O Cinema português perdeu ontem, 29 de Janeiro de 2026, um dos seus maiores nomes, João Canijo. O Momentos Para Recordar regressa em jeito de homenagem ao cineasta que marcou para sempre todos os que viram os seus filmes e os que consigo trabalharam ou privaram.
Pessoalmente, fiquei desolada com a notícia. Canijo é um dos mais desafiadores e corajosos realizadores portugueses. Com Mal Viver conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023, filme que faz parte do díptico Mal Viver/Viver Mal, que tive a oportunidade de ver na sessão dupla que o IndieLisboa programou, nesse mesmo ano. Foi o reconhecimento internacional a premiar a carreira aguerrida de um realizador com um método muito particular, que admirava as suas actrizes, e cujos filmes se focavam nas Mulheres, em particular.
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| Mal Viver (2023) |
Ontem ocorreram-me dois momentos em que João Canijo "surgiu", inesperadamente, na minha vida. Uma primeira vez em que, muito jovem e ainda fora das lides da escrita sobre cinema, vi algures um anúncio onde procuravam figurantes amadorenses para o seu próximo filme - era Sangue do Meu Sangue. Só tinha de ir ao mítico Babilónia (ou um local lá bem perto), inscrever-me e tirar umas fotografias. Fui com um amigo. Como imaginam, não fui escolhida. Mas fiquei com curiosidade sobre o que dali viria. Quando estreou, confesso, não fiquei rendida, mas comecei a explorar e a acompanhar muito mais a sua filmografia, da qual me tornei grande fã.
Em 2019, graças ao realizador Luís Campos, também criador do Festival Guiões, fui convidada para moderar um debate sobre Escrita de Cinema em Língua Portuguesa, com vários convidados: e lá estava João Canijo no painel. Tive a oportunidade de falar com ele para lá do debate, e descobri um homem seguro, obstinado, muito afável e com quem dava gosto conversar.
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| Debate no Festival Guiões 2019 |
Vai demorar tempo a processar esta ausência na cultura nacional. Entretanto, Canijo deixou-nos dois novos filmes prontos: Encenação e As Ucranianas.
À família, amigos e admiradores, endereço as minhas mais profundas condolências. Para saber mais sobre João Canijo, vida e carreira, sugiro este obituário, escrito por Vasco Câmara, no Público.
Aqui no Hoje Vi(vi) um Filme, deixo um excerto de uma das suas obras-primas: Mal Viver.


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