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segunda-feira, 14 de março de 2022

Crítica: Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas (2021)

"Find out what they're afraid of and sell it back to them."

Dr. Lilith Ritter

*6.5/10*

Em Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas, Guillermo del Toro segue as temáticas obscuras e místicas e adapta o romance de William Lindsay Gresham (que já tem precedente no cinema, no filme de 1947, protagonizado por Tyrone Power). As aberrações circenses que atraíam multidões, os mentalistas e os traumas do passado assombram as personagens e a narrativa, bem ao gosto de del Toro.

Após se juntar a um circo itinerante, o ambicioso Stanton Carlisle (Bradley Cooper) torna-se próximo da vidente Zeena (Toni Collette) e do seu marido mentalista Pete (David Strathairn). Com o conhecimento que os dois lhe transmitem, Stan encontra a chave para o sucesso, ludibriando a elite rica da sociedade de Nova Iorque dos anos 1940. Com Molly (Rooney Mara) lealmente ao seu lado, Stanton planeia enganar um perigoso magnata (Richard Jenkins) com a ajuda de uma psiquiatra misteriosa (Cate Blanchett) que pode passar rapidamente de aliada a adversária.

Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas não faz ressurgir um Guillermo del Toro primordial; longe da sua criatividade, o realizador tira o melhor partido de uma história que o intriga e explora os pontos que mais o inspiram: as macabras atracções circenses, o passado e a personalidade dúbia de Stanton, a psiquiatra femme fatal e todo o misticismo em torno da vida de enganos do protagonista. Explora as crenças e a questão metafísica, os traumas que assombram Stan, em sonhos e na realidade, bem como a sedução do dinheiro e dos vícios.

O que distingue verdadeiramente o filme de del Toro prende-se com todo o trabalho de direcção artística, direcção de fotografia e guarda-roupa (do luso-canadiano Luís Sequeira), com pormenores que a câmara capta com intenção bem definida, e numa fabulosa recriação da época, em que cada objecto (alguns bastante inesperados) tem a sua função no lugar em que se encontra.

No papel principal, Bradley Cooper assume um compromisso fiel com a sua personagem, numa entrega tão física como emocional. Um homem traumatizado e transtornado, que varia entre a ingenuidade e a ganância, a compaixão e a crueldade. 

Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas proporciona uma viagem pelo mundo das feiras itinerantes dos anos 40 e suas atracções, mas igualmente pela mente humana perturbada, doente e desesperada por perdão.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Crítica: Knives Out: Todos São Suspeitos (2019)

"It's a weird case from the start. A case with a hole in the center. A donut."
Benoit Blanc


*7/10*

Em Knives Out: Todos São Suspeitos, Rian Johnson traz-nos uma bela história de detectives. Muito mistério e humor, num argumento especialmente bem construído, inesperado e consistente. O elenco faz o resto.

O célebre detective privado Benoit Blanc (Daniel Craig) é anonimamente escolhido para desvendar um crime. Harlan Thrombey (Christopher Plummer), o patriarca de um império editorial, é encontrado morto na sua mansão, na noite do seu 85.º aniversário. A investigação ganha força, segredos e motivos são revelados e intensificam-se tensões.

De Poirot, de Agatha Christie, a Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, Benoit Blanc poderia ser qualquer um dos dois, numa versão dos tempos modernos. Knives Out leva-nos para o universo dos detectives, com alguma auto-paródia comedida, lembrando até o saudoso jogo de tabuleiro Cluedo, em que também a plateia faz apostas para descobrir o assassino. Todos parecem ter motivos, todos têm atitudes estranhas. Em situações de crise, há muito segredos revelados e ódios adensados. 


Contudo, Rian Johnson troca-nos as voltas logo de início, levando-nos numa aventura em que nada é o que parece e as reviravoltas, por mais inesperadas que sejam, acontecem. O filme é escrito de forma coerente e não deixa questões por responder, como um bom detective deve ser.

A direcção artística proporciona-nos o melhor cenário para a investigação, com uma cadeira de interrogatório rodeada das facas que dão título ao filme, caveiras, esconderijos e outros artefactos tão curiosos como macabros a dar magia à mansão dos Thrombey.


No elenco, o britânico Daniel Craig incorpora um norte-americano de sotaque sulista, e é um gosto ver no mesmo filme Christopher Plummer - sempre em forma -, Jamie Lee CurtisMichael ShannonDon Johnson, Toni Collette - divertida e caricata -, Katherine LangfordJaeden MartellChris EvansLaKeith Stanfield e Frank Oz. Ana de Armas tem aqui espaço para mostrar a sua garra e revela-se uma protagonista à altura.

Knives Out: Todos São Suspeitos é, acima de tudo, um bom regresso dos filmes de detectives, divertido e cheio de mistério, e especialmente bem escrito, sem esquecer uma pitada de crítica social (na era de Trump era inevitável). Rian Johnson é bom a trabalhar por conta própria e volta a prová-lo.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Sugestão da Semana #405

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Knives Out: Todos São Suspeitos, de Rian Johnson.

KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS


Ficha Técnica:
Título Original: Knives Out
Realizador: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Ana de Armas, Chris Evans, Lakeith Stanfield, Jamie Lee Curtis, Toni Collette, Michael Shannon, Don Johnson, Katherine Langford, Jaeden Martell, Christopher Plummer
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/12
Duração: 130 minutos

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sugestão da Semana #329

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Hereditário, de Ari Aster, com Toni Collette no papel principal.

HEREDITÁRIO


Ficha Técnica:
Título Original: Hereditary
Realizador: Ari Aster
Actores: Toni Collette, Milly Shapiro, Gabriel Byrne
Género: Drama, Mistério, Terror
Classificação: M/18
Duração: 127 minutos