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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Estreias da Semana #635

Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas nove novos filmes. As Filhas do Fogo, de Pedro Costa, e O Melhor dos Mundos, de Rita Nunes, são duas das estreias da semana.

A Febre de Petrov (2021)
Petrоvy v grippe / Petrov's Flu
Os Petrov são uma família comum de Yekaterinburg. Seguem a rotina diária com uma constância e tranquilidade invejáveis, mas sob essa capa de normalidade tudo é bastante incomum. Petrov, autor de banda desenhada, vive num universo paralelo - deixa o mundo familiar e incorpora os seus desejos secretos. A esposa, Petrova, é uma bibliotecária com inclinações maníacas e uma vida secreta.

As Filhas do Fogo (2023) + restauro 4k de Ossos (1997)
As Filhas do Fogo é uma curta musical cheia de profundidade emocional e estética, Pedro Costa mergulha no lamento de três irmãs separadas pela erupção do vulcão do Pico do Fogo, num filme onde a dor e o fogo são elementos tão vibrantes quanto a música que as acompanha. Interpretadas pelas cantoras Elizabeth Pinard, Alice Costa e Karyna Gomes, estas três mulheres, à semelhança de outras figuras do autor, cantam as dores de uma tragédia que ultrapassa o tempo. Segue-se, na mesma sessão o restauro 4K de Ossos, um drama que representa a desesperança dos que vivem nas margens da sociedade.

Devara: Parte 1 (2024)
Devara: Part 1
Devara, um homem destemido de uma região costeira, inicia uma perigosa viagem ao traiçoeiro mundo do mar para proteger a vida do seu povo. Sem que ele saiba, o seu irmão Bhaira conspira contra ele. À medida que os acontecimentos se desenrolam, Devara transmite o seu legado ao filho tímido e gentil, Varada.

My Hero Academia: És o Próximo (2024)
Boku no Hîrô Akademia za Mûbî Yuâ Nekusuto
"És o próximo!" Estas foram as palavras que All Might, Símbolo da Paz, soltou após derrotar All For One, Símbolo do Mal. All Might pode já não ser o herói número 1 de uma sociedade onde a maioria da população tem uma Excentricidade superpoderosa, mas Deku e os seus colegas do Curso de Heróis no Liceu U.A. estão determinados em continuar a sua vontade e ideais como heróis. Foi na primavera do segundo ano de Deku no U.A. que aconteceu uma batalha total entre heróis e vilões. Deku enfrentou o extremamente poderoso Tomura Shigaraki e os dois entraram num violento confronto, e tanto heróis como vilões sofreram pesados danos. Desde então, a batalha foi interrompida temporariamente com a retirada de Shigaraki, mas o momento do próximo confronto aproxima-se a cada segundo. É num Japão devastado pela batalha total que subitamente surge um homem misterioso. Apresenta-se como aquele que substituirá All Might, tornando-se o novo Símbolo. Proclama "Eu sou o próximo!" mas acaba por ser Dark Might! Apesar da aparência semelhante com All Might, os ideais de Dark Might não poderiam ser mais diferentes. Utilizando a sua Excentricidade para os seus próprios desejos, cria um enorme forte que começa a absorver os cidadãos, um após o outro. No grupo que acompanha Dark Might está Anna, uma jovem com uma Excentricidade desconhecida, que está a ser perseguida por um indivíduo estoico com traje de mordomo. Apesar dessa pessoa, Giulio, a chamar de Menina Anna, parece querer tirar-lhe a vida. Qual poderá ser a conexão deles com Dark Might? Serão Deku, Bakugo, Todoroki e o resto da Turma 1-A do U.A. capazes de proteger o mundo pondo fim ao Dark Might e aos seus desejos? Terão para isso que enfrentar Dark Might e a obscura organização criminosa sob o seu controlo, a Família Gollini.

Natureza Violenta (2024)
In a Violent Nature
Um medalhão é retirado da torre de incêndio desmoronada na floresta, que envolve o cadáver de Johnny. O espírito vingativo alimentado por um crime horrível ocorrido há 70 anos empenha-se em recuperá-lo de forma violenta.

Lisboa, 2027. Três anos após a instalação de novos cabos submarinos de comunicação entre Portugal Continental, os Açores e a Madeira, um grupo de cientistas luta por manter o financiamento para a sua investigação. Marta e Miguel, uma sismóloga e um oceanógrafo, fazem parte desse grupo e são um casal na vida privada. A sua relação vai ser posta à prova numa noite decisiva, quando os parâmetros que Marta está a analisar apontam para a probabilidade muito elevada de um grande terramoto atingir Lisboa. O grupo divide-se, discutindo se deve ou não avisar a população da possível tragédia iminente.

Reagan (2024)
Drama inspirado na vida de Ronald Reagan, desde a infância ao tempo como actor de cinema, até à entrada na política que culmina na eleição para Presidente dos Estados Unidos.

Robot Selvagem (2024)
The Wild Robot
A aventura épica da unidade 7134 da ROZZUM, Roz como diminutivo - um robot que naufraga numa ilha desabitada e tem de adaptar-se ao ambiente adverso, estabelecendo gradualmente relações com os animais da ilha e tornando-se mãe adoptiva de um ganso órfão.

Todo o Tempo Que Temos (2024)
We Live in Time
Os londrinos Almut (Florence Pugh) e Tobias (Andrew Garfield) juntam-se num encontro inesperado que muda as suas vidas. Ela é uma chef em ascensão, ele um executivo de marketing. Uma década mais tarde, após terem alterado a vida um do outro, fariam tudo para nunca se deixarem. Mas nenhuma história de amor é verdadeiramente simples. Recorrendo a momentos da sua vida em comum - a paixão um pelo outro, a construção de uma casa, a família - revela-se uma verdade dolorosa. Este retrato, ao mesmo tempo leve e profundo, de um casamento, reflecte a forma como se vive verdadeiramente o amor: aos sobressaltos, fora da lógica linear, em momentos fugazes, mas indeléveis e deslumbrantes, divertidos, de grande ansiedade, delirantes, tristes e reveladores.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

IndieLisboa 2024: O Melhor dos Mundos (2024)

"O fantasma do terramoto está muito marcado na nossa memória colectiva"

Francisco

*7/10*

Rita Nunes apresentou na Competição Nacional do IndieLisboa 2024 o seu mais recente filme, O Melhor dos Mundos. Tocando num tema sensível da História de Portugal - o terremoto de 1755 - e a eminência da sua repetição, a realizadora constrói uma narrativa de ficção científica (em parceria com o argumentista João Cândido Zacharias) em torno de um grupo de cientistas especialistas em sismologia e alterações climáticas.

"Lisboa, 2027. Marta e Miguel fazem parte de um grupo de cientistas e são um casal na vida privada. Os dois vêem-se frequentemente em pólos opostos no que diz respeito a questões científicas. Este conflito será posto à prova numa noite decisiva em que dados analisados por Marta apontam para uma probabilidade muito alta de um enorme sismo poder atingir Lisboa. Os cientistas ficam indecisos sobre alertar a população para a possível tragédia iminente."

A questão primordial é: como se comunica uma notícia destas à população, sem a certeza absoluta de que vai mesmo acontecer? E é aqui que começam as dúvidas e cisões entre o grupo, apesar de alguns dos que estão contra comunicar à população serem os primeiros a porem-se, a si e aos seus, a salvo. A ética de cada um destes cientistas ditará a forma como o futuro pode ou não ser "prevenido" - ou minorados os estragos e mortes.

Se, por um lado, Marta tem sérias dificuldades em gerir sentimentos e relações - quer com o seu namorado, quer com a mãe e irmã -, por outro, não tem dúvidas no que toca à responsabilidade profissional que deve assumir na situação que se avizinha. A racionalidade de Marta é fundamental para compreender os fenómenos que o grupo de cientistas regista e é ela, numa competente interpretação de Sara Barros Leitão, que esclarece colegas e plateia sobre as possíveis consequências de um sismo de tal magnitude.

Para a construção de O Melhor dos Mundos, Rita Nunes parte de premissas e pesquisas científicas reais, tal como os novos cabos submarinos instalados em 2025. Com esta ambiência tão realista, apesar de ficcional e, tal como diz Francisco, a certo momento no filme, porque "o fantasma do terramoto está muito marcado na nossa memória colectiva", O Melhor dos Mundos cria uma tensão crescente, muito opressiva quer nas personagens como na plateia. 

Com uma fórmula simples, clara e directa, Rita Nunes constrói uma ficção científica - pouco comum no cinema português mais recente - esclarecida, activando no espectador a consciência de um passado que conhece dos livros de História e de um futuro que todos dão como iminente.