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domingo, 27 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: Vencedores

O Doclisboa anunciou os vencedores da sua 22.ª edição na cerimónia de encerramento, este Sábado à noite. The Shards, de Masha Chernaya, As Noites ainda cheiram a Pólvora, de Inadelso Cossa, e Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, foram alguns dos filmes premiados este ano.

Eis a lista completa de vencedores:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

GRANDE PRÉMIO CIDADE DE LISBOA PARA MELHOR FILME DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

The Shards / Oskolky, de Masha Chernaya

2024 Georgia, Alemanha, 90’


PRÉMIO CUPRA DO JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL  - ex aequo

Fire Supply, de Lucía Seles

2024, Argentina,158’


The Anchor / L’Ancre, de Jen Debauche

2024, Bélgica, 61’


PRÉMIO REVELAÇÃO CANAIS TVCINE

The Anchor / L’Ancre, de Jen Debauche

2024, Bélgica, 61’


Menção Honrosa

Dad’s Lullaby / Tatova Kolyskova, de Lesia Diak

2024, Ucrânia, Roménia, Croácia, 79’


COMPETIÇÃO PORTUGUESA 

PRÉMIO ESCOLA

I Am Here / Estou Aqui, de Zsófia Paczolay, Dorian Rivière

2024, Portugal, 79’


PRÉMIO SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES DO JÚRI DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

The Nights Still Smell of Gunpowder / As Noites ainda cheiram a Pólvora, de Inadelso Cossa

2024, Moçambique, Alemanha, França, Portugal, Países Baixos, Noruega, 93’


PRÉMIO MAX PARA MELHOR FILME DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

The Palace of Citizens / O Palácio de Cidadãos, de Rui Pires

2024, Portugal, 133’


PRÉMIOS DO PÚBLICO

PRÉMIO LEGAL PARTNERS DIREITOS E LIBERDADES 

PRÉMIO DOCLISBOA

For You, Portugal, I Swear / Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues, Diogo Cardoso

2024, Portugal, 98’


PRÉMIO OSHA

Favoriten, de Ruth Beckermann

2024, Áustria,118’


Menção honrosa

Boolean Vivarium, de Nicolas Bailleul

2024, France, 57'


PRÉMIO INATEL

The Falling Sky / A Queda do Céu, de Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha

2024, Brasil, Itália, 109’  


Toda a informação sobre o Doclisboa em https://doclisboa.org/2024/.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: Por ti, Portugal, eu juro! (2024)

*7/10*

Na secção Da Terra à Lua do Doclisboa 2024, encontra-se o documentário Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, filme baseado na reportagem multimédia homónima da DIVERGENTE.

"Durante a Guerra Colonial, milhares de africanos combateram ao lado das Forças Armadas Portuguesas e arriscaram a vida por uma pátria que acreditavam ser a sua. Depois do 25 de Abril, quando Portugal se retirou dos territórios que ocupava em África, estes militares foram deixados para trás. Cinquenta anos depois, contam, pela primeira vez, a sua história e acusam o Estado português de abandono e traição."

A partir dos testemunhos de alguns homens que fizeram parte dos Comandos Africanos da Guiné - uma tropa de elite do exército português -, criados pelo então Governador António de Spínola, tendo combatido por Portugal durante a Guerra Colonial, constrói-se uma parte da História, tão poucas vezes falada. A estas declarações, sentidas e sofridas - muitos nunca tinham falado sobre a experiência na guerra e da luta nos anos que se seguiram -, juntam-se imagens de arquivo da época.

Fica o registo histórico de um momento terrível para tantos, mas, igualmente, o espelho da mágoa e dos terrores que nunca deixaram de assombrar estes ex-soldados. Foram obrigados a combater por Portugal e Portugal abandonou-os à sua sorte, perseguidos pelo PAIGC, e sem as pensões de sangue e invalidez que lhes foram prometidas. As promessas foram caindo por terra com a aprovação de novas leis, que anularam as anteriores, e estes homens viram as suas vidas arruinadas por uma guerra em que embarcaram, apesar praticamente a desconhecerem.

Por ti, Portugal, eu juro! faz, inevitavelmente, reflectir sobre o polémico tema das reparações às ex-colónias. Uma obra dura e real sobre o que nunca vem nos livros de História da escola.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: De 17 a 27 de Outubro, com filmes de Syberberg, Radu Jude, Andrei Ujică ou Harmony Korine

O Doclisboa acontece entre 17 e 27 de Outubro na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Casa do Comum do Bairro Alto, com filmes de Syberberg, Radu Jude, Andrei Ujică ou Harmony Korine, entre outros. Esta 22.ª edição do festival é dedicada a Augusto M. Seabra, recentemente falecido.

A abrir o Doclisboa está Sempre, de Luciana Fina. O filme é construído a partir dos arquivos cinematográficos da Cinemateca Portuguesa que convidou Luciana Fina para conceber uma instalação por ocasião da celebração dos 50 anos do 25 de Abril. O filme de encerramento do festival será O Dia que te conheci, de André Novais Oliveira.

A Competição Internacional deste ano conta com 12 filmes, entre eles: Aparição, de Camila FreitasEn vez de árboles, de Philipp HartmannLes Loups, de Isabelle Prim; ou Tales from the Source, de Léonard Pongo. Na Competição Portuguesa, há dez obras a concurso. Entre elas, destaque para: Espiral em Ressonância, de Filipa César e Marinho de Pina; Na Trafaria, de Pedro Florêncio; O Palácio de Cidadãos, de Rui Pires; e Sob a Chama da Candeia, de André Gil Mata.

Riscos

A secção Riscos os mais recentes filmes de Andrei Ujică, Hans-Jürgen Syberberg, Radu Jude e Harmony Korine. O realizador convidado deste ano é o francês Pierre Creton (Go, Toto!, 7 Walks with Mark Brown), numa programação que vai da "relação com o mundo natural que convocam os filmes deste cineasta-agricultor de grande sensibilidade, ele próprio retratado noutro filme desta secção, I Am Pierre Creton, Normand and Filmmaker, de Dominique Auvray; e os mundos virtuais e distópicos dos trabalhos de Phil Solomon (Still Raining, Still Dreaming, Rehearsals from Retirement) que transforma as paisagens do jogo Grand Theft Auto ou de Korine e Aggro Dr1ft, peça de grande inventiva formal que é também um conto de violência e redenção à maneira de uma sala de jogos multiplayer", explica a organização do festival em comunicado.

Aggro Dr1ft, de Harmony Korine

Nos Riscos encontra-se ainda "fixação de Andrei Ujică pela viagem dos Beatles a Nova Iorque em 1965 e a perplexidade perante a paisagem social americana, passada e presente, em TWST — Things We Said Today"; Eight Postcards From Utopia, de Radu Jude, "filme-montagem que colige material de anúncios publicitários pós-socialistas na Roménia"; Hans-Jürgen Syberberg que regressa 30 anos depois do seu último trabalho com o filme Demmin Cantos, filme sobre a cidade de Demmin, no nordeste da Alemanha, "onde o realizador nasceu e que foi palco de um dos maiores suicídios em massa no pós-Segunda Guerra Mundial". O realizador estará no Doclisboa, que mostra ainda Ludwig. Requiem for a Virgin King (1972), integrado na retrospectiva Back to the Future, com curadoria de Jean-Pierre Rehm.

No ano do desaparecimento de Augusto M. Seabra, alguém fundamental para a história do Doclisboa e da secção Riscos, o festival "dedica-lhe esta edição e exibe um dos primeiros filmes por si programados para os Riscos: Compilations, 12 instants d’amour non partagé, de Frank Beauvais, obra onde convivem pequenos gestos de amor e música. A sessão, nomeada Exórdio, está agendada para 20 de Outubro, às 15h30, na Culturgest, e terá entrada gratuita mediante levantamento de bilhete no próprio dia".

Daniel Hui regressa ao festival para apresentar o seu novo trabalho: Small Hours of the Night, sobre a Singapura dos anos 1960 e os seus fantasmas políticos. O filme está em linha directa com outro da programação: If I Fall, Don’t Pick Me Up, de Declan Clarke, que explora a correspondência de década e meia entre Samuel Beckett e o encenador Walter. D Asmus.

Da Terra à Lua

Na secção Da Terra à Lua, destaque para duas cópias restauradas: Um é Pouco, Dois é Bom (1970), de Odion Lopes, pioneiro do cinema negro; e El Castillo de la Pureza, do mexicano Arturo Ripstein, além de Lázaro at Night, de Nicolás Pereda.

Destaque, nesta secção, para: Der Soldat Monika, de Paul Poet; Henry Fonda for President, de Alexander Horwarth; Lula, de Oliver Stone e Rob Wilson; The Invasion, de Sergei Loznitsa; Favoriten, de Ruth Beckermann; Subject: Filmmaking, de Edgar Reitz e Jörg Adolph; Dahomey, de Mati Diop; Dad’s Lullaby, de Lesia Diak; ou In Limbo, de Alina Maksimenko

Lula, de Oliver Stone e Rob Wilson

Há dois filmes portugueses nesta secção: Por Ti, Portugal, Eu Juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, onde a "Guerra Colonial é reinterpretada com testemunhos de antigos soldados guineenses, recrutados para combater ao lado das Forças Armadas portuguesas, posteriormente abandonados pelo país por que combateram e expostos a perseguições e fuzilamentos, acusados de traição na sua terra natal"; e Kora, de Cláudia Varejão, "oferece o retrato fotográfico como porta de entrada à memória, com cinco mulheres que, refugiadas no nosso país, vivem entre aquilo de que fugiram e um futuro de incertezas".

Da Terra à Lua apresentará ainda uma sessão dedicada à guerra no Médio Oriente e ao massacre em curso do povo palestino, com Here and Elsewhere (1976), de Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin e Anne-Marie Miéville, e The Palestinians (1975), de Johan van der Keuken.

Heart Beat

Na secção Heart Beat, encontra-se Peaches Goes Bananas, de Marie Losier, que abre a programação com uma viagem ao backstage da artista electropunkDevo, de Chris Smith, "retrata a carreira quinquagenária da banda synth-pop americana, pioneira na música e no videoclipe, através de entrevistas e imagens de arquivo"; e Before It's Too Late, de Mathieu Amalric, segue de perto o Emerson String Quartet durante a gravação do seu último álbum, Infinite Voyage, após 47 anos de carreira. 

Na mesma secção, destaque para  Blur: To the End, de Toby L."acompanha a nova reunião da banda de culto liderada por Damon Albarn, e a gravação e concertos do seu mais recente álbum, The Ballad of Darren"Pavements, de Alex Ross Perry"mostra a banda indie rock Pavement a preparar-se para a sua reunion tour esgotada de 2022, enquanto acompanha a criação de um musical baseado nas suas canções."Diário de Estrada: Bruce Springsteen e The E Street Band, de Thom Zimny"cruza imagens de ensaios, momentos de backstage e testemunhos de um dos reis do rock" - o Doclisboa exibe o documentário dias antes da sua chegada à plataforma Disney+, a 25 de Outubro -; e Luiz Melodia — No Coração do Brasil, de Alessandra Dorgan, sobre a vida e o trabalho do cantor e compositor carioca, narrada na primeira pessoa.

Também o cinema está em foco no Heart BeatMiyazaki, Spirit of Nature, de Léo Favier, sobre o realizador japonês, com enfoque nos valores ecologistas que guiaram a sua carreira; Jacques Demy, the Pink and the Black, de Florence Platarets e Frédéric BonnaudFrançois Truffaut, My Life, a Screenplay, de David Teboul"revela arquivos e imagens inéditas do mestre francês numa viagem com o seu velho confidente Claude de Givray meses antes de morrer"Looking for Robert, de Richard Copans, entra no universo do realizador Robert Kramer, com quem Copans trabalhou durante 20 anos.

Peaches Goes Bananas, de Marie Losier

Ainda no Heart Beat, encontra-se High & Low — John Galliano, de Kevin Macdonald, que apresenta o mundo do designer de moda John Galliano, conta com entrevistas ao estilista e a nomes como Naomi CampbellKate Moss Anna WintourGuido Guidi Lives in Hiding, de Paulo Catrica, que vai à pequena cidade de Cesena, casa do fotógrafo que dá título ao filme e que, há mais de 40 anos,  "fotografa com um olhar distinto as coisas comuns, enquanto vai construindo um arquivo que é o retrato de uma Itália rural e suburbana"Ricardo Aleixo: Afro-Atlântico, de Rodrigo Lopes de Barros, onde "o realizador experimenta com diferentes formas de gravação de vídeo e serve-se dos poemas, da voz e do corpo do autor brasileiro para explorar a sua condição periférica e afro-brasileira"

Entre os filmes portugueses, destaque para a estreia mundial de O Voo do Crocodilo — O Timor de Ruy Cinatti, de Fernando Vendrell"sobre a relação — afectiva, etnográfica, artística — que Cinatti desenvolveu com esse país distante e que acabou por definir o curso da sua vida". Há ainda dois filmes feitos por pai e filho: Ressaca Bailada — Filme Concerto, realizado por um dos guitarristas dos Expresso TransatlânticoSebastião Varela"é a transposição visual de uma narrativa de muitos formatos rodada num castelo em ruínas, com personagens que deambulam ao som das faixas do álbum Ressaca Bailada, num movimento de celebração e questionamento da tradição cultural portuguesa"; e  O Diabo do Entrudo, de Diogo Varela Silva, foca-se numa das "mais antigas tradições de Carnaval em Portugal, o Entrudo de Lazarim, e a tudo o que envolve os Caretos, desde a elaboração das suas máscaras e trajes às dinâmicas de género geradas pela tradição e passadas entre gerações".

Por fim, Turn in the Wound, de Abel Ferrara, com Patti Smith Soundwalk Collective"mostra a guerra contada na primeira pessoa por gente comum, numa carta visual e musical de apoio ao povo ucraniano"

De regresso está a secção competitiva Verdes Anos, revelando novos talentos, o Nebulae, espaço de indústria do festival, apresenta Espanha como país convidado, e o projecto educativo abcDoc, que aposta na força do documentário como ferramenta pedagógica.

Todos os detalhes sobe o Doclisboa podem ser consultados em em doclisboa.org.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Doclisboa 2024 e Cinemateca Portuguesa apresentam Retrospectiva de Paul Leduc

O Doclisboa, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, apresenta uma retrospectiva da obra do realizador mexicano Paul Leduc (1943-2020), e terá lugar durante a 22.ª edição do festival, de 17 a 27 de Outubro.

A retrospectiva terá por título Uma Dança para a Música do Tempo, conta com o apoio do FICUNAM e da Embaixada do México, e será a maior retrospectiva dedicada a Paul Leduc, realizada fora do seu país natal e a primeira no continente europeu. 

¿Cómo ves? (1986), de Paul Leduc

Para dia 5 de Julho, às 21h45, está agendada uma sessão de antecipação na Esplanada da Cinemateca, com a exibição de ¿Cómo ves?, retrato "quase documental sobre a vida dos jovens num dos bairros mais pobres da Cidade do México, em que não há protagonistas mas antes um fresco de micro-histórias, por vezes abstratas, que de uma forma quase irreconhecível se inspiram em textos de vários escritores, incluindo alguns autores seminais como José Agustín e José Revueltas. Estes fragmentos são colados por actuações ao vivo de bandas de rock e músicos mexicanos", refere o Doclisboa em comunicado.

"Paul Leduc é um nome de referência do cinema independente mexicano da década de 1970, cujo trabalho tem vindo a ser descoberto fora de portas ao longo dos últimos anos graças ao trabalho da Filmoteca da Universidade Nacional Autónoma do México. Autor de uma obra variada, Leduc retratou através dos seus filmes as grandes alterações políticas e socioculturais do seu país de origem na segunda metade do século XX e princípio do século XXI, assim como temas centrais para compreender a História da América Latina durante esse período: desde a herança da revolução mexicana às lutas dos camponeses contra a opressão dos caciques locais, passando pelas várias revoluções da América Latina e as consequências da globalização e das políticas neoliberais que assolaram o continente. No seu cinema, Leduc quis sempre levar aos limites as linguagens cinematográficas mais convencionais, cruzando elementos do documentarismo, poesia, dança, música e magia, resultando esse trabalho numa linguagem única, vanguardista e independente", acrescenta. 

Em Outubro, o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa convidam à descoberta da sua obra, numa retrospectiva com curadoria de Boris Nelepo, programador do Doclisboa.

Mais informações em doclisboa.org.