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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Sugestão da Semana #693

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o documentário Complô, de João Miller Guerra, sobre Bruno Furtado, o rapper Ghoya.

COMPLÔ


Ficha Técnica:
Título Original: Complô
Realizador: João Miller Guerra
Elenco: Bruno Ghoya Furtado
Género: Documentário, Música
Classificação: M/14
Duração: 86 minutos

quinta-feira, 25 de maio de 2023

FEST lança segmento dedicado à música na edição 2023

O FEST - Novos Realizadores, Novo Cinema acontece de 19 a 26 de Junho, em Espinho, com uma novidade: um ciclo de showcases que pretende ser espaço de celebração da relação entre a música e o cinema.

Este ciclo reúne músicos que trabalham nas duas disciplinas e projectos com intenções de colaborar com projectos cinematográficos. Serão mais de 25 projectos musicais que se apresentarão, ao vivo, no Music Walk With Me (MWWM), entre os dias 20 e 25 de Junho. Confirmados já estão nomes como The Legendary Tigerman, Sensible Soccers, Castello Branco, Summer of Hate e Acid Acid

Os projectos apresentados "resultaram de um open call lançado à comunidade artística nacional e internacional, sendo a escolha baseada no potencial que cada um deles apresenta em termos de storytelling cinematográfico, assim como o seu interesse em colaborar com cineastas. Ao conectar artistas e profissionais de cinema de todo o mundo, o Music Walk With Me serve como um caldeirão de ideias e oportunidades para novos artistas", explica o FEST em comunicado.

Actualmente, o line-up inclui: Castello Branco (Brasil), Sensible Soccers (Portugal), MOTSA (Áustria), JOON (Malta), Summer of Hate (Portugal), Die! Goldstein (Alemanha), Yosune (Venezuela), Acid Acid (Portugal), St. James Park (Portugal), Os Barbosas (Portugal), Narciso (Portugal), From Berlin With Love (Alemanha).

Sensible Soccers © Vera Marmelo

Os bilhetes custam entre 5 e 39 euros e podem ser adquiridos em bol.pt. As acreditações para o festival no seu todo também já podem ser compradas em fest.pt.


ALINHAMENTO FEST- MUSIC WALK WITH ME

Terça, 20 de Junho

21h30 . Die! Goldstein (Alemanha / Espanha)

22h45 . Castello Branco (Portugal / Brasil)

00h00 . MOTSA (Áustria)

01h00 - DJ Set (to be announced)


Quarta, 21 de Junho

21h30 . Yosune (Portugal / Venezuela)

22h45 . Acid Acid (Portugal)

00h00 . Summer of Hate (Portugal)

01h00 - DJ Set (to be announced)


Quinta, 22 de Junho

21h45 . St. James Park (Portugal)

23h00 . Sensible Soccers

01h00 - DJ Set (to be announced)


Sexta, 23 de Junho

21h30 . Adelaide Caralinda (Portugal)

22h45 . Os Barbosas (Portugal)

01h00 - DJ Set (to be announced)


Sábado, 24 de Junho

21h45 . Jorge da Rocha (Portugal)

23h00 . The Legendary Tigerman

01h00 - DJ Set: From Berlin with Love


Domingo, 25 de Junho

21h30 . Narciso (Portugal)

22h45 . Ramos Chiller (Portugal)

00h00 . Joon (Malta)

01h00 - DJ Set (to be announced)

segunda-feira, 1 de maio de 2023

IndieLisboa 2023: Little Richard: I Am Everything (2023)

*7/10*


Na secção IndieMusic do IndieLisboa 2023, encontra-se o documentário de Lisa CortesLittle Richard: I Am Everything sobre o percurso do rei do rock'n'roll.

"Little Richard é tudo, e talvez isso tenham sido coisas a mais que nunca conseguiu conciliar totalmente. Este documentário revisita a vida de um homem que foi definida pelas músicas que criou e que mudaram o rock’n’roll americano. Mas também por uma luta interna, ao longo da sua vida, entre uma vontade irrepreensível de se expressar, sem se definir pela sua sexualidade ou pela cor da pele, e a sua religião."


Lisa Cortes criou um documentário que traça um percurso cronológico da vida de Little Richard, repleto de imagens de arquivo e testemunhos de quem o estudou ou conheceu. Ao mesmo tempo que se segue a vida do artista, constata-se também o importante papel que o surgimento de Little Richard teve na comunidade norte-americana, quando ainda havia segregação entre brancos e negros e a homossexualidade não era permitida. A música uniu os jovens, não importava que cor de pele tivessem, e a comunidade LGBTQ sentiu-se representada e emancipada através da forma excêntrica e revolucionária de Richard se apresentar e actuar.

Little Richard: I Am Everything destaca igualmente as contradições que o músico teve ao longo da sua vida, logo desde a não aceitação pela parte do pai (por ter nascido com uma pequena deficiência no comprimento das pernas e por ser gay), ao seu estilo diferente de tudo o que se conhecia até então, o que levou, a certo momento da sua carreira, a sentir que o seu verdadeiro eu chocava com as suas convicções religiosas.


Se, por um lado, Little Richard alcançou um sucesso extraordinário, influenciou e inspirou pessoas por todo o mundo e mudou totalmente o conceito de rock, por outro, os excessos a que a vida de estrada convidava levaram-no ao limite e culminaram no abandono da carreira que construiu e na entrega à religião - qual pecador arrependido -, passando a negar o que sempre representou com orgulho. Este conflito latente mexeu com a sua carreira: o rei do rock'n'roll, de repente, dedicou-se ao gospel, para, mais tarde, editar temas que aliavam os dois géneros, acabando por regressar ao estilo musical e aos fatos cheios de brilho e cor que o definiram como artista.

Entre altos e baixos no que toca a definir a forma de se apresentar ao público, Little Richard foi e continua a ser influência para diferentes gerações de artistas. Contam-se entre eles The Beatles, Elvis Presley, Rolling Stones, Prince, David Bowie e tantos outros.


O documentário de Lisa Cortes destaca ainda a mágoa que o músico sempre sentiu pela falta de reconhecimento, em diversos momentos da sua carreira, começando por ver o sucesso que os artistas brancos conquistaram ao cantarem os seus temas, mas também, com o passar dos anos, ser constantemente esquecido nas entregas de prémios da música.

Little Richard: I Am Everything documenta convenientemente a história de vida do músico, mas falta a Lisa Cortes a audácia do artista que retrata, e ser capaz de construir um documentário tão inebriante como ele. 

domingo, 15 de maio de 2022

Sugestão da Semana #507

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o documentário This Much I Know to Be True, de Andrew Dominik, sobre a relação criativa entre Nick Cave Warren Ellis.

THIS MUCH I KNOW TO BE TRUE


Ficha Técnica:
Título Original: This Much I Know to Be True
Realizador: Andrew Dominik
Elenco: Nick Cave, Warren EllisEarl Cave, Andrew DominikMarianne Faithfull
Género: Documentário, Música
Classificação: M/16
Duração: 105 minutos

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Cinema City exibe concerto dos Metallica a 9 e 11 de Outubro

O Cinema City vai exibir o filme-concerto dos Metallica com a Orquestra Sinfónica de São Francisco nos dias 9 e 11 de Outubro, às 21h30. Metallica and San Francisco Symphony poderá ser visto nas salas do Alegro de Alfragide, Alegro de Setúbal, Campo Pequeno e Leiria.


O filme é realizado por Wayne Isham e tem como objectivo celebrar os 20 anos de concertos e discos S&M2, gravados pelos Metallica em conjunto com a orquestra norte-americana. Metallica and San Francisco Symphony conta com a participação dos membros da banda, James Hetfield, Kirk Hammet e Lars Ulrich, e regista os dois espectáculos que os Metallica deram com a Orquestra Sinfónica de São Francisco, em Setembro deste ano.

As sessões de vão contar com áudio na versão original e o valor de cada bilhete é fixo, 9,50€. Mais informações em https://www.cinemacity.pt/movie/metallica-and-san-francisco-symphony/.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Crítica: Tony (2019)

"Nunca quis ser imortal na música porque eu acho que ninguém fica na História"
Tony Carreira


*7/10*

Tony Carreira é um dos maiores (senão o maior) sucessos da música ligeira portuguesa. Salas de espectáculo cheias, autocarros de fãs que o seguem para todo o lado, e eis que surgem as acusações de plágio e o último concerto na Altice Arena, no final de 2018, que marca os 30 anos de carreira do cantor, mas igualmente uma pausa no mundo da música. Em Tony, o documentarista Jorge Pelicano explora estes dois lados da vida do cantor romântico, com testemunhos do próprio, de fãs, músicos e familiares.

Após  30  anos  de  canções,  Tony  Carreira  anuncia  uma  pausa  com que ninguém contava.  Os  fãs recusam-se a acreditar. Ao longo da digressão de 2018 até ao derradeiro concerto na Altice Arena, Tony defronta-se com o peso da sua decisão. Mas o que  leva,  na  verdade,  o  artista  português  a  tomar  a decisão de se afastar?

Ainda há poucos meses esteve em cartaz Até Que o Porno Nos Separe e já somos presentados com a estreia do mais recente e comercial filme de Jorge Pelicano. Tony revela-se um retrato íntimo e próximo do cantor, ao estilo do que o realizador nos tem habituado nos seus trabalhos anteriores. E, apesar da popularidade do protagonista, que torna também Tony num filme muito mais popular do que qualquer um dos precedentes, este é, efectivamente, um documentário equilibrado, e que exigiu muito trabalho de arquivo, com imagens inéditas, e a empatia da equipa, que acompanhou o cantor durante um ano. Portugal, França e Israel são os três países por onde a câmara de Pelicano acompanha os passos do cantor.


Entramos na intimidade de Tony Carreira, nos estúdios, nos bastidores exigentes, onde, de repente, tudo se torna inesperado. A ansiedade, antes de subir ao palco, os imprevistos, o stress e a correria por detrás do espectáculo. Tudo isto, lado a lado com as histórias dos fãs que encontram em Tony o medicamento que cura todos os males e desilusões (e o cinema de Pelicano no seu esplendor ao filmar uma plateia em lágrimas ou um autocarro cheio de gente que canta sem parar e faz quilómetros para estar com o seu ídolo e amigo). Mas o realizador não descura os momentos menos bons da carreira do cantor, das polémicas às desilusões, passando, claro, pelas acusações de plágio e a complicada relação com os media.

As origens humildes de Tony Carreira (nasceu em Armadouro, Pampilhosa da Serra) são-nos narradas por ele e pelos músicos com quem começou a tocar em França - o grupo de baile Irmãos 5 -, onde a vida de emigrante também não era fácil. Tony conta-nos o surgimento e ascensão de um caso pouco comum no panorama musical português. Porque, queiramos ou não admitir, é impossível encontrar comparação com o sucesso de Tony em Portugal. E enquanto recordamos o caminho percorrido até 2018, Jorge Pelicano consegue chegar ao âmago do cantor e filma a angústia que se parece ter apoderado dele no último ano e a mágoa que o leva à pausa sem prazo definido.


Dos primeiros bailes em França, passando depois pelo Olympia, em Paris, e a Altice Arena, em Lisboa, são mais de 30 anos contados em duas horas de filme. O documentário Tony está muito além de um elogio a um dos maiores sucessos nacionais. É, acima de tudo, um retrato sincero filmado por um documentarista com provas dadas.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Variações em concerto: O Passado fez-se Presente

O NOS Alive 2019 guardou um espaço do seu cartaz para três concertos da banda Variações do filme homónimo. Arriscamos dizer que, no dia 12 de Julho - dia em que vimos a banda no Palco EDP Fado Café -, aquele foi o concerto mais vibrante da noite - talvez a par com a diva Grace Jones e os jovens Greta van Fleet.

O trabalho de Armando Teixeira (Balla) com os músicos Vasco DuarteDuarte Cabaça e David Santos, e com o actor Sérgio Praia a dar a voz à banda, resulta num grande espectáculo musical. Da banda sonora criada para Variações a partir dos seus temas mais conhecidos, mas também de outros que nunca chegaram a ser editados - alguns não passaram das cassetes que António Variações gravava sozinho ou com bandas com que tocava -, os músicos saltaram para o palco e ressuscitaram a música do artista rock dos anos 80.

No público, encontrámos os saudosos, seus contemporâneos, mas igualmente jovens que nasceram certamente por volta do ano 2000. Todos, idades à parte, cantam e trauteiam as letras continuamente actuais do barbeiro-cantor. E todos, sem excepção, se arrepiam com a performance de Sérgio Praia, que traz a personagem para o palco. Sérgio e Armando introduzem os temas e interagem com a plateia que corresponde ao chamamento. As palmas para Variações e para António são mais que muitas e quase se fazem ouvir no céu.


Armando Teixeira apresenta-nos excertos das gravações de António, que chegaram ao realizador João Maia e foram utilizadas para reconstruir o repertório do cantor. A voz de António soa nas colunas e inicia a canção, a banda de Variações continua a dar-nos música. Entre os temas que se fizeram ouvir no NOS Alive encontram-se Anjo da Guarda, O Corpo é Que Paga, Toma o Comprimido, Perdi a Memória, Canção do Engate, Estou Além, bem como um inédito, Quero Dar Nas Vistas, encontrado no espólio recuperado para o filme.

O calor dentro do pequeno espaço que é o EDP Fado Café (e até mesmo fora, onde se juntaram dezenas de curiosos que não couberam no interior) aumenta à medida que a energia da banda cresce e todos dançam, cantam e saltam desenfreadamente. Sérgio muda de roupa, ao preto inicial junta-se um vibrante vermelho e uma gargantilha dourada. O suor é muito e a alegria também.

Assim, o Passado regressou, por momentos, ao Presente que se viveu no festival lisboeta. Aguardamos com ânsia que mais concertos se anunciem e que possamos continuar a celebrar António Variações em palco.

O filme Variações estreia a 22 de Agosto nos cinemas portugueses e a banda sonora, produzida por Armando Teixeira, será editada no dia 23.