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domingo, 20 de outubro de 2024

Sugestão da Semana #636

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Megalopolis, de Francis Ford Coppola. Público e crítica estão muito divididos, mas não é todos os dias que se vê um novo filme de Coppola nas salas de cinema.

MEGALOPOLIS


Ficha Técnica:
Título Original: Megalopolis
Realizador: Francis Ford Coppola
Elenco: Adam Driver, Giancarlo Esposito, Nathalie Emmanuel, Aubrey Plaza, Shia LaBeouf, Jon Voight, Jason Schwartzman, Talia Shire, Grace VanderWaal, Laurence Fishburne, Kathryn Hunter, Dustin Hoffman
Género: Drama, Ficção Científica
Classificação: M/14
Duração: 138 minutos

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Crítica: Ferrari (2023)

"De Portago, call my office on Monday."
Enzo Ferrari


*7.5/10*

Michael Mann regressa a alta velocidade com Ferrari, para seguir o percurso de Enzo Ferrari, tanto nos negócios e corridas, como na sua atribulada vida pessoal. Um retrato humano e historicamente realista do fundador da Ferrari.

"Durante o Verão de 1957, o ex-piloto de automóveis, Enzo Ferrari, está em crise. A empresa que construiu 10 anos antes com a sua esposa Laura, enfrenta a falência. O seu turbulento casamento é ameaçado pela perda de um filho e o reconhecimento legal de outro. Na tentativa de garantir a sua sobrevivência, Enzo Ferrari aposta tudo numa corrida: a icónica Mille Miglia - 1000 milhas por Itália."


Ferrari segue Enzo, um homem de negócios aparentemente frio e prático, marcado pela tragédia, bem como a sua mulher e sócia Laura, completamente devastada pela morte do filho de ambos. Ao mesmo tempo, a relação extraconjugal que mantém com Lina Lardi, de quem tem um filho pequeno, Piero, vem dificultar as negociações com a esposa para evitar que a empresa vá à falência. Entre os problemas pessoais e financeiros, Enzo aposta tudo nas corridas e nos seus pilotos, em especial Alfonso De Portago, uma promessa na equipa da Ferrari.

A violência das corridas, a pouca segurança para pilotos e público, tudo é filmado com método e um ritmo de cortar a respiração, tal a intensidade da montagem e dos planos, tão perto dos carros a alta velocidade. O grande momento da longa-metragem é todo o crescendo trágico da corrida Mille Miglia.


A par das corridas, Michael Mann capta momentos verdadeiramente emocionantes, não deixando de dar foco a pormenores que muito revelam sobre as personagens. A cena da ópera - onde cada personagem revive momentos passados, felizes ou tristes, mas marcantes nas suas vidas, é uma das mais transcendentais de Ferrari, levando a plateia a flashbacks reveladores. 

Adam Driver volta a interpretar um italiano e fá-lo com maturidade e empenho, vestindo a pele de Enzo Ferrari irrepreensivelmente. Ao seu lado, Penélope Cruz rouba cada cena em que se apresenta, com a fúria de uma mulher traída e o desamparo de uma mãe que perdeu o único filho. A actriz equilibra a mulher explosiva e transtornada com a contenção que a mágoa e a saudade pedem.


Ferrari junta grandes interpretações, à adrenalina e fatalismo das corridas de carros, filmadas como poucas vezes se tem visto. Fiel à História da marca, Michael Mann concretizou com sucesso um filme que há muitos anos ambicionava fazer. 

domingo, 7 de janeiro de 2024

Sugestão da Semana #595

Das estreias da passada Quinta-feira, a primeira Sugestão da Semana de 2024 destaca Ferrari, de Michael Mann, protagonizado por Adam Driver.

FERRARI


Ficha Técnica:
Título Original: Ferrari
Realizador: Michael Mann
Elenco: Adam Driver, Penélope Cruz, Shailene Woodley, Patrick Dempsey, Jack O'Connell, Sarah Gadon, Gabriel Leone, Erik Haugen, Michele Savoia
Género: Biografia, Drama, História
Classificação: M/14
Duração: 130 minutos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Crítica: Casa Gucci / House of Gucci (2021)

"Father, son and House of Gucci."

Patrizia

*6.5/10*

Ridley Scott trouxe para o grande ecrã o relato de três décadas de uma das mais famosas famílias da moda italiana. Casa Gucci comprova o talento do realizador para contar histórias e dirigir actores, desta vez, numa comédia dramática de enganos e traições.

"Quando Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma desconhecida de origem humilde, se casa com Maurizio Gucci (Adam Driver), a sua ambição desmedida começa a desencadear no legado da família uma imparável espiral de traição, destruição e vingança que culmina... num assassínio."

Personagens cliché, cheias de exageros, maneirismos e comicidade, de sotaque carregado e visual exuberante, eis a fórmula de Ridley Scott para conquistar a plateia. Em antítese com o drama real que retrata, o realizador coloca o foco no conflito de personalidades fortes e na sede de ganância, qual novela italiana.

É, portanto, no trabalho do elenco que residem as maiores forças de Casa de Gucci. Lady Gaga, como Patrízia, conquista o seu espaço e marca presença, catalisando para si todas as atenções enquanto está em cena. De sotaque carregado e voz de comando, Patrízia é decidida, ambiciosa e manipuladora. Al Pacino é extraordinário como Aldo Gucci, qual raposa matreira, transborda charme e exuberância, e a aparente familiaridade com que trata os sobrinhos esconde (como todos desta Casa de Gucci) interesses e segundas intenções.

Irreconhecível, Jared Leto surge com quase oito quilos de caracterização para encarnar Paolo Gucci, filho de Aldo, que todos têm como idiota. O actor transpôs todo o exagero da figura para a personalidade da personagem: infantil, mimado, ganancioso. E com um overacting propositado, Leto consegue ser um dos elementos mais cómicos do filme: mudou o tom de voz, muito mais agudo- para além, claro, do sotaque -, adoptou uma forma de rir hilariante e até os seus gestos ou forma de andar são caricaturais - tal como Ridley Scott construiu toda a longa-metragem.

Mais discretos, mas com a mesma energia, estão Jeremy Irons e Adam Driver, que interpretam pai e filho. Irons é o solitário e intransigente Rudolfo Gucci; Driver é Maurizio, a personagem que sofre uma maior alteração de personalidade ao longo do filme. Inicialmente manipulável e sem jeito para o negócio da família, vai-se formatando à medida da mulher e do tio, e deixando que o poder e o dinheiro o transformem. 

Também a caracterização, guarda-roupa - não fosse este um filme sobre moda - e direcção artística em muito contribuem para a reconstituição da disfuncional família Gucci.

E é em jeito de tragicomédia que Ridley Scott nos leva numa visita guiada, qual viagem no tempo, às figuras que marcaram (e arruinaram) a História da família Gucci. Porque amor, dinheiro, poder e família, juntos, podem não dar bom resultado.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: Os Actores Principais

Foco-me agora nos nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Entre os cinco candidatos, há um nome que se destaca muito dos restantes candidatos, seguem-se outros dois desempenhos muito bons, um quarto lugar muito merecido e, em último, um actor que admiro muito mas que, este ano, não deveria ter chegado tão longe. Eis os nomeados, por ordem de preferência:


Eis a apoteose do Joker, como não pensávamos possível ver no cinema. Uma personagem sóbria e bem explorada, que carrega um sofrimento tão imenso que as gargalhadas compulsivas só tornam mais aterrador. Joaquin Phoenix supera-se quando pensávamos que já não seria possível, e as lágrimas caem-lhe no rosto, enquanto o riso descontrolado assombra a sala de cinema. A dor que sente - mais mental que física - transparece em cada expressão e, mesmo nas suas danças inebriantes, que acompanhamos vidrados, encontramos a tristeza irreparável.


Um trabalho reflexivo e íntimo, sem excessos, que traz à tona o grande actor que é Antonio Banderas. No meio do bloqueio criativo de Salvador, a dor que o parece impedir de avançar não é apenas física. Ela pede uma reconciliação com o passado. E Banderas dá tudo de si neste papel, sóbrio e intimo, como poucas vezes o vemos, numa tristeza latente.


Adam Driver é, sem dúvida, o destaque de Marriage Story. Expressa as emoções como poucos, consegue transmitir tudo com um simples olhar: sofrimento, esperança, desilusão... Dá gosto vê-lo representar, emocionar-se, chorar, brincar - e cantar!


Teremos sempre tendência para simpatizar mais com Francisco, e Dois Papas favorece-lhe a imagem. Claro que Jonathan Pryce muito contribui para tal, com a bondade e tolerância espelhadas no rosto. Há uma humildade contagiante na prestação do actor, liberal, simples e espirituoso, fanático por futebol e pelo tango, mas igualmente capaz de se comover e permanentemente arrependido dos erros do passado.



Leonardo DiCaprio não merece esta nomeação, especialmente num ano com tantas grandes interpretações masculinas, totalmente ignoradas pela Academia. Todos sabemos o grande actor que é e, no filme de Tarantino, faz tudo com uma perna às costas, seja bêbado, deprimido, galã ou vilão. Uma prestação divertida e competente.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Crítica: Marriage Story (2019)

"Getting divorced with a kid is one of the hardest things to do. It's like a death without a body."
Bert Spitz


*7.5/10*

Marriage Story, de Noah Baumbach, respira teatro por todos os poros. A história de um divórcio, vagamente inspirada na separação do realizador e Jennifer Jason Leigh, é um trabalho pessoal, repleto das marcas a que Baumbach já nos habituou na sua filmografia. A temática pesada é apresentada com leveza, proporcionada pelo humor, contrabalançada por diálogos intensos e emotivos.

Comparações com Kramer contra Kramer são pertinentes, mas Marriage Story tem muito mais amor envolvido. O amor não acabou, mas a emancipação da mulher surge como o maior bloqueio à continuidade da relação.

O filme de Baumbach é um olhar sobre o fim de um casamento e a união de uma família. Seguimos o processo de divórcio de Charlie (Adam Driver), um encenador de teatro bem sucedido de Nova Iorque, e Nicole (Scarlett Johansson), uma actriz que sonha regressar à cidade natal, Los Angeles. Os dois têm um filho em comum, Henry (Azhy Robertson), de oito anos.


Um divórcio que se queria pacífico e sem advogados, de repente, torna-se uma batalha legal e um chorrilho de ofensas, que nenhum dos dois envolvidos pretende. Este aparentemente inevitável conflito cria situações pouco realistas, tendo em conta a vontade dos protagonistas, e leva-nos a distanciar do drama a que assistimos. As personagens contradizem acções e sentimentos, há momentos demasiado exagerados - onde o humor quer ser desculpa para aliviar a gravidade da situação - e outros em que somos totalmente envolvidos pelos diálogos entre o casal. Marriage Story proporciona-nos sentimentos contraditórios. 

Há uma clara simpatia pela personagem de Adam Driver, o eterno apaixonado que sofre e se desdobra entre duas cidades para estar perto do filho. Do lado de Nicole, sentimo-nos menos ligados, menos compreensivos. Talvez por ser um homem a realizar ou por ser inspirado no seu próprio divórcio... Ainda assim, é inevitável destacar a discussão entre Charlie e Nicole, intensa e carregada de emoções, onde Driver e Johansson dão tudo de si. Uma cena que ficará, sem dúvida, na História do cinema.


Apesar de tudo, Adam Driver é, sem dúvida, o destaque da longa-metragem. Expressa as emoções como poucos, consegue transmitir tudo com um simples olhar: sofrimento, esperança, desilusão... Dá gosto vê-lo representar - e cantar!

O argumento transborda dramaturgia, é filmado como se estivéssemos a ver os actores moverem-se num palco... Tudo aqui é teatro! Fica a sensação que Marriage Story resultaria estrondosamente  bem numa adaptação teatral, mais do que cinematográfica. 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois grandes desempenhos e outros igualmente esforçados e competentes. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.



Mahershala Ali faz um trabalho fenomenal na pele de Don Shirley, mais ainda sabendo que há poucos registos filmados do pianista. Mahershala agarra-se a todas as informações que obteve e constrói uma personagem culta, íntegra e solitária, com uma grande crise de identidade. Um homem  snobe, que engole o orgulho para ganhar a vida com o seu talento - aquilo que mais prazer lhe dá fazer -, enquanto se debate com uma realidade racista e inumana que lhe está tão longe, mas também tão perto.

2. Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)


Uma belíssima surpresa entre o painel de nomeados. Richard E. Grant tem uma interpretação elegante e sentida na pele de um traficante alcoólico homossexual, cujo caminho se cruza com o da protagonista de Can You Ever Forgive Me?. Entre a fragilidade da doença e o companheirismo com Melissa McCarthy, se o actor recebesse o Oscar este ano, seria muito bem entregue.



Adam Driver destaca-se no papel do polícia judeu que se infiltra no Ku Klux Klan. Ele pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Para além do tom cómico inevitável na situação em que a personagem se encontra, há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com muito realismo.



Rockwell surge como uma cópia de George W. Bush. Vencedor do Oscar nesta mesma categoria o ano passado, o actor regressa ao tom cómico ao construir um Bush irresponsável e pouco comprometido com a nação que serve. Os tiques e gestos foram bem estudados e ajudam em muito às parecenças com a personagem.



Sam Elliott tem um papel pequeno mas emotivo e com importância para melhor compreender Assim Nasce Uma Estrela. Ele é o irmão mais velho do protagonista, para quem foi quase um pai, duro mas muito preocupado com o seu protegido.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Animais Cinéfilos #9

O Animais Cinéfilos de hoje aproveita para lembrar que desde ontem, dia 1, até amanhã, 3 de Fevereiro, está a decorrer na Feira Internacional de Lisboa (FIL) mais uma edição do Pet Fest - Salão dos Animais de Estimação.


Desta vez, o escolhido para a rubrica é um simpático cão, cheio de personalidade. Falo de Marvin, o buldogue inglês de Paterson (Adam Driver) e Laura (Golshifteh Farahani), o casal protagonista do filme com o mesmo nome do dono. Se Paterson não parece simpatizar especialmente com o cão, certo é que, todos os dias, é ele que o leva num passeio nocturno pelo bairro e lida com a sua teimosia canina. Só resta dizer que Marvin será de extrema importância para o desenrolar da narrativa de Paterson, realizado por Jim Jarmusch.

O buldogue inglês que deu vida a Marvin era, na realidade, uma cadela chamada Nellie. Curiosamente, foi ela quem conquistou a primeira Palm Dog póstuma, o prémio dedicado aos cães que se destacam no cinema, entregue pelo Festival de Cannes, tendo falecido alguns meses antes do evento.

Ao receber o prémio, o produtor do filme, Carter Logan, lembrou que Nellie foi resgatada em pequena por uma associação e posteriormente adoptada. Em memória da cadela, pediu aos presentes:"Por favor, adoptem - não comprem um cão ou vão a um criador - como tributo à Nellie" ("Please adopt — don't buy a dog or go to a breeder — as a tribute to Nellie").

A mensagem deste Animais Cinéfilos é a mesma. E não faltam associações com animais abandonados à espera de um lar que lhes dê amor - muitas delas estão presentes no Pet Fest. Passem por lá.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Crítica: BlacKkKlansman: O Infiltrado (2018)

"All power to all people."
Kwame Ture


*8/10*

BlacKkKlansman é um entusiasmante relato de uma história real, quase inacreditável - e por isso mesmo tão genial. Spike Lee usa uma estética muito própria com uma acção ritmada e viciante.

A longa-metragem passa-se nos anos 70 mas é especialmente actual ao tocar as tensões raciais, políticas e sociais nos Estados Unidos, que também se têm reacendido desde o início da administração Trump.

Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro detective afro-americano do Departamento da Polícia de Colorado Springs, contacta o Ku Klux Klan por telefone, fazendo-se passar por um racista extremista, e consegue infiltrar-se numa das maiores e mais sórdidas organizações racistas dos EUA. O colega de Ron, Flip Zimmerman (Adam Driver) faz-se passar por ele nos encontros cara-a-cara com os membros do grupo, recolhendo informações para um plano mortal.


A partilha de identidade entre o polícia negro e o polícia branco desencadeia os momentos mais bem concretizados do filme, com Adam Driver a destacar-se no papel do judeu, que pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com realismo. Ao seu lado, John David Washington sai-se bem num papel, acima de tudo, divertido, e apresenta um homem que desafiou preconceitos e se assumiu tão ou mais capaz que os outros. O respeito conquista-se e Ron Stallworth mostra isso mesmo.

O menos positivo em BlacKkKlansman é talvez o facto dos "maus da fita" serem apresentados como muito pouco inteligentes. Certo é que tal muito contribui para os momentos de humor do filme, mas é pouco credível que quase todos os membros do KKK sejam tão idiotas, construídos como uns bonecos cheios de clichés. A sua ideologia é uma aberração, mas eles não têm de ser obrigatoriamente burros.


Spike Lee regressa à película, utilizando 16 mm e 35 mm, fazendo ressurgir mais ainda a época dos acontecimentos no grande ecrã, entre manifestações, tensões raciais e a arriscada investigação policial.

BlacKkKlansman é entretenimento do bom e ainda dá uma lição de História e de valores a todos. Bem feito Spike Lee.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sugestão da Semana #341

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Spike LeeBlacKkKlansman: O Infiltrado.

BLACKKKLANSMAN: O INFILTRADO


Ficha Técnica:
Título Original: BlacKkKlansman
Realizador: Spike Lee
Actores: John David Washington, Adam Driver, Laura HarrierAlec BaldwinIsiah Whitlock Jr.Robert John BurkeDamaris Lewis
Género: Biografia, Comédia, Crime
Classificação: M/14
Duração: 135 minutos

domingo, 17 de dezembro de 2017

Sugestão da Semana #303

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana sugere Star Wars: Os Últimos Jedi, de Rian Johnson. Lê ou relê a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI


Ficha Técnica:
Título Original: Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi
Realizador: Rian Johnson
Actores: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Benicio del Toro, Andy Serkis, Lupita Nyong'o, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Peter Mayhew
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 152 minutos


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi / Star Wars: The Last Jedi (2017)

"I've seen this raw strength only once before. It didn't scare me enough then. It does now."
Luke Skywalker

*8/10*

A Força está com Rian Johnson e com Star Wars: Os Últimos Jedi, um filme emotivo desde o início, ou não fosse o último de Carrie Fisher enquanto a eterna Princesa Leia. Por outro lado, neste novo capítulo da saga, Rian Johnson segue um caminho ligeiramente diferente do seu antecessor. Cria excelentes momentos de humor, a par de uma história com bons plot twists e dá profundidade psicológica às personagens, desde as principais às secundárias.


São duas horas e meia que passam a voar na sala de cinema mesmo que este seja o capítulo mais longo da saga que, por coincidência, completa 40 anos este ano. Star Wars: Os Últimos Jedi é uma excelente forma de comemorar a data.

O filme de Rian Johnson continua a história de Star Wars: O Despertar da Força, de J.J. Abrams, e segue a luta da Resistência contra o Líder Supremo Snoke e sua Primeira Ordem, que tentam controlar a galáxia. Rey (Daisy Ridley) encontra-se com Luke Skywalker (Mark Hamill) e está determinada em convencê-lo a voltar para a Guerra contra o lado negro da Força.


A saga continua, desta feita com um argumento bem construído e cativante, para fãs ou simpatizantes. O bem e o mal continuam a sua luta pela vitória e todos querem o poder. É difícil chegar ao equilíbrio perfeito com o medo - que muito condiciona e faz ter atitudes impulsivas - e a raiva - faz esquecer a ponderação e os limites - a comandar, e quase todas as personagens deste filme o provam. À partida, os Jedi estão do lado dos bons mas também têm fraquezas e Star Wars: Os Últimos Jedi chegou para fazer revelações inesperadas e surpreender.


Rian Johson foi especialmente competente ao desenvolver cada personagem, dar-lhe uma história, um propósito, uma personalidade bem definida. A par disto, a relação entre personagens torna-se mais rica, mais genuína, com Rey e Kylo Ren a causar especial impacto na plateia. Adam Driver é sóbrio e convincente na pele desta personagem tão complexa e cheia de dúvidas.

Laura Dern e Benicio Del Toro são as duas participações que dão um pouco do seu brilho ao filme - Dern, especialmente, com um papel forte para o desenrolar da trama. Todos os enredos paralelos são construídos e bem encaixados no ritmo da longa-metragem, com opções de montagem muito dinâmicas.


A banda sonora traz de volta o veterano John Williams que tem sabido acompanhar a saga da melhor forma. A fotografia é potenciada pela opção de filmar em película, com a luz a fazer-se notar quase como personagem, em especial, mais perto do final da longa-metragem, onde as cores - o vermelho abunda sobre o branco - são outro ponto forte. 

Daisy Ridley e John Boyega os estreantes do filme anterior continuam o percurso mediano, com a actriz a mostrar que tem muita garra, Mark Hamill regressa com uma importância enorme e é um prazer voltar a vê-lo, Adam Driver mostra-se cada vez mais forte na pele de Kylo Ren, uma das personagens mais complexas e interessantes dos novos filmes, Carrie Fisher tem o tempo de antena merecido neste filme que é em sua homenagem e Oscar Isaac vê a sua personagem ganhar maior relevância na história e mostra o seu carisma.


Star Wars: Os Últimos Jedi respeita os 40 anos de História da saga e sabe, ao mesmo tempo, distinguir-se e inovar. Rian Johnson dá continuidade ao universo Star Wars com originalidade e é capaz de surpreender todos os fãs. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sugestão da Semana #289

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Sorte à Logan, de Steven Soderbergh.

SORTE À LOGAN


Ficha Técnica:
Título Original: Logan Lucky
Realizador: Steven Soderbergh
Actores: Channing Tatum, Adam Driver, Daniel CraigKatie HolmesSeth MacFarlaneRiley Keough
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/12
Duração: 118 minutos

terça-feira, 4 de julho de 2017

Crítica: Paterson (2016)


"Sometimes an empty page presents more possibilities"
Japanese Poet

*8.5/10*

Paterson é a poesia do quotidiano. Jim Jarmusch dá-nos uma lição de vida ao mostrar como a mais pacata das existências pode resultar num belo poema sem rima. Adam Driver conduz tão bem o seu autocarro como o protagonista deste filme, e embala-nos ao ritmo lento da sua vida.

Acompanhamos uma semana na vida de um homem chamado Paterson, motorista de autocarros na sua cidade homónima, Paterson, New Jersey. E é com a irónica partilha de nomes, que entramos num filme tranquilo como a vida rotineira do protagonista, sem sobressaltos e com um humor muito peculiar.


Seguimo-lo de Segunda a Segunda, numa rotina pouco entusiasmante, onde os pontos altos se dividem entre as conversas dos passageiros da carreira 23, o passeio nocturno com o seu cão, um buldogue inglês chamado Marvin, uma cerveja no bar, onde dá dois dedos de conversas inspiradoras, e o regresso para junto da sua amada mulher, ouvindo e exultando os seus mirabolantes sonhos. E claro, a poesia. Paterson aceita sem problemas a monotonia do trabalho diário, no intervalo do qual se dedica à sua verdadeira paixão - ou será apenas um hobbie? -: escrever poesia. Ele, que não quer telemóveis nem computadores por perto, refugia-se no seu caderno secreto, onde escreve sobre o que o inspira, dos fósforos da cozinha ao amor da sua vida.

É nos subúrbios um tanto esquecidos, repletos de fábricas e edifícios ao abandono, que o urbano decadente se mistura com a natureza, junto ao rio, onde a água, que corre com vontade, parece inspirar o protagonista. E torna-se admirável a forma como Jarmusch consegue dar encanto a uma cidade tão pouco interessante, filmando-a espelhada no autocarro que Paterson conduz diariamente, ou vice-versa, numa descoberta de preciosidades escondidas, em especial junto ao conforto do rio e das quedas de água. A acompanhar, a banda sonora, do próprio Jim Jarmusch e Carter Logan, funde-se com o som ambiente.


A despertar-nos a curiosidade estão as marcas autorais de Jim Jarmusch, que usa e abusa da presença de gémeos, de um relógio quase-mágico, do preto e branco (Laura, a esposa de Paterson é a representante máxima do jogo a duas cores, interpretada por Golshifteh Farahani) ou de uma caixa do correio torta, por exemplo, e que tão mordazmente prefere gorar-nos todas as expectativas respeitantes a tais elementos.


Paterson vive tranquilo e, tal como a sua caneca de cerveja, são mais as vezes em que o copo está meio cheio do que meio vazio. Mas, como toda a gente, também a vida deste poeta tem os seus percalços, quase sempre encarados com humor. E é quando se foge à rotina, no Sábado, que tudo foge ao controlo dos protagonistas, numa oportunidade de reflexão e, porque não, de recomeço em mais uma semana de trabalho.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sugestão da Semana #279

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Paterson, de Jim Jarmusch. Um filme poético e singular na sua abordagem do quotidiano. Adam Driver tem uma grande interpretação.

PATERSON


Ficha Técnica:
Título Original: Paterson
Realizador: Jim Jarmusch
Actores: Adam Driver, Golshifteh Farahani, Nellie
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 118 minutos

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Sugestão da Semana #256

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca Silêncio, de Martin Scorsese.

SILÊNCIO


Ficha Técnica:
Título Original: Silence
Realizador: Martin Scorsese
Actores: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson
Género: Drama, História
Classificação: M/14
Duração: 161 minutos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Crítica: Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens (2015)

"Chewie, we're home."
Han Solo

 
*8/10*

Finalmente, a Força voltou a despertar. J. J. Abraams continua a trilogia original da saga Star Wars e oferece-nos o tão esperado capítulo VII: O Despertar da Força. Fiel aos três primeiros filmes, datados de 1977, 1980 e 1983, o realizador faz-nos redescobrir a Força, reencontrar velhos conhecidos, viajar à velocidade da luz, enfim, percorrer o Espaço e continuar a luta contra o lado negro da Força.

Desde 2005, com Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, que não tínhamos filmes da Guerra das Estrelas nos cinemas. Agora, em 2015, O Despertar da Força dá continuação à saga criada por George Lucas e acontece 30 anos depois de O Regresso de Jedi.


J.J. Abraams não deu nenhum passo maior do que a perna. A longa-metragem não extrapola os limites, vem matar saudades e manter o ambiente e o tom dos primeiros filmes. A base da saga é sólida e o realizador vem fazer exactamente o que o título diz: despertar a força, novamente. Recupera personagens, as suas histórias, e acrescenta novos focos de atenção, novos protagonistas, alguma novidade. Abraams sabe o que tem em mãos e preservar a nostalgia do passado era certamente o que os fãs mais desejavam. O novo e o antigo fundem-se na perfeição, o humor continua vivo, os vilões têm de se esforçar um pouco mais - mas nada que o tempo não resolva -, as criaturas estão fiéis às originais e os efeitos especiais são competentes e realistas o suficiente para um filme de ficção científica. Nada parece artificial.

As personagens antigas mantêm-se fiéis a si, de carácter forte e destemido, as novas tem apenas de aprender com os mais velhos, mas são, ainda assim, boas surpresas. Apesar de um ou outro momento mais previsível, certo é que o novo filme deixa no ar muitos mistérios e abre portas a muitas possibilidades e teorias.


Temos os nossos velhos companheiros de aventura Harrison Ford, Mark HamillCarrie Fisher Peter Mayhew (quem não tinha saudades de Chewbacca?) ainda em grande forma. E somos apresentados às caras novas como Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis ou Domhnall Gleeson, que, no essencial, não desiludem.

Abraams, por seu lado, sabe criar o ritmo certo, com alguns planos-sequência e movimentos de câmara dinâmicos e envolventes. Chegamos perto da acção não apenas sentimentalmente, mas também de certa forma fisicamente.

Simples, eficaz e capaz de nos transportar no tempo, para junto de Han Solo ou Chewbacca, Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força não nos deixa ficar mal e, afinal, só nos faz recuperar a febre e desejar que o próximo capítulo chegue depressa.