segunda-feira, 31 de março de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por V.

Já Vi(vi) este Filme 

Pensei e voltei a pensar que filme iria falar e vieram-me à memória alguns, mas não querendo levar isto para assuntos muito sérios, escolhi A Ressaca. “Esta gaja deve ser umas borgas de certeza!”, está tudo já a pensar! Não, mas quem não gosta de uma noite de copos com os amigos de vez em quando? E onde é que eu (e vocês todos de certeza) me revejo neste filme? Ora bem, a noite está a animada, bastante animada até, e obviamente que há sempre exageros, uns copos a mais, brincadeiras parvas, umas quedas, cantorias, umas danças que correm mal e às vezes aquelas brigas chatas de gente que já bebeu demais. Mas além disto tudo há sempre uma personagem, o amigo que não bebe e que tem como acessório favorito uma máquina fotográfica e que tira fotografias a tudo e mais alguma coisa. Se nos distraímos até quando vamos à casa de banho fica registado. A noite acaba e o cenário final é: o casal de namorados do costume está a brigar porque o mundo é redondo; dois estão agarrados a chorar porque são os melhores amigos; o mais fracote não aguentou aquelas duas cervejas com sabor a lima; dois estão a carregar o camisola amarela e claro, o sóbrio lá está de dedo afiado a clicar na máquina fotográfica. O dia amanhece (ou a tarde) e essa terrível hora de ir ver o mail chega! E lá está o mail: "Fotos da noite de ontem ahahahah". E o filme é este:


A quem isto nunca aconteceu atire a primeira pedra! (não ao nível do filme, espero)

Bons filmes minha gente!

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Obrigada pela tua participação, V.!

FESTin'14 regressa ao Cinema São Jorge a 2 de Abril

Na sua 5ª edição, o FESTin - Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa está de volta ao Cinema São Jorge de 2 a 9 de Abril, com novas mostras e uma homenagem ao 25 de Abril. O festival apresentará mais de 70 filmes, oriundos não só de Portugal, como também do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

A abrir o FESTin está, logo no primeiro dia, o filme Serra Pelada, de Heitor Dhalia, em estreia em Portugal. A encerrar o festival está Vendo ou Alugo, de Betse de Paula (que marcará presença na sessão), que será exibido no dia 9 de Abril, na Sala Manoel de Oliveira, na Cerimónia de Encerramento, onde também se irá proceder à entrega dos prémios. De entre as presenças confirmadas, destaque para a actriz Regina Duarte, que estará na sessão Arte de interpretar – A saga da novela Roque Santeiro.


Para além das secções de competição de longas e curtas-metragens, há este ano, pela primeira vez, a competição de documentários. Juntam-se ainda duas novas mostras à programação: Democracia e Ditadura e País Convidado: França. Haverá ainda espaço para uma homenagem a Cabo Verde e para as já tradicionais mostras de Cinema Brasileiro, Inclusão Social e Infantojuvenil. O FESTin apresentará ainda a Maratona de Documentário e Mesas Redondas.

A 5ª edição do FESTin atribuirá três prémios monetários nas categorias de longa-metragem, curta-metragem e documentário e premiará ainda os melhores actor e actriz de ficção. Nas longas e curtas-metragens o público terá igualmente uma palavra a dizer, podendo votar nos seus filmes favoritos.

Os bilhetes para o FESTin estão à venda na bilheteira do Cinema São Jorge a partir do dia 1 de Abril e têm um custo de 3,00 € (bilhete normal); 2,50 € (até 25 anos e maiores de 65 anos:); 1,50 € (Maratona de documentários por sessão; estudantes; grupos de mais de 10 pessoas – por pessoa); 5,00 € (Maratona de documentários – todas as sessões).

Para mais informações e programação completa, consulta aqui.

sábado, 29 de março de 2014

Estreias da Semana #109

Oito estreias chegaram esta Quinta-feira, dia 27 de Março, aos cinemas nacionais. Capitão América: O Soldado do Inverno e O Filho de Deus, com Diogo Morgado, são os filmes que reúnem mais atenções.

Na noite da passagem de ano, o velho Carmine lança um desafio a Furio: tem quatro meses para restaurar um velho hotel e inaugurá-lo com grande pompa. Desejoso de se mostrar à altura, Furio aceita o desafio, encorajado pela sua mulher Margo, que acredita que esta missão permitirá ao casal reaproximar-se. Enquanto o estaleiro da obra se instala, os problemas crescem em torno de Furio, que se afasta cada vez mais de Margo. Abalada, a mulher dedica-se à preparação de uma peça para violoncelo que vai interpretar na inauguração do hotel. Margo sacrificou a sua carreira de violoncelista por amor e tem agora a oportunidade de ultrapassar os seus medos e o desgosto do seu talento desperdiçado.

Capitão América: O Soldado do Inverno (2014)
Captain America: The Winter Soldier
Steve Rogers - o Capitão América - vive tranquilamente em Washington, D.C., enquanto tenta adaptar-se ao mundo moderno. Mas quando um colega da S.H.I.E.L.D. está sob ataque, Steve vê-se envolvido numa teia de intrigas que colocam o mundo em risco. Unindo forças com Natasha Romanoff, a Viúva Negra, ele luta para desmascarar a conspiração cada vez maior, ao mesmo tempo que combate assassinos profissionais enviados para o silenciar. Entretanto, o Capitão América e a Viúva Negra têm a ajuda de um novo aliado, Falcão, mas depressa de deparam com um inesperado inimigo: o Soldado do Inverno.

Centurião (2010)
Centurion
Na Grã-Bretanha nos primeiros anos depois de Cristo, Quintus é o único sobrevivente de um ataque selvagem a uma fortificação romana de fronteira, que decide alistar-se à IX legião do General Virilus e juntar-se à missão de exterminar as terríveis tribos conhecidas como Pictos. Quando a legião sofre um ataque surpresa e Virilus é capturado, Quintus e os poucos soldados que restam acabam por lutar pela sobrevivência em campo inimigo enquanto procuram salvar o seu general, escapar ao inimigo, à tortura e à morte certa.

J.A.C.E. (2011)
De origem grega, Jace é um rapaz órfão que cresce em Gjirokastër, na Albânia. A sua família adoptiva é abatida pela Máfia Albanesa, e ele cai numa rede de tráfico de crianças. É levado para Atenas, na Grécia, e aqui começa a Odisseia invertida. A fuga é constante, sempre perseguido pelos bandidos, enfrentando diversos desafios, Jace parece nunca conseguir encontrar um novo lar. De um circo para um bordel, ele perde-se em redes de prostituição juvenil. Um crime, um homicídio ou apenas o acaso afastam-no da felicidade.

Mãe e Filho (2013)
Pozitia Copilului
Cornelia tem 60 anos e, essencialmente, é infeliz: o filho, Barbu, de 34 anos, luta com todas as suas forças para se tornar independente. Saiu de casa, tem carro próprio, uma namorada que Cornelia não aprova e evita a mãe tanto quanto possível. Quando Cornelia descobre que Barbu esteve envolvido num acidente trágico, o seu instinto maternal é maior e ela serve-se de todos os seus talentos, dos amigos bem colocados e do dinheiro para salvar Barbu da cadeia. Mas a fronteira entre amor maternal e manipulação interesseira é ténue.

O Filho de Deus (2014)
Son of God
Depois da série, chega ao cinema o filme sobre a personagem que levou o português Diogo Morgado às bocas do Mundo. O Filho de Deus relata a vida pública de Jesus até à sua morte na cruz e ressurreição.

Palácio das Necessidades (2013)
Quai d'Orsay
Alexandre Taillard de Vorms é o Ministro dos Negócios Estrangeiros de França e trava as suas guerras com base na legitimidade, lucidez e eficácia. Mas quando chega Arthur Vlaminck, contratado para escrever os discursos do ministro, Arthur vai ter de equilibrar as sensibilidades do chefe com os truques sujos do palácio de Quai d'Orsay, a residência oficial do ministro.

Safari em África (2013)
African Safari
Das dunas desertas da Namíbia ao topo do Monte Kilimanjaro, observamos algumas das espécies em perigo de extinção do nosso planeta. Safari em África traz uma grande diversidade de ecossistemas selvagens e leva-nos a descobrir como os animais lidam com a constante invasão do Homem.

Já Vi(vi) este Filme, por André Olim

Já Vi(vi) este Filme
por André Olim, do Terceiro Take

Os filmes que vi(vemos)

Nenhum filme pode deixar uma verdadeira impressão no seu espectador se, na sua essência, não carregar algum grau de semelhança com a realidade ou com a fantasia que o espectador vive e sonha. Um filme é, portanto, tão forte quanto a sua capacidade para extravasar a tela, para mergulhar o espectador na sua narrativa e, através da persuasão da moral e da imagem, idealmente aliadas e alinhadas, transportá-lo para o seu ponto de origem, onde o possível e o impossível se coadunam e a verosimilhança com a realidade não é mera fantasia, é facto desejável. Seja a história dramática fundamentada num acontecimento autêntico, seja a aventura proveniente de uma imaginativa mente, o artifício maior para o sucesso cinematográfico reside em dar ao espectador a experiência mais marcadamente autêntica. Tanto é que o filme globalmente triunfante é aquele que, ainda que partindo de factos alheios, épocas distintas e mundos fingidos, consegue colocar no espectador a excepcional e arrojada ideia de que ele se identifica e se compara com a narrativa, com alguns dos seus factos ou com a totalidade do seu enredo.


Tal como o poeta é um fingidor, o cineasta é um mentiroso. Mentiroso por nos querer fazer acreditar que se rodeia da verdade e dos valores absolutos. Mas não seja imputada qualquer culpa àquele que se manifesta através da sétima arte, porquanto é o espectador, assumida e livremente, que procura ser enganado – muito bem enganado – diante de um grande ecrã. Naqueles momentos em que se senta confortavelmente numa sala de cinema, o espectador anseia desligar-se da sua própria realidade e experienciar a existência, boa ou má, de outrem. Nas entrelinhas de um filme, com maior ou menor iniciativa individual, o espectador escolhe heróis e vilões, identifica valores e ambiguidades, estabelece amizades e inimizades. No final, no seu regresso súbito e quiçá indesejado à sua realidade, e ainda meio embrenhado na criação cinematográfica que presenciou, estabelece elos e conivências entre o vivido e o assistido; nesse fugaz instante, o espectador imagina-se e idealiza-se na tela.


A título pessoal, são inúmeros os filmes que me arrebataram, induzido-me, com maior ou menor esforço, a concepção de que a sua narrativa me é próxima, comparável às minhas experiências e às minhas vivências, aos meus desejos e aos meus sonhos. Atrevo-me, pois, a confessar que já vivi muitos filmes; melhor dizendo, já vivi todos os filmes que me causaram a mais pequena comoção. Da terrível visão da humanidade de A Lista de Schindler à esperança de Forrest Gump e à fantasia de O Senhor dos Anéis, o leque de sensações que a sétima arte me tem proporcionado tem sido nada menos que verdadeiramente poderoso. Dizia alguém em A Invenção de Hugo que os filmes têm o poder para capturar sonhos. Vou mais longe: os filmes têm o poder para nos presentear uma vida inteiramente diferente; mesmo que efemeramente, essa vida não se esgota na projecção – dias, meses, anos depois, numa visualização repetida ou no déjà vu quotidiano, volta a arrebatar-nos. Nesse instante, de modo cônscio ou não, sabemos que já se viveu, que se vive e que voltará a viver aquele filme, aquela emoção.


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Obrigada pela tua participação, André!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Crítica: Cadências Obstinadas / Cadences obstinées (2013)

*4.5/10*

Fanny Ardant foi tão obstinada como as cadências de Margo, e a sua segunda longa-metragem enquanto realizadora coloca de tal forma a estética à frente da narrativa que não passa de uma tentativa falhada de entrar no dito cinema de autor. Cadências Obstinadas vem armado de personagens fortes, mas entrega-as a um argumento vazio, sem fio condutor, perdido em si mesmo. 

O elenco de luxo - que conta com nomes portugueses e internacionais como Nuno Lopes, Ricardo Pereira, Asia Argento, Franco Nero ou Gérard Depardieu - regala-nos com a sua presença, mas a mesma não chega quando falta conteúdo ao trabalho da realizadora e argumentista. Ardant descurou a história dando uma primazia exagerada e injustificável à forma, e Cadências Obstinadas perdeu todo o encanto que poderia ter, ou, pelo menos, que as suas fortes personagens poderiam prometer.

Na noite da passagem de ano, o velho Carmine lança um desafio a Furio: tem quatro meses para restaurar um velho hotel e inaugurá-lo com grande pompa. Desejoso de se mostrar à altura, Furio aceita o desafio, encorajado pela sua mulher Margo, que acredita que esta missão permitirá ao casal reaproximar-se. Enquanto o estaleiro da obra se instala, os problemas crescem em torno de Furio, que se afasta cada vez mais de Margo. Abalada, a mulher dedica-se à preparação de uma peça para violoncelo que vai interpretar na inauguração do hotel. Margo sacrificou a sua carreira de violoncelista por amor e tem agora a oportunidade de ultrapassar os seus medos e o desgosto do seu talento desperdiçado.


Ao amor à música contrapõe-se o amor a um homem. Aliada às paixões avassaladoras de Margo, está uma mal engendrada história de máfia que não nos leva muito longe. A narrativa começa por seguir a história de amor de Margo e Furio que, não sabemos bem por quê, arrefeceu. Ela esforça-se por reconquistar o marido, sem resultados, mas deixa-se facilmente tentar por outras personagens, especialmente pelo sedutor Mattia, que não percebemos bem que papel tem na trama, para além de incorporar os vícios e malícia de personagens menos abonatórias. Ao mesmo tempo, todo o restauro do hotel parece fadado ao fracasso, por entre corrupção, incompetência ou irresponsabilidade.

Margo, por seu lado, sente-se desesperada e parece pôr em causa o momento em que escolheu abandonar a carreira musical por amor a um homem. Mas tudo mais que rodeia este enredo é inconsequente e sem grande impacto ou desenvolvimento.

Cadências Obstinadas mostra-se um desperdício de actores e personagens - todas muito fortes e cheias de personalidade. É neles que reside o ponto realmente forte do filme. A protagonista  transpira paixão e garra, e Asia Argento incorpora todo o mistério que a envolve numa interpretação poderosa e sentida. A trágica Margo é o motor de Cadências Obstinadas e merecia uma história à sua altura. Ao seu lado está Nuno Lopes como Furio - um homem que amou, talvez ainda ame, mas precisa reencontrar o sentimento -, numa interpretação forte como já nos tem habituado, veste a pele de um homem rude, mas a precisar de coragem, que condena os actos que fujam à lei, apesar de compactuar com eles. Uma personagem dúbia, mas com quem iremos criar empatia, apesar de tudo. Ricardo Pereira chega como Mattia, o sedutor imoral, que merecia um papel mais consistente no filme de Fanny Ardant.

Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "As Cadências Obstinadas de Fanny Ardant"

IndieLisboa'14: Programa e Novidades

"Não vamos falar de mais um ano particularmente difícil para o cinema português. Vamos, sim, comprovar que a produção cinematográfica nacional está cada vez mais desperta para novos formatos e linguagens." Aí está o mote para mais uma edição do IndieLisboa, que acontece de 24 de Abril a 4 de Maio.


79 longas e 147 curtas metragens irão dividir-se pelas várias secções do festival. Este ano - e como habitual - há um grande destaque para o cinema nacional, com 44 filmes presentes (10 longas e 34 curtas-metragens). Ao todo, o IndieLisboa'14 conta com 234 sessões de cinema divididas pela Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e Cinema City Campo Pequeno.

O 40.º aniversário do 25 de Abril e o Cinema Português

Na Competição Nacional de Longas Metragens encontramos O Novo Testamento de Jesus Cristo segundo João, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, um documentário que vive da interpretação do texto bíblico por Luís Miguel Cintra; Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréfaut, que se debruça sobre o cante alentejano; Revolução Industrial, de Tiago Hespanha e Frederico Lobo, um mergulho no Vale do Ave que se traduz num olhar sobre a revolução que não passou pelas vidas dos habitantes do local; ou Tales on Blindness, de Cláudia Alves, um documentário sobre a presença portuguesa na Índia.

Alentejo, Alentejo

Do lado da Competição Portuguesa de Curtas-Metragens encontramos uma selecção que demonstra como o formato curta é cada vez mais procurado pelos realizadores portugueses - mesmo aqueles que nos haviam habituado a realizar longas-metragens. Neste caso estão nomes como Manuel Mozos, que marca presença na Competição de Curtas com Cinzas e Brasas, Sandro Aguilar, que nos traz Jewels, e Tiago Guedes, com Coro dos Amantes. A concorrer nesta secção do IndieLisboa estão também Antero, de Ico Costa, Boa noite Cinderela, de Carlos Conceição, Daddies, de António da Silva, Ennui Ennui, de Gabriel Abrantes, Ponto Morto, de André Godinho, Varadouro, de Paulo Abreu e João da Ponte, A Caça Revoluções, de Margarida Rego, As Figuras Gravadas na Faca pela Seiva das Bananeiras, de Joana Pimenta, As Rosas Brancas, de Diogo Costa Amarante, Coisa de Alguém, de Susanne Malorny, Implausible things, de Rita Macedo, Le petit prince au pays qui défile, de Carina Freire, Retrato, de Vasco Araújo, e Square Dance, Los Angeles County, California, 2013, de Sílvia das Fadas.

Na secção Novíssimos há uma novidade: a longa-metragem O Primeiro Verão, de Adriano Mendes. Já nas curtas, encontramos A Minha Idade, de Hugo Pedro, Alda, de Filipe Fonseca, Ana Cardoso, Luís Cataló e Liliana Sobreiro, É consideravelmente admirável da tua parte que ainda penses em mim como se aqui estivesse, de André Mendes e Andreia Neves, Em Cada Lar Perfeito Um Coração Desfeito, de Joana Linda, Escala, de Fábio Penela, Gata Má, de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto, Meio Corte, de Nicolai Nekh, O Silêncio entre duas canções, de Mónica Lima, Sisters, de Pedro Lucas, Tudo vai sem se dizer, de Rui Esperança, e Uma vida mais simples, de Inês Alves

Refúgio e Evasão

A compor a secção Director's Cut estarão as obras de Luís Alves de Matos, Refúgio e Evasão, um documentário sobre o olhar cinematográfico de Alberto Seixas Santos, e as curtas-metragens, Head, Tail, Rail, de Hugo Olim, e Walk in the Flesh, de Filipe Afonso

O IndieMusic, por sua vez, celebra os 40 anos do 25 de Abril e fará a ponte com o programa República dos Cravos: 25 de Abril, Sempre com o documentário Mudar de Vida, sobre a vida e obra de José Mário Branco. A música contemporânea portuguesa chega nesta edição na figura de Legendary Tigerman, no documentário True, de Paulo Segadães. Para os mais novos, o IndieJúnior mostra três obras portuguesas: Adolfo, de João Carrilho, Fúria, de Diogo Baldaia, e Zombies4Kids, de Pedro Santasmarinas

O programa República dos Cravos: 25 de Abril, Sempre apresentará também o documentário Outra forma de luta, de João Pinto Nogueira, filme baseado na correspondência entre Nuno Bragança e Carlos Antunes, que reconstitui uma parte da história do 25 de Abril, e a co-produção Les Grandes Ondes, de Lionel Baier, comédia na qual uma equipa da televisão suíça aterra em Portugal no dia anterior à revolução e acorda, no dia seguinte, num país liberto e eufórico.

3x3D

No programa Capital Europeia da Cultura – Guimarães 2012, há ainda lugar para 3x3D, de Peter Greenaway, Edgar Pêra e Jean-Luc Godard, e Centro Histórico, de Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Víctor Erice e Aki Kaurismäki.

Competição Internacional, Observatório e Director's Cut

Historia del miedo, de Benjamin Naishtat, Matar a un hombre, de Alejandro Fernandez Almendras, ou Quand je serai dictateur, de Yaël André, são alguns dos títulos que compõem a Competição Internacional de longas-metragens - com um total de 11 filmes a concurso. Nas curtas-metragens, encontramos filmes como La lampe au beurre de yak, de Wei Hu, Le petit prince au pays qui défile, de Carina Freire, Até o Céu Leva Mais ou Menos 15 Minutos, de Camila Battistetti, entre muitos outros.

Dentro da secção Observatório a oferta é muita e variada. Destaque para títulos como Death Row II, de Werner Herzog, Educação Sentimental, de Júlio Bressane, Nobody’s Daughter Haewon, de Hong Sang-Soo, ou Tom à la ferme, de Xavier Dolan (filme de encerramento), entre muitos outros.

Educação Sentimental

Muito forte é a secção Director's Cut com títulos como Bertolucci on Bertolucci, de Luca Guadagnino e Walter Fasano, Dial M for Murder, de Alfred Hitchcock, ou Mr leos caraX, de Tessa Louise-Salomé.

Nas restantes secções Cinema Emergente, Pulsar do Mundo (Que ta joie demeure, de Denis Côté, é um dos filmes de destaque), IndieJúnior, Herói Independente ou IndieMusic, a programação é igualmente muito variada.

Júris e Prémios

Dentro dos Júris Oficiais, Marie Pierre Duhamel, Jean Perret e Ariel Schweitzer compõem o Júri da Competição Internacional de Longas-Metragens. Para avaliar as curtas-metragens estarão Alexandra GramatkeMarie Losier e Samuel Úria. O Júri Pulsar do Mundo é constituído por José Filipe Costa e Lili Hestin. Nos Júris não Oficiais, destaque para o Prémio de Distribuição TVCine, escolhido por um júri constituído por bloggers de cinema nacionais.

O público continua a ter uma palavra a dizer sobre os seus favoritos em várias secções do IndieLisboa: Competição Internacional, Observatório, Cinema Emergente, Novíssimos, Pulsar do Mundo e IndieJúnior.

Actividades Paralelas

Estão de volta as LisbonTalks Universidade Lusófona, com debates, conversas e um seminário, o IndieMovingImage, que apresenta filmes e vídeos em formato instalação em diversos espaços da cidade, o IndiebyNight, este ano com o bar oficial do festival a residir no Primeiro Andar, mas que alarga a sua actividade a outros espaços da cidade, a Videoteca, os Ateliês e um Debate IndieJúnior.

Para a programação completa e outras informações sobre o IndieLisboa'14 é só consultar o site oficial do festival.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Milton Tavares Mendes

Já Vi(vi) este Filme
por Milton Tavares Mendes, do Filme que Vejo e Revejo


Eu cresci a ver filmes mas, com o tempo, fui apreciando o cinema de forma mais assente na terra, algo que é mesmo importante. Há sempre aquele filme que nos marca para o resto das nossas vidas e devo dizer que o filme mais marcante da minha vida foi o Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento.

Eu tive uma boa infância mas não perfeita. Não tinha algo divertido para passar o meu tempo. Afinal, cresci a ver os meus dois irmãos mais velhos a jogarem Mega Drive e eu não participava muito por razões ainda por descobrir. Tinha 6 anos na altura em que o T2 passou na televisão e quando vi o filme, parecia que o meu cérebro ia explodir. A cena que fez um grande impacto em mim foi a cena onde o Exterminador pisa o crânio com o seu pé, acompanhado pela banda sonora de Brad Fiedel. A partir daí, via o filme todos os dias a todas as horas. Não era exactamente o tipo de filme que uma criança de seis anos veria mas era o meu próprio Star Wars. Era o tipo de filme que veria vezes sem conta porque era bastante fenomenal.

Claro que não revivi os acontecimentos do filme. Ter um robô vindo do futuro atrás de mim seria bastante desagradável mas achei que a personagem de John Connor era um miúdo sem rumo algum e acho que me vi na personagem. Não tinha um rumo definido durante o meu crescimento. Porém, este filme elevou a fasquia dentro do género e supera sem qualquer dúvida o filme original de 1984, realizado por James Cameron

Daí ter escolhido este filme porque permite a voltar a ter 6 anos e sentir-me fascinado. Esse é o poder que o cinema pode-nos dar: entrar num universo único, sombrio mas fascinante. 

Já agora, agradeço à autora desta brilhante iniciativa (e a minha best) pelo convite.

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Obrigada pela tua participação, Milton!

Curta-metragem PDL - LIS disponível online até 21 de Abril

A curta-metragem PDL - LIS, realizada por Diogo Lima, está disponível para visualização online até dia 21 de Abril, aqui. "A que sabe voltar à casa que julgamos querer abandonar de vez?" é a grande questão colocada neste trabalho.

A curta-metragem documenta o regresso a casa de um micaelense - o próprio realizador - a estudar em Lisboa, e a descoberta da relação que tem com a sua terra-natal, apesar da distância e do tempo que os separa. Um olhar intimo, que mistura saudade, nostalgia e, ao mesmo tempo, uma aparente certeza de não os sentir. Vale a pena ver.


PDL - LIS ganhou o Prémio Açores e o Prémio Novo Talento Regional / Restart na 1ª edição do Panazorean Film Festival, em 2012.

Podes seguir as novidades desta curta-metragem no Facebook.

segunda-feira, 24 de março de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Programa e novidades

39 filmes e cinco antestreias marcam o regresso do 8 ½ Festa do Cinema Italiano. O evento - que tem início em Lisboa já a 10 de Abril - vai abrir a sua 7.ª edição com o filme Viva la Libertà, de Roberto Andò, e irá encerrar com Il Capitale Umano, de Paolo Virzì, ambos em antestreia nacional.


Grande destaque para a exibição do célebre filme perdido de Orson Welles, Too Much Johnson, realizado em 1938, cuja estreia mundial teve lugar em Outubro passado, em Pordenone. A sua passagem por Lisboa resulta de uma parceria entre o 8 ½, o Festival Le Giornate del Cinema Muto e a Cinemateca Portuguesa. Outra novidade é a programação dirigida aos mais novos, em parceria com o Giffoni Film Festival, o mais importante festival de cinema infantil da Europa.

Dentro dos filmes em antestreia, encontramos ainda Salvo, de Antonio Piazza e Fabio GrassadoniaZoran, il mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto, e The Special Need, de Carlo Zoratti.

De regresso à Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema está a secção Amarcord com uma homenagem inédita a Mario Bava, por ocasião do centenário do seu nascimento. O filho, Lamberto Bava, realizador e argumentista, é um dos nomes com presença confirmada no 8 ½ em Lisboa, bem como o realizador Daniele Gaglianone (La Mia Classe), o músico Vinicio Capossela (argumentista e protagonista de Indebito), o produtor e cineasta Gianluca Arcopinto e o vice-director da Cineteca del Friuli di Gemona, Lorenzo Codelli.

A Secção Competitiva conta, este ano, com sete filmes. Para os avaliar estará um júri composto por Rita Blanco, Camané e Maria João Seixas. Tal como na última edição, o público do festival também vai votar no seu eleito, através do prémio do público, que este ano têm pela primeira vez o patrocínio da TVCine & Séries tornando-se no Prémio Canais TVCINE.

Nesta edição, o 8 ½ Festa do Cinema Italiano destaca ainda outros aspectos da cultura italiana, ampliando as suas secções dedicadas à gastronomia, através da criação da Rota dos Sabores – Porções de Itália, um roteiro que engloba os melhores restaurantes italianos, gelatarias e garrafeiras, em Lisboa, onde o público poderá usufruir de momentos de degustação, com direito a descontos.


A Festa do Cinema Italiano traz consigo diversas actividades paralelas - Dopo le 8 ½ - onde se incluem festas, aulas de Italiano gratuitas, o Cine-Jantar, este ano com a exibição de O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, e o lançamento do primeiro romance póstumo do escritor italiano Antonio Tabucchi, Para Isabel.

Em parceria com a Fnac, estará à venda um pack de quatro dvds de filmes que se destacaram nas últimas edições do 8 ½: Shun-Li e o Poeta, Piazza Fontana - Uma Conspiração Italiana, Scialla! e Benfica-Torino 4-3 (este último conta com crítica no Hoje Vi(vi) um Filme, aqui).

Já Vi(vi) este Filme, por David Lourenço

Já Vi(vi) este Filme
por David Lourenço, de O Narrador Subjectivo


John Hughes fez uma carreira à conta da adolescência. Praticamente todos os seus filmes giram à volta das peripécias, brincadeiras, amores e desamores de secundário, entre os quais estão The Breakfast Club e Ferris Buller’s Day Off, autênticos retratos dum tempo em que ter um computador pessoal era um luxo, já que se passam nos anos 80. A forma como Hughes equilibrava drama e comédia nesses ambientes tornaram-no intemporal, e Sixteen Candles, para mim, é o exemplo perfeito para o justificar. Samantha Baker (Molly Ringwald) está prestes a fazer 16 primaveras e o dia de aniversário é uma confusão total, passando por todos os níveis na escala de pânico de um jovem, desde familiares chatos a informação da vida sexual (inexistente) escrita num papel cair nas mãos erradas. Claro que muitas das situações têm piada porque só são problemas apocalíticos nessa idade, mas o impacto duradouro do filme vem exactamente de nunca tomar uma postura condescendente nesses momentos, a verdade é que, na altura, parecem muito importantes e podemos ver Sixteen Candles e lembrarmo-nos de como o mundo era mais simples. Não tenho uma cena específica para destacar que tenha acontecido comigo ipsis verbis, mas como toda a gente, também mandei e recebi bilhetinhos nas aulas, tentei fazer coisas à partida proibidas, tive daquelas paixonetas febris, enfim, aquelas dores de crescimento típicas que podemos sempre recordar com os filmes do John Hughes, sem aquela parte chata das… dores!

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Obrigada pela tua participação, David!

Sugestão da Semana #108

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o filme da Arábia Saudita, O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al Mansour.

O SONHO DE WADJDA


Ficha Técnica:
Título Original: Wadjda
Realizador: Haifaa Al Mansour
Actores:  Waad Mohammed, Reem Abdullah, Abdullrahman Al Gohani 
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

sexta-feira, 21 de março de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Jorge Pontes

Já Vi(vi) este Filme
Por Jorge Pontes, do Laboratório de Séries

“The past is a story that we tell ourselves…”

Para falar de filmes eu não sou a melhor pessoa. Não tenho muita cultura, admito, e ainda que tenha tantas influências na minha vida que me pedem que o faça, talvez seja a minha eterna preguiça que me impede de me mexer. Ou isso, ou a falta de alguém que me impulse a isso mesmo: a conhecer.


Deste Her, que me apaixonou desde o primeiro minuto, consegui rever-me no casal que torna esta história tão humanamente envolvente. Quem não pensou, ainda, no quão fracos nós podemos ser quando estamos vulneráveis? Mas, ao mesmo tempo, no quão fortes nós somos por conseguir, no meio disso tudo, encontrar a força que nos leva até ao topo e enfrentar o que mais nos assusta? Para mim, este foi um filme tão real quanto o observar da luz do sol atravessar a minha janela e bater-me, suavemente, na cara, todas as manhãs e acordar-me como se alguém me pusesse a mão na cabeça e calmamente me despertasse. Por um lado, não deixo de me sentir como o Theodore, sempre com uma mente tão activa, tão intensa e ao mesmo tempo vibrante e preocupante… sempre a pensar no que é melhor para si próprio, sempre a vaguear pela vida à procura de algo que lhe preencha tanto como lhe preencheu aquele divórcio falhado, a procura, incessante, de fazer novas e boas memórias, de alicerçar a vida, que já vai bem carregada pelos anos e pelo passado. Por outro lado, e quase ao mesmo tempo que me sinto Theodore, sinto-me como a Samantha, a personificação virtual de um amor, de emoções e sentimentos tão intensos, tão puros e tão inocentes. Ela que, claramente, contrabalança com a racionalidade de Theo, mostra-se no perfeito oposto e, como se diz na sabedoria popular, na perfeita atracção.

Não sei explicar com quem deste par me consigo caracterizar mais. É estranho. Há sempre alguém com o qual nos revemos nos filmes. Mas com este é diferente. O Theo apaixona-me pelo passado problemático que podia muito bem ser o meu, e até certa extensão o é. Samantha acaba por ser o presente (e eu bem gostaria que fosse o futuro), porque passou de ser uma amiga a uma companheira de todas as horas, sempre disponível para ouvir e acalmar. Mas, no entanto, a Samantha, a meu ver, acabou por se tornar numa reinvenção do passado de Theo, quando ela própria se começou a explorar e a evoluir e a querer ser mais do que aquilo que era. Acabou por dizer que não mudava, acabou por pedir que a aceitasse mas o que vou aceitar eu, quando se evoluiu tanto ao ponto de não te reconhecer? E, no fim de tudo, o futuro acabou por ser a pessoa que, há muitos anos, se pensava que não duraria nada. O futuro acabou por ficar bem mais rico, porque foi na solidão que encontraram a presença que tanto queriam e a felicidade que tanto imaginaram.

Her acaba por ser a minha personificação. Ou, neste caso, as minhas duas personificações. Uma delas onde reina a razão e a percepção do meu redor, de que tanto faço uso para procurar uma felicidade duradoura e, a outra, baseada puramente nas emoções que tanto me dá de felicidade como de tristeza. Vejo-as como duas pessoas distintas, vejo-as como irmãos gémeos que caminham de mão dada porque uma não pode viver sem a outra e são as duas indissociáveis do meu ser. E no entanto, estão tão separadas como está a Europa da América, separadas por um oceano de tantas dores, de tantas vivências, de peças de um puzzle que todos os dias procuro (re-)construir. A cada dia que passa, a reconstrução torna-se mais fácil e mais suportável. Talvez porque aceito tudo aquilo que fui e tudo aquilo que sou, agora mais fortemente que nunca. Talvez porque começo a perceber os limites. Talvez porque me começo a aperceber que sou humano, que cometo erros, que falho mas que também tenho coisas boas.


Her é isso mesmo. Uma busca por nós próprios, uma busca desenfreada por aquilo que nos faz felizes, sem nunca esquecer o que já fomos. Não consigo não deixar de acreditar nesta frase: “O passado é uma história que contamos a nós próprios”. E contamos porquê? Para tudo ser mais fácil? Talvez. Para nos aceitarmos? Para olharmos as pistas ao longo de toda a nossa vida, pistas que nos definem e nos dizem quem somos? Muito provavelmente. Her conseguiu olhar para mim, conseguiu chegar-me cá dentro. Consegui ser este filme e este filme ser eu. Seja através da maravilhosa banda sonora ou através da belíssima fotografia, tudo pareceu fazer sentido, pareceu que estava a ver o filme da minha vida. Her é o filme da minha vida. É simples, é interessante, arranca sorrisos e arranca choros. Que mais podia pedir eu, quando tenho a certeza que já vivi e continuarei a viver este filme?

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Obrigada pela tua participação, Jorge!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Crítica: A Enfermeira / Nurse 3-D (2013)

"Let me get some toys"
Abby Russell
*2.5/10*

Tinha tudo para ser, pelo menos, sensual, mas A Enfermeira não atinge sequer esse nível mais carnal, tornando-se, desde cedo, sádico e sem propósito. Diverte pouco, choca ainda menos, e não aterroriza o bastante. Paz de la Huerta vem provar ser provavelmente uma das piores actrizes da actualidade, e nem os atributos físicos lhe compensam o fraco desempenho como protagonista. Por seu lado, o filme de Douglas Aarniokoski candidata-se fortemente ao título de pior filme do ano.

De dia, Abby Russell (Paz de la Huerta) é uma enfermeira dedicada aos seus pacientes do All Saints Memorial Hospital. Mas, à noite, torna-se uma perversa predadora, percorrendo discotecas com o objectivo de atrair homens infiéis. Depois da jovem enfermeira Danni (Katrina Bowden) integrar a equipa do hospital, Abby conquista a sua amizade. Mas quando a amizade se transforma em obsessão, Danni rejeita-a, desencadeando nela um descontrolo de fúria e terror.

A premissa de uma assassina em série com um certo toque de vingadora de mulheres casadas até podia ter algum interesse, mas depressa a história segue um rumo de obsessão inexplicável. O motivo para esta mudança no argumento dá pelo nome de Danni, que poderia ser uma óptima parceira de crime para Abby, mas que os argumentistas preferiram colocar como a sua conquista falhada. Renegada e enlouquecida, A Enfermeira muda então o seu alvo, que passa a ser Danni e todos os que se colocarem no seu caminho.

A história que já prometia pouco, cai então numa sequência de momentos ridículos, nudez despropositada - mas compreende-se que seja preciso mais do que a narrativa para cativar o público -, e um rumo pouco feliz, com a introdução de uma nova personagem - a demasiado sorridente gestora de recursos humanos, Rachel Adams -, que parece saber demais sobre o obscuro passado da protagonista.


Visualmente, A Enfermeira é apelativo. Seja pelas cores fortes, onde o vermelho-sangue tem natural destaque, seja pelos planos feitos especialmente a pensar no 3D, os aspectos estéticos são realmente os pontos fortes da longa-metragem. Já os cartazes faziam antever - pelo menos - essa qualidade visual.

É uma pena que esta serial killer feminina seja tão pouco convincente e tenha saídos das mãos que não lhe souberam dar a garra que poderia ter. A Enfermeira dificilmente seria um bom filme, mas também poderia não ficar na história dos piores filmes dos últimos tempos.

Estreias da Semana #108

Oito novos filmes chegam aos cinemas nacionais esta Quinta-feira. 

A Casa da Magia (2013)
The House of Magic
Trovão é um pequeno gato que foi abandonado pela sua família e se refugia numa misteriosa mansão onde vive um mágico reformado, Lorenzo (voz de Luís de Matos). Lorenzo vive com o seu grupo de animais e autómatos, que têm poderes surpreendentes. Quando o mágico Lorenzo tem um acidente de bicicleta e é hospitalizado, o seu sobrinho aproveita-se da situação para tentar vender a mansão que Lorenzo tanto adora e mandá-lo para um lar.  É então que o Trovão tem uma ideia: transformar a mansão numa casa assombrada. Com a ajuda dos seus amigos, ele vai organizar a resistência para tentar evitar que a mansão seja vendida.

A Enfermeira (2013)
Nurse 3-D
De dia, Abby Russell (Paz de la Huerta) é uma enfermeira dedicada aos seus pacientes do All Saints Memorial Hospital. Mas, à noite, torna-se uma perversa predadora, percorrendo discotecas com o objectivo de atrair homens infiéis. Depois da jovem enfermeira Danni (Katrina Bowden) integrar a equipa do hospital, Abby conquista a sua amizade. Mas quando a amizade se transforma em obsessão, Danni rejeita-a, desencadeando um descontrolo de fúria e terror.

Need for Speed: O Filme (2014)
Need for Speed
Baseado no videojogo de corridas de carros do mesmo nome, Need for Speed - O Filme traz para um ambiente real a liberdade e emoção do jogo. Para Tobey Marshall (Aaron Paul), que gere a oficina da família e, aos fins de semana, corre no circuito clandestino de corridas de rua com os seus amigos, a vida é boa. Contudo, o seu mundo fica de pernas para o ar quando é condenado por um crime que não cometeu. Na prisão, passa os dois anos seguintes a pensar apenas em vingança. Embora isso coloque em causa os valores morais que sempre seguiu, ele está, no entanto, determinado a derrubar os seus inimigos. 

O Meu Pé de Laranja Lima (2012)
Meu Pé de Laranja Lima
Zezé tem quase oito anos e vive com a sua família pobre e numerosa. Para compensar a falta de afecto e carinho, que não encontra em casa, refugia-se num mundo imaginário com o seu confidente, um pé de laranja lima com quem partilha as coisas boas e más da vida. Quando menos espera, Zezé descobre a mais bela das amizades num adulto solitário, Manoel Valadares, o ‘Portuga', que tenta participar no seu universo especial. Este dá a Zezé a ternura e compreensão que ele tanto precisa e a criança oferece ao amigo um mundo de fantasia e imaginação que este jamais imaginou viver.  

O Sonho de Wadjda (2012)
Wadjda
Primeiro filme saudita filmado no país e primeiro filme escrito e realizado por uma mulher saudita, O Sonho de Wadjda conta a história de Wadjda de 10 anos que vive num subúrbio de Riade, a capital da Arábia Saudita. Embora viva num mundo conservador, Wadjda gosta de se divertir, é empreendedora e está sempre a testar os limites daquilo que pode fazer sem ser castigada. Quando vê uma bicicleta verde à venda, Wadjda decide tentar arranjar o dinheiro por si mesma, para assim poder fazer corridas com o seu amigo Abdullah. Mas a mãe de Wadjda receia as repercussões de uma sociedade que vê as bicicletas como algo perigoso para a virtude de uma menina.

Obediência (2012)
Compliance
Sandra é uma gerente de meia-idade num restaurante de fast-food, Becky é uma jovem que trabalha ao balcão e precisa mesmo do emprego. Num dia agitado, um polícia liga a acusar Becky de ter tirado dinheiro da mala de uma cliente, facto que ela nega veementemente. Sandra, dominada pelas suas responsabilidades de gerente, cumpre as ordens dadas para deter Becky. Esta escolha dá inicio a um pesadelo que esbate tragicamente as fronteiras entre conveniência e prudência, legalidade e razão.

The Frozen Ground - Sangue e Gelo (2013)
The Frozen Ground
The Frozen Ground - Sangue e Gelo conta a história do mais notório assassino em série (John Cusack) que o Alasca já conheceu e do agente de autoridade (Nicolas Cage) que tem de ganhar a confiança da única vítima sobrevivente para fazer com que a justiça seja feita.

Vic + Flo viram um urso (2013)
Vic + Flo ont vu un ours
Victoria (Pierrette Robitaille) tem 61 anos e acabou de sair da prisão após cumprir uma longa pena. Sob a supervisão de William, um jovem agente que vigia a sua liberdade condicional, ela muda-se para uma cabana na floresta, enquanto aguarda a chegada de Florence (Romane Bohringer), de 37 anos, sua amante e ex-colega de cela. Acontece que Victoria e Florence têm uma personalidade particular e a sua reintegração social revela-se difícil. Enquanto isto, velhos fantasmas do passado surgem para atormentá-las.

Judaica - 2ª Mostra de Cinema e Cultura regressa a 27 de Março


Após o sucesso da 1ª edição, a Judaica - Mostra de Cinema e Cultura está de regresso ao Cinema São Jorge, em Lisboa, já no dia 27 de Março, onde fica até dia 30. O objectivo do evento mantém-se: trazer até Lisboa filmes e documentários recentes, na sua maioria em estreia absoluta, e subordinados à temática da Mostra. 

Dramas históricos ou comédias, sessões para escolas e famílias compõem a programação, marcada por debates, propostas de literatura, experiências gastronómicas e, a fechar o evento, a participação especial de um DJ Klezmer.

O grande destaque deste ano vai para o filme de abertura, O Atentado, do realizador libanês Ziad Doueiri, que irá marcar presença na Judaica. Entre os convidados desta edição estará também Kimberly Mann, Directora do Programa das Nações Unidas para o Ensino do Holocausto, que vai apresentar o documentário O Último Voo, de Petr Ginz, durante as sessões para escolas e famílias. Já Ewa Wierzynska, Directora do Programa Jan Karski, Missão Inacabada, irá conduzir a sessão dedicada a este herói da resistência polaca.


Os escritores Richard Zimler e Francisco José Viegas, os historiadores João Medina e Jorge Martins e a diplomata Manuela Franco irão debater temáticas polémicas, a propósito de dois documentários: Os Judeus e o Dinheiro, que se debruça sobre o assassínio do jovem Ilán Halimi, em 2006, e A Lua é Judia, que narra o percurso de Pawel, um skinhead que descobre ser aquilo que mais odeia e se torna em Hassid convicto, sendo actualmente assistente do rabino-mor de Varsóvia.

A fechar a Mostra está o filme O Cardeal Judeu, baseado na vida do cardeal francês Jean-Marie Lustiger. A projecção será seguida de uma conversa entre o Padre José Tolentino de Mendonça e o Rabino Eliezer di Martino.

Ao longo da Judaica - 2ª Mostra de Cinema e Cultura terão lugar outras actividades paralelas, como uma feira do livro, onde se poderão encontrar diversos títulos de autores judeus ou temáticas judaicas, uma sessão dedicada à Rede de Judiarias de Portugal, e ainda provas de vinhos, degustação de chocolates e diversos produtos Kosher.

Para mais informações e programa completo, é só consultar aqui.

quarta-feira, 19 de março de 2014

DocLisboa'14 tem nova direcção

Este ano, o Doclisboa acontece entre 16 e 26 de Outubro e traz consigo uma nova direcção: Cíntia Gil e Augusto M. Seabra foram nomeados directores do festival pela Assembleia Geral da Apordoc - Associação pelo Documentário.
Créditos: Joana Linda

Ao mesmo tempo, Agnès Wildenstein e Davide Oberto juntam-se à equipa do DocLisboa'14 como programadores associados. Wildenstein é uma programadora francesa, foi responsável durante dez anos pela comunicação e imprensa na Cinemateca Francesa e membro do comité de programação do Festival de Locarno ao longo de 12 anos. Por seu lado, Oberto, programador Italiano, é o criador e responsável pelas secções de documentário do Festival de Turim, , desde o seu início.

Em 2014, o Doclisboa mantém a sua estrutura de programação composta pelas secções: Competição Internacional longas e curtas, Competição Portuguesa longas e curtas, Investigações, Retrospectivas, Heartbeat, Riscos, Cinema de Urgência e Verdes Anos.

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14 percorre o país a partir de Abril

Está a chegar mais uma 8 ½ Festa do Cinema Italiano que volta a percorrer o país a partir de Abril. Na sua 7ª edição, subordinada ao tema Família Italiana - La Famiglia, Lisboa é a primeira cidade a festejar entre 10 e 18 de Abril, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa

Segue-se Coimbra, de 21 a 23 de Abril, no Teatro Académico Gil Vicente, o Porto, de 24 a 27 de Abril, na Casa das Artes. Em Maio, a Festa do Cinema Italiano voa para o Funchal, de 8 a 11 de Maio, no Teatro Municipal Baltazar Dias, e regressa ao continente para aterrar em Loulé, de 16 a 18 de Maio, no Cine-Teatro Louletano. Depois de passar por várias cidades portuguesas a 8 ½ segue viagem para outros países lusófonos em datas e locais a anunciar.


O cartaz da 7ª edição da 8 ½ Festa do Cinema Italiano remete para o ambiente familiar all'italiana da década de 50 - com fotografia de Joana Linda e design de Sérgio Neves, responsável pela identidade gráfica do 8 ½ - e é protagonizado por membros da Comunidade Italiana em Lisboa, do Instituto Italiano de Cultura e da própria equipa do festival.

Em Lisboa, os bilhetes custam 4 € (bilhete normal), 2,50 € (estudantes universitários e amigos do Instituto Italiano de Cultura) e há ainda um voucher para os filmes da Secção Competitiva, no valor de 15 €. Já no Porto, o bilhete normal são 3,50 €, os estudantes e maiores de 65 anos pagam apenas 2,50 € e para sócios do Cineclube do Porto e da ASCIP - Associazione Socio - Culturale Italiana del Portogallo o preço é de 0,50 €.

Mais novidades da 8 ½ Festa do Cinema Italiano serão anunciadas em breve.

IndieLisboa'14 regressa com o Herói Independente

A 11ª edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente terá lugar de 24 de Abril a 4 de Maio, em quatro conhecidos espaços culturais da capital: Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e Cinema City Campo Pequeno


A primeira grande novidade desta edição prende-se com o regresso da secção Herói Independente, que prestará este ano homenagem a Claire Simon. Esta secção pretende dar a conhecer o cinema que vive à margem dos circuitos comerciais, e oferecerá uma retrospectiva do trabalho da realizadora. A abrir o IndieLisboa'14 estará o seu último filme, Gare du Nord, no dia 24 de Abril, pelas 19h00, na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

O programa da secção Herói Independente mostrará seis filmes da cineasta: Gare du Nord, Géographie Humaine, Ça Brûle, Mimi, Sinon, Oui e Coûte que Coûte. No dia 29 de Abril, Claire Simon marcará presença para apresentar os seus filmes e conversar com o público.

A encerrar o IndieLisboa estará o mais recente filme de Xavier Dolan, Tom à la ferme, no dia 4 de Maio, pelas 21h30, no Grande Auditório da Culturgest.

Na secção Observatório, os novos episódios da mini-série documental de Werner HerzogOn Death Row, continuam a investigação do realizador sobre o enquadramento da pena de morte nos Estados Unidos. Johnnie To, realizador homenageado no Herói Independente em 2008, também estará de volta ao festival com a comédia Blind Detective. Também Nobody's Daughter Haewon, de Hong Sang-Soo, é outra das estreias da secção Observatório.

Mais novidades do festival serão anunciadas no dia 25 de Março.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Victor Afonso

Já Vi(vi) este Filme
Por Victor Afonso, de O Homem que Sabia Demasiado

Control (2007)

Pousei um disco no gira-discos e senti o ruído da agulha. A estática, diz-se. Estava já previamente deprimido. Mas o disco acentuou essa depressão. As melodias ecoaram, enquanto tinha o cigarro nos dedos a deitar cinza para o chão. Sempre foi assim, pelo menos enquanto era ainda muito jovem e ouvia os discos em vinil dos Joy Division: uma suave sensação de libertação apoderava-se de mim, uma poesia profunda acicatava-me os nervos. Ouvia e voltava a ouvir. Mudava o disco para o lado b e depois novamente para o lado a. Era sempre o mesmo sentimento. A música apoderava-se de mim, enquanto o meu desassossego de espírito me atormentava mais e mais. Mas ao mesmo tempo que ouvia a música no velho gira-discos, respirava melhor, sentia mais intensamente e vivia emoções e prazeres por explorar.

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Obrigada pela tua participação, Victor!

Sugestão da Semana #107

Dos filmes estreados na passada Quinta-feira, são muitas as boas razões para ir ao cinema. A Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme recai na primeira longa-metragem realizada por Valeria Golino, Mel, que já tem crítica por aqui.

MEL

Ficha Técnica:
Título Original: Miele
Realizador: Valeria Golino
Actores:  Jasmine Trinca, Carlo Cecchi, Libero De Rienzo
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 96 minutos

sexta-feira, 14 de março de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por André Vieira

Já Vi(vi) este Filme
Por André Vieira, de Cultures are not opinions e Espalha-Factos

Para compreenderem o meu caso meio lunático, é necessário explicar brevemente o que é a série Twin Peaks e a forma como a adaptação para o cinema, é uma presença assídua na minha vida. 

Twin Peaks foi uma série americana criada por Mark Frost e David Lynch, carregada de simbolismo, fenómenos estranhos e uma simplicidade impressionante devido à qualidade do enredo e ao carisma das personagens.

Após o sucesso do drama, foi planeada uma trilogia que prometia mais do mesmo - desta vez no grande ecrã - mas que resultou apenas numa longa-metragem devido à reacção nas bilheteiras.

É complicado explicar a minha ligação com o filme Twin Peaks: Os últimos dias de Laura Palmer mas tudo começou quando tinha provavelmente 14 ou 15 anos. É verdade que os sonhos são fragmentos estranhos do nosso subconsciente (que decide misturar tudo o que vivemos ou ir buscar referências a filmes, livros ou até mesmo pessoas que vemos na rua) mas o que se passou foi completamente estranho.

Por volta dessa idade comecei a ter sonhos peculiares que eram fantásticos e ao mesmo tempo um pouco aterrorizantes. Nestes sonhos, eu encontrava-me no meio de uma floresta ou num espaço vazio e, a certa altura, dava por mim num grande recinto com cortinas vermelhas e várias cadeiras. Um grave caso de paranóia. 

À medida que ia avançando, a sala preenchia-se com convidados (não me perguntem de onde) que conversavam entre si, jogavam às cartas ou simplesmente ficavam lá parados. Eram sonhos muito estranhos. E não tinham um ritmo certo. De vez em quando, dava por mim naquela sala sem saber muito bem porquê. 

Anos mais tarde, um leque de coincidências levou-me ao filme Twin Peaks: Os últimos dias de Laura Palmer. Tudo começou quando descobri uma banda chamada Blood Red Shoes de rock alternativo. Ao explorar mais sobre a banda na Internet, descobri que eram fãs de uma série chamada Twin Peaks. Sem saber do que se tratava, procurei referências. Como uma coisa leva à outra, encontrei um site que tinha os episódios da série. Curioso, decidi dar uma vista de olhos mas não me impressionou. Decidi então, tentar ver o filme e foi aí que tudo começou a fazer sentido.


A dada altura, os personagens encontram-se todos numa enorme sala com cortinas vermelhas com alguns sofás, uma estátua da Vénus de Milo e falavam entre si. No fundo, ouve-se uma música com um toque de jazz enquanto alguém estala os dedos. Este pequeno "episódio" deixou-me de queixo caído. Era praticamente igual ao meu sonho. As cortinas, os indivíduos a falar, o surrealismo.

Coincidências a mais, não acham? Uma das coisas que não existia no meu sonho era o padrão do chão. Acontece que uns dias mais tarde após ver o filme, comecei a ver aquele chão aos ziguezagues em várias ocasiões. Era uma presença assídua na série e ainda aparecia, muito discretamente, em várias longa-metragens do David Lynch. Para além disto, a localização do filme é idêntica a um dos meus destinos de férias preferidos, como vão perceber mais a frente.

Já concluída a visualização da série e da longa-metragem, fui, nesse ano, de férias para o mesmo destino de sempre - Ferreirós do Dão, uma pequena aldeia que pertence ao concelho de Tondela. Qual não é o meu espanto, quando me dá uma clara sensação de "Hey... Eu já vi(vi) este filme". A floresta quase engolia aquela povoação milenária. Uma clara sensação de deja-vú atravessou-me a mente quando, um dia, decidi fazer uma caminhada com uns amigos. A aldeia assemelhava-se demasiado à cidade de Twin Peaks. À noite, uma sensação de pavor invade Ferreiros do Dão. É o cenário quase perfeito para filmes de terror. Não se vê ninguém na rua por volta das nove da noite, os candeeiros estão praticamente todos arruinados e emitem uma luz agitada e uma calma enorme atravessa a aldeia tal como no filme. Além de tudo isto, as coincidências não acabam aqui. Existe ainda uma pequena cascata como na cidade de Twin Peaks.


Paranóia ou não, são factos demasiado semelhantes e complicados de explicar. É como se o mundo do filme estivesse sempre à frente dos meus olhos e só agora é que comecei a perceber isso. Mesmo assim, espero um dia visitar a verdadeira localização das filmagens e ver onde é que isso me leva...

Premonição ou coincidência? Vocês decidem.

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Obrigada pela tua participação, André!