Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz Michael Keaton de volta ao papel icónico.
BEETLEJUICE BEETLEJUICE
Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz Michael Keaton de volta ao papel icónico.
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*7/10*
De uma pandemia para outra, em Seca (Siccità), Paolo Virzì não poupa em crítica social, sempre com o seu sarcasmo característico e certeiro. O crescente problema da seca nos países mediterrânicos e o aquecimento global são o motor atmosférico para o desenfrear dos acontecimentos.
"Três anos sem chuva. Roma secou e a falta de água mudou o modo de vida dos residentes. Numa cidade dominada pela sede e pelas restrições, move-se um enxame de personagens, jovens e velhos, bem-sucedidos e marginalizados, vítimas e algozes. As suas vidas fazem parte do mesmo design e todos buscam a redenção."

A água é racionada e cortada em determinadas horas do dia, é proibido lavar o carro ou fazer outras actividades, aparentemente banais para o mundo ocidentalizado e que dispõe de um dos mais importantes recursos naturais a seu bel-prazer. Sem chuva há três anos, Roma transformou-se e os seus cidadãos também, há pragas de insectos, e uma estranha doença do sono começa a surgir e a entupir as urgências hospitalares.
Neste clima tenso e seco, aumentam as desigualdades sociais, a insatisfação e as manifestações pelas ruas. E é neste ambiente turbulento que Paolo Virzí apresenta e entrecruza as vidas de várias personagens, todas elas desajustadas, com segredos ou problemas por resolver.
Através do humor mordaz, quer por imagens ou palavras, o realizador constrói um cenário de desespero e revolta, em que se cruzam médicos, ambientalistas, refugiados, presidiários, músicos, seguranças, milionários ou jornalistas. Todos clamam por água potável e pela solução para os seus tormentos.
Seca é frenesim constante, ritmo e ligações inesperadas, num mundo que procura uma cura e, principalmente, a redenção.
*6/10*
Kaouther Ben Hania inspirou-se numa história real para criar O Homem que Vendeu a Sua Pele (L'Homme Qui a Vendu sa Peau). A jornada da obra de arte impressa na pele de um refugiado sírio traz para debate temas como a arte, a guerra, o tráfico de pessoas e o conceito do liberdade.
"Sam Ali, um jovem sírio sensível e impulsivo, deixou o seu país e foi para o Líbano para escapar à guerra. Para poder viajar para a Europa e viver com o amor da sua vida, aceita ter as costas tatuadas por um dos artistas contemporâneos mais sulfurosos do mundo. Transformando o seu próprio corpo numa obra de arte de prestígio, Sam perceberá que a sua decisão pode significar qualquer coisa, menos liberdade."
A realizadora é certeira na escolha dos temas críticos e actuais relacionados com os refugiados: as dificuldades que encontram na busca de asilo na Europa e o preconceito que os persegue. A este lado político-social, junta-se a fronteira homem-objecto, criada pela proposta aceite por Sam. Afinal, a quem pertence a sua pele?
Contudo, O Homem que Vendeu a Sua Pele nunca chega a encontrar o seu tom. Vagueia entre a comédia, o drama e o romance - misturando-os, muitas vezes - e a seriedade da reflexão perde-se. O desespero de Sam é pautado tanto por momentos verdadeiramente trágicos, como seguido de uma sátira feroz, mas incoerente com o todo.
Todo o potencial que se perde no argumento e no desenrolar do enredo, recupera-se, todavia, no visual, inevitavelmente marcado pela arte contemporânea e pelo contraste de cores, luz e sombra. O trabalho da direcção artística e de fotografia é fundamental para que disfrutemos do filme a um nível mais sensorial - onde a banda sonora também cumpre o seu papel.
As boas intenções de Kaouther Ben Hania e da sua ode à liberdade perdem-se no caminho sinuoso do protagonista mas, mesmo que não chegue a bom porto, O Homem que Vendeu a Sua Pele vale pelo desafio e pela estética.