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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Crítica: Valor Sentimental / Sentimental Value (2025)

"You two are the best thing that's ever happened to me."
Gustav Borg


*9/10*

Valor Sentimental é, até ver, a obra maior de Joachim Trier. Segue a linha melancólica dos seus filmes, que encaram o drama com um toque de humor, e, depois de A Pior Pessoa do Mundo (uma espécie de jovem adulto com medo de crescer), a sua última longa-metragem atingiu a maturidade da filmografia do cineasta norueguês.

Após anos de ausência, as irmãs Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e Nora (Renate Reinsve) reencontram o pai, Gustav (Stellan Skarsgård), um conhecido realizador. Gustav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme, mas ela recusa. Magoado, Gustav entrega o papel a uma jovem estrela de Hollywood, Rachel (Elle Fanning), despertando antigas feridas e tensões familiares.

É a partir da Casa da família, testemunha de gerações, que a história de pai e filhas é apresentada. Ela, que acompanhou mortes e nascimentos, ressurge e ganha uma nova vida com o regresso de Gustav e da ideia que tem para o seu novo filme.


Valor Sentimental é um mergulho profundo na complexidade das relações familiares, um drama terno, apesar de carregado de ressentimentos. Joachim Trier filma a redenção e a consciência do envelhecimento. Capta os esforços de reconciliação, mesmo que não se saiba bem como agir; as explosões de raiva, a mágoa que se construiu por cima do que ficou por dizer.

A psicologia das relações humanas não é fácil de entender e, aos poucos, as personagens vão abrindo o coração à plateia, entre traumas e desilusões. Entre as irmãs, magoadas pela ausência do pai no seu crescimento, guardam-se segredos. Há um passado pesado que moldou a personalidade de cada uma e que faz com que haja uma extrema necessidade de protecção entre elas. Renate Reinsve (colaboradora habitual do realizador) e Inga Ibsdotter Lilleaas são extraordinárias, tão diferentes e tão reais.


E eis que Gustav deverá ser o papel da vida de Stellan Skarsgård, a consagração do seu talento. A fragilidade da idade contrasta com o orgulho e teimosia que definem a sua personalidade. Este homem seguro e sedutor depara-se finalmente com quem lhe faz frente - as filhas. É aí que começa a consciência de que o tempo passou e que a idade limita o corpo e os instantes que restam para corrigir os erros. A necessidade de redenção é urgente.

A melancolia de Trier percorre Valor Sentimental nas cores (com uma direcção de fotografia que tira o melhor partido da película de 35mm), no argumento (mesmo que alguns momentos sejam ligeiramente previsíveis), nos planos, nas personagens... Há silêncios, tempo para respirar, num convite à introspecção, à mesma autodescoberta que se vê nas personagens.


Visualmente belíssimo, Valor Sentimental é tão emocionalmente intenso, que é com ele que Joachim Trier mostra como o seu cinema se está a tornar adulto e cheio de personalidade. E cada vez mais próximo do público.

terça-feira, 4 de março de 2025

Oscars 2025: Red Carpet

Depois da entrega das estatuetas e da vitória de Anora, de Sean Baker, numa cerimónia divertida mas muito comedida politicamente, faço a habitual ronda pela passadeira vermelha dos Oscars. Entre alguns modelos mais exuberantes, os principais destaques, para o meu gosto, vão para os vestidos em tons claros e para o fato mais elegante dos que desfilaram pela passadeira vermelha. 

Elle Fanning desfilou num vestido branco em renda Givenchy, com uma capa igualmente rendada e um cinto preto cruzado em laço. Completou o look com jóias Cartier.

Vencedora do Oscar de Melhor Actriz no ano passado, Emma Stone apresentou as nomeadas e vencedora na mesma categoria na cerimónia de 2025. Com o seu cabelo curto "à la garçonne", desfilou com um vestido Louis Vuitton de corte simples, mas com muito brilho, em tons de branco

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, Monica Barbaro surgiu deslumbrante na passadeira vermelha com um volumoso vestido Dior rosa claro. O top de alças justo, cheio de brilhantes, define as suas formas, enquanto a saia de roda lhe dá um toque de princesa. Junta-se uma maquilhagem discreta e jóias Bulgari, a completar o look.

Lupita Nyong’o nunca desaponta na red carpet. Este ano, desfilou com um vestido de alças branco Chanel, de top justo e saia fluída. A acompanhar, jóias também Chanel.

Vencedora do Oscar de Melhor Actriz, Mikey Madison usou um vestido sem alças Christian Dior, rosa e preto, com um laço à frente e uma cauda. Uma opção muito clássica que destacou a jovialidade da actriz, complementada com jóias Tiffany & Co.

Nomeado para o Oscar de Melhor Actor, Colman Domingo é sempre um dos mais bem vestidos em qualquer passadeira vermelha por onde passe. Desta vez, surgiu num fato Valentino, com casaco vermelho com um cinto lateral e pormenores em preto, a condizer com as calças. Destaque ainda para as jóias Boucheron e o relógio Omega.

Demi Moore surgiu fabulosa, num escultural vestido prateado Giorgio Armani Privé, feito à mão, com cristais em toda a sua extensão. A dar ainda mais brilho à actriz estiveram as jóias Chopard, que incluíam um vistosos brincos de diamantes em ouro branco.

Selena Gomez desfilou com um dos visuais mais estonteantes dos Oscars 2025. A actriz e cantora usou um decotado vestido Ralph Lauren, repleto de cristais bordados à mão. A complementar o look, estavam jóias de diamantes Bulgari.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Sugestão da Semana #651

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Complete Unknown, de James Mangold, com Timothée Chalamet como Bob Dylan.

A COMPLETE UNKNOWN


Ficha Técnica:
Título Original: A Complete Unknown
Realizador: James Mangold
Elenco: Timothée Chalamet, Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro, Nick Offerman, Boyd Holbrook, P.J. Byrne
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/12
Duração: 141 minutos

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Globos de Ouro 2024: Red Carpet

E depois dos prémios entregues, olhamos para os visuais que mais se distinguiram na red carpet da 81.ª edição dos Globos de Ouro. Eis os favoritos do Hoje Vi(vi) um Filme entre os que desfilaram na passadeira vermelha na noite passada.


O arrojo de Timothée Chalamet fá-lo figurar diversas vezes nas listas dos mais bem vestidos. Nomeado para os Globos de Ouro 2024 pelo seu papel como Willy Wonka, o actor desfilou com um conjunto preto Celine, onde se destacava o casaco brilhante. A acompanhar o visual estava um colar Cartier.


A cantora Taylor Swift deu nas vistas com um vestido de alças, verde brilhante com lantejoulas, da Gucci, acompanhado de jóias De Beers.



A nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Actriz em Série de Comédia ou Musical, Rachel Brosnahan surgiu toda em tons de vermelho, num distinto vestido de Sergio Hudson, com botões de cima a baixo, e saia com abertura lateral. A acompanhar o visual estavam jóias Swarovski.


Em estilo princesa desfilou Elle Fanning com um vestido branco, sem alças, Pierre Balmain. As jóias Cartier completaram o look.


Super elegante e arrojada, Meryl Streep usou um fato Valentino, de casaco e saia em preto brilhante, com lantejoulas. O visual ficou completo com jóias Fred Leighton.


Vencedor do Globo de Ouro para Melhor Actor em Série de Comédia ou Musical pelo seu papel em The BearJeremy Allen White usou um fato preto Prada, onde o casaco revelava uma camisa preta transparente, a dar um toque de destaque ao visual.


Vencedora do Globo de Ouro para Melhor Actriz de num Filme Dramático, Lily Gladstone surgiu glamourosa na passadeira vermelha. A actriz desfilou num bonito vestido branco, com uma volumosa capa preta, Valentino. Um apanhado elegante e maquilhagem discreta acompanharam o look, que ficou completo com jóias Bulgari, e brincos da designer indígena Lenise Omeasoo.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Crítica: O Demónio de Néon / The Neon Demon (2016)

"You know what my mother used to call me?
Dangerous"
Jesse

*8/10*

Fiel ao seu estilo, às suas influências, Refn não é meigo no seu The Neon Demon - O Demónio de Néon. A perfeição está acima de toda a moral e valores. A crueldade é a principal arma para atingi-la. Tudo para ser perfeita. Uma crítica aos meandros da moda e da beleza, mas também ao quão más podem ser as mulheres umas para as outras. E, finalmente, o realizador presenteia-nos com uma longa-metragem onde são elas quem impera... e de que maneira.

Jesse, uma aspirante a modelo, muda-se para Los Angeles, e rapidamente vê a sua juventude e vitalidade sugadas por um grupo de mulheres obcecadas com a beleza, que farão o que for necessário para ter aquilo que ela tem.


Um mergulho atordoante em teias de inveja, beleza, sensualidade e sangue é a proposta do mais recente filme de Nicolas Winding Refn. O cineasta usa e abusa da cor, da sombra, da luz, do néon, num filme impróprio para epilépticos.

Como sempre, Refn volta a criar um imenso suspense, muito ao seu estilo, que nos aterroriza com pequenos detalhes, fazendo-nos suster a respiração. Tudo com a calma necessária para absorver a aura suspeita e misteriosa, as relações onde paira a desconfiança, o ambiente psicadélico, onde o medo aumenta, sem precisarmos de sustos.


O argumento é polémico, mordaz e corajoso, atacando a luta pela perfeição estética com unhas e dentes. E apesar de, perto do final, haver momentos menos inspirados que não fazem jus à primeira metade de O Demónio de Néon, toda a narrativa deixa transparecer as influências do realizador, quer das lendas, quer de outros realizadores. Facilmente nos deixamos levar por esta espiral de perversidade, beleza e algum surrealismo.

Elle Fanning prova que é a actriz ideal para o papel de Jesse. A inocência e pureza que a sua imagem detém aliam-se à sensualidade e curiosidade da protagonista e é de admirar o seu crescimento ao longo do filme. No elenco, destaque também para Jena MaloneAbbey Lee.


O Demónio de Néon traz de volta os corredores tão refnianos, que nos colocam alerta, escondendo perigos e medos, invejas e mentiras. Para tal, contribui igualmente o trabalho da direcção de fotografia, de Natasha Braier, e do departamento de som.

Cliff Martinez volta a colaborar com Refn e é o responsável pela fabulosa banda sonora, onde reconhecemos sonoridades do mundo da moda com o seu quê de sinistro.

The Neon Demon - O Demónio de Néon é o alerta mais brutal e estético possível contra a obsessão do mundo pelo ideal de beleza. Nicolas Winding Refn faz-nos temer as mulheres e, ao mesmo tempo, mostra-nos o seu poder.

Sugestão da Semana #234

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o polémico The Neon Demon - O Demónio de Néon, de Nicolas Winding Refn. Os mais sensíveis que se cuidem.

THE NEON DEMON - O DEMÓNIO DE NÉON


Ficha Técnica:
Título Original: The Neon Demon
Realizador: Nicolas Winding Refn
Actores: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu ReevesKarl GlusmanJena MaloneBella HeathcoteAbbey Lee
Género: Horror, Thriller
Classificação: M/18
Duração: 118 minutos

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sugestão da Semana #119

A crítica está dividida, mas o filme está na ordem do dia e, para os mais curiosos, nada como espreitar o resultado desta nova versão da história da Bela Adormecida, contada do lado da vilã. Das estreias da passada Quinta-feira, é Maléfica o destaque da Sugestão da Semana.

MALÉFICA

Ficha Técnica:
Título Original: Maleficent
Realizador: Robert Stromberg
Actores: Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 97 minutos