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domingo, 20 de outubro de 2024

Sugestão da Semana #636

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Megalopolis, de Francis Ford Coppola. Público e crítica estão muito divididos, mas não é todos os dias que se vê um novo filme de Coppola nas salas de cinema.

MEGALOPOLIS


Ficha Técnica:
Título Original: Megalopolis
Realizador: Francis Ford Coppola
Elenco: Adam Driver, Giancarlo Esposito, Nathalie Emmanuel, Aubrey Plaza, Shia LaBeouf, Jon Voight, Jason Schwartzman, Talia Shire, Grace VanderWaal, Laurence Fishburne, Kathryn Hunter, Dustin Hoffman
Género: Drama, Ficção Científica
Classificação: M/14
Duração: 138 minutos

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Crítica: Pieces of a Woman (2020)

*7/10*

Pieces of a Woman, de Kornél Mundruczó, é um retrato de uma família em ruínas, após a perda de um bebé. O argumento, de Kata Wéber - companheira de Mundruczó -, baseia-se na sua própria experiência e na forma como a marcou.

"Martha (Vanessa Kirby) e Sean (Shia LaBeouf) são um casal de Boston cujas vidas mudam para sempre quando um parto caseiro resulta em tragédia. Martha tem de lidar com o pesar ao longo de um ano, enquanto tenta gerir as relações turbulentas com o marido, com a mãe dominadora (Ellen Burstyn) e com a parteira vilipendiada em público (Molly Parker), que terá de enfrentar em tribunal."


O corpo e os sentimentos da Mulher são o grande foco deste filme com selo Netflix. Uma mulher, desfeita física e emocionalmente, tenta, a cada dia, aprender a fazer o luto e continuar a viver. E como acontece a todas as mulheres, todos lhe apontam culpas, indicam qual o caminho a seguir, como deve agir, sempre sob atentos olhares de pena. Ainda grávida, o corpo de Martha era tocado e alvo de curiosidade; durante o parto, é exposta à violência que o momento em si implica; depois da tragédia, o mundo desaba e ela está só. Adensa-se a má relação com a família e surge, como por acaso, alguma alegria na sua predilecção por maçãs. O tom da longa-metragem de Kornél Mundruczó é triste e desencantado, apela à introspecção e reflexão.

São os primeiros 30 minutos - antes até do título surgir no ecrã - que fazem valer a visualização de Pieces of a Woman. São momentos de uma intensidade e execução acima da média, em que a câmara de Mundruczó nos faz circular pela casa de Martha Sean em plano sequência, acompanhando cada momento, desde as primeiras contrações, criando uma tensão tão realista e dolorosa capaz de entorpecer o espectador. Depois do início avassalador, nada terá o mesmo impacto. Segue-se o drama familiar, muitas vezes previsível, e a luta judicial.


A perda de um filho levou à destruição de um casal, quer como família, quer como indivíduos. Nesse aspecto, os protagonistas fazem um excelente trabalho. Shia LaBeouf é o companheiro dedicado que se afunda em vícios após a tragédia. Mas realmente extraordinária é Vanessa Kirby. A actriz transfigura-se de forma especialmente realista durante o parto, entre dores, fraqueza e desespero, bem como nos meses seguintes, deprimida, magoada, desamparada, capaz contudo de fazer valer a sua palavra e a sua vontade. No meio de tanto sofrimento, a vida de Martha ressurge quando as sementes de maçã começam a germinar.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Crítica: American Honey (2016)

"So you're a southern girl. A real American honey like me. You know that song?"
Krystal

*7.5/10*

American Honey vive na doce rebeldia da sua protagonista. Balança entre a juventude perdida, nómada e fora da norma, e os sonhos. Entramos numa road trip pela América profunda conduzida pela realizadora Andrea Arnold e deixamo-nos levar.

Star é uma adolescente sem nada a perder, que se junta à equipa de venda de assinaturas de revistas. Vê-se envolvida num turbilhão de festas, ilegalidades e amor enquanto cruza o interior dos Estados Unidos com um grupo de jovens desajustados.

Uma história simples, suja, mas luminosa. Como se a mais triste das personagens fosse iluminada pela esperança e sonhos pelos quais luta. Os momentos delicodoces retiram a possibilidade de vermos American Honey com o realismo que ele poderia querer transmitir, mas não deixam de transportar-nos para um mundo tão decadente como fascinante. Viver no limite, sem nada que nos prenda a qualquer lugar.


O filme embala-nos numa realidade à parte, especialmente devido à protagonista, a estreante Sasha Lane. Como Star, ela é literalmente a Estrela da longa-metragem. Tem uma interpretação apaixonante, contida, mas muito expressiva.

Estes outsiders da sociedade cativam-nos principalmente pela liberdade que apregoam, mesmo que estejam limitados por regras e rituais que lhes tiram a independência. Star é a outsider entre os outsiders. Fala pouco, observa mais do que dá nas vistas, apaixona-se e age por instinto. Ela tem uma inocência que, ao mesmo tempo, a protege, uma personalidade dura, mas cheia de princípios. Star comove-se sem chorar, enfurece-se sem explodir e vive numa fabulosa união com a Natureza que a rodeia. Star, ou Sasha, é apaixonante. É ela o íman que nos prende às mais de duas horas e meia de American Honey, sem desistir.


A realização proporciona-nos planos marcantes, em especial na relação com a Natureza, e em muito contribui para a nossa aproximação às personagens, com o recurso maioritariamente à hand-camera. A luz, as cores quentes e os cenários, bem como a banda sonora, estabelecem um contraste formidável entre o visual aconchegante e a temática depressiva, criando o equilíbrio necessário.

American Honey vive de Star, que ofusca o argumento pouco elaborado. A simplicidade da história de Andrea Arnold é enriquecida pela protagonista, exemplarmente escolhida, e pelas pequenas alegrias da vida destes jovens esquecidos no mundo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Crítica: Regra de Silêncio / The Company You Keep (2012)

*5.5/10*
Robert Redford regressou aos dois lados da câmara, como realizador e protagonista do seu novo filme Regra de Silêncio, um thriller com potencial para ser bem mais do que satisfatório.


Uma época histórica surge como palco da intriga, e a narrativa sustenta-se num elenco com nomes de luxo. Para além de Redford, Shia LaBeouf, Susan Sarandon, Nick Nolte, Chris Cooper, Julie Christie, Anna Kendrick, Stanley Tucci, Brendan Gleeson, Richard Jenkins e Terrence Howard tornam a longa-metragem muito apelativa.

Quando uma antiga activista e uma das mulheres mais procuradas dos EUA é presa, também o advogado Jim Grant (Robert Redford), um veterano activista do mesmo grupo e também procurado pelo FBI e pela CIA, tem de deixar para trás a sua nova vida. Tudo porque percebe que a sua verdadeira identidade está prestes a ser desmascarada por Ben Shepard (Shia LaBeouf), um jovem jornalista que não hesitará em divulgar a sua localização.

A premissa é, desde logo, interessante (o argumento, da autoria de Lem Dobbs, é uma adaptação do romance homónimo de Neil Gordon), com algumas imagens de arquivo a compor o início da longa-metragem como uma espécie de contextualização história, já que há uma época verídica por detrás dos episódios relatados. É pena, contudo, que essa explicação não continue no decorrer de Regra de Silêncio. Torna-se difícil a quem não domina a história norte-americana compreender na totalidade os acontecimentos que estão em jogo. Neste caso, mais imagens da época seriam fulcrais para acompanhar e melhor entrar no filme, e, em conjunto com um mais bem concretizado desenvolvimento das personagens, poderiam evitariam as “pontas soltas” que se sentem quando Regra de Silêncio termina.