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sábado, 16 de maio de 2020

Europa Film Fest: Oito filmes grátis no Filmin a partir de 15 de Maio

O Europa Film Fest leva o Cinema Europeu a casa a partir de 15 de Maio, no Filmin. Serão disponibilizados oito títulos de forma gratuita, "para celebrar os 70 anos do primeiro passo dado para a criação da União Europeia".


As longas-metragens que compõem esta mostra gratuita são: Deus Existe, o Seu Nome é Petrunya, de Teona Strugar Mitevska (nunca antes mostrado em Portugal), Toni Erdmann, de Maren AdeMustang, de Deniz Gamze ErgüvenIda, de Paweł Pawlikowski (crítica aqui), Ciclo Interrompido, de Felix Van Groeningen, O Fantasma da Sicília, de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, o português Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira (crítica aqui), e Mediterrânea, de Jonas Carpignano.

Entre 15 e 21 de Maio, os interessados poderão assistir aos oito filmes, em sinal aberto, bastando o registo gratuito em www.filmin.pt.

A iniciativa é promovida pela Comissão Europeia em Portugal e o Filmin Portugal, com a colaboração do Parlamento Europeu em Portugal, do Programa Europa Criativa MEDIA, e de alguns distribuidores de cinema independente e europeu em Portugal: Alambique, Legendmain, Midas, O Som e a Fúria, Outsider e Risi Film.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Em Português: Cartas da Guerra (2016)

Não só é uma história de amor poética e fogosa, como é um retrato fiel de uma realidade histórica que ainda se tem medo de abordar. É um filme que sinto na pele, de cada vez que o vejo, captando sempre novos pormenores, novas sensações. Cartas da Guerra foi amor à primeira vista, apaixonante e apaixonado. Conquista-me pelas palavras de ternura e pelas imagens duras, a preto e branco.


O filme adapta uma obra do escritor António Lobo Antunes, composta por cartas que este escreveu à mulher durante a sua estadia na guerra do ultramar. A acção começa em 1971, quando António vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José, contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

É um filme de guerra mas sensorial e sensível. Não é meigo, não esconde nada. Mas as saudades e a distância que separam um grande amor, em que cada um dos amantes está num continente diferente, a sofrer em silêncio, só o papel pode colmatar. O papel é a partilha que não acontece cara a cara. O papel é o que ateia a chama da paixão.


Uma realidade que tantos foram obrigados a viver, que marcou a vida de famílias inteiras, que está no passado mas corre no sangue da nação e, mesmo que ninguém fale, que ninguém recorde, todos se lembram dela. Uma guerra que Portugal tem vergonha de lembrar, de filmar, de admitir que foi sangrenta e marcante para todos. Por tudo isto, Ivo M. Ferreira é um homem de coragem ao filmar este tema, e fá-lo muito bem.

O sofrimento espelha-se nos olhares, mais do que nas imagens violentas, e o amor é personificado nas vozes e nos rostos jovens de Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes.

Cartas da Guerra é um poema de amor em termos de guerra.


Na altura da estreia no IndieLisboa'16 escrevi esta crítica.

sábado, 25 de março de 2017

Prémios Sophia 2017: Os vencedores

Os vencedores dos Prémios Sophia 2017 foram anunciados na passada Quarta-feira, dia 22 de Março, numa cerimónia no CCB, em Lisboa. Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, foi o grande vencedor da noite com nove estatuetas.


Eis a lista completa de vencedores:

Melhor Curta-Metragem de Ficção
Menina, Simão Cayatte

Melhor Curta-Metragem de Animação
Estilhaços, José Miguel Ribeiro

Melhor Curta-Metragem de Documentário
Balada de um Batráquio, Leonor Teles

Prémio Sophia Estudante
A Instalação do Medo, Ricardo Leite

Melhor Actriz Secundária
Manuela Maria - A Mãe é que Sabe

Melhor Actor Secundário
Adriano Carvalho - A Mãe é que Sabe

Melhor Guarda Roupa
Lucha d'Orey - Cartas da Guerra

Melhor Direcção Artística
Nuno G. Mello - Cartas da Guerra

Melhor Maquilhagem e Cabelos
Nuno Esteves “Blue” - Cartas da Guerra

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra, Nelson Guerreiro, Pedro Fidalgo

Melhor Som
Ricardo Leal - Cartas da Guerra

Melhor Banda Sonora Original
Mário Laginha - Cinzento e Negro

Melhor Direcção de Fotografia
João Ribeiro - Cartas da Guerra

Melhor Argumento Original
Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro

Melhor Argumento Adaptado
Ivo M. Ferreira, Edgar Medina - Cartas da Guerra

Melhor Montagem
Sandro Aguilar - Cartas da Guerra

Melhor Canção Original
Sobe o Calor letra de Sérgio Godinho e música de Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor

Melhor Actriz Principal
Ana Padrão - Jogo de Damas

Melhor Actor Principal
Miguel Borges - Cinzento e Negro

Melhor Realizador
Ivo M. Ferreira - Cartas da Guerra

Melhor Filme
Cartas da Guerra, O Som e a Fúria

Prémio Mérito e Excelência
Ruy de Carvalho

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2016

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2016 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. A ordem poderia ser outra já que, para mim, estão todos muito equilibrados. Eis os meus 10 favoritos de 2016 (estreados no circuito comercial de cinema em Portugal). 



Verhoeven regressa sem se desapegar da violência e da sensualidade. As personagens são misteriosas, escondem segredos escabrosos, vivem de aparências. Sem moral, sem valores, sem dignidade. Ninguém é bom, mas todos nos conquistam a atenção e aguçam a curiosidade sobre o seu passado. Em especial, claro, a nossa protagonista Michèle, a mulher de meia idade que vive sozinha numa casa enorme com o seu gato (figura de especial simbolismo), divorciada, mas surpreendentemente sexual.



Fiel ao seu estilo, às suas influências, Refn não é meigo no seu The Neon Demon - O Demónio de Néon. A perfeição está acima de toda a moral e valores. A crueldade é a principal arma para atingi-la. Tudo para ser perfeita. Uma crítica aos meandros da moda e da beleza, mas também ao quão más podem ser as mulheres umas para as outras. E, finalmente, o realizador presenteia-nos com uma longa-metragem onde são elas quem impera... e de que maneira.



Belo e singelo, Brooklyn partilha as qualidades com a sua protagonista. Da inocência à emancipação, entre a Irlanda e os Estados Unidos, seguimos com paixão a realidade, por vezes dura, por vezes feliz, de Eilis e do sonho americano de que foi à procura.



Victoria leva-nos numa degradação de emoções, sentimentos. desgaste físico e psicológico, numa escalada de violência, com o nascer da manhã - um trabalho fabuloso dos cinco incansáveis. Uma longa madrugada que pode mudar a vida das cinco personagens, onde, com elas, percorremos um sem número de sensações e deixamo-nos encantar por estes desconhecidos que emanam uma empatia fora do comum. Tudo em tempo real, sem cortes, sem pausas. 



A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada. Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.



Premonitório desde os primeiros planos, mas completamente imprevisível, até ao último momento, Os Oito Odiados traz-nos Tarantino no seu esplendor, com actores de fibra, personagens bem trabalhadas, desconhecidos que vamos descobrindo, desmascarando e surpreendendo a cada plano e, mais ainda, através da analepse fulcral que põe tudo em pratos limpos. Numa segunda visualização, um novo ponto de vista, somos o nono odiado e sabemos demais.



A imaginação macabra e cruelmente surrealista - e futurista - de Yorgos Lanthimos continua aguçada e provocadora. Não tão dura como Canino, mas igualmente incómoda e frontal, A Lagosta vem mostrar-nos o quão egoístas e egocêntricos somos, no fundo. Uma história de amores por necessidade, ou vice-versa. Dentro ou fora do Hotel, nada parece simples. Nem a mais frágil das personagens é inocente.



Ela em Lisboa, ele em Angola, o tempo a passar, a barriga dela a crescer e o amor dos dois a aumentar com as saudades. Cartas ternas, românticas, fogosas, a paixão que não se pode viver fisicamente é descrita com o mesmo fulgor em cada folha de papel. Ivo M. Ferreira realizou um filme que fazia muita falta a Portugal e ao mundo. Música, imagens e palavras revelam a Guerra Colonial do lado de quem lá esteve. Com harmonia e encanto, o cinema conta uma história de amor, que é também a dura História de uma nação.



Miss Violence constrói-se em volta de um extremo doentio e arrasador de violência doméstica. A perversidade das acções, filmada e assistida com uma naturalidade incómoda, com a vontade de agir reprimida pela autoridade da figura parental. A inocência dos mais novos contrasta com o medo incapacitante dos que conhecem a verdade. A câmara de Avranas é tão controladora como o pai desta estranha família, com vários planos sequência invasivos. Pelo menos dentro daquela casa, não há espaço privado. Os segredos vão sendo revelados aos poucos e tudo será sempre pior do que se possa imaginar. 



Um realismo cru mas fantástico, a cavalgar entre os bois, a pobreza, os sonhos e o sexo, assim se pode apresentar Boi Neon, de Gabriel Mascaro. Traz ao cinema o que de mais puro e mais carnal compõe o homem que, perante todas as adversidades, segue em frente, persegue as suas ilusões. Uma proposta cinematográfica original e envolvente, que deixa um rasto de melancolia por onde passa.


Este ano, não consigo resistir a nomear ainda dois grandes filmes - numa espécie de menções honrosas - que, até agora, não tiveram estreia comercial por cá, mas foram visualizados em festivais de cinema.



Robert Eggers criou um trabalho exigente, documentado, bem estudado. Cada um poderá interpretar o filme consoante as suas crenças, mas ninguém vai deixar de falar e pensar nele. No seio do fanatismo religioso, onde o seguimento das escrituras bíblicas se confunde com o medo do Inferno, encontramos esta família, excluída da comunidade e enviada para um terreno isolado, junto à floresta. E com a solidão, o terreno infértil para o cultivo de milho e a escassez de alimentos, fenómenos bizarros começam a acontecer. The Witch traz-nos uma visão pouco comum do género terror, numa abordagem corajosa que junta a História e seus mitos e lendas, à bruxaria e satanismo.



Um lugar esquecido no tempo, de terrenos até perder de vista, uma casa sem água canalizada, guardada por uma cadela chamada Polícia. Bogdan Mirica criou um filme duro, com alguns momentos de humor, onde a crítica sócio-política está bastante presente, a corrupção domina e a lei parece não conseguir impor-se. Uma excelente estreia do realizador romeno. A Roménia rural de Dogs, pode dizer-se, não é para os novos.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cartas da Guerra representa Portugal nos Oscars e nos Goya 2017

A Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas escolheu o filme Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, nos Oscars da Academia Americana de Cinema e na categoria de melhor filme ibero-americano, nos Prémios Goya, da Academia Espanhola.


Cartas da Guerra baseia-se no livro D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra, de António Lobo Antunes, composto por cartas que o escritor escreveu à mulher quando foi alferes em Angola, durante a guerra colonial. A acção começa em 1971, quando António vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido, ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José, contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

No elenco da longa-metragem estão actores como Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira, Tiago Aldeia, João Luís Arrais e Pedro Ferreira.

A 89ª Gala de entrega dos Oscars está marcada para 26 de Fevereiro de 2017 em Los Angeles, enquanto que a 31ª Edição dos Prémios Goya acontecerá a 4 de Fevereiro de 2017, em Madrid.


Cartas da Guerra teve a sua estreia internacional na Competição Internacional do Festival de Berlim, passou pelo Festival IndieLisboa e está nos cinemas desde 1 de Setembro. 

Podes ler ou reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme ao Cartas da Guerra aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sugestão da Semana #236

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira. Baseado nas cartas que António Lobo Antunes escreveu à mulher enquanto esteve na Guerra Colonial, o filme dá-nos uma visão romântica e dura desta época da História de Portugal. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

CARTAS DA GUERRA


Ficha Técnica:
Título Original: Cartas da Guerra
Realizador: Ivo M. Ferreira
Actores: Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira, João Pedro Vaz, Simão Cayatte, Isac Graça, Francisco Hestnes Ferreira, Tiago Aldeia
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 105 minutos

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Estreias da Semana #236

Nove filmes estreiam esta Quinta-feira nos cinemas portugueses. Cartas da Guerra e o novo Ben-Hur são alguns dos destaques.

11 Minutos (2015)
11 Minut
Um marido ciumento e descontrolado, a actriz que é sua esposa, um realizador americano, um impiedoso traficante, uma jovem desorientada, um ex-presidiário vendedor de cachorros quentes, uma estudante com uma missão misteriosa, um limpa-janelas envolvido em esquemas ilícitos, um velho artista, uma equipa de paramédicos e um grupo de freiras esfomeadas. Uma amostra transversal dos habitantes da Varsóvia contemporânea que se cruza durante 11 decisivos minutos.

Ben-Hur (2016)
Judah Ben-Hur (Jack Huston) é um nobre romano falsamente acusado de traição pelo seu irmão adoptivo Messala (Toby Kebbell). Despojado dos seus privilégios, separado da família e da mulher que ama (Nazanin Boniadi), Judah é submetido à escravidão. Depois de anos no mar, regressa em busca de vingança, mas encontra a redenção.

Black - Amor em Tempos de Ódio (2015)
Black
Mavela, de 15 anos, pertence ao gang Black Bronx. Apaixona-se por Marwan, um rapaz extremamente carismático, membro do gang rival, os 1080. O jovem par é forçado a fazer uma escolha brutal entre a lealdade ao gang e o amor que têm um ao outro.

Cartas da Guerra adapta ao cinema cartas que António Lobo Antunes escreveu à mulher durante a sua estadia na guerra do ultramar. A acção começa em 1971, quando António (Miguel Nunes) vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José (Margarida Vila-Nova), contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

Cell: Chamada Para a Morte (2016)
Cell
Um estranho sinal surge através das redes de telemóvel e inicia uma epidemia assassina de proporções épicas transformando os utilizadores em criaturas sedentas de sangue. Um grupo de sobreviventes da Nova Inglaterra é obrigado a lidar com o caos que se seguiu.

Dofus: O Filme (2016)
Dofus - Livre I : Julith
Na cidade de Bonta, o jovem Joris passa os dias feliz na companhia do seu pai adoptivo, Kherubim. Tudo muda quando a feiticeira Julith regressa à procura do Dofus de Ébano e ataca Kherubim.

Florence - Uma Diva Fora de Tom (2015)
Florence Foster Jenkins
Em 1944, Florence Foster Jenkins está a envelhecer, mas continua a ser uma das pessoas mais conhecidas na alta sociedade nova-iorquina. Mecenas da música clássica na cidade e fundadora do 'Verdi Club', ela e seu marido inglês, St. Clair Bayfield, que acumula as funções de agente, organizam exposições fabulosas de quadros vivos, onde Madame Florence é a estrela. Durante uma ida ao Carnegie Hall para ouvir a soprano Lily Pons, Florence sente-se inspirada a começar a cantar outra vez e decide ter aulas, mas Madame Florence mal consegue entoar uma melodia. Encorajada pelo sucesso de um concerto privado - onde Bayfield garantiu que o público é composto apenas por amigos que a aplaudem incondicionamente - Florence decide atuar no Carnegie Hall e oferece mil bilhetes a soldados que regressam da guerra.

Max Atlantos 2 (2016)
Max Adventures - Atlantos II
Uma nova aventura acontece debaixo de água, enquanto o mais perigoso oponente de Max, Sombra, regressa mais forte do que nunca com a mortífera Pérola do Oceano em sua posse e o desejo de vingança de inundar o mundo. Para o derrotar, Max tem de ir até às perigosas profundezas do oceano com os seus amigos procurar o lendário Leão do Oceano, que o pode ensinar a adaptar os seus poderes neste reino aquoso. Numa corrida contra o tempo, Max e os seus amigos têm de recorrer à ajuda de Kain, um ex-rival.

O Sr. Perfeito (2016)
Mr. Right
Martha (Anna Kendrick) não está a lidar bem com a separação do seu último namorado. Não perde uma festa, cozinha tudo o que tem pela frente e está determinada a fazer algo terrível. É então que conhece Francis (Sam Rockwell). Para qualquer um, a abordagem de Francis seria estranha, mas Martha fica intrigada. Parecem ser o par perfeito: ela é doida e ele é... um assassino profissional um pouco diferente. Francis mata aqueles que encomendam os seus serviços. Quando Francis é contratado por um cliente duvidoso perseguido por um agente do FBI igualmente duvidoso (Tim Roth), e à medida que os cadáveres se vão amontoando, Martha tem de decidir se foge, ou se participa na carnificina.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Cartas da Guerra (2016)

"Adoro-te, minha gata de Janeiro, meu amor, minha gazela, meu miosótis, minha estrela aldebaran, minha amante, minha Via Láctea..."
António


*9/10*

Amor em tempos de guerra é uma boa forma de resumir Cartas da Guerra, o corajoso e pioneiro filme de Ivo M. Ferreira nesta abordagem tão intima e absorvente da Guerra Colonial.

Foi assim que se celebrou o 25 de Abril no Grande Auditório da Culturgest, esgotado. Depois da estreia internacional na Competição Internacional do Festival de Berlim, Cartas da Guerra teve no IndieLisboa a sua estreia nacional. O filme adapta uma obra do escritor António Lobo Antunes, composta por cartas que este escreveu à mulher durante a sua estadia na guerra do ultramar. A acção começa em 1971, quando António vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José, contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

Um retrato provavelmente nunca antes visto no cinema português do que foi estar na Guerra Colonial. A desconfiança, o medo do inesperado, os vícios, a saudade, a distância, a imprevisibilidade... o fim tão próximo e tão longe. A dor do tempo a passar só era aliviada quando o correio chegava, as notícias da família, do amor que ficou em Portugal, ou no momento de responder às cartas, contar o quotidiano, os tormentos, o desespero, o medo de não voltar.


Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes são o casal protagonista e são as suas vozes que nos lêem as cartas enviadas por António a Maria José. Ela em Lisboa, ele em Angola, o tempo a passar, a barriga dela a crescer e o amor dos dois a aumentar com as saudades. Cartas ternas, românticas, fogosas, a paixão que não se pode viver fisicamente é descrita com o mesmo fulgor em cada folha de papel. Um dos momentos mais fortes e envolventes de Cartas da Guerra é-nos mostrado pela câmara de Ivo M. Ferreira, numa espécie de amor feito à distância.

A acompanhar o texto, as imagens, duras, sombrias, entre os horrores da guerra, ver camaradas a partir, minas, tiros, o inimigo iminente que não se sabe por onde espreita, e os povos locais, doentes ou com medo, mas sempre com vontade de conviver com os soldados portugueses. A preto e branco, desde a viagem por mar para Angola, até ao quotidiano em Chiúme, Cartas da Guerra coloca-nos no centro da acção, através de planos hipnóticos, que agarram à acção, deixando-nos extasiados pelas paisagens longínquas e deslumbrantes - que transmitem o calor, o exotismo, a selva -, como igualmente abalados, atordoados, na expectativa de que aconteça o pior a qualquer momento, perdidos, por vezes, numa tranquilidade suspeita e inquietante.

Miguel Nunes merece destaque ao encarnar António, este médico sensível, que é obrigado a deixar a mulher grávida noutro continente para servir na guerra. A experiência transformadora - de onde a tristeza nunca vai desaparecer - e a impotência perante as atrocidades que o rodeiam é transmitida pelo actor de forma comedida, mas com uma naturalidade que nos diz muito. Miguel espelha as emoções no olhar, nos seus gestos subtis e contidos.


No meio destas cartas de amor escritas durante a guerra, sente-se a falta de mais visceralidade nas imagens, e, talvez, de menos narração, que, por vezes, tira o foco da acção (ou vice-versa). Compreende-se, contudo, que num filme romântico as cartas de amor sejam uma forma de aliviar a dor da separação e os horrores do conflito: mais poesia, menos sangue.

Ivo M. Ferreira realizou um filme que fazia muita falta a Portugal e ao mundo. Música, imagens e palavras revelam a Guerra Colonial do lado de quem lá esteve. Com harmonia e encanto, o cinema conta uma história de amor, que é também a dura História de uma nação.

segunda-feira, 21 de março de 2016

IndieLisboa'16: Cartas da Guerra, Love & Friendship e L'avenir confirmados

O IndieLisboa'16 já revelou algumas das surpresas desta edição. Os homenageados do ano passado Whit Stillman e Mia Hansen-Løve farão nesta edição as honras de abertura e encerramento com as suas mais recentes obras Love & Friendship e L'avenir. O festival acontece entre 20 de Abril e 1 de Maio, em Lisboa.


No dia 20 de Abril, pelas 21h30, a cerimónia de abertura do IndieLisboa 2016 irá apresenta-nos Love & Friendship, de Stillman, com uma viagem literária até ao conto de Jane Austen, numa divertida comédia de costumes. A sessão de encerramento do festival realiza-se depois da cerimónia de entrega de prémios, no Domingo, dia 1 de Maio, e trará então L'avenir, protagonizado por Isabelle Huppert, que encarna uma professora de filosofia que procura reencontrar-se depois da morte da mãe, da traição do marido e de uma estagnação profissional. A realizadora Mia Hansen-Løve venceu o prémio para melhor realizadora no Festival de Berlim com esta longa-metragem.


Também directamente do Festival de Berlim, mas em português, está confirmada a exibição do muito aguardado Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira, que conquistou a crítica internacional. O filme irá passar no dia 25 de Abril, às 18h30, no Grande Auditório da Culturgest, onde recordaremos as cartas que António Lobo Antunes escreveu à sua mulher, Maria José (no filme, Miguel Nunes e Margarida Vila-Nova), durante a Guerra Colonial na sua comissão de serviço em Angola.

 A secção Herói Independente vai homenagear o realizador Paul Verhoeven e o actor Vincent Macaigne.

A programação completa do festival será revelada amanhã, em conferência de imprensa.