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domingo, 18 de julho de 2021

Festival de Cannes 2021: Vencedores

Os vencedores do Festival de Cannes 2021 foram anunciados este Sábado. A Palma de Ouro foi para o filme Titane, de Julia Ducournau, acidentalmente revelado antes do tempo pelo Presidente do Júri, Spike Lee.


Eis os vencedores da Competição Oficial e Un Certain Régard:

Competição Oficial

Palma de Ouro
TITANE, de Julia DUCOURNAU

Grande Prémio do Júri (ex aequo)
GHAHREMAN (UN HÉROS), de Asghar FARHADI
HYTTI NRO 6 (COMPARTIMENT NO. 6), de Juho KUOSMANEN

Melhor Realizador
ANNETTE, de Leos CARAX

Prémio do Júri (ex aequo)
MEMORIA, de Apichatpong WEERASETHAKUL
HA'BERECH (LE GENOU D'AHED), de Nadav LAPID

Melhor Argumento
HAMAGUCHI RYUSUKE, OE TAKAMASA, por DRIVE MY CAR

Melhor Actriz
RENATE REINSVE, em VERDENS VERSTE MENNESKE (JULIE (EN 12 CHAPITRES)), de Joachim TRIER

Melhor Actor
CALEB LANDRY JONES, em NITRAM, de Justin KURZEL

Palma de Ouro Honorária
JODIE FOSTER
MARCO BELLOCCHIO

Palma de Ouro para Melhor Curta-metragem
TIAN XIA WU YA (TOUS LES CORBEAUX DU MONDE), de TANG Yi

Menção Especial - Curta-metragem
CÉU DE AGOSTO, de Jasmin TENUCCI

Un Certain Regard

Prémio Un Certain Regard
RAZZHIMAYA KULAKI (LES POINGS DESSERRES), de Kira KOVALENKO

Prémio do Júri - Un Certain Regard
GROSSE FREIHEIT, de Sebastian MEISE

Menção Especial Un Certain Regard
NOCHE DE FUEGO, de Tatiana HUEZO

A lista completa de vencedores e outras informações podem encontrar-se em https://www.festival-cannes.com/fr/festival/palmares/competition-1.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Porto/Post/Doc 2020: Spike Lee, Sam Pollard e muita música

O Porto/Post/Doc 2020 terá Spike Lee a abrir, Sam Pollard a fechar, e anunciou a programação do Transmission.

David Byrne's American Utopia, de Spike Lee

A Sessão de Abertura do festival contará com a estreia nacional de David Byrne's American Utopia, de Spike Lee, baseado no disco e concerto de David Byrne. A marcar o encerramento do Porto/Post/Doc 2020, estará a estreia de MLK/FBI, de Sam Pollard, que segue Martin Luther King Jr. enquanto este é alvo de uma investigação com laivos de perseguição pela instituição policial americana. 

Como fundador dos Talking Heads, a solo ou nas colaborações com que reinventa aquilo que faz, David Byrne cruza gerações, formatos e áreas artísticas. O filme de Spike Lee acompanha o espectáculo de apresentação do disco American Utopia na Broadway. Já MLK/FBI é um documentário que tenta abrir novas luzes sobre a forma como o FBI serviu de ferramenta para uma campanha do poder estabelecido contra as ideias e acções de Martin Luther King, enfraquecendo-o enquanto líder ao retratá-lo como adultero.

O programa Transmission será composto por "cinco filmes sobre a música e o seu impacto no mundo em redor": a crónica sobre os movimentos do Soundcloud Rap, em American Rapstar, de Justin Staple; o ritmo que marca as ruas de Baltimore, em Dark City: Beneath the Beat, de TT The Artist; os processos criativos dos referenciais KLF, em Welcome To The Dark Ages, de Paul Duanne; a ignição social e política levantada pelo movimento Rock Against Racism, em White Riot, de Rubika Shah; e a vida e obra de José Pinhal, em A Vida Dura Muito Pouco - Celebrando Obra de José Pinhal, de Dinis Leal Machado.

O Porto/Post/Doc regressa de 20 a 29 de Novembro. Mais informações podem ser consultadas em https://www.portopostdoc.com

PROGRAMA TRANSMISSION 

Competição

American Rapstar, Justin Staple, EUA, 2020, DOC, 79' (Estreia Nacional)

Dark City: Beneath the Beat, TT The Artist, EUA, 2019, DOC, 65' (Estreia Nacional)

Welcome To The Dark Ages, Paul Duanne, Irlanda, 2019, DOC, 83' (Estreia Nacional)

White Riot, Rubika Shah, Reino Unido, 2019, DOC, 80'

Extra-Competição

A Vida Dura Muito Pouco - Celebrando Obra de José Pinhal, Dinis Leal Machado, Portugal, 2020 , DOC, 23'


PROGRAMA HIGHLIGHTS

David Byrne's American Utopia, Spike Lee, EUA, 2020, DOC, 105' (Estreia Nacional)

MLK/FBI, Sam Pollard, EUA, 2020, DOC, 104' (Estreia Nacional)

domingo, 21 de junho de 2020

Sugestão da Semana #422

Ainda quase sem estreias nos cinemas, a Sugestão da Semana destaca o filme de Spike Lee, Da 5 Bloods: Irmãos de Armas, que pode ser visto na Netflix. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.



Ficha Técnica:
Título Original: Da 5 Bloods
Realizador: Spike Lee
Elenco: Delroy Lindo, Clarke PetersJean Reno, Chadwick Boseman, Norm Lewis, Isiah Whitlock Jr.Jonathan Majors, Paul Walter Hauser, Mélanie Thierry
Género: Aventura, Drama, Guerra
Classificação: M/16
Duração: 154 minutos

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Estreias da Semana #422

Ainda rareiam os novos filmes que chegam às salas de cinema portuguesas. Esta Quinta-feira, temos uma estreia, a mais recente longa-metragem de Xavier Dolan, e recordamos que, desde dia 12 de Junho, está disponível na Netflix Portugal Da 5 Bloods, de Spike Lee, que tem crítica aqui no blog.

Matthias & Maxime (2019)
Dois amigos de infância beijam-se para uma curta-metragem amadora. Após esse beijo, aparentemente inofensivo, instala-se uma dúvida recorrente, confrontando os dois rapazes com as suas preferências, perturbando o equilíbrio do seu círculo social, e em seguida, das suas próprias existências.

Netflix Portugal
Desde dia 12 de Junho

Um grupo de antigos soldados da guerra do Vietname decide regressar à selva em busca dos restos mortais do chefe de esquadrão e de uma fortuna em ouro que ele os ajudou a esconder.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Crítica: Da 5 Bloods: Irmãos de Armas (2020)

"We fought in an immoral war that wasn't ours for rights we didn't have."
Paul


*6/10*

O novo filme Spike Lee, Da 5 Bloods, serve de porta-estandarte do movimento Black Lives Matter no cinema (mesmo que tenha estreado na Netflix) e não poderia ter chegado num momento mais apropriado. Se, por um lado, está longe de ser um inspirado filme do cineasta, é, contudo, uma longa-metragem muito necessária na actualidade. 

Da 5 Bloods é mais um elemento de luta pela justiça e igualdade e uma crítica feroz ao racismo entranhado desde as raízes da História e da sociedade norte-americana - e Lee esforça-se por dar vários exemplo ao longo do filme.


Acompanhamos um grupo de antigos soldados da guerra do Vietname no regresso à selva, mais de 40 anos depois, em busca dos restos mortais do chefe de esquadrão e de uma fortuna em ouro que ele os ajudou a esconder.

A jornada é longa e perturbadora, mas duas horas e 35 minutos são demasiado, demonstram as fraquezas do argumento e denunciam as dificuldades do realizador acerca do tom a adoptar e que caminhos a seguir. O humor, por vezes, é constrangedor, parece querer alertar para questões graves, sem se levar demasiado a sério. O problema é que não há subtileza nos momentos de comédia, ridicularizando um pouco a causa que quer defender. Sente-se que Lee tem boas intenções mas que está perdido na selva vietnamita, pisando, de quando em quando, minas esquecidas há mais de quatro décadas. E, em tantos acontecimentos inesperados e intervenientes intermináveis, o enredo caminha para muitos momentos previsíveis, que tiram força ao todo.


Nada a apontar ao excelente trabalho dos seis actores principais: Delroy Lindo, Clarke Peters, Jonathan Majors, Norm Lewis, Isiah Whitlock Jr.Chadwick Boseman - com especial destaque para os dois primeiros, com personagens com grande profundidade psicológica e convicções fortes (mesmo com as brincadeiras sobre um afro-americano votar em Donald Trump). A arrojada opção de serem os mesmos actores a interpretarem-se 40 anos mais novos é uma das marcas fortes de Da 5 Bloods. Os quatro homens recordam-se idosos a combater lado a lado com o falecido colega e mentor, interpretado pelo jovem Boseman, imortalizado na selva vietnamita, mostrando como o tempo passou para todos, menos para o colega de quem procuram agora incessantemente os restos mortais.

Visualmente, Da 5 Bloods soma pontos fortes, da direcção de fotografia, ao trabalho de som, numa realização que denuncia o seu autor. A par disto, os aspectos ratio e o formato do filme variam consoante a época que o filme nos relata: 2.39, no tempo presente na cidade, passando para 16:9, quando os protagonistas entram na selva; 16mm em 1.33:1, nos flashbacks na guerra do Vietname; e novamente 2.39, mas em Super8, nas sequências filmadas pelos próprios na sua câmara, a bordo do barco.


Spike Lee pode não ter em Da 5 Bloods o seu trabalho mais inspirado, todavia fez um filme alerta, crítico e especialmente pertinente num mundo em lutas constantes e com tantos ódios a espreitar. Porque, como o próprio filme nos diz, no Vietname, estes soldados lutaram numa guerra que não era deles, por direitos que não tinham. Há que vencer a verdadeira batalha que dura há tantos séculos e este é mais um contributo do realizador.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Netflix Portugal: Sugestões para ver em Junho

A Netflix Portugal continua com muitas propostas para o seu público ao longo do mês de Junho. Das séries e filmes que fazem parte do catálogo, às estreias, há muito para ver - em casa.

Ficam aqui alguns destaques de estreias ao longo do mês:

POR TREZE RAZÕES (13 Reasons Why) - Temporada 4 - Estreia a 5 de Junho
Baseada nos livros de Jay Asher, a série acompanha Clay Jensen (Dylan Minnette) a partir do momento em que este regressa da escola e encontra uma misteriosa caixa com o seu nome à porta de casa. Dentro da caixa descobre um conjunto de cassetes gravadas por Hannah Baker, uma colega por quem se sentia atraído e que tragicamente se suicidou duas semanas antes. Nas cassetes, Hannah explica as treze razões que a levaram a pôr termo à vida.

CURON - Temporada 1 - Estreia a 10 de Junho
Dezassete anos após os trágicos eventos que a obrigaram a partir, Anna regressa com os seus filhos gémeos a Curon, uma vila na província de Bolzano. Pouco tempo depois, Anna desaparece. Durante a sua investigação, os dois filhos de Anna descobrem que existem segredos e lendas ocultos debaixo das águas do lago artificial de Resia que submergiu completamente a cidade, deixando à superfície apenas a torre do sino da antiga igreja.

DA 5 BLOODS: IRMÃOS DE ARMAS (Da 5 Bloods) - Filme - Estreia a 12 de Junho


O novo filme de Spike Lee chega-nos através da Netflix. Um grupo de antigos soldados da guerra do Vietname decide regressar à selva em busca dos restos mortais do chefe de esquadrão e de uma fortuna em ouro que ele os ajudou a esconder.

F IS FOR FAMILY  - Temporada 4 - Estreia a 12 de Junho
Série de animação para adultos que acompanha a família Murphy durante a década de 1970, uma época em que as crianças vagueavam livres pelas ruas, a cerveja fluía livremente e nada se metia entre um homem e sua TV.

MARCELLA - Temporada 3 - Estreia a 14 de Junho
Marcella é uma detective de 30 e muitos anos que desistiu da promissora carreira profissional para casar e dedicar-se à família. Com o abrupto fim do casamento com o amor da sua vida e longe dos filhos que estudam num colégio interno, Marcella regressa ao trabalho com a autoestima destruída. De imediato é encarregada de um antigo caso em que trabalhou em 2003. Uma série de mortes recentes revela muito em comum com os homicídios que ficaram por resolver há mais de uma década. Terá o assassino regressado, ou tratar-se-á de um imitador? Como irá Marcella lidar com o regresso ao activo num momento em que se sente frágil e vulnerável? Poderá a entrega absoluta ao trabalho ajudá-la a encontrar as respostas que procura, ou irá esta decisão arrastá-la para um terreno perigoso que deveria evitar a todo o custo?

COISA MAIS LINDA - Temporada 2 - Estreia a 19 de Junho
No final dos anos 50, Maria Luiza (Malu), uma jovem e abastada paulista, decide mudar-se para o Rio de Janeiro para abrir um restaurante com o marido. À chegada, descobre que este a abandonou e fugiu com todo o dinheiro. Malu começa por entrar em desespero, mas acaba por dar a volta seguindo um novo sonho na cidade vibrante, ao ritmo dos sons emergentes da Bossa Nova. Nesta aventura, irá contar com a ajuda de três mulheres: Lígia, amiga de infância e senhora de uma voz incrível, Adélia, uma trabalhadora carioca de raça negra que possui uma determinação e uma força inabaláveis, e Thereza, uma escritora moderna e independente.

THE POLITICIAN - Temporada 2 - Estreia a 19 de Junho
Payton Hobart (Ben Platt), um estudante abastado de Santa Bárbara, na Califórnia, sabe desde os sete anos que vai ser Presidente dos Estados Unidos da América. Primeiro, terá de navegar o cenário político mais traiçoeiro de todos: o Liceu de Saint Sebastian.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Crítica: BlacKkKlansman: O Infiltrado (2018)

"All power to all people."
Kwame Ture


*8/10*

BlacKkKlansman é um entusiasmante relato de uma história real, quase inacreditável - e por isso mesmo tão genial. Spike Lee usa uma estética muito própria com uma acção ritmada e viciante.

A longa-metragem passa-se nos anos 70 mas é especialmente actual ao tocar as tensões raciais, políticas e sociais nos Estados Unidos, que também se têm reacendido desde o início da administração Trump.

Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro detective afro-americano do Departamento da Polícia de Colorado Springs, contacta o Ku Klux Klan por telefone, fazendo-se passar por um racista extremista, e consegue infiltrar-se numa das maiores e mais sórdidas organizações racistas dos EUA. O colega de Ron, Flip Zimmerman (Adam Driver) faz-se passar por ele nos encontros cara-a-cara com os membros do grupo, recolhendo informações para um plano mortal.


A partilha de identidade entre o polícia negro e o polícia branco desencadeia os momentos mais bem concretizados do filme, com Adam Driver a destacar-se no papel do judeu, que pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com realismo. Ao seu lado, John David Washington sai-se bem num papel, acima de tudo, divertido, e apresenta um homem que desafiou preconceitos e se assumiu tão ou mais capaz que os outros. O respeito conquista-se e Ron Stallworth mostra isso mesmo.

O menos positivo em BlacKkKlansman é talvez o facto dos "maus da fita" serem apresentados como muito pouco inteligentes. Certo é que tal muito contribui para os momentos de humor do filme, mas é pouco credível que quase todos os membros do KKK sejam tão idiotas, construídos como uns bonecos cheios de clichés. A sua ideologia é uma aberração, mas eles não têm de ser obrigatoriamente burros.


Spike Lee regressa à película, utilizando 16 mm e 35 mm, fazendo ressurgir mais ainda a época dos acontecimentos no grande ecrã, entre manifestações, tensões raciais e a arriscada investigação policial.

BlacKkKlansman é entretenimento do bom e ainda dá uma lição de História e de valores a todos. Bem feito Spike Lee.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sugestão da Semana #341

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Spike LeeBlacKkKlansman: O Infiltrado.

BLACKKKLANSMAN: O INFILTRADO


Ficha Técnica:
Título Original: BlacKkKlansman
Realizador: Spike Lee
Actores: John David Washington, Adam Driver, Laura HarrierAlec BaldwinIsiah Whitlock Jr.Robert John BurkeDamaris Lewis
Género: Biografia, Comédia, Crime
Classificação: M/14
Duração: 135 minutos