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sábado, 16 de maio de 2020

Europa Film Fest: Oito filmes grátis no Filmin a partir de 15 de Maio

O Europa Film Fest leva o Cinema Europeu a casa a partir de 15 de Maio, no Filmin. Serão disponibilizados oito títulos de forma gratuita, "para celebrar os 70 anos do primeiro passo dado para a criação da União Europeia".


As longas-metragens que compõem esta mostra gratuita são: Deus Existe, o Seu Nome é Petrunya, de Teona Strugar Mitevska (nunca antes mostrado em Portugal), Toni Erdmann, de Maren AdeMustang, de Deniz Gamze ErgüvenIda, de Paweł Pawlikowski (crítica aqui), Ciclo Interrompido, de Felix Van Groeningen, O Fantasma da Sicília, de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, o português Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira (crítica aqui), e Mediterrânea, de Jonas Carpignano.

Entre 15 e 21 de Maio, os interessados poderão assistir aos oito filmes, em sinal aberto, bastando o registo gratuito em www.filmin.pt.

A iniciativa é promovida pela Comissão Europeia em Portugal e o Filmin Portugal, com a colaboração do Parlamento Europeu em Portugal, do Programa Europa Criativa MEDIA, e de alguns distribuidores de cinema independente e europeu em Portugal: Alambique, Legendmain, Midas, O Som e a Fúria, Outsider e Risi Film.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2014

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2014 do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui ficam os dez lugares que faltam, aqueles que foram os melhores do ano, estreados no circuito comercial de cinema em Portugal.

Eis o top 10:

A monstruosa performance de Jake Gyllenhaal comanda Nightcrawler - Repórter na Noite. Como ele vamos percorrer uma Los Angeles nocturna, entre acidentes, perseguições e crimes sangrentos, em busca do furo perfeito, o mais sensacionalista possível. Com NightcrawlerDan Gilroy leva-nos a integrar uma equipa de reportagem liderada por um sádico - ninguém melhor para este trabalho, efectivamente.



Uma viagem à tradição, ao Alentejo profundo, mas também a todos os locais por onde estes cantos deixam marcas ou renascem da boca e para os ouvidos de gente de todas as idades. Das vozes femininas às masculinas, das vozes magoadas pela terra e pela vida, aos jovens que amam a tradição e sentem cada verso do que cantam, ou às crianças que começam agora a conhecer e a aprender - mesmo longe da região mãe -, este documentário apresenta um intimo e arrepiante registo dos cantares populares alentejanos na actualidade.



Richard Linklater fez História no cinema. A aparente simplicidade de Boyhood acaba quando tomamos consciência de que a mesma equipa se reuniu todos os 12 anos de produção, dando, cada um deles, um pouco da sua vida, do seu crescimento/envelhecimento a este filme. É isto mesmo que o torna especial: a coragem e comprometimento de actores e técnicos e a persistência de Linklater em levar avante este projecto singular.



7. Snowpiercer - Expresso do Amanhã (Snowpiercer), de  Bong Joon-ho, 2013
Num futuro distópico, onde a humanidade vive num comboio às voltas por um planeta Terra congelado, reina a supremacia de ricos sobre pobres. Tudo é negro e sujo do lado da maioria, que luta pela igualdade. Os sobreviventes dão tudo de si para chegar ao comando da máquina e as mortes sucedem-se. Snowpiercer é uma alegoria do mundo actual, por muito tenebrosa que seja, mas que mostra bem a alienação, as doenças e o que faz o poder.



6. Ilo Ilo, de Anthony Chen, 2013
Simples e realista, Ilo Ilo retrata uma época conturbada na Singapura dos anos 90. A atenção ao detalhe e o trabalho na construção das relações entre personagens são os pontos mais fortes do filme, que comove e liga-nos a elas de uma forma poucas vezes possível. Anthony Chen traz-nos uma história de amor e carinho entre as personagens mais improváveis, contada sem floreados. A crua realidade dita o futuro dos protagonistas.



Na realidade dura da doença e no aconchego doce do lar, Joaquim Pinto traz até nós um dos melhores filmes do ano: o seu premiado documentário E Agora? Lembra-me - um apelo à memória e um hino à vida e à luta, ao amor, à Natureza.



Dificilmente encontraremos A Grande Beleza, mas esta, que Sorrentino criou para nós, dá-nos uma lição de vida e cria uma torrente de emoções e de sentimentos que são quase impossíveis de exteriorizar. Porque o filme é muito mais do que o retrato da vida de um intelectual em decadência e seus semelhantes, mas sim uma personificação da vida de cada um - com as devidas hipérboles mas mantendo as mesmas dúvidas.



3. O Acto de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer, Christine Cynn e Anónimo, 2012
O desafio de colocar assassinos a encenar as suas façanhas mais macabras resultou num trabalho assombroso e visualmente fabuloso. Um contraste entre cores alegres e acções terríveis que se transforma, ao mesmo tempo, num documento histórico original e numa possível tomada de consciência pela parte dos agressores.



Alexander Payne trouxe-nos uma inesperada obra-prima e dá-nos uma lição de vida. Nebraska é uma melancólica história de sonhos desfeitos e de perseverança, acompanhada por um amor muito especial. Com os protagonistas, viajamos, a preto e branco, por uma América abandonada, desencantada e sem esperança.



Da Polónia, Ida apela a uma profunda reflexão sobre religiões, família, passado e presente, e, principalmente, que implicações pode ter esse passado nas decisões futuras. Pawel Pawlikowski mergulha por entre as sequelas do nazismo, por entre os dilemas da religião, na experiência e no conhecimento da vida.


sábado, 27 de dezembro de 2014

TOP: 10 Melhores Posters de 2014

E depois dos piores posters, os melhores. Eis os 10 favoritos de 2014 para o Hoje Vi(vi) um Filme.

10. O Acto de Matar

9. A Enfermeira

8. O Filme Lego

7. Ida

6. Ao Encontro de Mr. Banks

5. O Lobo de Wall Street

4. Carvão Negro, Gelo Fino

3. Em Parte Incerta

2. Grand Budapest Hotel

1. O Homem Duplicado

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Crítica: Ida (2013)

*9/10*

Da Polónia, Ida apela a uma profunda reflexão sobre religiões, família, passado e presente, e, principalmente, que implicações pode ter esse passado nas decisões futuras. Pawel Pawlikowski mergulha por entre as sequelas do nazismo, por entre os dilemas da religião, na experiência e no conhecimento da vida.

Tudo acontece na Polónia dos anos 60, onde Anna é uma noviça, prestes a celebrar os votos definitivos para se tornar freira no convento onde vive desde que ficou órfã em criança. Contudo, antes da celebração, a madre obriga-a a conhecer a única familiar viva, a tia Wanda. Juntas, as duas mulheres embarcam numa viagem à descoberta de si próprias e do passado que têm em comum.

Ida surpreende-nos pela sua abordagem forte, mas sem juízos de valor. Tal como Anna, saímos do âmago da religião católica para conhecer o seu passado, as suas origens e a tragédia em redor da sua família. Anna descobre um mundo novo, a sua nova realidade, o seu verdadeiro eu. Afinal, a identidade religiosa de cada um pode viver independente do passado e na ausência da experiência ou constrói-se à medida que cada um cresce enquanto pessoa, conhecendo-se primeiro a si e ao mundo? A reflexão fica lançada para o lado do espectador, mas cabe à jovem protagonista tomar as decisões.


Ao conhecer Wanda, Anna fica exposta a uma realidade que desconhece. A tia é o oposto da sobrinha. Uma mulher magoada, de vida vulgar, que introduz, inevitavelmente, Anna às tentações do mundo. A inocência e pureza guardadas tantos anos num convento são agora postas à prova com a convivência entre estas duas mulheres tão diferentes mas de personalidade definida.

Ao passarem alguns dias juntas, Anna e Wanda são uma lufada de ar fresco na vida uma da outra. Ambas trazem novos pontos de vista, novas experiências, ambas lutam por dar dignidade aos familiares mortos. Os opostos atraem-se também nas relações familiares, ao que aqui parece. Crentes em diferentes religiões, tia e sobrinha são um desafio mútuo. Wanda, juíza de profissão, assume uma função quase divina, já que tem (ou teve) o poder de decidir o destino de muitos. Anna, por seu lado, ingénua e submissa, é um desafio para uma mulher aguerrida como Wanda. Cada uma delas é para a outra a personificação daquilo em que não acreditam ou defendem. As duas mulheres trazem reciprocamente mudanças fundamentais, para o melhor e para o pior. É este o argumento subtil mas desafiador que Ida nos oferece e que não queremos parar de descobrir.

Pawel Pawlikowski não tem medo de tocar em temas-chave e quase tabu. Tanto a desumanidade do nazismo, como o choque de religiões estão aqui no centro da questão, aliados à construção da identidade de cada um, aos seus dilemas e inquietações. Tudo é filmado com uma simplicidade e calma como o cinema pede - e que tanto escasseia ultimamente. As emoções são adquiridas mais pelas expressões, gestos e atitudes do que pelas palavras. Os planos fixos são uma constante e transbordam uma tranquilidade inquietante, como as almas destas duas personagens. Nem tudo nos é revelado à primeira, um breve olhar sobre algumas imagens faz-nos imaginar aquilo que não vemos, e que apenas confirmaremos num plano mais aberto que surgirá de seguida.


O excelente trabalho de fotografia alia-se na perfeição aos cenários, desolados, por entre árvores, caminhos, cemitérios e casas antigas, que convidam à solidão. Nas interpretações, Agata Kulesza e Agata Trzebuchowska formam uma dupla sóbria e aliciante para o espectador, com desempenhos que contrastam em energia, mas que se unem nas emoções que transmitem e nas dúvidas que partilham.

A preto e branco e no formato académico 1:37, Ida leva-nos numa viagem íntima e envolvente a um passado não tão longínquo assim, e a duas vidas que não poderemos esquecer nos próximos tempos.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sugestão da Semana #125

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme coloca as atenções na longa-metragem polaca Ida, que poderia facilmente passar despercebida entre os restantes títulos estreados. Todavia, Ida é, certamente, um dos melhores filmes do ano, e percorre os difíceis caminhos entre passado e presente, onde família e religião assumem um papel central.

IDA

Ficha Técnica:
Título Original: Ida
Realizador: Pawel Pawlikowski
Actores: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska, Dawid Ogrodnik 
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 80 minutos

domingo, 20 de julho de 2014

Estreias da Semana #125

Sete filmes chegaram esta Quinta-feira aos cinemas nacionais. A dominar as atenções está Planeta dos Macacos: A Revolta, mas a escolha é muita e repleta de títulos interessantes.

Aviões - Equipa de Resgate (2014)
Planes: Fire & Rescue
Tudo começa quando o famoso corredor aéreo Dusty regressa à sua terra natal de Propwash Junction, depois de mais uma temporada de corridas. O antigo avião agrícola é bem-sucedido na sua nova carreira, até que um fatídico treino altera o curso das coisas, provocando danos capazes de terminar com a sua carreira. Forçado a mudar de rumo, decide treinar com a equipa de combate aéreo aos incêndios na Base Aérea de Pico Pistão como um Aerotanque de Apenas Um Motor (SEAT).


Comédia InAPPropriada (2013)
InAPPropriate Comedy
Comédia InAPPropriada conta em forma de sketches várias histórias tendo sempre como ponto de partida um tablet repleto das mais ofensivas aplicações que geram um caos cultural à medida que vão sendo utilizadas. Adrien Brody é um polícia duro, mas com um discurso vago e uma queda para a moda; Rob Schneider faz um duplo papel como um psicólogo tarado e um crítico de cinema pornográfico, juntamente com a sua colega Michelle Rodriguez; Lindsay Lohan vive a sua fantasia de vingança contra os paparazzi que a perseguem e Ari Shaffir, na APP “Amazing Racist”, cujos encontros ofensivos com várias pessoas de diferentes etnias e grupos minoritários, registados em câmara oculta, vão testar os limites dos espectadores.

Ida (2013)
Na Polónia, em 1962. Anna é uma jovem de 18 anos que irá em breve celebrar os votos definitivos para se tornar freira no convento onde vive desde que ficou órfã em criança. Antes da celebração dos votos, a madre obriga-a a conhecer a única familiar viva, a tia Wanda. Juntas, as duas mulheres embarcam numa viagem à descoberta de si próprias e do passado que têm em comum.

O Teorema Zero (2013)
The Zero Theorem
Passado no futuro em Londres, Teorema Zero apresenta-nos Qohen Leth (Christoph Waltz), um génio de computadores atormentado com uma crise existencial. Qohen vive isolado numa antiga igreja incendiada, à espera de um telefonema, convencido que este lhe dará as respostas que procura. Ele trabalha num projecto misterioso, instruído por Management (Matt Damon), com o objectivo de resolver o teorema zero e descobrir a razão da existência - ou a falta dela - de uma vez por todas. Mas a sua solitária existência é interrompida pelas visitas de Bainsley (Mélanie Thierry) e de Bob (Lucas Hedges), o filho prodígio do Management.

Omar (2013)
Omar está habituado a esquivar-se das balas de vigilância, para galgar o muro de separação, para visitar a sua amada secreta, Nadia. Mas a Palestina ocupada não sabe o que é nem amor simples, nem guerra clara. Do outro lado do muro, Omar, o jovem pasteleiro sensível, torna-se num combatente da liberdade que tem de enfrentar escolhas dolorosas em relação à vida e à idade adulta.

Planeta dos Macacos: A Revolta (2014)
Dawn of the Planet of the Apes
Após os eventos de Planeta dos Macacos: A Origem, a maior parte da população humana foi aniquilada e uma nação crescente de macacos geneticamente evoluídos, liderados por Caesar, é ameaçada por um grupo de humanos sobreviventes. Este conflito entre macacos e humanos irá definir qual será a espécie dominante na Terra – ou decidir se ambas poderão coexistir.

Um Castelo em Itália (2013)
Un château en Italie
Louise encontra Nathan, e os seus sonhos regressam. Também é a história do seu irmão doente e da mãe de ambos, a história de um destino: o de uma grande família da burguesia industrial italiana. A história de uma família que cai aos pedaços, de um mundo que acaba e de um amor que começa.