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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Sessão Especial de 'O Homem Que Matou Dom Quixote' junta Terry Gilliam, Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl

O realizador Terry Gilliam estará à conversa com Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl numa sessão especial do filme O Homem Que Matou Dom Quixote, no dia 9 de Fevereiro, às 21h00, nos Cinemas NOS Colombo, em Lisboa.

Durante uma hora, os humoristas portugueses vão estar à conversa com o realizador e membro dos Monty Python, numa partilha de curiosidades sobre a sua carreira e sobre o O Homem Que Matou Dom Quixote. O filme será exibido pelas 22h00, após o encontro. Os bilhetes custam 10€, já estão à venda e a receita de bilheteira dessa sessão reverterá a favor da Casa do Artista.

O projecto de Terry Gilliam que levou mais de 25 anos a concretizar, apelidado muitas vezes de  "filme maldito" devido aos inúmeros contratempos e polémicas, chega finalmente às salas nacionais a 17 de Fevereiro.

A história de O Homem que Matou Dom Quixote acompanha Toby, um director publicitário (Adam Driver), que se encontra preso aos delírios de Javier (Jonathan Pryce). "Javier é um velho sapateiro espanhol que acredita ser Dom Quixote e vê em Toby o Sancho Pança. No decorrer das suas cómicas e surreais aventuras, Toby é forçado a confrontar as trágicas repercussões de um filme que fez enquanto jovem idealista e que mudou, para sempre, a esperança de uma pacata vila espanhola. Uma viagem temporal ao mundo das fantasias onde a missão se mantém a mesma: lutar contra as forças da escuridão, salvar nobres donzelas e seguir sonhos até ao fim."

Sessão Especial O Homem Que Matou Dom Quixote

9 de Fevereiro | Cinemas NOS Colombo

21h00 | Talk - Terry Gilliam, Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl

22h00 | Exibição do filme

Mais informações em https://cinemas.nos.pt/Filmes/Pages/o-homem-que-matou-don-quixote-sessao-especial.aspx.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Comic Con Portugal 2019: 4º dia em Resumo

A enchente - um mar de gente quase a perder de vista - chegou no quarto e último dia de Comic Con Portugal, para ver - em especial - Millie Bobby Brown. Gerou-se tanto o caos como a euforia. Foram muitos os que ficaram do lado de fora do Golden Theatre, que já estava cheio muito antes do painel de Millie começar. Se, lá dentro, a alegria era audível, do lado de fora, os apupos fizeram-se ouvir. Houve lágrimas das crianças e jovens que não conseguiram um dos 2 mil lugares do auditório e desespero das mães que não conseguiam circular na zona do recinto mais próxima das entradas do Golden Theatre.


"Eu nem gosto de super-heróis, só vim cá mesmo para a ver [Millie Bobby Brown]", lamentou-se um jovem que ficou do lado de fora ao Hoje Vi(vi) um Filme, repetindo várias vezes que o que se estava a passar "É uma vergonha". Junto à área de imprensa, ao lado do Golden Theatre muitos nos faziam perguntas a que não sabíamos responder, queixando-se de falta de organização e de informação.

La dentro (onde nem os jornalistas puderam entrar), Nuno Markl foi o anfitrião do painel e conversou animadamente com a actriz de Stranger Things que se mostrou simpática e entusiasmada, e disse que gostaria de regressar a Portugal. Cá fora, os fãs acompanhavam tudo através de um ecrã colocado à entrada do auditório, pequeno para tanta gente. "Queremos entrar", gritaram diversas vezes. 


Enquanto isso, Anthony Carrigan - uma semana antes de se saber se vencerá o Emmy para que está nomeado - esteve com os jornalistas na sala de imprensa a responder a algumas questões sobre Barry  e os Emmy Awards, cuja nomeação foi uma total surpresa e apanhou o actor desprevenido. Seguiu-se mais uma conferência de imprensa com Alexander Ludwig que terminou com o actor no meio dos jornalistas numa conversa mais intimista, devido a um problema com o microfone. Pouco depois, o actor esteve no Golden Theatre numa animada conversa com Joe Reitman e os fãs presentes. 



No auditório ao lado, o Prime TheatreQuimbé, Catarina Perez, Bruno Ferreira, Alexandre Maia e Ricardo Azevedo contaram a sua experiência no que toca a dar vozes a séries e filmes de animação. Enquanto isso, o The One Theatre recebia Joaquim de Almeida que fazia uma retrospectiva da sua carreira, em conversa com Rui Pedro Tendinha.



Outro dos grande momentos do último dia da Comic Con Portugal 2019 foi o concerto da banda do filme Variações, no Music Stage, com Sérgio Praia, Armando Teixeira, Duarte CabaçaVasco Duarte e David Santos ao comando. Um público de todas as idades dançou e cantou com os músicos e, apesar de alguns problemas de som, a energia de Sérgio Praia contagiou tudo e todos. Mais um concerto marcante da banda que quer lembrar e homenagear António Variações.


E assim terminou a edição de 2019 da Comic Con Portugal. Para o ano há mais.

domingo, 24 de junho de 2018

Opinião - Séries: 1986 (2018)

*8/10*

Eva Fisahn, Miguel Partidário, Miguel Moura e Silva, Laura Dutra e Henrique Gil

Acabou há menos de uma semana 1986, a série criada por Nuno Markl, que nos transportou para a melhor década de todas, as suas modas e contextos político e social. Personagens, que fomos nós, ou os nossos amigos e familiares mas que, no fundo, eram todas um bocadinho de Nuno Markl. Após o primeiro episódio (são 13, ao todo), eu disse isso mesmo. São todos Nuno Markl. E, confesso, não fiquei rendida e critiquei um pouco, em especial os clichés das personagens: a gótica, o metaleiro, os betinhos, o totó, o comuna, o fascista retornado, a mulher submissa, a hippie... Ainda o achei inicialmente um pouco elitista, ao falar de filmes e realizadores muito específicos, mas que poderão ficar mais como um convite à descoberta para quem não os conhece...

Há um extremo cuidado com a direcção artística, relembramos os locais, os carros, os objectos - alguns provavelmente raros, certamente desencantados da cave do Markl ou local de culto semelhante -, o cinema Turim (agora teatro) onde também vi tantos filmes... Toda a cultura popular  dos 80's ali nos surge com uma naturalidade e nostalgia que poucas vezes se vê, menos ainda em Portugal.


Não desisti e continuei a ver, e os clichés foram-se dissipando a cada novo episódio, ganhando todos  os personagens muito mais personalidade do que o preconceito a que os submeti ao início - eu que nem gosto de julgar aparências. Desbravou-se um mar de boa música, rádio pirata, ColaCao, filmes que passavam na cinemateca - norte-americanos, russos ou outros que tais -, relembrou-se parte da campanha das presidenciais de 1986, as mágoas dos retornados, a revolta dos que viveram o Estado Novo, a amizade, o amor, as colecções de cromos, as cassetes VHS (que saudades...) e tantas outras memórias, que fazem sorrir.

1986 tem essa qualidade, tão rara hoje em dia: faz-nos rir e sorrir, faz-nos querer ver mais, faz-nos implorar por uma segunda temporada. Vá lá, Markl! Faz isso por mim que quase não vejo séries e vi os 13 episódios da tua que, ainda por cima, é portuguesa - e bem boa!