos Açores quando buscava uma aproximação à vida. Rabo de Peixe foi esse lugar intocado: onde as pessoas de uma terra renovaram o olhar de dois autores e companheiros, movidos pela beleza humilde das suas pessoas, dos seus corpos e do seu trabalho.
Joaquim Pinto e
Nuno Leonel viram, nos pescadores de Rabo de Peixe, a razão para continuarem a filmar. Esta é a versão remontada e definitiva para cinema.
White Bird in a Blizzard, de
Gregg Araki - Boca do Inferno
Em
White Bird in a Blizzard, o realizador foca-se, uma vez mais, no despertar dos instintos sexuais de uma jovem personagem, juntando-lhe o misterioso desaparecimento, aos 17 anos, da sua mãe. Apesar dessa “ausência”, é esse papel – e a interpretação de
Eva Green – a comandar uma narrativa familiar, em tons de policial, dentro do universo suburbano norte-americano.
Aqui, em Lisboa, de
Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes, Marie Losier - Sessões Especiais
Em 2013, para celebrar o seu 10.º aniversário, o
IndieLisboa convidou estes quatro realizadores a filmarem em Lisboa.
Aqui, em Lisboa é o resultado – quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico.
Repulsion, de
Roman Polanski - Sessões Especiais
Um dos mais perturbadores filmes de
Polanski. Destilando terror psicológico por todos os fotogramas,
Repulsion, com
Catherine Deneuve, constrói-se à volta das fobias sexuais de uma personagem aterrorizada pelo pesadelo recorrente de uma violação, cuja obsessão a conduz à loucura com consequências assassinas.
While We’re Young, de
Noah Baumbach - Sessões Especiais
Um casal de meia-idade (
Ben Stiller e
Naomi Watts) vê a sua vida contagiada pelo encontro com um jovem casal na casa dos vinte (
Adam Driver e
Amanda Seyfried), oferecendo novamente o retrato de uma classe urbana e artística de traços disfuncionais, em que o peso da idade serve para uma nova comédia de costumes e de tempos com Nova Iorque em pano de fundo.
Trudno byt’ Bogom (Hard to be a God), de
Aleksey German - Silvestre
É difícil ser um deus: sobretudo se cairmos, como extraterrestres, num planeta igual à Terra, e formos aclamados como divindades num tempo vivido há 800 anos.
Hard to be a God pega num livro de
Arkady e
Boris Strugatsky e no conflito entre dois mundos para servir de estudo sobre a natureza humana. Planeado durante quatro décadas, o último filme do realizador russo
Aleksei German foi terminado, depois da sua morte em 2013, pelo seu filho e realizador
Aleksei German Jr.
Queen of Earth, de
Alex Ross Perry - Silvestre
Em
Queen of Earth, a
Elizabeth Moss junta-se
Katherine Waterston e um curto elenco. Entre as duas actrizes, a câmara faz e refaz os nós de uma crescente neurose entre duas amigas no espaço de uma casa de férias. Um thriller emocional que ecoa os caminhos traçados por
Bergman em
Persona ou a paranóia dos interiores de
Polanski em
Rosemary’s Baby.
Curtas-metragens
Cinzas e Brasas, de
Manuel Mozos - Competição Nacional
Em
Cinzas e Brasas,
Manuel Mozos entra pelo campo da literatura, com
Isabel Ruth como
Dulce Maria Cardoso, para filmar uma casa de escrita e memórias.
A Rapariga de Berlim, de
Bruno de Freitas Leal - Novíssimos
A Rapariga de Berlim filma o segundo capítulo de uma relação numa Lisboa solitária e poética.
Provas, Exorcismos, de
Susana Nobre - Competição Nacional
Presente este ano também na
Quinzena dos Realizadores do
Festival de Cannes,
Provas, Exorcismos, de
Susana Nobre, oferece um olhar fictício, também de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.
Cavern Club, de
Gonçalo Soares - Novíssimos
O bar de estreia dos
Beatles empresta o seu nome a
Cavern Club, a história de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema e manifestações de uma geração sem futuro.
Seafood Porn, de
Momoko Seto - Boca do Inferno
Seafood Porn traz-nos pornografia de pescado em
stop-motion.
Música Moderna – Um Disco Filme de Tochapestana, de
Tochapestana - IndieMusic
Os
Tochapestana, num contexto performático, chamam os nossos corpos pela via do
glitter (ou género associado à sua música:
baile-turbo-punk). Pela estética dos anos 80 e a sua atracção pelo imaginário popular português, os
videoclips do duo musical (onde se inclui o realizador
Gonçalo Tocha) espelham o universo do seu álbum
Música Moderna.
Habana, de
Edouard Salier - Sessões Especiais
Um jovem rapaz leva-nos pelo caos de Havana, uma cidade à beira da guerra-civil.
Nos Campos em Volta, de
João Botelho - Sessões Especiais
João Botelho traz-nos aqui um filme sobre as histórias e lendas que se escondem na paisagem de Serpa.
Kacey Mottet Klein, Naissance d’un acteur, Une petite leçon de cinéma, de
Ursula Meier - Silvestre
A realizadora
Ursula Meier olha para o crescimento e o trabalho do seu jovem actor de
Home (2008) e
Irmã (2012) através da sua presença e palavras.
Conhece toda a programação do
IndieLisboa, horários e outras informações em
www.indielisboa.com.