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domingo, 6 de dezembro de 2020

Doclisboa'20: Narciso em Férias (2020), de Ricardo Calil e Renato Terra

*6/10*

Narciso em Férias, de Ricardo Calil e Renato Terra, apresenta-nos um relato, na primeira pessoa, dos dias de prisão de Caetano Veloso durante a Ditadura Militar do Brasil. O filme faz parte do terceiro momento do Doclisboa'20, Espaços de Intimidade.

"A 13 de Dezembro de 1968, a ditadura militar do Brasil passou o Acto Institucional n.º 5, que marcou o começo da fase mais repressiva e violenta do regime. Duas semanas mais tarde, o cantautor Caetano Veloso foi preso. Cinquenta anos depois, faz um retrato íntimo e detalhado dos seus dias na solitária, recorda e interpreta canções que marcaram o período do seu encarceramento e revisita acontecimentos dolorosos. Caetano também apresenta informação nova produzida pela ditadura sobre as razões da sua detenção, ajudando a explicar a brutalidade arbitrária desse período da história brasileira."

Caetano conta-nos tudo, na sua voz tranquila, revisitando uma época muita dolorosa para si, emocionado. As canções premonitórias que havia tocado na véspera da detenção, as que ouvia no rádio dos guardas prisionais, todas elas adquiriram significados positivos (Hey Jude era uma das que trazia melhor agouro) ou negativos para o supersticioso Caetano prisioneiro.

O músico folheia a revista que, na prisão, lhe mostrou as primeiras fotografias da Terra tiradas do espaço (perde-se em memórias perante a câmara), toca à guitarra as canções que o marcaram atrás das grades, conta-nos cada episódio, até ao regresso a casa, e termina a ler em voz alta o arquivo dactilografado do primeiro interrogatório que lhe fizeram naquela época, rindo-se perante as expressões usadas pelos oficiais da Ditadura Militar. 

Narciso em Férias é, essencialmente, Caetano e a câmara, num registo íntimo, mas que ganharia muito mais se os documentos e fotografias arquivados no processo do músico (apenas os vemos no final do documentário) surgissem no decorrer das recordações do protagonista, ilustrando palavras e emoções.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Doclisboa'20 - Espaços da Intimidade: 8 filmes a não perder

O terceiro momento do Doclisboa 2020, Espaços da Intimidade, acontece de 3 a 9 de Dezembro. O Hoje Vi(vi) um Filme destaca alguns títulos que não deves perder.

Underneath (En contrebas), de Ugo Arsac

"Uma viagem misteriosa pela escuridão do submundo parisiense: túneis, galerias, esgotos. Levado por uma vontade de arquivar e confrontar a profundidade, um jovem equipado com uma corda atravessa órgãos, artérias e membros abandonados da capital."

4 DEZ / 20h30 - Cinema Ideal


This is Paris Too (C’est Paris aussi), de Lech Kowalski

"Ken Metoxen é ameríndio. Tem 55 anos e sempre viveu numa reserva no Norte dos Estados Unidos. Animado, cultiva um segredo; em viagem em Paris, a 'cidade luz', espera poder desvelá-lo aos olhos do mundo. O mundo encontra-se efetivamente aí, às portas da capital."

4 DEZ / 20h30 - Cinema Ideal


A Nossa Terra, o Nosso Altar, de André Guiomar

"O filme testemunha as últimas rotinas no quotidiano do bairro social do Aleixo, marcadas pela tensão de um destino forçado. Entre a queda da primeira e da última torre, o processo de demolição arrasta-se durante anos, deixando as vidas dos moradores em suspenso. Obrigados a aceitar o fim da sua comunidade, assistem de forma impotente à lenta desfiguração do seu passado."

5 DEZ / 10h30 - Culturgest


Narciso em Férias, de Ricardo Calil, Renato Terra

"A 13 de Dezembro de 1968, a ditadura militar do Brasil passou o Acto Institucional n.º 5, que marcou o começo da fase mais repressiva e violenta do regime. Duas semanas mais tarde, o cantautor Caetano Veloso foi preso. Cinquenta anos depois, faz um retrato íntimo e detalhado dos seus dias na solitária, recorda e interpreta canções que marcaram o período do seu encarceramento e revisita acontecimentos dolorosos. Caetano também apresenta informação nova produzida pela ditadura sobre as razões da sua detenção, ajudando a explicar a brutalidade arbitrária desse período da história brasileira."

6 DEZ / 10h30 - Culturgest


Perpetual Person (Persona Perpetua), de Javier Bellido Valdivia

"Uma abordagem intimista à experiência da doença de Alzheimer numa mulher de 95 anos e a sua relação com o que a rodeia. A tensão entre a lucidez e a demência configurará uma nova noção de pessoa, capaz de viver e entender o mundo de outra maneira."

7 DEZ / 11h00 - Cinema Ideal


O que não se vê, de Paulo Abreu

"A ideia para este filme, rodado em 2 ilhas dos Açores, Pico e Faial, entre 2015 e 2016, aconteceu por acidente. Ao voltar às filmagens de uma repérage para um projecto anterior cancelado anos antes, outro filme foi encontrado. Um filme escondido, onde o poder da Natureza e o papel do acaso no processo criativo constroem uma narrativa sobre a amizade, o cinema e a influência do inesperado na criação artística."

7 DEZ / 19h00 - Culturgest


Quneitra 74, de Mohammad Malas

"Um ajuntamento cerimonial dos aldeões de Quneitra nos Montes Golã sírios após o exército israelita retirar, deixando a vila inabitável. A imprensa fotografa os escombros. Uma mulher desata a correr nas ruas por entre as ruínas, certificando-se sempre de que o público não a deixa sozinha, contactando connosco através da câmara. Passeia pelas ruas da sua terra natal, entra numa casa, limpa os estilhaços de uma janela. Surge uma menina e uma velha com as suas galinhas. Três mulheres de três gerações ligadas na solidão."

8 DEZ / 10h30 - Culturgest


A Vida em Comum, de Diogo Pereira

"A Vida em Comum acompanha um período da vida do casal Poeta e Belinha, de origem cabo-verdiana, que reside numa comunidade a ser desmantelada: o Bairro do Barruncho, em Odivelas. Com todas as incertezas do futuro, Poeta e Belinha tratam dos seus animais, cuidam das suas colheitas e adaptam-se às alterações diárias."

9 DEZ / 19h00 - Culturgest


Toda a informação sobre o Doclisboa 2020 em https://doclisboa.org/2020/.