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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Doclisboa 2025 e Cinemateca Portuguesa apresentam Retrospectiva dedicada a William Greaves

O Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa apresentam, em Outubro, uma retrospectiva dedicada ao cineasta norte-americano William Greaves (1926–2014).

Nationtime (1972), William Greaves | Cartaz: Pedro Nora

Figura notável do cinema documental e experimental afro-americano, a obra de William Greaves reflecte um compromisso com a justiça social, a memória histórica e a liberdade. A retrospectiva que o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa lhe dedicam é co-programada em conjunto com Scott MacDonald, um dos autores do livro William Greaves: Filmmaking as Mission, e oferece um olhar singular e revelador sobre o trabalho do actor, realizador, produtor e editor, e sobre o seu país, os Estados Unidos da América.

A Sessão de Antecipação da retrospectiva acontecerá, na esplanada da Cinemateca, a 4 de Julho, com a projecção do filme In the Company of Men (1969), um exercício psicodramático com trabalhadores negros e gestores brancos no Sul dos EUA. O programa completo dedicado a Greaves poderá ser descoberto de 16 a 26 de Outubro, no Doclisboa.

O cineasta começou a sua carreira nas artes performativas, antes de compreender “o poder do documentário como ferramenta de transformação social”, refere Scott MacDonald. Sem oportunidades para estudar realização documental nos EUA, mudou-se para o Canadá, e estudou no National Film Board. Regressa mais tarde ao seu país para criar a William Greaves Productions com a sua companheira, Louise Archambault Greaves.

Produziu, com um orçamento sempre reduzido, notícias para a US Information Agency, tendo sido produtor executivo e co-apresentador do Black Journal, episódios 1 – 24 (1968 – 1970), o primeiro programa de notícias transmitido por todo o país com foco na vida dos cidadãos afro-americanos. Greaves e o seu filho, David, documentaram ainda o primeiro combate entre Muhammad Ali e Joe Frazier, em Dezembro de 1970, que resultou no filme The Fight (1973).

O Doclisboa 2025 e a Cinemateca Portuguesa vão exibir, além dos já mencionados, filmes como The First World Festival of Negro Arts (1966), Space for Women (1981) e o filme-ensaio Symbiopsychotaxiplasm: Take One (1968), entre muitos outros.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Doclisboa 2024 e Cinemateca Portuguesa apresentam Retrospectiva de Paul Leduc

O Doclisboa, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, apresenta uma retrospectiva da obra do realizador mexicano Paul Leduc (1943-2020), e terá lugar durante a 22.ª edição do festival, de 17 a 27 de Outubro.

A retrospectiva terá por título Uma Dança para a Música do Tempo, conta com o apoio do FICUNAM e da Embaixada do México, e será a maior retrospectiva dedicada a Paul Leduc, realizada fora do seu país natal e a primeira no continente europeu. 

¿Cómo ves? (1986), de Paul Leduc

Para dia 5 de Julho, às 21h45, está agendada uma sessão de antecipação na Esplanada da Cinemateca, com a exibição de ¿Cómo ves?, retrato "quase documental sobre a vida dos jovens num dos bairros mais pobres da Cidade do México, em que não há protagonistas mas antes um fresco de micro-histórias, por vezes abstratas, que de uma forma quase irreconhecível se inspiram em textos de vários escritores, incluindo alguns autores seminais como José Agustín e José Revueltas. Estes fragmentos são colados por actuações ao vivo de bandas de rock e músicos mexicanos", refere o Doclisboa em comunicado.

"Paul Leduc é um nome de referência do cinema independente mexicano da década de 1970, cujo trabalho tem vindo a ser descoberto fora de portas ao longo dos últimos anos graças ao trabalho da Filmoteca da Universidade Nacional Autónoma do México. Autor de uma obra variada, Leduc retratou através dos seus filmes as grandes alterações políticas e socioculturais do seu país de origem na segunda metade do século XX e princípio do século XXI, assim como temas centrais para compreender a História da América Latina durante esse período: desde a herança da revolução mexicana às lutas dos camponeses contra a opressão dos caciques locais, passando pelas várias revoluções da América Latina e as consequências da globalização e das políticas neoliberais que assolaram o continente. No seu cinema, Leduc quis sempre levar aos limites as linguagens cinematográficas mais convencionais, cruzando elementos do documentarismo, poesia, dança, música e magia, resultando esse trabalho numa linguagem única, vanguardista e independente", acrescenta. 

Em Outubro, o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa convidam à descoberta da sua obra, numa retrospectiva com curadoria de Boris Nelepo, programador do Doclisboa.

Mais informações em doclisboa.org.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

'O Cinema da Estónia: Um Ninho ao Vento' na Cinemateca Portuguesa de 14 a 26 de Abril

A Cinemateca Portuguesa recebe uma retrospectiva alargada do cinema da Estónia, intitulada O Cinema da Estónia: Um Ninho ao Vento, de 14 a 26 de Abril.

O ciclo O Cinema da Estónia: Um Ninho ao Vento (em referência à obra de Olav Neuland, a exibir neste programa) "revela a longevidade deste rico legado cultural, que celebrou 110 anos de existência em 2022". Pela primeira vez, poderá ser visto "um conjunto de filmes realizados entre as décadas de 60 e 80 que começa no período da 'escola nacional do cinema', após o fim da era estalinista, marcada pela imposição do realismo socialista na cinematografia estónia"

Esta retrospectiva mostra curtas e longas-metragens "que abordam, por um lado, as preocupações políticas deste cinema, crítico do regime comunista em obras como" POSTMARK/Carimbo Postal de Viena, HULLUMEELSUS/Loucura, ou MAN OF KIHNU/Homem de Kihnu, "mas também o lado mais saudoso" de KEVADE/Primavera, "filme semiautobiográfico que é uma das obras maiores do cinema do país", (cuja primeira sessão, no dia 14 de Abril, marcará a abertura do ciclo) ou a ficção científica de HUKKUNUD ALPINISTI HOTELL/O Hotel do Alpinista Morto. Serão exibidos um total de 22 filmes, incluindo seis curtas e uma longa-metragem de animação, a exibir na Cinemateca Júnior.

Todos os filmes serão apresentados em cópias digitais e são estreias absolutas na Cinemateca, numa colaboração com o Estonian Film Institute e o apoio da Embaixada da Estónia em Lisboa.

Outro destaque da programação será a conferência dedicada ao cinema da Estónia e às suas implicações sociopolíticas durante a era soviética - Negociando a Nação: Indústria e Imagem do Cinema Estónio Durante a Era Soviética (1940/1944-1991) - , que acontece no dia 15 de Abril pelas 18h00, por Eva Naripea, historiadora de cinema do país e actual directora da Cinemateca de Tallin.

Mais informações sobre este ciclo no site da Cinemateca Portuguesa.

Ao cinema da Estónia, Abril continuará com uma retrospectiva dedicada ao realizador e mestre da animação checa, Jan Švankmajer, numa colaboração da Cinemateca com o IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema, e que se estenderá até à primeira semana de Maio. 

domingo, 6 de novembro de 2022

Retrospectiva 'O Cinema Clássico de Dorothy Arzner' em Dezembro na Cinemateca Portuguesa

A Cinemateca Portuguesa apresenta a retrospectiva O Cinema Clássico de Dorothy Arzner, de 6 a 29 de Dezembro.

Esta que será a última retrospetiva de 2022 dará a conhecer a obra da cineasta americana Dorothy Arzner (1897-1979), "realizada entre finais dos anos 1920 e inícios dos 1940 em contracorrente, mas no seio do cânone de Hollywood que nas décadas posteriores a ignorou". Serão apresentadas 13 longas-metragens, restauradas e crescentemente divulgadas em anos recentes.

Em 1933, Dorothy Arzner foi a primeira mulher a integrar o Directors Guild of America e a única realizadora mulher a filmar regularmente nos estúdios de Hollywood durante a “idade de ouro”. Com muita experiência como argumentista e montadora, "Arzner teve de forçar a sua passagem à realização na Paramount, distinguindo-se pelo domínio do ofício, o talento para descobrir actores e actrizes que haviam de tornar-se grandes estrelas (entre os quais Fredric March, Clara Bow, Katharine Hepburn ou Joan Crawford) ou uma iniludível originalidade de perspectiva. Reconhecida pela sua personalidade vincada e por estar sempre 'à frente do seu tempo', assinou filmes marcados pela abordagem da experiência feminina e da sexualidade, questionando costumes, convenções e estereótipos".

Reunindo a obra actualmente existente da cineasta, as 13 longas-metragens, de Get Your Man, 1927, a First Comes Courage, 1943, a retrospetiva inclui ainda três outros títulos: The Red Kimona (Walter Lang, 1925, com a participação de Arzner como argumentista); o colectivo Paramount on Parade (1930, em que um dos segmentos é assinado por Arzner); o documentário alemão sobre a realizadora Sehnsucht Nach Frauen: Dorothy Arzner (Katja Raganelli, Konrad Wickler, 1983).

TÍTULOS PROGRAMADOS | RETROSPETIVA DOROTHY ARZNER, CINEMATECA, DEZEMBRO 2022

Get Your Man / À Procura de Um Noivo, prod. Paramount-Famous Players Lasky, 1927

The Wild Party / Louca Orgia, prod. Paramount-Famous Players Lasky, 1929

Sarah and Son, prod. Paramount-Famous Players Lasky, 1930

Anybody’s Woman, prod. Paramount, 1930

Honor Among Lovers / Honra de Amantes, prod. Paramount, 1931

Working Girls, prod. Paramount, 1931

Merrily We Go to Hell / Quando a Mulher se Opõe, prod. Paramount, 1932

Christopher Strong / O Que Faz o Amor, prod. RKO, 1933

Nana, prod. United Artists, 1934

Craig’s Wife / Egoísmo de Mulher, prod. Columbia, 1936

The Bride Wore Red / A Noiva de Vermelho, prod. MGM, 1937

Dance, Girl, Dance / Dança, Rapariga, Dança, prod. RKO, 1940

First Comes Courage / Crepúsculo Sangrento, prod. Columbia, 1943

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The Red Kimona, Walter Lang, prod. Mrs. Wallace Reid Productions, 1925 / Arzner participa na adaptação do argumento

Paramount on Parade / Paramount em Gala, 1930 co/r: Otto Brower, Edmund Goulding, Victor Heerman, Edwin Knopt, Rowland V. Lee, Ernst Lubitsch, Lothar Mendes, Victor Schertzinger, Edward Sutherland, Frank Tuttle, prod. Paramount, 1930 / Arzner realiza a sequência The Gallows Song – Nichavo

Sehnsucht Nach Frauen: Dorothy Arzner / Longing for Women: Dorothy Arzner, Katja Raganelli, Konrad Wickler, 1983 / documentário

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Doclisboa e Cinemateca Portuguesa apresentam retrospectiva de Carlos Reichenbach e há sessão de antevisão a 1 de Julho

A obra do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach será alvo de uma retrospetiva integral em Outubro, numa parceria entre o Doclisboa 2022 e a Cinemateca Portuguesa, que vai revelar uma filmografia de cinco décadas, com vários filmes nunca antes mostrados fora do Brasil. 

Sangue Corsário, Carlos Reichenbach

A obra do realizador brasileiro junta-se à já anunciada retrospectiva A Questão Colonial. Para assinalar as duas retrospectivas, no dia 1 de Julho, às 21h45, o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa vão apresentar uma sessão de antevisão, com a exibição de duas curtas do realizador brasileiro: Sangue Corsário Sonhos de Vida, e ainda Cabascabo, o primeiro filme realizado pelo cineasta nigerense Oumarou Ganda. As sessões acontecem na esplanada da Cinemateca.

Reichenbach foi um dos protagonistas do Cinema Marginal, importante movimento do cinema brasileiro, a par do Cinema Novo, nascido nos anos 60, em plena ditadura militar, no centro do bairro Boca do Lixo, São Paulo, como resposta à instabilidade vivida no país. Da filmografia do cineasta destacam-se títulos como Lilian M. (1974), Amor, Palavra Prostituta (1981), O Império do Desejo (1980), Filme Demência (1985), Anjos do Arrabalde (1987), e Alma Corsária (1994).

Carlos Reichenbach explorou géneros e estéticas tão distintas como o thriller, o pornográfico ou o experimental, "criando uma heterogeneidade estilística essencial para preservar a liberdade criativa face às condições sociopolíticas e económicas que enfrentava, colocando o cinema como um gesto de revolta contra o mundo estabelecido".

SESSÃO DE ANTEVISÃO DAS RETROSPECTIVAS

1 JULHO, 21H45 | ESPLANADA DA CINEMATECA PORTUGUESA

Sangue Corsário, de Carlos Reichenbach

Brasil, 1980, 10’

"Deambulando por São Paulo, dois antigos amigos encontram-se. Viveram juntos os loucos e psicadélicos anos 1960, mas as mudanças económicas e políticas das décadas seguintes afastaram-nos por caminhos de vida diferentes. Um continua a ser poeta, o outro é agora bancário. Homenagem à contracultura brasileira e à poesia de Orlando Parolini, actor em vários filmes de Reichenbach."


Sonhos de Vida, de Carlos Reichenbach

Brasil, 1979, 10’

"Duas operárias da periferia de São Paulo, interpretadas pelas musas da Boca do Lixo Patrícia Scalvi e Misaki Tanaka, decidem procurar alguma diversão mesmo com o pouco dinheiro que têm. Primeiro filme de Carlos Reichenbach que retrata o universo das mulheres operárias brasileiras, tema depois recorrente na sua obra."


Cabascabo, de Oumarou Ganda

França, Níger, 1969, 45’

"Oumarou Ganda, o Edward G. Robinson de Eu, um Negro, assina, dez anos mais tarde, este seu primeiro filme, obra seminal do cinema nigerense. Cabascabo, escrito, realizado e interpretado por Ganda, inspira-se na sua história pessoal de antigo combatente da Infantaria francesa na Guerra da Indochina. Num tom tragicómico, seguimos as desventuras de Cabascabo, que dilapida o seu soldo enquanto tenta encontrar o seu lugar na vida civil."

O Doclisboa 2022 acontece de 6 a 16 de Outubro. Mais informações no site do festival e no  site da Cinemateca Portuguesa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

IndieLisboa 2022: Doris Wishman em Retrospectiva

O IndieLisboa 2022 anunciou uma retrospectiva da obra da realizadora Doris Wishman.

"Doris Wishman (1912-2002) passou meio século na vanguarda da má reputação, tornando explícito com o seu cinema aquilo que não era permitido à imagem. Autodidata, Wishman construiu sozinha a sua carreira, produzindo, realizando e montando a maior parte dos filmes que compõem a sua filmografia, e que serão apresentados em conjunto com a Cinemateca Portuguesa já na próxima edição do festival", foi anunciado em comunicado.

"Estreou-se em 1960 e tornou-se pioneira da sexploitation feminina no cinema ao longo da década. Começou por produzir os chamados nudie cuties, dos quais se destaca Nude on the Moon (1961), uma longa-metragem de fantasia científica que leva dois astronautas a descobrir uma colónia de nudistas na lua. Mas o crescente desinteresse do público pelo estilo fez com que a cineasta mudasse o rumo do seu cinema e seguisse o caminho dos roughies, um subgénero popular à época que combinava desejo e violência, e que em Wishman acabou por denunciar um olhar sobre o que significa ser mulher. Com o frenético Bad Girls Go to Hell (1965), a sua obra-prima por excelência, hostilidade para com as mulheres e tentações pervertidas tornaram-se temas recorrentes. Audaciosamente eróticos e de carácter protofeminista, fazem ainda parte da sua lista de filmes mais conhecidos os títulos Deadly Weapons (1974), Double Agent 73 (1974), ou o semi-documentário Let Me Die a Woman (1978)."

Afastou-se da indústria cinematográfica na década de 1980, e a artista Peggy Ahwesh reencontrou-a em Miami, em 1994, a trabalhar numa sex shop. Na sua zine The Films of Doris Wishman, Ahwesh descreve a realizadora como uma “mulher obcecada com os temas do estatuto social e liberdade feminina, o drama contemporâneo do medo, desconfiança e o desafio entre os sexos”. Peggy Ahwesh marcará presença no IndieLisboa, para acompanhar a retrospectiva Sem-Vergonha, ou o Cinema de Doris.

O IndieLisboa regressa de 28 de Abril a 8 de Maio, no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal.

Mais informações em https://indielisboa.com/.

domingo, 14 de novembro de 2021

Cinemateca Portuguesa apresenta Retrospectiva de Allan Dwan de 2 de Dezembro a 31 de Janeiro

A Cinemateca Portuguesa recebe a maior retrospectiva de sempre dedicada a Allan Dwan, um dos mais prolíficos realizadores da História do Cinema, de 2 de Dezembro de 2021 a 31 de Janeiro de 2022.

The River's Edge

Serão 60 os títulos que compõem esta retrospectiva, a mais extensa da obra de Dwan (que algumas fontes creditam como tendo sido autor de cerca de 1600 títulos) realizada em qualquer parte do mundo até à data, representando todas as fases do seu trabalho, e "acompanhada por uma pequena edição dedicada ao cineasta, a primeira de uma nova colecção da Cinemateca de cadernos de apoio a ciclos de autores estrangeiros ou temas do cinema internacional".

A carreira de Allan Dwan teve início na década de 1910, "com filmes de uma bobina feitos ao ritmo de três por semana, segundo o próprio afirmava, que se estendeu até ao início dos anos 1960, data de estreia do seu último filme The Most Dangerous Man Alive"