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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Sugestão da Semana #699

Das estreias da passada Quinta-feira, a primeira Sugestão da Semana de 2026 destaca Miroirs No. 3, de Christian Petzold.

MIROIRS NO. 3


Ficha Técnica:
Título Original: Miroirs No. 3
Realizador: Christian Petzold
Elenco: Paula Beer, Barbara Auer, Matthias Brandt, Enno Trebs, Philip Froissant, Victoire Laly
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 86 minutos

terça-feira, 18 de novembro de 2025

LEFFEST 2025: Vencedores

Where to Land, de Hal Hartley, foi o grande vencedor do LEFFEST 2025, escolhido pelo júri do festival, composto por Kim GordonStacy MartinManuel Martín CuencaRodrigo Moreno e Francisco Aires Mateus.


Eis a lista de premiados da 19.ª edição do festival lisboeta - que este ano se estendeu também à Amadora:

Selecção Oficial - Em Competição

Grande Prémio NOS
Where to Land, de Hal Hartley

Grande Prémio do Júri João Bénard da Costa
Miroirs No. 3, de Christian Petzold

Menções Honrosa
Silent Friend, de Ildikó Enyedi
In the Land of Brothers, de Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli

Competição Descobertas
(Júri: Avi Mograbi, Stéphanie Argerich, Margarida Cardoso, Alain Planès, Stephen Kovacevic e João Peste)
Prémio Revelação
Shadowbox, de Tanushree Das e Saumyananda Sahi

Menção Honrosa
Living the Land, de Huo Meng

Secção Encontro Internacional de Escolas de Cinema
(Júri: Binete Undonque, Simão Cayatte e Inti Herrera)
Prémio de Melhor Curta-Metragem
Tarik, de Adem Tutić, aluno da FDA Belgrado (Sérvia)

Mais informações sobre o LEFFEST em https://leffest.com/.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

LEFFEST - Lisboa Film Festival 2025 apresenta programa numa edição que se estende à Amadora

O programa do LEFFEST — Lisboa Film Festival 2025 foi hoje anunciado numa Conferência de Imprensa, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, que contou com a presença do director do festival, Paulo Branco, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do administrador executivo da NOS, Luís Nascimento.

A 19.ª edição do LEFFEST vai decorrer de 7 a 16 de Novembro, em Lisboa (Cinema São Jorge, Cinema Medeia Nimas, Culturgest, Teatro do Bairro, Galeria Zé dos Bois e NOS Amoreiras), estendendo-se, pela primeira vez, a duas salas da Amadora:  Auditório dos Recreios da Amadora e Cineteatro D. João V.

Sobre a extensão do festival à cidade da Amadora, Paulo Branco referiu que o contacto partiu da Câmara Municipal da Amadora e que a programação das duas salas terá "muito em conta a especificidade da zona" e será "feita em conjunto com" o município. O tema dos exílios estará muito ligado à cidade, onde, com grande probabilidade marcará presença Wagner Moura, tendo em conta a grande comunidade brasileira ali residente.

Fora de Competição e Competição Oficial

O filme de abertura será Father Mother Sister Brother, de Jim Jarmusch. Fora de Competição estarão vários títulos sonantes, que já passaram em festivais internacionais como Die My Love, de Lynne Ramsay, Dead Man's Wire, de Gus Van Sant, Kontinental '25, de Radu Jude, Hamnet, de Chloé Zhao, Sex|Love|Dreams, de Dag Johan HaugerudThe Mastermind, de Kelly ReichardtThe Chronology of Water, de Kristen StewartThe Testament of Ann Lee, de Mona Fastvold, e The Wizard of the Kremlin, de Olivier Assayas, entre outros. Entre os filmes portugueses desta selecção, destaque para As Meninas Exemplares, de João Botelho, e Maria Vitória, de Mário Patrocínio.

Na Competição Oficial, estão 12 longas-metragens a disputar o Grande Prémio NOS, que será atribuído por um júri composto por Stacy Martin, Kim Gordon, Rodrigo Moreno, Manuel Martín Cuenca, Francisco Aires Mateus e Mohammad Rasoulof. Em Competição estarão: Blue Moon, de Richard Linklater, Silent Friend, de Ildikó Enyedi, Where to Land, de Hal Hartley, Miroirs No. 3, de Christian Petzold, The Sun Rises on Us All, de Cai ShangjunOlmo, de Fernando Eimbcke, Las corrientes, de Milagros Mumenthaler, Songs of Forgotten Trees, de Anuparna Roy, The President’s Cake, de Hasan Hadi, In the Land of Brothers, de Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli, e o português Entroncamento, de Pedro Cabeleira. Ainda por confirmar, está o segundo volume de Mektoub, My Love: Canto Due, de Abdellatif Kechiche.


Homenagens: Hal Hartley, Isabel Ruth e Wagner Moura e tributo a Marisa Paredes

O LEFFEST apresentará a primeira grande retrospectiva europeia de Hal Hartley, que será acompanhada da estreia europeia do seu mais recente filme Where to Land. Também homenageada será a actriz Isabel Ruth, rosto incontornável do Cinema Novo português; o realizador e actor brasileiro Wagner Moura, recentemente distinguido no Festival de Cannes, pelo seu papel em O Agente Secreto; e a actriz britânica Miranda Richardson. Todos marcarão presença em Lisboa para apresentar os seus filmes e participar em encontros com o público.

Em memória, o festival presta tributo a Marisa Paredes (1946-2024), a actriz que, para Pedro Almodóvar, "tudo dignificava". Serão exibidos alguns dos seus filmes mais marcantes, contando com a participação de alguns dos seus próximos.


Focos: Um Novo Élan do Cinema Espanhol e O Cinema da Ásia Central

O festival vai apresentar dois Focos geográficos: Um Novo Élan do Cinema Espanhol, que reúne sete filmes inéditos em Portugal e revela a vitalidade do novo cinema espanhol, com realizadores de diferentes gerações a reinventar o legado dos grandes mestres. Estarão presentes, entre outros, Manuel Martín Cuenca, Pilar Palomero, Alberto Morais e Javier Rebollo. E o foco O Cinema da Ásia Central que apresenta 12 filmes do Cazaquistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, das Novas Vagas dos anos 80 até à criação contemporânea, alguns apresentados pelos próprios autores.


Ciclos Temáticos: Revoluções e Exílios

Dois ciclos temáticos serão apresentados no festival. Revoluções, com curadoria de Denis Ruzaev e Ines Branco López, pretende olhar para a história do cinema sob a lente revolucionária. Já Exílios propõe uma reflexão íntima e política sobre a condição de desenraizamento, com filmes, debates, leituras, a exposição At the Edge of Visibility, do colectivo Dahaleez, na Galeria Zé dos Bois, e ainda um cine-concerto com The Immigrant (1917) e The Pilgrim (1923), de Charlie Chaplin, acompanhados ao vivo pelo Rodrigo Amado Trio

Secções Descobertas e Grandes Mestres

A secção Descobertas atribuirá o Prémio Revelação, que será decidido por um júri composto por Avi Mograbi, Margarida Cardoso, Stephen Kovacevich e Stéphanie Argerich, a um dos sete filmes de autores que se têm afirmado nos últimos anos. Em competição estarão DJ Ahmet, de Georgi M. Unkovski; Homebound, de Neeraj Ghaywan; Living the Land, de Huo Meng; Lucky Lu, de Lloyd Lee Choi; My Father’s Shadow, de Akinola Davies Jr.; Shadowbox, de Tanushree Das e Saumyananda Sahi; e Urchin, de Harris Dickinson.

A secção Grandes Mestres convida o público a reencontrar grandes nomes do cinema contemporâneo com novas obras: Aleksandr Sokurov (Director’s Diary), Edgar Reitz (Leibniz – Chronicle of a Lost Painting), Franco Maresco (Un film fatto per Bene), Sharunas Bartas (Laguna) e José Luis Guerín (Historias del buen valle). Sokurov, Bartas e Guerín estarão nas sessões para apresentar os filmes.


Memória do Cinema - Filmes Restaurados

Nesta edição, o LEFFEST vai apresentar três filmes recentemente restaurados: Senso (1954), de Luchino Visconti, restaurado pela Cineteca di Bologna; La Règle du Jeu (1939), de Jean Renoir, restaurado pela Cinémathèque Française; e O Processo do Rei (1990), de João Mário Grilo, que terá a sua primeira exibição pública na nova cópia restaurada pela Cinemateca Portuguesa.


Homenagem a Arvo Pärt no 90.º Aniversário

O compositor Arvo Pärt será homenageado por ocasião do seu 90.º aniversário com um concerto pelo GGG Trio (Gidon Kremer – violino, Georgijs Osokins – piano, Giedre Dirvanauskaite – violoncelo), conversas sobre a sua obra e a exibição de filmes, incluindo a sua colaboração com Robert Wilson.

Em breve, serão anunciados mais títulos e convidados à programação do LEFFEST 2025, e os bilhetes estarão à venda previsivelmente no final de Outubro. Mais informação sobre o festival em https://leffest.com/.

domingo, 25 de abril de 2021

Sugestão da Semana #452

Das estreias da passada semana e em noite de Oscars, a Sugestão da Semana é dupla: Nomadland - Sobreviver na América, de Chloé Zhao, e Undine, de Christian Petzold.



Ficha Técnica:
Título Original: Nomadland
Realizadora: Chloé Zhao
Elenco: Frances McDormand, David Strathairn, Linda May, Bob Wells, Tay Strathairn, Swankie,
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 107 minutos



Ficha Técnica:
Título Original: Undine
Realizador: Christian Petzold
Elenco: Paula Beer, Franz Rogowski, Maryam Zaree, Jacob Matschenz
Género: Drama, Fantasia, Mistério, Romance
Classificação: M/12
Duração: 91 minutos

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Crítica: Undine (2020)

*8/10*

O tom trágico do cinema de Christian Petzold vem-se firmando em cada filme, alcançando uma aura mitológica e mágica no mais recente Undine. A dualidade de significados paira desde o início, num filme desafiante e encantador.

«"Se me abandonares, vou ter de te matar", diz a protagonista ao homem por quem está apaixonada quando eles se separam no café da esquina. Mergulhando no reino subtil do sobrenatural, Christian Petzold re-imagina a figura mitológica da ninfa aquática, Ondina. Aqui, Undine é uma historiadora que trabalha no departamento de desenvolvimento urbanístico da cidade de Berlim. Reescrevendo o mito, o filme apresenta uma reflexão sobre a relação entre realidade e ilusão.»

Depois da trilogia composta por Bárbara (2012), Phoenix (2014) e Em Trânsito (2018), com foco na História da Alemanha, antes da queda do muro de Berlim, Petzold transporta-nos agora para os tempos actuais. Em Undine, a História da cidade deixa de ser personagem principal mas mantém-se presente, desta vez na profissão da protagonista, historiadora que dá palestras sobre o desenvolvimento urbano da capital.

A narrativa vive rodeada pela cidade, mas também pelo rio. A água é um elemento central na longa-metragem: Undine tem uma atracção especial por ela; e a água uma predilecção imensa por Undine, não tivesse o nome da sua ninfa. Christian Petzold cria uma nova versão cinematográfica do mito, através da história de uma mulher de comportamento estranho e possessivo que se transforma ao conhecer Christoph, um mergulhador. O romance é simples, rápido e intenso. Os sentimentos são arrebatadores, para o bem ou para o mal.

Se romances trágicos são com PetzoldUndine junta-lhe o elemento fantástico, numa linha ténue entre lendas e coincidências, sonhos ou realidade. A ambiguidade é uma presença assídua neste conto de fadas sombrio. E entre um misto de emoções e incertezas, há pequenos pormenores que dão encanto ou parecem premonição. 

Paula Beer e Franz Rogowski voltam a fazer par romântico depois de protagonizarem Em Trânsito, e a química dos dois no ecrã tem o efeito mágico que caracteriza Undine. Enquanto Beer consegue passar do comportamento algo psicótico inicial, com gestos nervosos e ar absorto, para uma mulher mais humanizada e apaixonada; Rogowski é um homem curioso, protector e dedicado.

Seja a ninfa aquática a mergulhar no verdadeiro amor ou a natureza humana a revelar-se, Undine é um trabalho inspirado de Christian Petzold, que poderá não ser fácil de assimilar, mas onde o realizador reafirma e continua a trilhar um caminho de muita personalidade.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Crítica: Em Trânsito / Transit (2018)

*8.5/10*


Ia começar este texto com a frase "amor em tempos de guerra", mas Christian Petzold disse melhor: Em Trânsito é, segundo o realizador, o último capítulo da sua trilogia "amor em tempos de sistemas opressivos" - os dois primeiros são Barbara (Alemanha dividida durante a Guerra Fria) e Phoenix (Holocausto).

Em França, na época da ocupação nazi, pessoas como Georg (Franz Rogowski) precisam de fugir do continente, de barco, para escapar ao regime. Na cidade de Marselha, Georg espera obter um visto e, como tantos outros, espera e vagueia sem propósito. O seu caminho cruza-se com o de um escritor que cometeu suicídio e cuja identidade Georg assume.

Seguimos com atenção e apegamo-nos a Georg, sem nunca o condenar - não faríamos o mesmo em situação idêntica e desesperada? Tudo na vida de Georg é inesperado, desde o pedido para entregar as cartas a um escritor, à nova identidade, ao encontro com o pequeno Driss e a mãe Melissa, até à coincidência de conhecer o médico Richard e a bela Marie.


Todos têm um papel fundamental na vida de um homem cuja identidade é tão mutável como os tempos de medo e fragilidade que se vivem na Europa. Há um clima de desconfiança a pairar e o desespero apodera-se dos refugiados ilegais que anseiam por uma vida nova e livre de ameaças ou perseguições.

O jogo de vidas cruzadas, destinos alterados, amor e desespero comandam a narrativa, em consonância com os filmes anteriores desta trilogia. Uma das singularidades de Em Trânsito é o facto de Petzold contar uma história passada durante a Segunda Guerra Mundial numa França contemporânea, com televisões LCD e graffittis nas ruas. No ambiente, as cores vivas contrastam com o clima de terror que assombra as personagens, mas deixam-nos igualmente mais próximos destas, capazes de identificar entre elas muitos problemas actuais. O Sol aquece os espíritos e os corações, numa réstia de esperança que todos têm e este visual mais positivo (contra todas as expectativas) contrasta com Barbara e Phoenix.


O amor e guerra andam muitas vezes de mãos dadas e Christian Petzold tem demonstrado saber bem como construir bons argumentos em épocas muito dolorosas da História mundial. Esta trilogia foi em crescendo, culminando com Em Trânsito, o mais belo filme do realizador alemão até agora.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Doclisboa'15: Die innere Sicherheit / The State I Am In (2000)

*6.5/10*

Na Retrospectiva I don't throw bombs I make films - Terrorismo, Representação, o Doclisboa'15 traz-nos uma interessante selecção de filmes. Entre eles encontra-se Die innere Sicherheit (The State I Am In), do realizador alemão Christian Petzold.


A longa-metragem de ficção centra-se num casal de alemães, com um passado de terroristas de esquerda, escondido no Algarve com a filha, que vive com normalidade um quotidiano de segredo. No entanto, uma série de acontecimentos provoca o regresso à Alemanha e o confronto com as acções passadas. A adolescente debate-se com o crescimento. A Alemanha de hoje resulta desta caixa de Pandora que é o seu passado.

A História alemã tem sido tema fulcral na filmografia de Petzold e, também neste seu trabalho de 2000, o cineasta ficciona a realidade do seu país, desta vez focando-se no terrorismo e na tentativa que esta família de ex-terroristas faz para conquistar o direito a uma vida normal.

Perseguições, desconfiança, medo, rodeiam as vidas dos três fugitivos, Clara, Hans e a filha Jeanne, que conhecemos no Algarve, onde haviam encontrado refúgio, pelo menos provisório. Mas, para lá da forte temática política, a adolescência e o crescimento ganham especial ênfase no decorrer de Die innere Sicherheit na personagem de Jeanne, com a rebeldia crescente, as paixões que despertam e a vontade de ser uma jovem como as da sua idade - um excelente desempenho de Julia Hummer.

Filmado em 35 mm, e com o grão da película visível na imagem, entramos ainda mais facilmente na época dos acontecimentos. O argumento, escrito por Harun Farocki e Petzold, desafia-nos a conhecer esta difícil realidade e prende desde o início a atenção da plateia. Contudo, o filme peca na duração, demasiado longa, com pouco desenvolvimento no enredo que o justifique.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sugestão da Semana #164

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Phoenix, de Christian Petzold, protagonizado por Nina Hoss. O filme passou pelo Lisbon & Estoril Film Festival em Novembro de 2014.

PHOENIX


Ficha Técnica:
Título Original: Phoenix
Realizador: Christian Petzold
Actores:  Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sugestão da Semana #49

E desta vez uma Sugestão da Semana dupla, de entre os filmes estreados na passada Quinta-feira. A longa-metragem de Steven Spielberg, Lincoln, com 12 nomeações para os Oscars merece visualização, nem que seja para confirmar se é merecedora de tanto destaque. Por seu lado, o filme alemão Barbara, que abriu a KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã, é o mais recente filme de Christian Petzold, um dos principais representantes do cinema germânico contemporâneo.

LINCOLN

Ficha Técnica:
Título Original: Lincoln
Realizador: Steven Spielberg
Actores: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, Tommy Lee Jones, John Hawkes, Jared Harris
Género: Biografia, Drama, Histórico
Classificação: M/12
Duração: 150 minutos



BARBARA

Ficha Técnica:
Título Original: Barbara
Realizador: Christian Petzold
Actores: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Rainer Bock
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 105 minutos