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sexta-feira, 27 de março de 2020

Animais Cinéfilos #13

Na época difícil que vivemos, para muita gente a única companhia durante estas semanas - ou meses - serão os animais de estimação. Sejam cães, gatos, pássaros, peixes, roedores, répteis, animais de quinta ou outros tantos, estes companheiros de jornada ganharão uma importância ainda maior para combater o isolamento forçado. Se os devemos tratar bem todos os dias, agora espero que aprendamos a dar-lhes ainda maior valor.


E apaixonada por animais e cinema como sou, não poderia faltar um Animais Cinéfilos muito especial em época de pandemia. 

No filme que escolhi para hoje, os animais são mesmo membros da família, quer o cão irmão do protagonista - que futuramente pondera ser uma lagosta -, quer todos os outros solteiros infelizes que não conseguem encontrar um par amoroso. Em tempos terríveis, talvez não seja má ideia recordar um filme distópico, mas com muito humor, num dos melhores trabalhos do grego Yorgos Lanthimos.

Escolhi A Lagosta e os seus animais, num mundo desumanizado.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dia Internacional do Beijo: Os melhores beijos de 2016

Como é hábito, no Hoje Vi(vi) um Filme celebramos o Dia Internacional do Beijo com os mais inesquecíveis beijos do passado ano cinematográfico. De 2016, aqui estão cinco beijos que ficaram na memória do público e que pudemos ver entre Janeiro e Dezembro (nos cinemas portugueses).

Carol: Cate Blanchett e Rooney Mara


A Lagosta (The Lobster): Colin Farrell e Rachel Weisz


American Honey: Shia LaBeouf e Sasha Lane



Esquadrão Suicida (Suicide Squad): Jared Leto e Margot Robbie


Deadpool: Ryan Reynolds e Morena Baccarin
(É a cena final, cuidado com os SPOILERS)

Qual o vosso eleito? 
Juntavam mais algum a esta lista?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2016

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2016 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. A ordem poderia ser outra já que, para mim, estão todos muito equilibrados. Eis os meus 10 favoritos de 2016 (estreados no circuito comercial de cinema em Portugal). 



Verhoeven regressa sem se desapegar da violência e da sensualidade. As personagens são misteriosas, escondem segredos escabrosos, vivem de aparências. Sem moral, sem valores, sem dignidade. Ninguém é bom, mas todos nos conquistam a atenção e aguçam a curiosidade sobre o seu passado. Em especial, claro, a nossa protagonista Michèle, a mulher de meia idade que vive sozinha numa casa enorme com o seu gato (figura de especial simbolismo), divorciada, mas surpreendentemente sexual.



Fiel ao seu estilo, às suas influências, Refn não é meigo no seu The Neon Demon - O Demónio de Néon. A perfeição está acima de toda a moral e valores. A crueldade é a principal arma para atingi-la. Tudo para ser perfeita. Uma crítica aos meandros da moda e da beleza, mas também ao quão más podem ser as mulheres umas para as outras. E, finalmente, o realizador presenteia-nos com uma longa-metragem onde são elas quem impera... e de que maneira.



Belo e singelo, Brooklyn partilha as qualidades com a sua protagonista. Da inocência à emancipação, entre a Irlanda e os Estados Unidos, seguimos com paixão a realidade, por vezes dura, por vezes feliz, de Eilis e do sonho americano de que foi à procura.



Victoria leva-nos numa degradação de emoções, sentimentos. desgaste físico e psicológico, numa escalada de violência, com o nascer da manhã - um trabalho fabuloso dos cinco incansáveis. Uma longa madrugada que pode mudar a vida das cinco personagens, onde, com elas, percorremos um sem número de sensações e deixamo-nos encantar por estes desconhecidos que emanam uma empatia fora do comum. Tudo em tempo real, sem cortes, sem pausas. 



A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada. Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.



Premonitório desde os primeiros planos, mas completamente imprevisível, até ao último momento, Os Oito Odiados traz-nos Tarantino no seu esplendor, com actores de fibra, personagens bem trabalhadas, desconhecidos que vamos descobrindo, desmascarando e surpreendendo a cada plano e, mais ainda, através da analepse fulcral que põe tudo em pratos limpos. Numa segunda visualização, um novo ponto de vista, somos o nono odiado e sabemos demais.



A imaginação macabra e cruelmente surrealista - e futurista - de Yorgos Lanthimos continua aguçada e provocadora. Não tão dura como Canino, mas igualmente incómoda e frontal, A Lagosta vem mostrar-nos o quão egoístas e egocêntricos somos, no fundo. Uma história de amores por necessidade, ou vice-versa. Dentro ou fora do Hotel, nada parece simples. Nem a mais frágil das personagens é inocente.



Ela em Lisboa, ele em Angola, o tempo a passar, a barriga dela a crescer e o amor dos dois a aumentar com as saudades. Cartas ternas, românticas, fogosas, a paixão que não se pode viver fisicamente é descrita com o mesmo fulgor em cada folha de papel. Ivo M. Ferreira realizou um filme que fazia muita falta a Portugal e ao mundo. Música, imagens e palavras revelam a Guerra Colonial do lado de quem lá esteve. Com harmonia e encanto, o cinema conta uma história de amor, que é também a dura História de uma nação.



Miss Violence constrói-se em volta de um extremo doentio e arrasador de violência doméstica. A perversidade das acções, filmada e assistida com uma naturalidade incómoda, com a vontade de agir reprimida pela autoridade da figura parental. A inocência dos mais novos contrasta com o medo incapacitante dos que conhecem a verdade. A câmara de Avranas é tão controladora como o pai desta estranha família, com vários planos sequência invasivos. Pelo menos dentro daquela casa, não há espaço privado. Os segredos vão sendo revelados aos poucos e tudo será sempre pior do que se possa imaginar. 



Um realismo cru mas fantástico, a cavalgar entre os bois, a pobreza, os sonhos e o sexo, assim se pode apresentar Boi Neon, de Gabriel Mascaro. Traz ao cinema o que de mais puro e mais carnal compõe o homem que, perante todas as adversidades, segue em frente, persegue as suas ilusões. Uma proposta cinematográfica original e envolvente, que deixa um rasto de melancolia por onde passa.


Este ano, não consigo resistir a nomear ainda dois grandes filmes - numa espécie de menções honrosas - que, até agora, não tiveram estreia comercial por cá, mas foram visualizados em festivais de cinema.



Robert Eggers criou um trabalho exigente, documentado, bem estudado. Cada um poderá interpretar o filme consoante as suas crenças, mas ninguém vai deixar de falar e pensar nele. No seio do fanatismo religioso, onde o seguimento das escrituras bíblicas se confunde com o medo do Inferno, encontramos esta família, excluída da comunidade e enviada para um terreno isolado, junto à floresta. E com a solidão, o terreno infértil para o cultivo de milho e a escassez de alimentos, fenómenos bizarros começam a acontecer. The Witch traz-nos uma visão pouco comum do género terror, numa abordagem corajosa que junta a História e seus mitos e lendas, à bruxaria e satanismo.



Um lugar esquecido no tempo, de terrenos até perder de vista, uma casa sem água canalizada, guardada por uma cadela chamada Polícia. Bogdan Mirica criou um filme duro, com alguns momentos de humor, onde a crítica sócio-política está bastante presente, a corrupção domina e a lei parece não conseguir impor-se. Uma excelente estreia do realizador romeno. A Roménia rural de Dogs, pode dizer-se, não é para os novos.

domingo, 22 de maio de 2016

Sugestão da Semana #221

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca A Lagosta como Sugestão da Semana. O mais recente filme do realizador grego Yorgos Lanthimos conta com Colin Farrell, Rachel Weisz, Léa Seydoux, Ben Whishaw e John C. Reilly no elenco. A crítica pode ser lida aqui.

A LAGOSTA


Ficha Técnica:
Título Original: The Lobster
Realizador: Yorgos Lanthimos 
Actores: Colin Farrell, Rachel Weisz, Léa Seydoux, Ben Whishaw, John C. Reilly, Jessica Barden, Ariane Labed, Angeliki Papoulia
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/16
Duração: 118 minutos

sábado, 21 de maio de 2016

Estreias da Semana #221

Na passada Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses dez novos filmes. A Lagosta, Cinzento e Negro e X-Men: Apocalipse são alguns dos títulos em destaque.

A Canção do Mar (2014)
Song of the Sea
Ben e sua irmã mais nova Searsha - a última criança-foca - embarcam numa viagem fantástica, através de um mundo de lendas e criaturas mágicas, numa tentativa de voltarem à sua casa à beira-mar. O filme é inspirado nas "Selkies", criaturas de origem mitológica do folclore irlandês, que vivem como focas no mar, mas que em terra se tornam humanas.

A Correspondência (2016)
La Corrispondenza
Amy Ryan (Olga Kurylenko) é uma jovem estudante universitária que nos tempos livres trabalha como dupla no cinema e na televisão. Amy é também a amante do professor de astrofísica Ed Phoerum (Jeremy Irons), um homem casado. Apesar das limitações, o relacionamento dura seis anos, com encontros na desabitada casa de família de Ed, em Borgoventoso, na Itália. Um dia, o professor desaparece sem dar qualquer explicação. Amy tenta perceber o porquê da distância e de ele continuar a enviar-lhe mensagens todos os dias. São mensagens de voz, emails e até mesmo mensagens de vídeo gravadas em DVD e entregues pelo correio.

Num futuro distópico não tão distante quanto isso, todos os solteiros, de acordo com as leis da Cidade, são levados para o Hotel, onde se vêem obrigados a encontrar um par romântico em 45 dias. Caso contrário, serão transformados num animal à escolha e libertados na floresta.

Aqui, em Lisboa: Episódios da Vida da Cidade (2015)
Em 2013, para celebrar o seu décimo aniversário, o festival de cinema IndieLisboa convidou quatro realizadores para filmarem em Lisboa. Quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pela ficção, o documentário, a comédia ou o fantástico.

Atividades Criminosas (2015)
Criminal Activities
Quatro amigos tropeçam numa oportunidade de negócio irrecusável. Quando corre mal, descobrem que parte do financiamento veio de um chefe da máfia particularmente cruel. Agora, têm de sequestrar um elemento da família de um chefe rival. Se falharem, pagarão o que devem com a própria vida.

Cinzento e Negro (2015)
Uma história vulcânica. Traição, roubo e fuga, perseguição e vingança. Amor, solidão e morte.

O Gang - Assalto Arriscado (2016)
Braqueurs
Yanis, Eric, Nasser e Frank formam o gang de assaltantes mais eficiente de toda a região de Paris. Entre cada golpe, cada um deles gere, da melhor forma possível, a sua vida familiar, entre sentimentos de paranóia, isolamento e bastante ansiedade face ao próximo assalto. É então que Amine, o irmão mais novo de Yanis, deixa-se levar pela ganância, comete um erro e leva todos a terem que trabalhar para os maiores criminosos da cidade. Ao invés de terem como alvo um carro blindado de transporte de valores, como costumava acontecer, desta vez o objectivo é roubar um carregamento de vários quilos de heroína.

O Senhor Juiz (2015)
L'Hermine
Michel Racine é um juiz solitário, temido e odiado por todos. Rígido consigo e com os outros, é chamado o Juiz dos dois dígitos: com ele, todos apanham mais de dez anos. Tudo muda quando reencontra Birgit Lorensen-Coteret, um dos membros do júri que terá de julgar um homem acusado de homicídio.

Uma Aventura no Jurássico (2012)
Dino Time
Uma máquina do tempo leva Ernie, Júlia e Max a uma viagem de 65 milhões de anos ao passado, até a um ninho de uma Tiranossauro Rex que os adopta como filhos. Os três terão de conseguir voltar para casa, mas não sem antes explorar o mundo Jurássico e viver grandes aventuras.

X-Men: Apocalipse (2016)
X-Men: Apocalypse
Desde o início da civilização, Apocalipse era adorado como um deus. O primeiro e mais poderoso mutante do universo X-Men, acumulou poderes e tornou-se imortal. Ao acordar após milhares de anos, fica desiludido com o mundo que encontra e recruta um grupo de poderosos mutantes, incluindo um desiludido Magneto (Michael Fassbender), para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial, sobre a qual reinará. Com o destino da Terra em causa, Raven (Jennifer Lawrence), com a ajuda do Professor X (James McAvoy), irá liderar uma equipa de jovens mutantes para combater o inimigo e salvar a humanidade da destruição.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Crítica: A Lagosta / The Lobster (2015)

"If you encounter any problems you cannot resolve yourselves, you will be assigned children, that usually works."
Hotel Manager
*9/10*

A imaginação macabra e cruelmente surrealista - e futurista - de Yorgos Lanthimos continua aguçada e provocadora. Não tão dura como Canino, mas igualmente incómoda e frontal, A Lagosta (The Lobster), a última longa-metragem do realizador grego, vem mostrar-nos o quão egoístas e egocêntricos somos, no fundo.

Num futuro distópico não tão distante quanto isso, todos os solteiros, de acordo com as leis da Cidade, são levados para o Hotel, onde se vêem obrigados a encontrar um par romântico em 45 dias. Caso contrário, serão transformados num animal à escolha e libertados na floresta.

Uma história de amores por necessidade, ou vice-versa. Dentro ou fora do Hotel, nada parece simples. Nas suas críticas à humanidade, Lanthimos não teme nenhuma temática e apresenta-nos argumentos geniais. A Lagosta é tão poético como demente, tão sentimental como impiedoso. Nem a mais frágil das personagens é inocente.


Numa primeira metade mais entusiasmante, onde percebemos o desumano modo de funcionamento do Hotel, A Lagosta continua, ligeiramente menos surpreendente, mas Lanthimos não deixa o seu filme perder o fulgor ao entrar na floresta e continua a surpreender pelas novas regras, paradoxais, mas não menos inacreditáveis que as anteriores.

O realizador filma este ambiente repressivo na sua singularidade tão sarcástica como lírica. Um amor de aparências, de cinismo e falsidade. Com planos provocadores e irónicos ou usando a câmara lenta para aumentar a adrenalina das caçadas de solteiros fugitivos, por exemplo, Lanthimos não descura nenhum aspecto.


No elenco, Colin Farrell surpreende como o protagonista David, ele que, se falhar, quer transformar-se na lagosta que dá título ao filme, "porque as lagostas vivem mais de cem anos, têm sangue azul como os aristocratas e são férteis toda a vida. Eu também gosto muito do mar." Frágil, desesperado, tímido, ele é mais uma peça deste jogo em que todos desejam o mesmo: continuar a sua vida como humanos. Rachel Weisz parece-nos a mulher ideal neste filme tão surreal. Doce, decidida e apaixonada, transparece uma fragilidade muito natural. Por seu lado, Léa Seydoux é a impiedosa líder da resistência de solteiros, uma ditadora que faz frente à também ditadura do Hotel. Ainda de destacar são as interpretações de Ben Whishaw, John C. Reilly e das gregas Angeliki Papoulia (Canino), a mulher sem coração, e Ariane Labed (Attenberg), a empregada do Hotel, muito dedicada àquilo em que acredita.

Conquistou o Prémio do Júri em Cannes e chegou para nos deixar sem palavras. Tão inacreditável, mas, ao mesmo tempo, tão plausível. Uma denúncia ao egoísmo e à crueldade dos Homens, num Mundo onde nos fazem acreditar que não se pode viver sem um parceiro, custe o que custar.