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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Crítica: Minari (2020)

"Remember what we said when we got married? That we'd move to America and save each other?"

Jacob

*5/10*

Minari é um retrato do sonho americano para muitos imigrantes sul coreanos nos anos 80. Sensível mas nada provocador ou disruptivo, o filme de Lee Isaac Chung baseia-se na sua própria infância com a família, numa quinta no Arkansas.

"Estamos na década de 1980 e David, um menino americano de sete anos com ascendência coreana depara-se com um novo ambiente e um estilo de vida diferente quando o pai, Jacob, se muda com a família da Costa Oeste para uma zona rural do Arkansas. A mãe, Monica, fica horrorizada por morarem numa casa móvel no meio do nada e o pequeno e travesso David e a sua irmã estão entediados e sem rumo. Enquanto isso, Jacob, determinado a criar uma fazenda em solo inexplorado, coloca em risco as suas finanças, o seu casamento e a estabilidade da família."

Não há nada de realmente novo em Minari: temos um drama familiar, uma família imigrante em busca de uma vida melhor nos EUA, a ideia do sonho americano frustrado sempre presente, a solidão e tentativa de integração na comunidade, o casamento em crise e a relação afectuosa entre avó e netos. Não há nenhum rasgo de inspiração de Lee Isaac Chung. Ele cria uma história simples, focada nas personagens e no ambiente que as rodeia e põe-nas à prova, repetidamente. E os infortúnios sucedem-se desde que se mudam da Califórnia para o Arkansas - mas o pai Jacob é orgulhoso e não desiste.

As personagens estereotipadas em Minari são os americanos - seja o fervor religioso do amigo e empregado de Jacob; o fascínio dos membros da igreja pela nova família; ou os modos grosseiros, mesmo do pai de um amigo de David -; e os simbolismos que se encontram na narrativa são vários mas pouco subtis, começando, desde logo, na erva aromática coreana que dá título ao filme e que, tal como aqueles imigrantes, se adapta em qualquer terreno estranho.

A maior força do filme reside na relação que se constrói entre neto e avó, o estreante Alan S. Kim e a veterana Youn Yuh-jung, os dois com grandes interpretações. Eles, que não se conheciam até então, passam de uma relação de estranheza e desconfiança a ser o pilar um do outro. De destacar ainda a interpretação de Yeri Han como Monica, uma mulher triste, de sonhos frustrados e em constante preocupação com as ideias do marido, a saúde do filho e a integração da mãe. 

Minari é um drama familiar em redor do desencanto e da adaptação, num elogio aos sul coreanos, como a família de Lee Isaac Chung, que imigraram e se firmaram em solo norte-americano.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Crítica: O Pai / The Father (2020)

"Paris. They don't even speak English there."

Anthony

*8.5/10*

A delicadeza perturbadora de O Pai (The Father), estreia de Florian Zeller nas longas-metragens, faz-nos imergir na vida de um homem com demência, de um ponto de vista inesperado. O dramaturgo adaptou a sua peça ao cinema, com a colaboração de Christopher Hampton, numa experiência desconcertante.

"Anthony (Anthony Hopkins) tem 81 anos e mora sozinho no seu apartamento em Londres, rejeitando todas as enfermeiras que a sua filha Anne (Olivia Colman) tenta impor-lhe. Porém, esse apoio torna-se cada vez mais urgente para ela, pois vai deixar de poder visitá-lo todos os dias - decidiu mudar-se para Paris para viver com um homem que acabou de conhecer... Mas se isso é verdade, quem é o estranho que irrompe pela sala de Anthony, afirmando ser casado com Anne há mais de dez anos? E porque diz tão convictamente que estão na casa do casal e não no apartamento de Anthony? E ela não tinha decidido ir viver para Paris? Estará Anthony a perder o juízo? Parece que o mundo, por instantes, deixou de ter lógica."

O Pai aborda uma história simples e realista de envelhecimento e perda - de faculdades, de memórias, de laços... -, mas igualmente de dedicação e mágoa de uma filha. Zeller cria um drama desolador, pincelado por momentos de humor requintado, porque na tristeza também se encontram alguns sorrisos e amparo.

A fragilidade do ser humano, a desconfiança constante e a confusão de memórias que o cérebro atraiçoa são os elementos que nos fazem entrar na cabeça de Anthony e compreender a sua perspectiva, de uma forma que ninguém à sua volta é capaz. Vamos ganhar-lhe afeição, compreensão e também partilharemos com ele o desespero e o medo. Percorremos corredores e salas que tão bem conhece (mas duvida), desfrutaremos da música que o acompanha ou da vista da janela do seu quarto, mas seremos igualmente testemunhas fiéis do desnorte que o rodeia.

Para além da subtileza e inteligência do argumento, o trabalho de montagem de Yorgos Lamprinos é o verdadeiro potenciador da singularidade e da partilha da experiência para o outro lado do ecrã. São poucos os filmes que nos envolvem tão activamente numa narrativa fragmentada e nos inquietam tão sagazmente.

Anthony Hopkins é soberbo na pele deste protagonista com quem partilha o nome e data de nascimento. O golpe que sente na sua independência provoca-lhe revolta e desconfiança. A memória atraiçoa-o, os rostos e locais deixam momentaneamente de ser familiares, o desespero e as frases repetidas evidenciam a fragilidade da sua condição. Se, por um lado, ele não admite (nem compreende) a sua fraqueza, por outro, a rispidez é a melhor arma que encontra para se defender. Ao lado do veterano, Olivia Colman incorpora o rosto exausto da filha incansável e dedicada, que vê desaparecer, aos poucos, a existência do homem que a criou. A actriz tem uma interpretação contida e comovente, num esforço contínuo pelo bem estar do pai.

Florian Zeller faz-nos reflectir na incapacidade humana para controlar o destino ou reverter o envelhecimento, bem como sobre a necessidade de empatia, respeito e compreensão pelo próximo. O Pai é cruel na realidade que retrata, mas é igualmente humanizador na forma como o faz.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Oscars 2021: Red Carpet

Depois de revelados os vencedores dos Oscars 2021, analisamos os nossos favoritos da passadeira vermelha, que foi presencial, apesar da pandemia. Eis os 10 modelos que mais gostámos.


A cantora italiana Laura Pausini, nomeada para o Oscar de Melhor Canção Original, desfilou num bonito vestido preto Valentino, com bolsos e de ombros descaídos, e usou jóias Bulgari. Uma opção glamorosa com alguma jovialidade à mistura.



Nomeado para dois Oscars nesta cerimónia (Melhor Actor Secundário e Melhor Canção Original), Leslie Odom Jr. desfilou e deu nas vistas num fato dourado Brioni, sapatos pretos e um vistoso anel Cartier.



Riz Ahmed, nomeado para o Oscar de Melhor Actor, surgiu charmoso num fato escuro Prada, descontraído e elegante. Destaque ainda para o relógio Girard-Perregaux a sobressair.




Youn Yuh-jung venceu o Oscar para Melhor Actriz Secundária pelo seu papel em Minani, e destacou-se na passadeira vermelha. A actriz usou um vestido com bolsos azul escuro Marmar Halim e jóias Chopard


A mexicana Michelle Couttolenc fez História ao ser a primeira mulher vencedora de um Oscar na  categoria de Melhor Som pelo trabalho em Sound of Metal. Contudo, a engenheira de som também deixou a sua marca na red carpet, com um distinto vestido bordado preto e pérola da estilista mexicana Claver Munguía.




As tranças, os brincos, o vestido e a presença de Garrett Bradley, realizadora de Time, nomeado para Melhor Documentário, não nos deixaram indiferentes. A cineasta surgiu num modelo fluido vermelho Alexandre Vauthier, a combinar com uns brincos brancos, quase tão compridos como as longas tranças, num visual leve e jovial.



Apresentou os nomeados na categoria de Melhor Documentário em Curta Metragem em língua gestual e brilhou na red carpet. A actriz surda e oscarizada Marlee Matlin foi uma das mais bem vestidas da noite dos Oscars 2021, e usou um vestido Vivienne Westwood em tons de preto e prateado, de ombros descaídos e longas mangas.



Vencedora do Oscar para Melhor Canção Original, H.E.R. fez sensação na passadeira vermelha com um modelo Dundas, azul-cobalto, com capuz e muitas transparências, inspirado no fato que Prince usou em 1985, quando recebeu o Oscar por Purple Rain. A acompanhar, a cantora usou o cabelo penteado ao lado, uns óculos de sol Bonnie Clyde e jóias Chopard.



Amanda Seyfried deu nas vistas com um lindíssimo vestido vermelho Armani Privé, de original decote em V e saia volumosa. A acompanhar, usou o cabelo num apanhado clássico e jóias Forevermark.



Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, Maria Bakalova foi a nossa favorita na red carpet. A jovem actriz desfilou num vestido branco Louis Vuitton, estilo princesa, com uma farta saia e profundo decote em V. A maquilhagem, cabelo e jóias deram o toque final ao visual.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Oscars 2021: Vencedores

A 93.ª cerimónia dos Oscars aconteceu na noite de Domingo, 25 de Abril, num formato e contexto diferentes, devido à pandemia. Por aqui, estivemos a actualizar os vencedores em tempo real, como de costume.

Algumas surpresas - em especial nas categorias de actores principais - e um leque de prémios bem distribuídos, com Nomadland a sobressair com três Oscars: Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Realizadora.


Aqui fica a lista completa de vencedores:

Melhor Filme
The Father (Sony Pictures Classics) 
Judas and the Black Messiah (Warner Bros.) 
Mank (Netflix) 
Minari (A24) 
Nomadland (Searchlight Pictures) 
Promising Young Woman (Focus Features) 
Sound of Metal (Amazon Studios) 
The Trial of the Chicago 7 (Netflix) 

Melhor Actor
Riz Ahmed (Sound of Metal
Chadwick Boseman (Ma Rainey’s Black Bottom
Anthony Hopkins (The Father
Gary Oldman (Mank
Steven Yeun (Minari

Melhor Actriz
Viola Davis (Ma Rainey’s Black Bottom
Andra Day (The United States v. Billie Holiday
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman
Frances McDormand (Nomadland
Carey Mulligan (Promising Young Woman

Melhor Actor Secundário
Sacha Baron Cohen (The Trial of the Chicago 7
Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah
Leslie Odom Jr. (One Night in Miami
Paul Raci (Sound of Metal
Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Melhor Actriz Secundária 
Maria Bakalova (Borat Subsequent Moviefilm
Glenn Close (Hillbilly Elegy
Olivia Colman (The Father
Amanda Seyfried (Mank
Youn Yuh-jung (Minari

Melhor Realizador
Thomas Vinterberg (Another Round)
David Fincher (Mank
Lee Isaac Chung (Minari
Chloé Zhao (Nomadland
Emerald Fennell (Promising Young Woman

Melhor Argumento Original
Judas and the Black Messiah, Will Berson, Shaka King, Keith Lucas, Kenneth Lucas 
Minari, Lee Isaac Chung 
Promising Young Woman, Emerald Fennell 
Sound of Metal, Abraham Marder, Darius Marder, Derek Cianfrance 
The Trial of the Chicago 7, Aaron Sorkin 

Melhor Argumento Adaptado
Borat Subsequent Moviefilm, Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Jena Friedman, Anthony Hines, Lee Kern, Dan Mazer, Nina Pedrad, Erica Rivinoja, Dan Swimer 
The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller 
Nomadland, Chloé Zhao 
One Night in Miami, Kemp Powers 
The White Tiger, Ramin Bahrani 

Melhor Filme de Animação
Onward (Pixar) 
Over the Moon (Netflix) 
Shaun the Sheep Movie: Farmageddon (Netflix) 
Soul (Pixar) 
Wolfwalkers (Apple TV Plus/GKIDS) 

Melhor Filme Estrangeiro
Another Round (Dinamarca) 
Better Days (Hong Kong)
Collective (Roménia) 
The Man Who Sold His Skin (Tunísia)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina) 

Melhor Fotografia
Judas and the Black Messiah, Sean Bobbitt 
Mank, Erik Messerschmidt 
News of the World, Dariusz Wolski 
Nomadland, Joshua James Richards 
The Trial of the Chicago 7, Phedon Papamichael 

Melhor Montagem
The Father, Yorgos Lamprinos
Nomadland, Chloé Zhao 
Promising Young Woman, Frédéric Thoraval 
Sound of Metal, Mikkel E.G. Nielsen 
The Trial of the Chicago 7, Alan Baumgarten 

Melhor Design de Produção
The Father, Peter Francis, Cathy Featherstone 
Ma Rainey’s Black Bottom, Mark Ricker, Karen O’Hara, Diana Stoughton 
Mank, Donald Graham Burt, Jan Pascale 
News of the World, David Crank, Elizabeth Keenan 
Tenet, Nathan Crowley, Kathy Lucas 

Melhor Guarda-Roupa
Emma, Alexandra Byrne 
Mank, Trish Summerville 
Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth 
Mulan, Bina Daigeler 
Pinocchio, Massimo Cantini Parrini

Melhor Caracterização
Emma, Marese Langan 
Hillbilly Elegy, Eryn Krueger Mekash, Patricia Dehaney, Matthew Mungle 
Ma Rainey’s Black Bottom, Matiki Anoff, Mia Neal, Larry M. Cherry 
Mank, Kimberley Spiteri, Gigi Williams 
Pinocchio, Dalia Colli, Anna Kieber, Sebastian Lochmann, Stephen Murphy 

Melhor Banda Sonora Original
Da 5 Bloods, Terence Blanchard 
Mank, Trent Reznor, Atticus Ross 
Minari, Emile Mosseri 
News of the World, James Newton Howard 
Soul, Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste 

Melhor Canção Original
Fight for You, (Judas and the Black Messiah), Música: H.E.R. e Dernst Emile IILetra: H.E.R. e Tiara Thomas
Hear My Voice, (The Trial of the Chicago 7)Música: Daniel Pemberton; Letra: Daniel Pemberton e Celeste Waite
Húsavík, (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)Música e Letra: Savan Kotecha, Fat Max Gsus e Rickard Göransson
Io Si (Seen), (The Life Ahead), Música: Diane Warren; Letra: Diane Warren e Laura Pausini
Speak Now, (One Night in Miami...)Música e Letra: Leslie Odom, Jr. e Sam Ashworth

Melhor Som
Greyhound, Odin Benitez, Jason King, Christian P. Minkler, Michael Minkler, Jeff Sawyer 
Mank, Ren Klyce, Jeremy Molod, David Parker, Nathan Nance, Drew Kunin 
News of the World, John Pritchett, Mike Prestwood Smith, William Miller, Oliver Tarney, Michael Fentum 
Soul, Coya Elliott, Ren Klyce, David Parker, Vince Caro 
Sound of Metal, Phillip Bladh, Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés, Carolina Santana 

Melhores Efeitos Visuais
Love and Monsters, Matt Sloan, Genevieve Camilleri, Matt Everitt, Brian Cox
The Midnight Sky, Matt Kasmir, Chris Lawrence, Dave Watkins, Max Solomon 
Mulan, Sean Faden, Anders Langlands, Seth Maury, Steve Ingram 
The One and Only Ivan, Nick Davis, Greg Fisher, Ben Jones, Santiago Colomo Martinez 
Tenet, Andrew Jackson, Andrew Lockley, Scott R. Fisher, Mike Chambers 

Melhor Documentário
Collective (Magnolia Pictures and Participant), Alexander Nanau e Bianca Oana
Crip Camp (Netflix), Nicole Newnham, Jim LeBrecht e Sara Bolder
The Mole Agent (Gravitas Ventures)Maite Alberdi e Marcela Santibáñez
My Octopus Teacher (Netflix), Pippa Ehrlich, James Reed e Craig Foster
Time (Amazon Studios), Garrett Bradley, Lauren Domino e Kellen Quinn

Melhor Curta Documental
Colette (Time Travel Unlimited), Anthony Giacchino e Alice Doyard
A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios), Ben Proudfoot e Kris Bowers
Do Not Split (Field of Vision), Anders Hammer e Charlotte Cook
Hunger Ward (MTV Documentary Films), Skye Fitzgerald e Michael Scheuerman
A Love Song for Latasha (Netflix), Sophia Nahli Allison e Janice Duncan

Melhor Curta de Animação
Burrow (Disney Plus/Pixar), Madeline Sharafian e Michael Capbarat
Genius Loci (Kazak Productions), Adrien Mérigeau e Amaury Ovise
If Anything Happens I Love You (Netflix), Will McCormack e Michael Govier
Opera (Beasts and Natives Alike), Erick Oh
Yes-People (CAOZ hf. Hólamói), Gísli Darri Halldórsson e Arnar Gunnarsson

Melhor Curta
Feeling Through, Doug Roland e Susan Ruzenski
The Letter Room, Elvira Lind e Sofia Sondervan
The Present, Farah Nabulsi
Two Distant Strangers, Travon Free e Martin Desmond Roe
White Eye, Tomer Shushan e Shira Hochman


*Artigo actualizado às 04h32 de 26 de Abril de 2021.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Oscars 2021: As Previsões

Como todos os anos, chegou o momento em que faço as apostas para a noite dos Oscars. Depois, é esperar para ver se as minhas previsões vão bater certo com os vencedores. São poucas as categorias com vencedores quase certos - e nós achamos que esta incerteza torna a cerimónia muito mais emocionante. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme
Ganha: Nomadland
Com possibilidades: The Trial of the Chicago 7
Devia Ganhar: The Sound of Metal ou The Father

Melhor Actor
Ganha: Chadwick Boseman (Ma Rainey’s Black Bottom)
Com possibilidades: Anthony Hopkins (The Father) 
Devia Ganhar: Riz Ahmed (Sound of Metal), Anthony Hopkins (The Father) ou Chadwick Boseman (Ma Rainey’s Black Bottom)

Melhor Actriz
Ganha: Andra Day (The United States v. Billie Holiday
Com Possibilidades: Viola Davis (Ma Rainey’s Black Bottom) ou Frances McDormand (Nomadland
Devia Ganhar: Carey Mulligan (Promising Young Woman) 

Melhor Actor Secundário
Ganha: Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah
Com Possibilidades: Paul Raci (Sound of Metal
Devia Ganhar: Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah

Melhor Actriz Secundária
Ganha: Youn Yuh-jung (Minari
Com Possibilidades: Glenn Close (Hillbilly Elegy
Devia Ganhar: Maria Bakalova (Borat Subsequent Moviefilm

Melhor Realizador
Ganha: Chloé Zhao (Nomadland
Com possibilidades: David Fincher (Mank
Devia Ganhar: Thomas Vinterberg (Another Round) ou Chloé Zhao (Nomadland

Melhor Argumento Original
Ganha: The Trial of the Chicago 7, Aaron Sorkin 
Com possibilidades: Promising Young Woman, Emerald Fennell 
Devia Ganhar: Promising Young Woman, Emerald Fennell 

Melhor Argumento Adaptado
Ganha: Nomadland, Chloé Zhao 
Com possibilidades: The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller 
Devia Ganhar: The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller 

Melhor Filme de Animação
Ganha: Soul (Pixar) 

Melhor Filme Estrangeiro
Ganha: Another Round (Dinamarca) 
Com possibilidades: Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina) 
Devia Ganhar: Another Round (Dinamarca) ou Collective (Roménia) 

Melhor Fotografia
Ganha: Mank, Erik Messerschmidt 
Com possibilidades: Judas and the Black Messiah, Sean Bobbitt 
Devia Ganhar: Judas and the Black Messiah, Sean Bobbitt 

Melhor Montagem
Ganha: The Trial of the Chicago 7, Alan Baumgarten 
Com possibilidades: Promising Young Woman, Frédéric Thoraval 
Devia Ganhar: The Father, Yorgos Lamprinos

Melhor Design de Produção
Ganha: Mank, Donald Graham Burt, Jan Pascale 
Com possibilidades: Ma Rainey’s Black Bottom, Mark Ricker, Karen O’Hara, Diana Stoughton 
Devia Ganhar: The Father, Peter Francis, Cathy Featherstone ou Ma Rainey’s Black Bottom, Mark Ricker, Karen O’Hara, Diana Stoughton 

Melhor Guarda-Roupa
Ganha: Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth 
Com possibilidades: Mulan, Bina Daigeler 
Devia Ganhar: Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth 

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Ganha: Ma Rainey’s Black Bottom, Matiki Anoff, Mia Neal, Larry M. Cherry
Com Possibilidades: Pinocchio, Dalia Colli, Anna Kieber, Sebastian Lochmann, Stephen Murphy 
Devia Ganhar: Pinocchio, Dalia Colli, Anna Kieber, Sebastian Lochmann, Stephen Murphy 

Melhor Banda Sonora Original
Ganha: Soul, Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste 
Com possibilidades: Mank, Trent Reznor, Atticus Ross 

Melhor Canção Original
Ganha: Io Si (Seen) (The Life Ahead), Música: Diane Warren; Letra: Diane Warren e Laura Pausini
Com Possibilidades: Speak Now (One Night in Miami...), Música e Letra: Leslie Odom, Jr. e Sam Ashworth
Devia Ganhar: Húsavík (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga), Música e Letra: Savan Kotecha, Fat Max Gsus e Rickard Göransson

Melhor Som
Ganha: Sound of Metal, Phillip Bladh, Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés, Carolina Santana 
Com possibilidades: Soul, Coya Elliott, Ren Klyce, David Parker, Vince Caro 
Devia Ganhar: Sound of Metal, Phillip Bladh, Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés, Carolina Santana 

Melhor Efeitos Visuais
Ganha: The Midnight Sky, Matt Kasmir, Chris Lawrence, Dave Watkins, Max Solomon 
Com possibilidades: Tenet, Andrew Jackson, Andrew Lockley, Scott R. Fisher, Mike Chambers 

Melhor Documentário
Ganha: Time (Amazon Studios), Garrett Bradley, Lauren Domino e Kellen Quinn
Com Possibilidades: My Octopus Teacher (Netflix), Pippa Ehrlich, James Reed e Craig Foster
Devia Ganhar: Collective (Magnolia Pictures and Participant), Alexander Nanau e Bianca Oana

Melhor Curta Documental
Ganha: A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios), Ben Proudfoot e Kris Bowers
Com Possibilidades: Hunger Ward (MTV Documentary Films), Skye Fitzgerald e Michael Scheuerman
Devia Ganhar: Colette (Time Travel Unlimited), Anthony Giacchino e Alice Doyard

Melhor Curta de Animação
Ganha: If Anything Happens I Love You (Netflix), Will McCormack e Michael Govier
Com Possibilidades: Opera (Beasts and Natives Alike), Erick Oh
Devia Ganhar: If Anything Happens I Love You (Netflix), Will McCormack e Michael Govier

Melhor Curta
Ganha: Two Distant Strangers, Travon Free e Martin Desmond Roe
Com Possibilidades: Feeling Through, Doug Roland e Susan Ruzenski
Devia Ganhar: The Present, Farah Nabulsi

Relembra todos os nomeados aqui.

Crítica: Colectiv - Um Caso de Corrupção / Collective (2019)

"When the press bows down to the authorities, the authorities will mistreat the citizens. This has always happened, worldwide, and it has happened to us."

Catalin Tolontan

*9/10*

Directamente da Roménia, Collective é um documentário que expõe as fraquezas e pecados de um Estado corrupto e doente. O realizador Alexander Nanau leva-nos aos bastidores da política e de uma investigação jornalística na sequência de um caso arrepiante.

"O filme recupera a história do incêndio na discoteca Colectiv de Bucareste, em 2015, que provocou 27 mortos e 180 feridos. Após o incêndio, várias vítimas de queimaduras começaram a morrer nos hospitais por feridas que não eram fatais. Collective acompanha a equipa de jornalistas de investigação do Gazeta Sporturilor que revela uma fraude no sistema de saúde da Roménia, que enriqueceu empresários e políticos, ao mesmo tempo que provocava a morte a cidadãos inocentes."

Um jornal desportivo desenvolve uma grande investigação em torno das falhas dos hospitais públicos romenos, após a tragédia da discoteca Colectiv. Nem os jornalistas, nem nós espectadores, imaginávamos o que viriam a descobrir. O realizador Alexander Nanau acompanha de perto o trabalho dos três jornalistas na redacção, pesquisa, conferências de imprensa, reuniões e telefonemas com fontes, com acesso privilegiado à informação e às imagens e testemunhos chocantes que se vão reunindo. Se, por um lado, Nanau consegue a confiança dos jornalistas, também do outro lado da barricada as portas se abrem, quando o novo ministro da saúde - o tecnocrata Vlad Voiculescu - toma posse. Entre os dois lados, cruzam-se também os sobreviventes da tragédia e os familiares das vítimas, que só querem que nada disto volte a acontecer.

À medida que a investigação se desenrola, mais inacreditável a realidade se torna, com subornos, um aparente suicídio, pressão de todas as facções da sociedade, ameaças e revelações cada vez mais macabras e decadentes. Os esforços dos jornalistas e do novo ministro da saúde - que lutam contra um sistema de saúde e político corrompido e sem humanidade a todos os níveis - parecem minados por sensacionalismo e uma oposição a jogar ao ataque.

O documentário de Alexander Nanau regista intimamente cada passo e expõe-no ao mundo com seriedade e crueza. Collective é ele próprio a desconstrução da podridão de um sistema que coloca o dinheiro acima da vida - sem vergonha nem remorsos -; é uma arma pela verdade e pela humanidade.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Oscars 2021: Melhor Filme

Para finalizar a análise aos nomeados, eis as oito longas-metragens na corrida para o Oscar de Melhor Filme. No geral, temos um grupo com qualidade e competência, mas longe de ser um conjunto estrondoso. Há dois filmes muito bons, seguidos de perto por outros dois. Há um dos nomeados que se destaca pela negativa - um filme fraco que não merece a nomeação. Sentem-se as ausências de títulos como Another Round, Malcolm & Marie ou mesmo One Night in Miami..., que poderiam ocupar alguns dos lugares da lista de nomeados de 2021.

Mas é tudo uma questão de votos dos membros da Academia e de opinião. Aí ficam os nomeados para o Oscar de Melhor Filme, por ordem de preferência.

1. Sound of Metal (Amazon Studios)

Sound of Metal, de Darius Marder, leva-nos numa experiência sensorial ao universo da surdez. A violenta viagem que o realizador nos propõe é um confronto de emoções, ruídos e silêncio absoluto, numa aprendizagem permanente e restruturação pessoal total para voltar a viver. E mesmo sem ouvir, a música pode continuar presente - tal como a esperança.

2. O Pai / The Father (Sony Pictures Classics)
 

O Pai aborda uma história simples e realista de envelhecimento e perda - de faculdades, de memórias, de laços... -, mas igualmente de dedicação e mágoa de uma filha. Zeller cria um drama desolador, pincelado por momentos de humor requintado, porque na tristeza também se encontram alguns sorrisos e amparo. O filme é cruel na realidade que retrata, mas é igualmente humanizador na forma como o faz.

3. Nomadland - Sobreviver na América (Searchlight Pictures)

Chloé Zhao criou um road movie melancólico e realista, que convida à introspecção, enquanto viajamos estrada fora pelas planícies sem fim do Oeste dos EUA. Para além da crítica socio-político, o filme apela ao autoconhecimento, à relação dos humanos com a perda e à harmonia entre o Homem e a Natureza.

4. Uma Miúda com Potencial / Promising Young Woman (Focus Features)

Uma Miúda Com Potencial (Promising Young Woman) é um thriller em tons de rosa, onde Carey Mulligan encarna a vingança feminista. A estreia de Emerald Fennell na realização de longas-metragens alia a angústia ao humor sarcástico, num resultado extremamente desafiador. Um revenge movie no seu esplendor, com características que o tornam singular: provocador, sensual, feminino, delicado e inteligente (menos o seu final!). 

5. Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7 (Netflix)

Entre vinganças políticas, muita violência e um juiz incapaz de imparcialidade, constrói-se a acção de Os 7 de Chicago. Através do elenco que dá vida ao filme, Aaron Sorkin faz-nos olhar para o passado, através destas personagens, e constatar como há ainda tanto a fazer política e socialmente e, afinal, tão pouco mudou desde 1968.

6. Mank (Netflix)


David Fincher 
criou em Mank uma homenagem a um homem e a uma era do Cinema - os anos 30 do século XX. O processo de criação de Citizen Kane dá o mote para a exploração - em jeito de guião - do universo dos estúdios, numa Hollywood a sentir as sequelas da grande crise de 1929. Para além do retrato histórico, a longa-metragem destaca-se por ser tecnicamente irrepreensível, num excelente trabalho de som, fotografia e direcção artística.

7. Judas and the Black Messiah (Warner Bros.) 


Shaka King capta bem o ambiente de desconfiança, chantagem e medo que rodeava Fred Hampton e os que lhe eram próximos. A perseguição cerrada por parte do FBI, injustiças e contradições são denunciadas no grande ecrã, num resultado dinâmico e honroso para a memória de Hampton. O filme reúne bons momentos de acção, e é mais um retrato da brutalidade policial contra os afro-americanos e do racismo endémico dos EUA. Os discursos de Fred Hampton são apresentados com a grandiosidade que merecem, graças também à interpretação de Daniel Kaluuya

8. Minari (A24) 


Sensível mas nada provocador ou disruptivo, o filme de Lee Isaac Chung baseia-se na sua própria infância com a família, numa quinta no Arkansas. Não há nada de realmente novo em Minari: temos um drama familiar, uma família imigrante em busca de uma vida melhor nos EUA, a ideia do sonho americano frustrado sempre presente, a solidão e tentativa de integração na comunidade, o casamento em crise e a relação afectuosa entre avó e netos. Não há nenhum rasgo de inspiração. O realizador cria uma história simples, focada nas personagens e no ambiente que as rodeia e põe-nas à prova, repetidamente.

domingo, 18 de abril de 2021

Oscars 2021: Os Actores Principais

Foco-me agora nos nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria em que é quase certo quem ganha (postumamente), fica um certo desapontamento que o Oscar não possa ir para três actores em simultâneo. Entre os cinco candidatos, se há três que são brilhantes, há igualmente dois que não se destacam por aí além. John David Washington poderia ocupar um desses lugares pelo seu papel em Malcolm & Marie e ainda mais justa seria a nomeação de Mads Mikkelsen por Another Round


Mas como não sou eu que escolho os nomeados, eis os cinco candidatos, por ordem de preferência:

1. 

Ex aequo

Riz Ahmed (Sound of Metal)


Entre um elenco que conta com muitos actores amadores surdos, Riz Ahmed passa com distinção. O actor aprendeu a tocar bateria, língua gestual, e supera-se na pele de Ruben. O desnorte que sente; a vergonha inicial em revelar o seu problema à companheira; a esperança numa operação cara mas aparentemente milagrosa; a insistência em continuar a tocar, mesmo sem conseguir ouvir; e todas as mudanças no seu comportamento depois de integrar a comunidade de surdos - reencontrando uma alegria que pensava perdida -; são vividas com a intensidade do som e do silêncio nos ouvidos do actor. 

Ex aequo



Mesmo que Ma Rainey: A Mãe dos Blues sugira que Viola Davis é a grande estrela do filme, certo é que é Chadwick Boseman quem mais brilha e se destaca. O actor, falecido em 2020, rouba todas as atenções quando está em cena, na pele de um trompetista ambicioso e traumatizado, com mudanças de humor capazes de aterrorizar. Um excelente desempenho no derradeiro filme de Boseman.

Ex aequo

Anthony Hopkins (O Pai / The Father)


Anthony Hopkins é soberbo na pele deste protagonista com quem partilha o nome e data de nascimento. O golpe que sente na sua independência provoca-lhe revolta e desconfiança. A memória atraiçoa-o, os rostos e locais deixam momentaneamente de ser familiares, o desespero e as frases repetidas evidenciam a fragilidade da sua condição. Se, por um lado, ele não admite (nem compreende) a sua fraqueza, por outro, a rispidez - e o humor - é a melhor arma que encontra para se defender.

4. Gary Oldman (Mank)

Gary Oldman está irrepreensível nos maneirismos que incorpora para interpretar um homem frágil e doente, alcoólico e com gosto pelas apostas perigosas, que diz o que pensa sem receios. 

5. Steven Yeun (Minari


Em Minari, Steven Yeun tem uma interpretação competente como Jacob, um imigrante sul-coreano nos Estados Unidos, homem de família dedicado e ambicioso, demasiado crente no sonho americano, que descura a vontade da família e o casamento.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Oscars 2021: As Actrizes Principais

Passamos às nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz. 2020 foi um ano de grandes desempenhos femininos. Das cinco nomeadas, temos duas verdadeiramente arrebatadoras nos seus papéis, duas veteranas que nunca fazem mau trabalho e um papel tão físico como psicologicamente exaustivo. Ficaram de fora nomes como Zendaya (em Malcolm and Marie - assumidamente, uma das minhas favoritas) ou Rosamund Pike (I Care a Lot). 

Eis a minha lista das nomeadas, por ordem de preferência.

1. Carey Mulligan (Uma Miúda com Potencial / Promising Young Woman

Carey Mulligan revela-se surpreendente na pele desta personagem vingativa e corajosa. A aparente fragilidade e delicadeza da actriz, bem como a forma como é capaz de se transformar enquanto Cassie, fazem dela a mais acertada escolha para o papel. Ela consome-se, definha psicologicamente e revela traços de sociopatia; ao mesmo tempo que renasce sensual e decidida, comandada por um insaciável desejo de vingança.

2. Andra Day (Estados Unidos vs. Billie Holiday / The United States v. Billie Holiday

Andra Day não é a primeira actriz a interpretar Billie Holiday, mas faz um trabalho fabuloso. Treinou a voz para conseguir o tom grave e rouco da cantora, começou a fumar e a beber, perdeu peso, entregou-se a uma interpretação tão física como psicológica, sem problemas com cenas de nudez, violência ou de consumo de heroína, e é capaz de dotar a personagem de um carisma imenso em palco e de uma incapacidade de amor próprio nos momentos de maior fragilidade. Andra é frágil e forte, dominada mas decidida, apaixonada, magoada, corajosa mas influenciável. A cantora e actriz percorre uma série de estados de alma, mas o olhar vazio e desalentado é capaz de nos arrebatar.

3. Vanessa Kirby (Pieces of a Woman)

Vanessa Kirby é realmente extraordinária como Martha. A actriz transfigura-se de forma especialmente realista durante o parto, entre dores, fraqueza e desespero, bem como nos meses seguintes, deprimida, magoada, desamparada, capaz contudo de fazer valer a sua palavra e a sua vontade. No meio de tanto sofrimento, a vida de Martha ressurge quando as sementes de maçã começam a germinar.

4. Frances McDormand (Nomadland - Sobreviver na América)

Sempre a reinventar-se, Frances McDormand tem um desempenho sóbrio e realista, na pele desta mulher nómada por natureza, independente e corajosa, que viaja pelo país à medida que as estações do ano passam e para onde o trabalho surja. Incapaz de criar raízes, estabelece laços com quem quer que se cruze, mas segue caminho, deixando em aberto potenciais - e quase certos - reencontros. Fern só se sente livre e feliz dentro da sua carrinha; ela não quer amarras, luta contra os sentimentos e, muitas vezes, foge como uma adolescente.

5. Viola Davis (Ma Rainey: A Mãe do Blues / Ma Rainey’s Black Bottom)

Viola Davis capta na perfeição movimentos, postura e modo de falar da artista, de presença forte e personalidade difícil, fazendo-se valer do seu talento para reivindicar os seus direitos. No entanto, mesmo que Ma Rainey: A Mãe dos Blues sugira que Davis é a grande estrela do filme, certo é que é Chadwick Boseman quem mais brilha e se destaca. Viola Davis torna-se secundária na acção, que roda muito mais em torno do actor.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Oscars 2021: Os Actores Secundários

Passamos aos nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com desempenhos muito equilibrados. Sem dúvida, há um actor que se destaca - até porque o seu desempenho poderia ser considerado de actor princial - e falo de Daniel Kaluuya. Sentimos a falta, contudo, de Jared Leto (The Little Things) e, principalmente, Delroy Lindo (Da 5 Bloods - Irmãos de Armas) nesta lista. Seria merecido e Lindo um justo vencedor. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

1. Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah

Como Fred Hampton, Daniel Kaluuya assumiu um papel exigente, onde também a transformação física é evidente, na pele de um jovem revolucionário, figura central entre os activistas pelos direitos civis nos EUA. Entre a revolta, a emoção e o desejo de justiça, Kaluuya cativa o público dos dois lados do ecrã, e dá voz aos discursos de Hampton com a grandiosidade que merecem.

2. Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7)

Sacha Baron Cohen é genial na comédia, mas é capaz de um excelente trabalho também no drama. Como Abbie Hoffman, carismático e desafiador, o actor mantém algum do seu humor intrínseco, todavia com um tom trágico.

3. Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami / One Night in Miami...)

Leslie Odom Jr. tem dado cartas no teatro (vestiu a pele de Aaron Burr, o antagonista de Hamilton, na Broadway) e, aos poucos, tem surgido com maior protagonismo no cinema - e ainda bem. No filme de Regina King, alia a representação aos seus dotes musicais e interpreta o músico Sam Cooke. É de elogiar a confiança com que articula gestos e maneirismos, e o carisma que confere ao grupo de actores com quem contracena. Destacam-se inevitavelmente os debates acesos e convictos que a sua personagem trava com Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), que quase abalam uma amizade.

4. Paul Raci (Sound of Metal)

Paul Raci foi uma das surpresas entre os nomeados deste ano, mas o reconhecimento é merecido. O actor, filho de pais surdos, interpreta Joe, um surdo-mudo com um papel fundamental para ajudar outros na mesma condição a deixar as drogas. Sem falar, Raci é capaz de nos transmitir muito: um homem exigente, dedicado e, à sua maneira, compreensivo.

5. Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Ao lado de Daniel Kaluuya, LaKeith Stanfield distingue-se na pele de Bill O'Neal, o infiltrado que vive no constante dilema, entre a sua colaboração com o FBI e a amizade que vai construindo com Fred Hampton. O actor tem uma interpretação competente, assente numa dualidade de carácter difícil de digerir.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Oscars 2021: As Actrizes Secundárias

Começo a análise pré-Oscars aos nomeados com a categoria de Melhor Actriz Secundária. Das veteranas às estreantes, reúne-se um grupo de interpretações de qualidade e bastante equilibradas. Temos grandes nomes e algumas estreantes nestas andanças dos prémios. 

Fazer comédia com sucesso não é para qualquer pessoa, e Maria Bakalova fá-lo com um à-vontade surpreendente, por isso é ela a primeira da minha lista. Eis as nomeadas por ordem de preferência.


1. Maria Bakalova (Borat, o Filme Seguinte / Borat Subsequent Moviefilm)

Numa dupla inesquecível com Sacha Baron Cohen, a búlgara Maria Bakalova é uma das grandes revelações da época, na pele de Tutar, filha de Borat. Corajosa - a cena com Rudy Giuliani ficará para a História -, aparentemente inocente, segura e divertida, a jovem cativou atenções, para além de ter dado à longa-metragem um lado feminista, especialmente necessário no contexto dos acontecimentos.

2. Olivia Colman (O Pai / The Father

Ao lado do veterano Anthony Hopkins, Olivia Colman incorpora o rosto exausto de uma filha incansável e dedicada, que vê desaparecer, aos poucos, a existência do homem que a criou. A actriz tem uma interpretação contida e comovente, num esforço contínuo pelo bem estar do pai.

3. Glenn Close (Lamento de uma América em Ruínas / Hillbilly Elegy)

Sete nomeações depois, ainda não deve ser este o ano de Glenn Close. O filme é fraco, mas a actriz tem uma fabulosa interpretação como a avó Mamaw. Close incorporou uma forma de andar e falar muito característica e está transfigurada, de aspecto descuidado e modos grosseiros - e, no final, a partir de vídeos caseiros da família Vance, podemos constatar como está igual à verdadeira avó de J.D. Curiosamente, a personagem valeu-lhe nomeação para os Oscars e para os Razzie Awards.

4. Youn Yuh-jung (Minari

Aos 73 anos, a sul-coreana Youn Yu-jung conquistou a sua primeira nomeação para os Oscars. A maior força de Minari reside na relação que se constrói entre a sua personagem, a avó recém-chegada, e o neto, o estreante Alan S. Kim. A fragilidade da idosa, mas igualmente os esforços que faz na conquista da simpatia do neto - que a considera uma avó pouco comum -, tornam o desempenho da actriz digno de distinção.

5. Amanda Seyfried (Mank)


Amanda Seyfried será a nomeada com menos hipóteses este ano - mas surpresas podem sempre acontecer. Na pele de Marion Davies, Seyfried tem um papel pequeno mas relevante para a acção. A elegância da actriz alia-se ao desalento de uma mulher que sente que a carreira está a perder fulgor e a idade vai passando.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Oscars 2021: Os Nomeados

Os nomeados para os Oscars 2021 foram conhecidos esta Segunda-feira. Este ano, a actriz e produtora Priyanka Chopra Jonas e o cantor e actor Nick Jonas fizeram o anúncio dos nomes na corrida para as estatuetas douradas. Mank lidera com 10 nomeações.


A 93.ª cerimónia dos Oscars está marcada para 25 de Abril, a partir de vários locais, incluindo o Dolby Theatre.

Aqui fica a lista completa de nomeados:

Melhor Filme
The Father (Sony Pictures Classics) 
Judas and the Black Messiah (Warner Bros.) 
Mank (Netflix) 
Minari (A24) 
Nomadland (Searchlight Pictures) 
Promising Young Woman (Focus Features) 
Sound of Metal (Amazon Studios) 
The Trial of the Chicago 7 (Netflix) 

Melhor Actor
Riz Ahmed (Sound of Metal
Chadwick Boseman (Ma Rainey’s Black Bottom
Anthony Hopkins (The Father
Gary Oldman (Mank
Steven Yeun (Minari

Melhor Actriz
Viola Davis (Ma Rainey’s Black Bottom
Andra Day (The United States v. Billie Holiday
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman
Frances McDormand (Nomadland
Carey Mulligan (Promising Young Woman

Melhor Actor Secundário
Sacha Baron Cohen (The Trial of the Chicago 7
Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah
Leslie Odom Jr. (One Night in Miami
Paul Raci (Sound of Metal
Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Melhor Actriz Secundária 
Maria Bakalova (Borat Subsequent Moviefilm
Glenn Close (Hillbilly Elegy
Olivia Colman (The Father
Amanda Seyfried (Mank
Youn Yuh-jung (Minari

Melhor Realizador
Thomas Vinterberg (Another Round)
David Fincher (Mank
Lee Isaac Chung (Minari
Chloé Zhao (Nomadland
Emerald Fennell (Promising Young Woman

Melhor Argumento Original
Judas and the Black Messiah, Will Berson, Shaka King, Keith Lucas, Kenneth Lucas 
Minari, Lee Isaac Chung 
Promising Young Woman, Emerald Fennell 
Sound of Metal, Abraham Marder, Darius Marder, Derek Cianfrance 
The Trial of the Chicago 7, Aaron Sorkin 

Melhor Argumento Adaptado
Borat Subsequent Moviefilm, Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Jena Friedman, Anthony Hines, Lee Kern, Dan Mazer, Nina Pedrad, Erica Rivinoja, Dan Swimer 
The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller 
Nomadland, Chloé Zhao 
One Night in Miami, Kemp Powers 
The White Tiger, Ramin Bahrani 

Melhor Filme de Animação
Onward (Pixar) 
Over the Moon (Netflix) 
Shaun the Sheep Movie: Farmageddon (Netflix) 
Soul (Pixar) 
Wolfwalkers (Apple TV Plus/GKIDS) 

Melhor Filme Estrangeiro
Another Round (Dinamarca) 
Better Days (Hong Kong)
Collective (Roménia) 
The Man Who Sold His Skin (Tunísia)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina) 

Melhor Fotografia
Judas and the Black Messiah, Sean Bobbitt 
Mank, Erik Messerschmidt 
News of the World, Dariusz Wolski 
Nomadland, Joshua James Richards 
The Trial of the Chicago 7, Phedon Papamichael 

Melhor Montagem
The Father, Yorgos Lamprinos
Nomadland, Chloé Zhao 
Promising Young Woman, Frédéric Thoraval 
Sound of Metal, Mikkel E.G. Nielsen 
The Trial of the Chicago 7, Alan Baumgarten 

Melhor Design de Produção
The Father, Peter Francis, Cathy Featherstone 
Ma Rainey’s Black Bottom, Mark Ricker, Karen O’Hara, Diana Stoughton 
Mank, Donald Graham Burt, Jan Pascale 
News of the World, David Crank, Elizabeth Keenan 
Tenet, Nathan Crowley, Kathy Lucas 

Melhor Guarda-Roupa
Emma, Alexandra Byrne 
Mank, Trish Summerville 
Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth 
Mulan, Bina Daigeler 
Pinocchio, Massimo Cantini Parrini

Melhor Caracterização
Emma, Marese Langan 
Hillbilly Elegy, Eryn Krueger Mekash, Patricia Dehaney, Matthew Mungle 
Ma Rainey’s Black Bottom, Matiki Anoff, Mia Neal, Larry M. Cherry 
Mank, Kimberley Spiteri, Gigi Williams 
Pinocchio, Dalia Colli, Anna Kieber, Sebastian Lochmann, Stephen Murphy 

Melhor Banda Sonora Original
Da 5 Bloods, Terence Blanchard 
Mank, Trent Reznor, Atticus Ross 
Minari, Emile Mosseri 
News of the World, James Newton Howard 
Soul, Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste 

Melhor Canção Original
Fight for You, (Judas and the Black Messiah), Música: H.E.R. e Dernst Emile II; Letra: H.E.R. e Tiara Thomas
Hear My Voice, (The Trial of the Chicago 7)Música: Daniel Pemberton; Letra: Daniel Pemberton e Celeste Waite
Húsavík, (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)Música e Letra: Savan Kotecha, Fat Max Gsus e Rickard Göransson
Io Si (Seen), (The Life Ahead), Música: Diane Warren; Letra: Diane Warren e Laura Pausini
Speak Now, (One Night in Miami...)Música e Letra: Leslie Odom, Jr. e Sam Ashworth

Melhor Som
Greyhound, Odin Benitez, Jason King, Christian P. Minkler, Michael Minkler, Jeff Sawyer 
Mank, Ren Klyce, Jeremy Molod, David Parker, Nathan Nance, Drew Kunin 
News of the World, John Pritchett, Mike Prestwood Smith, William Miller, Oliver Tarney, Michael Fentum 
Soul, Coya Elliott, Ren Klyce, David Parker, Vince Caro 
Sound of Metal, Phillip Bladh, Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés, Carolina Santana 

Melhores Efeitos Visuais
Love and Monsters, Matt Sloan, Genevieve Camilleri, Matt Everitt, Brian Cox
The Midnight Sky, Matt Kasmir, Chris Lawrence, Dave Watkins, Max Solomon 
Mulan, Sean Faden, Anders Langlands, Seth Maury, Steve Ingram 
The One and Only Ivan, Nick Davis, Greg Fisher, Ben Jones, Santiago Colomo Martinez 
Tenet, Andrew Jackson, Andrew Lockley, Scott R. Fisher, Mike Chambers 

Melhor Documentário
Collective (Magnolia Pictures and Participant), Alexander Nanau e Bianca Oana
Crip Camp (Netflix), Nicole Newnham, Jim LeBrecht e Sara Bolder
The Mole Agent (Gravitas Ventures)Maite Alberdi e Marcela Santibáñez
My Octopus Teacher (Netflix), Pippa Ehrlich, James Reed e Craig Foster
Time (Amazon Studios), Garrett Bradley, Lauren Domino e Kellen Quinn

Melhor Curta Documental
Colette (Time Travel Unlimited), Anthony Giacchino e Alice Doyard
A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios), Ben Proudfoot e Kris Bowers
Do Not Split (Field of Vision), Anders Hammer e Charlotte Cook
Hunger Ward (MTV Documentary Films), Skye Fitzgerald e Michael Scheuerman
A Love Song for Latasha (Netflix), Sophia Nahli Allison e Janice Duncan

Melhor Curta de Animação
Burrow (Disney Plus/Pixar), Madeline Sharafian e Michael Capbarat
Genius Loci (Kazak Productions), Adrien Mérigeau e Amaury Ovise
If Anything Happens I Love You (Netflix), Will McCormack e Michael Govier
Opera (Beasts and Natives Alike), Erick Oh
Yes-People (CAOZ hf. Hólamói), Gísli Darri Halldórsson e Arnar Gunnarsson

Melhor Curta
Feeling Through, Doug Roland e Susan Ruzenski
The Letter Room, Elvira Lind e Sofia Sondervan
The Present, Farah Nabulsi
Two Distant Strangers, Travon Free e Martin Desmond Roe
White Eye, Tomer Shushan e Shira Hochman