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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Estreias da Semana #706

Esta Quinta-feira, chegam às salas de cinema portuguesas oito novos filmes. EPiC: Elvis Presley in ConcertOlhar o SolSe Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé são algumas das estreias em destaque.

Enterramos os Mortos (2024)
We Bury the Dead
Quando o marido desaparece na sequência de uma experiência militar que acabou em catástrofe, Ava junta-se a uma "unidade de recuperação de corpos" na esperança de o encontrar vivo. Mas a busca torna-se arrepiante quando os cadáveres que está a enterrar começam a dar sinais de vida.

EPiC: Elvis Presley in Concert (2026)
Mistura de documentário e filme‑concerto feita a partir de imagens inéditas de Elvis: That"s the Way It Is, registo do festival de Verão de 1970, em Las Vegas, e de Elvis on Tour, o filme sobre os concertos de Elvis dois anos mais tarde. Material encontrado durante a produção de Elvis, o filme de Baz Luhrmann, estreado em 2022.

Lubo (2023)
Lubo perde a sua família durante a perseguição aos ciganos na Suíça, no final da década de 1930. Chamado ao serviço militar para proteger a fronteira, a sua vingança terá implicações inesperadas, reconsiderando as linhas ténues entre o bem e o mal.

O Caso dos Estrangeiros (2024)
I Was a Stranger
Uma médica síria é forçada a fugir de Alepo com a filha pequena, uma escolha desesperada que dá início a uma cadeia de acontecimentos e a aproxima de quatro estranhos: um contrabandista disposto a tudo para salvar o filho, um soldado dividido entre ordens e consciência, um poeta em busca de um lugar a que possa chamar casa e um capitão da guarda costeira grega preso entre o dever e a compaixão. Numa única noite no Mediterrâneo, estes caminhos cruzam-se num cenário de tensão, onde a sobrevivência é incerta e a humanidade se revela na sua forma mais crua.

O Som da Morte (2025)
Whistle
Um grupo de estudantes desajustados encontra um antigo apito asteca. Descobrem que ao soprar o apito o som aterrador que ele emite invoca as suas futuras mortes para os perseguir. À medida que o número de mortos aumenta, os amigos investigam as origens do artefacto, num esforço desesperado para interromper a terrível sucessão de tragédias que eles mesmos desencadearam.

Olhar o Sol (2025)
In die Sonne schauen / Sound of Falling
Ao longo de um século, Alma, Erika, Angelika e Lenka, quatro raparigas de diferentes gerações, passam a sua juventude na mesma quinta no norte da Alemanha. Os ecos do passado permanecem nas suas paredes, e as suas vidas entrelaçam-se até que o tempo parece dissolver-se. Uma história envolvente que nos mergulha na experiência feminina vivida por aquelas que ficaram à margem da história.

Primeira Pessoa do Plural (2025)
Mateus Lagoa (Albano Jerónimo) e a sua esposa Irene (Isabel Abreu) preparam-se para celebrar o 20.º aniversário de casamento num luxuoso resort numa ilha tropical, deixando o filho adolescente perigosamente à deriva. Antes da partida para o paraíso, durante uma noite que têm inesperadamente de passar separados, os efeitos secundários das vacinas fazem-se sentir – febres, desmaios, arrepios, alucinações diversas. Uma melancólica disposição instala-se, e o seu mundo parece de alguma forma fraturado, capaz de insuspeitas e perigosas promessas.

Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé (2025)
If I Had Legs I'd Kick You
Linda (Rose Byrne), uma terapeuta sobrecarregada, tenta, sem sucesso, arranjar calma para gerir a misteriosa doença da filha e a ausência do marido. Um pequeno desastre no apartamento familiar obriga-as a deslocar-se para um motel, longe da zona de conforto de Linda. Ao mesmo tempo, uma paciente de Linda desaparece, as decisões erradas multiplicam-se e, à medida que o controlo sobre a realidade lhe escapa e a sua psique em desagregação atrai até o desdém do seu próprio psicólogo, Linda mergulha num estado de frenesim e pavor obsessivo, um pesadelo onde dependências, desigualdades e neuroses a aproximam de um abismo.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

IndieLisboa 2025: Primeira Pessoa do Plural (2025)

"Vês coisas ainda?"
Irene


*5/10*

Sandro Aguilar é um realizador com uma estética e narrativa muito próprias na sua filmografia. Primeira Pessoa do Plural é uma nova incursão num drama fantasioso e cheio de devaneios de realizador e personagens.

"Mateus Lagoa e a sua esposa Irene preparam-se para celebrar o vigésimo aniversário de casamento num luxuoso resort numa ilha tropical, deixando o filho adolescente perigosamente à deriva."

Ao longo da história que conta, Primeira Pessoa do Plural é um delírio, seja devido aos efeitos secundários das vacinas contra as doenças tropicais que os protagonistas tomaram, seja por vontade do realizador, que experimenta sem pudores várias opções cinematográficas. 


Os actores, em especial Albano Jerónimo (como Mateus, mas que vai tendo uma variedade de outros nomes ao longo da longa-metragem), aproveitam a liberdade criativa do cineasta e do próprio filme, e exploram os seus limites, entre as febres altas, os sonhos vívidos e as sensações que uma viagem tropical poderia causar. O filho do casal, que fica em Portugal, apesar de não padecer de efeitos secundários, parece contagiar-se pelo descontrolo dos pais, e vive solitário entre traumas do passado e os desafios da adolescência.

A par da loucura febril de Mateus e Irene, o luto paira como uma assombração sobre o casal e o seu filho, cada um com a sua forma de lidar com ele. Um quarto vazio de gente, um velório inusitado, tudo se confunde entre o real e o delírio - mas a dor mais profunda está verdadeiramente presente.


A direcção de fotografia de Rui Xavier é exímia neste experimentalismo de Aguilar, e aproveita cada particularidade para criar um quadro vivo, tirando partido de alguns dos adereços que as personagens usam ou que as rodeiam - nota positiva para direcção artística e guarda-roupa. Já a montagem arriscada acentua a desconexão de acontecimentos e a confusão mental das personagens.

Todavia, o grande defeito de Primeira Pessoa do Plural é que, efectivamente, não chegará ao Nós a que o título apregoa. Fiel a si, Sandro Aguilar parece filmar sempre na primeira pessoa do singular. É um exercício de estilo e de ideias soltas, com algum humor à mistura, mas sem se conectar com o público. E aí está a sua maior falha.