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domingo, 9 de agosto de 2020

Sugestão da Semana #429

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português A Impossibilidade de Estar Só, de Sérgio Graciano. Numa altura em que ainda muitos evitam as salas de cinema, ao menos que se apoie os muitos filmes nacionais que têm estreado nesta época.

A IMPOSSIBILIDADE DE ESTAR SÓ


Ficha Técnica:
Título Original: A Impossibilidade de Estar Só
Realizador: Sérgio Graciano
Elenco: Bruna Quintas, Laura Dutra
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 80 minutos

domingo, 24 de junho de 2018

Opinião - Séries: 1986 (2018)

*8/10*

Eva Fisahn, Miguel Partidário, Miguel Moura e Silva, Laura Dutra e Henrique Gil

Acabou há menos de uma semana 1986, a série criada por Nuno Markl, que nos transportou para a melhor década de todas, as suas modas e contextos político e social. Personagens, que fomos nós, ou os nossos amigos e familiares mas que, no fundo, eram todas um bocadinho de Nuno Markl. Após o primeiro episódio (são 13, ao todo), eu disse isso mesmo. São todos Nuno Markl. E, confesso, não fiquei rendida e critiquei um pouco, em especial os clichés das personagens: a gótica, o metaleiro, os betinhos, o totó, o comuna, o fascista retornado, a mulher submissa, a hippie... Ainda o achei inicialmente um pouco elitista, ao falar de filmes e realizadores muito específicos, mas que poderão ficar mais como um convite à descoberta para quem não os conhece...

Há um extremo cuidado com a direcção artística, relembramos os locais, os carros, os objectos - alguns provavelmente raros, certamente desencantados da cave do Markl ou local de culto semelhante -, o cinema Turim (agora teatro) onde também vi tantos filmes... Toda a cultura popular  dos 80's ali nos surge com uma naturalidade e nostalgia que poucas vezes se vê, menos ainda em Portugal.


Não desisti e continuei a ver, e os clichés foram-se dissipando a cada novo episódio, ganhando todos  os personagens muito mais personalidade do que o preconceito a que os submeti ao início - eu que nem gosto de julgar aparências. Desbravou-se um mar de boa música, rádio pirata, ColaCao, filmes que passavam na cinemateca - norte-americanos, russos ou outros que tais -, relembrou-se parte da campanha das presidenciais de 1986, as mágoas dos retornados, a revolta dos que viveram o Estado Novo, a amizade, o amor, as colecções de cromos, as cassetes VHS (que saudades...) e tantas outras memórias, que fazem sorrir.

1986 tem essa qualidade, tão rara hoje em dia: faz-nos rir e sorrir, faz-nos querer ver mais, faz-nos implorar por uma segunda temporada. Vá lá, Markl! Faz isso por mim que quase não vejo séries e vi os 13 episódios da tua que, ainda por cima, é portuguesa - e bem boa!