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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2016

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2016 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. A ordem poderia ser outra já que, para mim, estão todos muito equilibrados. Eis os meus 10 favoritos de 2016 (estreados no circuito comercial de cinema em Portugal). 



Verhoeven regressa sem se desapegar da violência e da sensualidade. As personagens são misteriosas, escondem segredos escabrosos, vivem de aparências. Sem moral, sem valores, sem dignidade. Ninguém é bom, mas todos nos conquistam a atenção e aguçam a curiosidade sobre o seu passado. Em especial, claro, a nossa protagonista Michèle, a mulher de meia idade que vive sozinha numa casa enorme com o seu gato (figura de especial simbolismo), divorciada, mas surpreendentemente sexual.



Fiel ao seu estilo, às suas influências, Refn não é meigo no seu The Neon Demon - O Demónio de Néon. A perfeição está acima de toda a moral e valores. A crueldade é a principal arma para atingi-la. Tudo para ser perfeita. Uma crítica aos meandros da moda e da beleza, mas também ao quão más podem ser as mulheres umas para as outras. E, finalmente, o realizador presenteia-nos com uma longa-metragem onde são elas quem impera... e de que maneira.



Belo e singelo, Brooklyn partilha as qualidades com a sua protagonista. Da inocência à emancipação, entre a Irlanda e os Estados Unidos, seguimos com paixão a realidade, por vezes dura, por vezes feliz, de Eilis e do sonho americano de que foi à procura.



Victoria leva-nos numa degradação de emoções, sentimentos. desgaste físico e psicológico, numa escalada de violência, com o nascer da manhã - um trabalho fabuloso dos cinco incansáveis. Uma longa madrugada que pode mudar a vida das cinco personagens, onde, com elas, percorremos um sem número de sensações e deixamo-nos encantar por estes desconhecidos que emanam uma empatia fora do comum. Tudo em tempo real, sem cortes, sem pausas. 



A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada. Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.



Premonitório desde os primeiros planos, mas completamente imprevisível, até ao último momento, Os Oito Odiados traz-nos Tarantino no seu esplendor, com actores de fibra, personagens bem trabalhadas, desconhecidos que vamos descobrindo, desmascarando e surpreendendo a cada plano e, mais ainda, através da analepse fulcral que põe tudo em pratos limpos. Numa segunda visualização, um novo ponto de vista, somos o nono odiado e sabemos demais.



A imaginação macabra e cruelmente surrealista - e futurista - de Yorgos Lanthimos continua aguçada e provocadora. Não tão dura como Canino, mas igualmente incómoda e frontal, A Lagosta vem mostrar-nos o quão egoístas e egocêntricos somos, no fundo. Uma história de amores por necessidade, ou vice-versa. Dentro ou fora do Hotel, nada parece simples. Nem a mais frágil das personagens é inocente.



Ela em Lisboa, ele em Angola, o tempo a passar, a barriga dela a crescer e o amor dos dois a aumentar com as saudades. Cartas ternas, românticas, fogosas, a paixão que não se pode viver fisicamente é descrita com o mesmo fulgor em cada folha de papel. Ivo M. Ferreira realizou um filme que fazia muita falta a Portugal e ao mundo. Música, imagens e palavras revelam a Guerra Colonial do lado de quem lá esteve. Com harmonia e encanto, o cinema conta uma história de amor, que é também a dura História de uma nação.



Miss Violence constrói-se em volta de um extremo doentio e arrasador de violência doméstica. A perversidade das acções, filmada e assistida com uma naturalidade incómoda, com a vontade de agir reprimida pela autoridade da figura parental. A inocência dos mais novos contrasta com o medo incapacitante dos que conhecem a verdade. A câmara de Avranas é tão controladora como o pai desta estranha família, com vários planos sequência invasivos. Pelo menos dentro daquela casa, não há espaço privado. Os segredos vão sendo revelados aos poucos e tudo será sempre pior do que se possa imaginar. 



Um realismo cru mas fantástico, a cavalgar entre os bois, a pobreza, os sonhos e o sexo, assim se pode apresentar Boi Neon, de Gabriel Mascaro. Traz ao cinema o que de mais puro e mais carnal compõe o homem que, perante todas as adversidades, segue em frente, persegue as suas ilusões. Uma proposta cinematográfica original e envolvente, que deixa um rasto de melancolia por onde passa.


Este ano, não consigo resistir a nomear ainda dois grandes filmes - numa espécie de menções honrosas - que, até agora, não tiveram estreia comercial por cá, mas foram visualizados em festivais de cinema.



Robert Eggers criou um trabalho exigente, documentado, bem estudado. Cada um poderá interpretar o filme consoante as suas crenças, mas ninguém vai deixar de falar e pensar nele. No seio do fanatismo religioso, onde o seguimento das escrituras bíblicas se confunde com o medo do Inferno, encontramos esta família, excluída da comunidade e enviada para um terreno isolado, junto à floresta. E com a solidão, o terreno infértil para o cultivo de milho e a escassez de alimentos, fenómenos bizarros começam a acontecer. The Witch traz-nos uma visão pouco comum do género terror, numa abordagem corajosa que junta a História e seus mitos e lendas, à bruxaria e satanismo.



Um lugar esquecido no tempo, de terrenos até perder de vista, uma casa sem água canalizada, guardada por uma cadela chamada Polícia. Bogdan Mirica criou um filme duro, com alguns momentos de humor, onde a crítica sócio-política está bastante presente, a corrupção domina e a lei parece não conseguir impor-se. Uma excelente estreia do realizador romeno. A Roménia rural de Dogs, pode dizer-se, não é para os novos.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Crítica: Miss Violence (2013)

*8.5/10*

O auge do cinema grego, alcançado nos últimos anos, tem vindo a deixar marcas no mundo da Sétima Arte. Quando se pensa que já nada nos conseguirá surpreender, eis que chega da Grécia mais um filme cruel e sem dó na exploração das temáticas mais grotescas.

Miss Violence não é excepção.  Apesar de chegar aos cinemas portugueses com três anos de atraso, a longa-metragem de Alexandros Avranas, vencedor do Leão de Prata do Festival de Veneza para Melhor Realizador, merece todas as atenções.

Violentíssimo - como o nome indica -, perverso, que nos deixa impotentes e chocados em frente ao ecrã, Miss Violence segue a linha de Canino, de Yorgos Lanthimos, e clama por liberdade desde a primeira cena.


No dia do seu 11.º aniversário, Angeliki salta da varanda de casa com um sorriso no rosto. Enquanto a polícia e os serviços sociais tentam descobrir a razão por detrás deste aparente suicídio, a família insiste que foi um acidente. Que segredo levou Angeliki para o túmulo? Por que razão insistem os elementos da sua família em esquecê-la e seguir com as suas vidas?

O argumento constrói-se em volta de um extremo doentio e arrasador de violência doméstica. A perversidade das acções, filmada e assistida com uma naturalidade incómoda, com a vontade de agir reprimida pela autoridade da figura parental. A inocência dos mais novos contrasta com o medo incapacitante dos que conhecem a verdade.

A câmara de Avranas é tão controladora como o pai desta estranha família, com vários planos sequência invasivos. Pelo menos dentro daquela casa, não há espaço privado. O filme é comandado pela arrepiante interpretação de Themis Panou, o pai desta casa do terror.


Os segredos vão sendo revelados aos poucos e tudo será sempre pior do que se possa imaginar. Miss Violence é mais um exemplo da capacidade do cinema grego se reinventar, novamente em torno de uma família disfuncional.

sábado, 26 de novembro de 2016

Estreias da Semana #247

Sete filmes chegaram às salas de cinema na passada Quinta-feira. A Infância de Um LíderAnimais NoturnosVaiana são algumas das estreias.

A Infância de Um Líder (2015)
The Childhood of a Leader
Baseado no conto homónimo de 1939, de Jean-Paul Sartre, A Infância de um Líder é uma arrepiante fábula sobre a ascensão do fascismo no século XX, relata a história de um rapaz americano a viver em França, em 1919. O seu pai trabalha para o governo dos EUA na criação do Tratado de Versalhes. O que o rapaz observa ajuda a moldar as suas crenças enquanto testemunhamos o nascimento de um terrível ego.

A Primavera de Christine (2016)
Maikäfer Flieg
Viena, 1945. A situação explosiva da guerra e a ocupação russa vista pelos olhos inocentes duma criança de nove anos, Christine. Com a casa destruída num bombardeamento e sem um tostão, a família de Christine instala-se numa mansão luxuosa nos arredores de Viena. Mas têm apenas um telhado sobre a cabeça, nada mais. Quando os soldados alemães se rendem, os russos ocupam a casa. Toda a gente tem medo dos russos, que têm a fama de ser uma turba caprichosa. Todos, menos Christine.

Animais Noturnos apresenta-nos a Susan (Amy Adams), dona de uma galeria de arte, que se vê assombrada pelo livro do seu ex-marido, um thriller violento que ela interpreta como um conto de vingança cheio de simbologia relacionada com a separação de ambos.

Blood Father - O Protetor (2016)
Blood Father
O perigoso chefe de um cartel de droga culpa a namorada Lydia (Erin Moriarty) pelo roubo de uma embalagem com uma avultada quantia em dinheiro. Lydia procura ajuda junto da única pessoa no mundo disposta a ajudá-la: John Link (Mel Gibson), o seu pai. Antigo motoqueiro e criminoso condenado, Link, está determinado a proteger a filha e, pela primeira vez na vida, a fazer o que é mais correcto.

Miss Violence (2013)
No dia do seu 11.º aniversário, Angeliki salta da varanda de casa com um sorriso no rosto. Enquanto a polícia e os serviços sociais tentam descobrir a razão por detrás deste aparente suicídio, a família insiste que foi um acidente. Que segredo levou Angeliki para o túmulo? Por que razão insistem os elementos da sua família em esquecê-la e seguir com as suas vidas?

O Exame (2016)
Bacalaureat
Romeo, médico numa pequena aldeia da Transilvânia, sempre fez tudo para que a sua filha Eliza pudesse estudar no estrangeiro quando terminasse o ensino secundário. O seu sonho está prestes a concretizar-se: Eliza ganhou uma bolsa para estudar psicologia numa universidade inglesa. Para isso, só precisa de passar nos exames finais com boas notas. Um dia antes do primeiro exame, Eliza sofre um ataque que coloca em risco o seu futuro. Romeo tem de resolver a situação, mas nenhuma das soluções passa por usar os princípios que ele, enquanto pai, transmitiu à sua filha.

Vaiana (2016)
Moana
Nas ilhas do Pacífico Sul, Vaiana, uma navegadora nata e filha única do chefe Tui, embarca na procura do lendário semideus Maui, o único que a pode ajudar a pôr fim a uma maldição que ameaça o seu povo. Juntos vão atravessar o mar aberto numa viagem em que encontram enormes criaturas marinhas, submundos empolgantes e mitos antigos.