Mostrar mensagens com a etiqueta Josh Safdie. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Josh Safdie. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de janeiro de 2026

Sugestão da Semana #702

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Marty Supreme, de Josh Safdie, protagonizado por Timothée Chalamet.

MARTY SUPREME 


Ficha Técnica:
Título Original: Marty Supreme
Realizador: Josh Safdie
Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'zion, Kevin O'Leary, Tyler, The Creator, Abel Ferrara, Fran Drescher
Género: Drama, Desporto
Classificação: M/14
Duração: 149 minutos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Crítica: Diamante Bruto / Uncut Gems (2019)

"This is me! This is how *I* win."
Howard Ratner


*9/10*

Que os irmãos Safdie gostam de anti-heróis já ninguém tinha dúvidas. Diamante Bruto veio confirmar essa predilecção, mas também fazer prova de que os realizadores são bem capazes de manter (ou até elevar) a qualidade que já tinham mostrado em Good Time. Tudo no meio de muitas jóias e pedras preciosas.

Howard Ratner (Adam Sandler), um carismático joalheiro nova-iorquino, está sempre à procura do próximo grande negócio. Uma série de apostas arriscadas que o podem levar a perder tudo, obrigam-no a equilibrar negócios e família enquanto se defende dos ataques que surgem por todos os lados, na busca incansável pela vitória final.


Entre compras, vendas, penhoras, leilões ou empréstimos arriscados, Howard é um fala-barato matreiro mas também cede facilmente sob a influência do sócio ou da estrela de basquetebol que tanto admira - Kevin Garnett, a fazer de si mesmo -, e o vício das apostas junta-se ao todo que o faz coleccionar cobradores.

A protagonizar está o inesperado Adam Sandler a revelar-se completamente. Mesmo que a personagem mantenha alguns traços cómicos, certo é que parece nascer perante os nossos olhos um novo actor - e não é só pelo trabalho de caracterização. Sandler sofre, vibra e acredita piamente que a sua sorte há-de chegar, enquanto ludibria e é ludibriado por todos com quem se cruza.


Diamante Bruto é frenético até ao último instante, tão inesperado como viciante. Os realizadores mantém o ritmo desenfreado e magnético e resistem a filmar em 35 mm, com toda a carga cinematográfica que a película imprime, e banda sonora a condizer.

Das entranhas do Homem, para o âmago da pedra preciosa, Diamante Bruto explora sensações e vícios, com um protagonista assombrado pela tragédia, que nunca deixa de viver no limite.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Estreias da Semana #414

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses quatro novos filmes. Os nomeados para os Oscars Jojo Rabbit e Mulherzinhas são duas das estreias. Na plataforma de streaming Netflix, estreia Diamante Bruto, dos irmãos Safdie, no dia 31 de Janeiro.

Calafrio (2020)
The Turning
No Maine, numa misteriosa mansão localizada numa zona rural, Kate (Mackenzie Davis), a nova ama, está encarregada de cuidar de dois órfãos perturbados, Flora (Brooklynn Prince) e Miles (Finn Wolfhard). Mas Kate depressa se apercebe que a casa e as duas crianças albergam segredos tenebrosos e que as coisas poderão não ser aquilo que parecem.

J'accuse - O Oficial e o Espião (2019)
J'accuse
A 5 de Janeiro de 1895, o Capitão Alfred Dreyfus (Louis Garrel), um jovem oficial judeu, é acusado de espionagem para a Alemanha e condenado a prisão perpétua na ilha do Diabo. Entre as testemunhas está Georges Picquart (Jean Dujardin), promovido para gerir a unidade militar de contra-espionagem. Mas quando Picquart descobre que os alemães continuam a receber informações secretas, é arrastado para um labirinto perigoso de fraude e corrupção que ameaça não só a sua honra, mas também a sua vida.

Mulherzinhas (2019)
Little Women
Greta Gerwig apresenta uma versão de Mulherzinhas baseada não só no romance de Louisa May Alcott, mas também nas notas deixadas pela autora. A história do crescimento de quatro irmãs nos anos que se seguiram à Guerra Civil dos EUA, desdobra-se no alter ego da autora, Jo March, à medida que esta leva a sua vida real para a  ficção. Retratando Jo, Meg, Amy e Beth March, estão as actrizes Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, e Eliza Scanlen, com Timothée Chalamet no papel do vizinho Laurie, Laura Dern como Marmee e Meryl Streep como tia March.

Jojo Rabbit (2019)
Jojo Rabbit é um menino que vive durante a Segunda Guerra Mundial e tem como amigo imaginário, uma versão imprecisa de Adolf Hitler, que inflama as ingénuas crenças patrióticas do menino. No entanto, tudo muda quando Jojo conhece uma menina que desafia esses pontos de vista e o obriga a enfrentar a realidade.

Estreia Netflix:

Diamante Bruto (2019)
Uncut Gems
Howard Ratner (Adam Sandler), um carismático joalheiro nova-iorquino está sempre à procura do próximo grande negócio. Uma série de apostas arriscadas, que o podem levar a perder tudo, obrigam-no a equilibrar negócios e família enquanto se defende dos ataques que surgem por todos os lados, na busca incansável pela vitória final.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Crítica: Good Time (2017)

"I think something very important is happening and it's deeply connected to my purpose." 
Connie

*9/10*

Benny e Josh Safdie continuam a consolidar-se como nova dupla de talentosos irmãos realizadores. Good Time trouxe-lhes maior notoriedade, mais ainda com Robert Pattinson como protagonista, num desempenho impressionante.

É curiosamente também a história de dois irmãos de Queens que Good Time acompanha. Tudo começa com um assalto falhado a um banco que coloca Nick (Benny Safdie), o irmão mais novo de Constantine "Connie" Nikas (Robert Pattinson), na prisão. Agora, Connie embarca numa retorcida odisseia através do submundo da cidade de Nova Iorque numa tentativa cada vez mais desesperada e perigosa de tirar o irmão da cadeia. Falta dizer que Nick tem um problema mental que Connie insiste em não admitir.


Good Time tem desde o primeiro instante um sabor agridoce que nos diverte, mas também nos comove. No final, saímos derreados com uma história tão carregada de emoções e realismo.

Connie faz tudo pelo irmão, mas é inconsciente e inconstante, com ausência de valores. Para si, tudo é válido para alcançar um vida melhor para o irmão, contra a lei, contra o socialmente aceite. Curioso é que ele parece realmente não perceber o quão errado está e que, na realidade, nada do que faz é benéfico para Nick. É ingénuo, "pobre de espírito", e usa os outros, sem querer efectivamente prejudicar ninguém. Ele é criminoso com um propósito de fazer o bem, ou assim o acha.


Assistimos a situações tão caricatas e inacreditáveis que vamos rir com a desgraça alheia. mas Good Time está longe de ser uma comédia. É um filme que magoa e nos aproxima das personagens. Nós que somos ainda mais impotentes que os dois irmãos. Dois homens que provavelmente nasceram na família errada, no local errado - neste caso, em Queens -, sem as possibilidades que teriam, provavelmente, noutro contexto social. Eis aqui a forte crítica socio-política de Good Time.

Robert Pattinson tem uma interpretação poderosa, camaleónica. É tão ingénuo como manipulador, infringe a lei e faz-nos acreditar - tal como ele próprio - que tudo é por um bem maior: o seu irmão. É curiosa a simpatia que nutrimos por um delinquente. Benny Safdie é outro grande talento do filme, na pele do frágil irmão.


Num ambiente nocturno, a fotografia de Sean Price Williams tira partido das cores e luzes, potenciando o ambiente instável e soturno que rodeia o protagonista, numa noite de excessos e situações caricatas.

Com Good Time, os irmãos Safdie criaram uma longa-metragem intensa e certeira. Através do humor, toca temáticas desconfortáveis, abala a plateia e fá-la reflectir. Um filme extremamente poderoso.