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domingo, 28 de julho de 2019

Sugestão da Semana #387

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Tony, de Jorge Pelicano, o documentário sobre Tony Carreira. Fica o desafio a fãs e não fãs, porque este filme é mais do que um elogio ao cantor. Se tens dúvidas, nada como ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme e a entrevista ao realizador. Ou então... é ver para crer e tirar as próprias conclusões.

TONY


Ficha Técnica:
Título Original: Tony
Realizador: Jorge Pelicano
Elenco: Tony Carreira, Ricardo Landúm, José Antunes
Género: Biografia, Documentário
Classificação: M/12
Duração: 109 minutos

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Entrevista a Jorge Pelicano, realizador de Tony

Tony, o documentário sobre Tony Carreira, chegou aos cinemas esta Quinta-feira, dia 25 de Julho. O Hoje Vi(vi) um Filme fez algumas perguntas ao realizador, Jorge Pelicano, cuja filmografia conta com títulos como Ainda Há Pastores? (2006), Páre, Escute, Olhe (2009), Pára-me de Repente o Pensamento (2014) e Até Que o Porno nos Separe (2018).


Como surgiu a oportunidade de fazer este documentário sobre Tony Carreira?
Jorge Pelicano: No final de 2017, a produtora Até ao fim do Mundo  - onde trabalho como realizador – fez o convite ao Tony. Ele estava a comemorar os 30 anos de carreira e esse seria o mote. Por coincidência, o Tony anunciou uma pausa na carreira e isso acabou ser explorado na narrativa do filme. Como é que o músico de maior sucesso em Portugal vai lidar com a ausência dos palcos? 

Tendo em conta que o cantor gosta de manter a sua privacidade, como foi o processo de construir uma relação de confiança para entrar na sua intimidade?
Jorge Pelicano: Não o conhecia pessoalmente e ele também não conhecia o meu trabalho. Fiquei surpreendido com a sua simplicidade no primeiro encontro.  Não é a vedeta que estava à espera e isso ajudou no “ganhar confiança”. Somos naturais do mesmo distrito, ambos somos um “bom garfo” e isso ajudou na fase inicial. Quando o comecei a filmar ele questionava-me“Jorge, o que queres que faça?”, ao qual respondia “Quero que sejas tu”. Na segunda semana de rodagem a câmara tornou-se invisível e comecei a sentir o homem por detrás do artista.

Tony é, sem dúvida, o teu filme mais comercial. Como lidas com isso?
Jorge Pelicano: O cinema, teatro, pintura, música, as artes em geral, sempre existiram e representaram vários tipos de públicos. Infelizmente, a diversidade e pluralidade artística ao fim de tantos anos continua a ser questionada. Neste filme, uma linguagem mais acessível enquadra-se mais com o público do universo do Tony e isso é assumido. Não quero com isto dizer que o público-alvo ergue fronteiras apenas neste universo, pelo contrário, queremos trazer o público que não é fã do Tony e que têm preconceitos com o artista e a sua música. Numa altura em que o cinema vai perdendo espectadores para outros meios e plataformas, penso que um filme “mais comercial” pode trazer novos públicos às salas. 

Quais foram os principais desafios neste documentário?
Jorge Pelicano: Sabia que a maioria das pessoas conhecem a história do Tony. Nos últimos anos, a sua vida privada e profissional foi bastante mediatizada nas televisões e revistas. Sendo assim, a década dos grandes sucessos e auge da carreira é aquela que é menos abordada no filme. Interessou mais explorar o modo como ele conseguiu chegar ao topo e dificuldades e obstáculos que teve que ultrapassar. A primeira década da sua carreira é talvez aquela em que conseguimos trazer mais novidades, também ao nível das imagens de arquivo – grande parte delas inéditas.


Muitos acham que este é apenas um filme de promoção do artista. Como defenderias o teu filme? 
Jorge Pelicano: Quando iniciei a rodagem deste documentário, partilhei com amigos sobre o que estava a fazer e a pergunta era: “Mas esse filme é para limpar a imagem do artista? É para promoção do Tony?”. Somos assim, não há volta a dar, uma sociedade com ideias feitas, adquiridas através de generalidades e banalidades. Se existe pessoa que não precisa de promoção é o Tony Carreira. Temporariamente ou definitivamente, ele está fora do meio artístico. O documentário é o retrato do homem que é, com os seus defeitos e virtudes, as alegrias e tristezas, os sucessos e insucessos. Existe um momento do filme onde o Ricardo Landúm, compositor da maior parte dos sucessos do Tony diz: “O Tony é uma 'nódoa' em palco!”

Mudaste em alguma coisa a imagem que tinhas do cantor antes de o conhecer e de filmar Tony?
Jorge Pelicano: Por norma, não alicerço ideias feitas na minha cabeça antes de conhecer uma determinada pessoa. O Tony surpreendeu-me pela sua humanidade e simplicidade. Profissionalmente, fiquei espantado com a estrutura musical que construiu. A preocupação em ter os melhores equipamentos, técnicos e músicos. Essa é talvez uma das principais razões do seu sucesso.  

Quais os momentos que mais gosto te deram filmar?
Jorge Pelicano: Gostei de filmar o universo dos fãs, pessoas simples e trabalhadoras, muitas delas com vidas difíceis. As músicas do Tony preenchem um certo vazio que existe nestas vidas. Muitos identificam-se com as letras, dizem que já passaram por isso. Há sempre alguém com desgosto de amor, alguém que alimenta um sonho, a perda de alguém. É um retrato de Portugal, fora dos centros urbanos.


Tony chegou esta Quinta-feira aos cinemas portugueses. Que esperas da reacção do público? 
Jorge Pelicano: Muitas pessoas dizem que o sucesso está garantido tendo em conta a popularidade do Tony. Não penso dessa maneira. Uma coisa é ir aos concertos, outra é ir ao cinema. Mas acredito que a cumplicidade que existe entre o público e Tony consiga trazer pessoas para dentro da sala. Aquilo que reforço é que este não é apenas um filme do universo do Tony, pelo contrário, é a história de um homem que nos anos 70 emigrou para França e batalhou para conseguir aquilo que é hoje. Tony é também a história de muitos portugueses. 

Que projectos já estás a preparar para os próximos tempos?
Jorge Pelicano: Neste momento tenho um projecto documental a concurso no ICA sobre um aventureiro português que nos anos 70 tentou ligar São Tomé e Príncipe ao Brasil numa rudimentar canoa à vela. Logo no primeiro dia foi apanhado por uma tempestade e passou à condição de naufrago durante 38 penosos dias. Está vivo e ansioso por contar a sua história.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Estreias da Semana #387

Esta Quinta-feira chegam seis filmes às salas de cinema portuguesas. Tony, o documentário sobre Tony Carreira, é uma das estreias e já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme

A Incrível história da Pera Gigante (2017)
Den utrolige historie om den kæmpestore pære 
A vida em Solby é bela e calma até ao dia em que Mitcho e Sebastian descobrem uma mensagem numa garrafa à deriva no porto. A garrafa foi enviada pelo Presidente da Câmara de Solby que está desaparecido. De acordo com a mensagem, o presidente está numa ilha misteriosa onde fez uma grande descoberta. Mitcho e Sebastian iniciam então uma perigosa viagem para resgatar o presidente e, no processo, desvendam algo que trará enorme satisfação aos habitantes de Solby - uma pêra gigante...

Aperta Com Elas (2018)
Amur senza fin
Após 20 anos, o casamento de Mona com Gieri ficou um pouco monótono. Inspirada nas propostas pouco ortodoxas do novo pároco, ela tenta reavivar o seu casamento, causando grande tumulto, não apenas na sua vida, mas em toda a comunidade.

Ardaas Karaan (2019)
Três homens idosos que têm de lidar com a mudança dos tempos e conflitos entre os membros da sua família enquanto tentam incutir-lhes valores familiares.

Domino: A Hora da Vingança (2019)
Domino
Christian (Nikolaj Coster-Waldau), um polícia de Copenhaga, procura justiça pelo assassinato do seu parceiro às mãos de um elemento do Estado Islâmico, Tarzi Ezra. Num mundo assolado pelo terror e pela suspeita, Christian e Alex (Carice van Houten), colega e amante do seu falecido parceiro, partem numa missão para capturar Ezra. Involuntariamente, são apanhados num jogo de perseguição com um agente duplo da CIA (Guy Pearce), que usa Ezra para capturar outros terroristas. Das cidades geladas da Escandinávia às paisagens ensolaradas de Espanha, desenrola-se uma batalha de forças opostas, tecida pela experiência do realizador Brian De Palma.

Jim Botão e Lucas, o Maquinista (2018)
Jim Knopf und Lukas der Lokomotivführer
Um órfão à procura das suas origens. Uma jovem princesa cativa na mortífera Cidade Dragão. Jim e o seu amigo Luke embarcam na viagem de uma vida através de terras misteriosas.

Documentário do cineasta português Jorge Pelicano sobre a vida de Tony Carreira que culmina na celebração de 30 anos nos palcos por parte do popular artista.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Crítica: Tony (2019)

"Nunca quis ser imortal na música porque eu acho que ninguém fica na História"
Tony Carreira


*7/10*

Tony Carreira é um dos maiores (senão o maior) sucessos da música ligeira portuguesa. Salas de espectáculo cheias, autocarros de fãs que o seguem para todo o lado, e eis que surgem as acusações de plágio e o último concerto na Altice Arena, no final de 2018, que marca os 30 anos de carreira do cantor, mas igualmente uma pausa no mundo da música. Em Tony, o documentarista Jorge Pelicano explora estes dois lados da vida do cantor romântico, com testemunhos do próprio, de fãs, músicos e familiares.

Após  30  anos  de  canções,  Tony  Carreira  anuncia  uma  pausa  com que ninguém contava.  Os  fãs recusam-se a acreditar. Ao longo da digressão de 2018 até ao derradeiro concerto na Altice Arena, Tony defronta-se com o peso da sua decisão. Mas o que  leva,  na  verdade,  o  artista  português  a  tomar  a decisão de se afastar?

Ainda há poucos meses esteve em cartaz Até Que o Porno Nos Separe e já somos presentados com a estreia do mais recente e comercial filme de Jorge Pelicano. Tony revela-se um retrato íntimo e próximo do cantor, ao estilo do que o realizador nos tem habituado nos seus trabalhos anteriores. E, apesar da popularidade do protagonista, que torna também Tony num filme muito mais popular do que qualquer um dos precedentes, este é, efectivamente, um documentário equilibrado, e que exigiu muito trabalho de arquivo, com imagens inéditas, e a empatia da equipa, que acompanhou o cantor durante um ano. Portugal, França e Israel são os três países por onde a câmara de Pelicano acompanha os passos do cantor.


Entramos na intimidade de Tony Carreira, nos estúdios, nos bastidores exigentes, onde, de repente, tudo se torna inesperado. A ansiedade, antes de subir ao palco, os imprevistos, o stress e a correria por detrás do espectáculo. Tudo isto, lado a lado com as histórias dos fãs que encontram em Tony o medicamento que cura todos os males e desilusões (e o cinema de Pelicano no seu esplendor ao filmar uma plateia em lágrimas ou um autocarro cheio de gente que canta sem parar e faz quilómetros para estar com o seu ídolo e amigo). Mas o realizador não descura os momentos menos bons da carreira do cantor, das polémicas às desilusões, passando, claro, pelas acusações de plágio e a complicada relação com os media.

As origens humildes de Tony Carreira (nasceu em Armadouro, Pampilhosa da Serra) são-nos narradas por ele e pelos músicos com quem começou a tocar em França - o grupo de baile Irmãos 5 -, onde a vida de emigrante também não era fácil. Tony conta-nos o surgimento e ascensão de um caso pouco comum no panorama musical português. Porque, queiramos ou não admitir, é impossível encontrar comparação com o sucesso de Tony em Portugal. E enquanto recordamos o caminho percorrido até 2018, Jorge Pelicano consegue chegar ao âmago do cantor e filma a angústia que se parece ter apoderado dele no último ano e a mágoa que o leva à pausa sem prazo definido.


Dos primeiros bailes em França, passando depois pelo Olympia, em Paris, e a Altice Arena, em Lisboa, são mais de 30 anos contados em duas horas de filme. O documentário Tony está muito além de um elogio a um dos maiores sucessos nacionais. É, acima de tudo, um retrato sincero filmado por um documentarista com provas dadas.