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domingo, 24 de março de 2024

Sugestão da Semana #606

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora.

A FLOR DO BURITI


Ficha Técnica:
Título Original: Crowrã
Realizadores: João Salaviza e Renée Nader Messora
Elenco: Francisco Hyjno Kraho, Ilda Pratpo Kraho, Luzia Cruwakwyj Kraho, Solane Tehtikwyj Kraho, Raene Kôtô Krahô, Debora Sodre
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 123 minutos

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Festival de Cannes 2023: Vencedores

Os vencedores do Festival de Cannes 2023 foram anunciados este Sábado, dia 27 de Maio. A Palma de Ouro foi para o filme Anatomie d'une Chute, de Justine Triet, que se torna na terceira mulher a vencer este prémio.

Destaque ainda para o filme luso-brasileiro A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, que conquistou o Prémio de Elenco na secção Un Certain Regard.


Anatomie d'une Chute, de Justine Triet

Eis os vencedores da Competição Oficial e Un Certain Regard:

Competição Oficial

Palma de Ouro
ANATOMIE D’UNE CHUTE, de Justine TRIET

Grande Prémio
THE ZONE OF INTEREST, Jonathan GLAZER

Melhor Realizador
TRAN ANH HÙNG, por LA PASSION DE DODIN BOUFFANT

Prémio do Júri
FALLEN LEAVES (KUOLLEET LEHDET), de Aki KAURISMAKI

Melhor Argumento
YUJI SAKAMOTO, por MONSTER (KAIBUTSU)

Melhor Actriz
MERVE DIZDAR, por ABOUT DRY GRASSES (KURU OTLAR USTUNE)

Melhor Actor
KOJI YAKUSHO, por PERFECT DAYS

Palma de Ouro Honorária
Michael Douglas
Harrison Ford

Palma de Ouro para Melhor Curta-metragem
27, de Flóra Anna BUDA

Menção Especial - Curta Metragem
FÁR, de Gunnur MARTINSDÓTTIR SCHLÜTER

Un Certain Regard

Prémio Un Certain Regard
HOW TO HAVE SEX, de Molly MANNING WALKER

Prémio do Júri - Un Certain Regard
LES MEUTES, de Kamal LAZRAQ

Melhor Realização
ASMAE EL MOUDIR, por THE MOTHER OF ALL LIES (KADIB ABYAD)

Prémio de Elenco
A FLOR DO BURITI (CROWRÃ), de João SALAVIZA e Renée NADER MESSORA

Prix de la Nouvelle Voix
AUGURE, de BALOJI

Prix de la liberté
GOODBYE JULIA, de Mohamed KORDOFANI

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Crítica: Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018)

*7.5/10*


Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é um hino ao lugar dos indígenas no mundo globalizado e, cada vez mais, egoísta. João Salaviza e Renée Nader Messora realizaram um filme que cruza a ficção e o documental, num registo íntimo e colaborativo, com os actores a fazerem parte da construção da longa-metragem. Os realizadores passaram nove meses a viver em conjunto com os índios krahô, criando uma relação fundamental para que o filme funcione.

Numa era em que o respeito pelas comunidades indígenas parece ter retrocedido aos tempos coloniais, o Brasil não aprendeu nada no que toca a honrar os seus habitantes primordiais, os índios brasileiros. Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é uma obra criada num momento crítico, mas relevante para dar rosto e voz a quem corre sério perigo. O Festival de Cannes 2019, onde o filme conquistou o  prémio especial do júri na secção Un Certain Regard, foi lugar para uma manifestação de alerta na red carpet, para que a comunidade internacional saiba o que se passa junto dos povos indígenas da Amazónia. Realizadores e actores desfilaram vestidos de preto com cartazes de protesto.


Ihjãc, de 15 anos, tem pesadelos desde que o pai morreu. Ele é um índio Krahô, do Norte do Brasil. Ihjãc avança na escuridão com o corpo suado, seguindo uma voz distante que ecoa por entre as palmeiras. A voz do pai chama-o, junto à cascata: chegou o momento de preparar a sua festa de fim de luto para que o espírito possa partir para a aldeia dos mortos. Rejeitando o seu dever e para escapar do processo de se transformar em xamã, Ihjãc foge para a cidade de Itacajá. Longe do seu povo e da sua cultura, vai enfrentar a realidade de ser um indígena no Brasil contemporâneo.

Filmado em 16 mm, adensando a proximidade com a comunidade indígena da aldeia da Pedra Branca, somos levados para a beleza mais primitiva da Natureza, inseridos numa comunidade unida e de tradições e crenças ancestrais.

Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos pede-nos que observemos e preservemos. Se por um lado, assistimos a uma cultura muito diferente da nossa, conseguimos igualmente encontrar influências da globalização nos hábitos dos mais jovens (Kôtô  pinta as unhas e comenta com a mãe a cor da moda). A fuga de Ihjãc para a pequena cidade apresenta-nos às fragilidades do sistema brasileiro no que toca à protecção destas comunidades. Apesar de existir um centro para apoiá-los e tratá-los quando estão doentes, as diferenças são muitas e a comunicação entre índios e brancos não é fácil.


Mas é no ambiente entre o real e o sobrenatural que o filme de João Salaviza e Renée Nader Messora se distingue, para além da vertente inevitavelmente política que encerra. A pureza das imagens e das tradições leva-nos a um outro tempo que é preciso preservar. 

domingo, 17 de março de 2019

Sugestão da Semana #368

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messora.

CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS


Ficha Técnica:
Título Original: Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos
Realizadores: João Salaviza e Renée Nader Messora
Actores: Henrique Ihjãc Krahô, Raene Kôtô Krahô
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 114 minutos

domingo, 22 de novembro de 2015

Sugestão da Semana #195

Dos títulos estreados na passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, Montanha, primeira longa-metragem do jovem e premiado realizador João Salaviza. Podes ler ou reler a crítica ao filme aqui.

MONTANHA


Ficha Técnica:
Título Original: Montanha
Realizador: João Salaviza
Actores: David Mourato, Rodrigo Perdigão, Carloto Cotta, Maria João Pinho
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 90 minutos

terça-feira, 10 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Montanha, de João Salaviza (2015)

*8/10*

Uma sala cheia recebeu a antestreia de Montanha, a primeira longa-metragem de João Salaviza, no cinema Monumental, por ocasião do Lisbon & Estoril Film Festival. Realizador e elenco apresentaram o filme que, tal como as anteriores curtas do cineasta, aborda a adolescência problemática de gente real de Lisboa.


Certo Verão quente, na capital, conhecemos David, de 14 anos, que se perde na montanha de sentimentos da adolescência, entre os amores, os amigos, a mãe ausente e o avô, no hospital, cuja hipótese de morte iminente David se recusa a colocar. 

Um argumento simples, realista, onde as palavras não dizem tudo e são os olhares, os gestos e os momentos de introspecção que nos ajudam a saber o que vai dentro de cada personagem, conhecer os seus dilemas, a sua dor. Desde o David rebelde, sem futuro em vista, ao David protector da mãe, da irmã e do avô - que paira sempre como um espectro ausente mas muito presente e cuja importância na vida do protagonista parece ser crucial -, o David apaixonado, desiludido, desencantado, revoltado, perdido...

Os personagens encontram-se com a sua realidade com uma naturalidade invejável, especialmente David Mourato, que encarna este protagonista desafiador, justo, triste, solitário. Entre os seus amigos, reencontramos Rafa, que conhecemos da curta-metragem homónima de Salaviza e que aqui nos faz uma visita, tornando-nos quase como parte de Montanha.


Mas mais que todo o lado humano da longa-metragem, o deslumbramento chega desde o primeiro plano, com uma fabulosa direcção de fotografia que faz da iluminação a verdadeira protagonista. Filmado em 35 mm, João Salaviza consegue fazer da imagem um elemento repleto de significação, com a luz e a escuridão a assumirem este papel principal. Somos inundados por perfis que surgem das sombras, vultos tímidos, que se mexem naqueles prédios de um bairro social de Lisboa... Sensações, sentimentos, melancolia, medo, a adolescência a jogar a sério com David, o adulto que surge aos poucos na criança que ainda é.