Não há grandes dúvidas sobre qual será a Sugestão da Semana. O destaque do Hoje Vi(vi) um Filme vai para Amor Fati, de Cláudia Varejão, que já tem crítica aqui.
AMOR FATI
Ficha Técnica:
Duração: 102 minutos
Não há grandes dúvidas sobre qual será a Sugestão da Semana. O destaque do Hoje Vi(vi) um Filme vai para Amor Fati, de Cláudia Varejão, que já tem crítica aqui.
AMOR FATI
Ficha Técnica:
*7/10*
Cláudia Varejão cria retratos de amor na sua longa-metragem Amor Fati (do latim "amor ao destino"). Durante dois anos, a realizadora procurou por todo o país "histórias de amores inabaláveis que se expressavam em fisionomias idênticas", algo que a intrigava desde criança.
Eis que Amor Fati se revela através de um conjunto de pares, unidos por um grande amor, carinho e afinidade, seja entre mães, pais e filhos, famílias, irmãos e irmãs, companheiros, donos e animais... São múltiplas as formas de amor. Chega-nos assim um filme de afectos, estreado em tempos de uma pandemia que teima em afastar-nos.
«Amor Fati vai ao encontro de partes que se completam. São retratos de casais, amigos, famílias e animais com os seus donos. Partilham a intimidade dos dias, os hábitos, as crenças, os gostos e alguns traços físicos. A partir dos seus rostos e da coreografia dos gestos, descobrimos a história que os enlaça. Assente na vida quotidiana, o filme desenha diante dos nossos olhos um coro de afectos e da memória colectiva de um país, convocado o discurso de Aristófanes no Banquete de Platão: “Não será a isto que vocês aspiram - a identificarem-se o mais possível um ao outro, de forma a não mais se separarem noite e dia? Se é essa a vossa aspiração, estou disposto a fundir-vos e soldar-vos numa só peça, de tal modo que, em vez de dois, passem a ser um só.”»
O filme pede-nos que observemos os gestos, as palavras e os olhares de pessoas e animais, a sua empatia e química, e conta-nos histórias intercaladas, com protagonistas muito diferentes, mas todos eles pouco vistos no grande ecrã. Duas idosas de uma aldeia remota do interior norte de Portugal, um travesti e o seu cão, um rapaz cego que faz beatbox e a sua mãe, duas gémeas empregadas num café à beira da estrada, a mãe cigana e a sua filha, uma família de músicos arménios, um eremita e o seu cavalo branco, são alguns dos protagonistas escolhidos por Cláudia Varejão.
Inevitavelmente, há pares que se sobrepõem a outros, conquistam mais facilmente o coração do espectador, mas também o espaço dentro do filme. A realizadora filma sem interferir, entrando na sua intimidade como se fosse parte da mobília, olha-os com interesse mas pouco calor. Interessa encontrar as semelhanças entre as duas metades que constroem e vivem estas formas de amor, o que as liga, o que as torna quase unas.
Amor Fati, enquanto filme, é um hino à vida e ao amor, mas principalmente à descoberta desse sentimento e emoção nos outros. É um observar a vida a acontecer e todo o ritual que se lhe segue, desde o nascimento, num circulo interminável. E, como diz a realizadora: "Talvez o cinema nos ajude, assim, a fintar o fim".
Numa semana incomum, reflexo do Estado de Emergência, há apenas um novo filme nos cinemas nacionais esta Quinta-feira. Nas plataformas de streaming, encontramos duas estreias, na Apple TV+ e Netflix Portugal.
Amor Fati (2020)
Amor Fati vai ao encontro de partes que se completam. São retratos de casais, amigos, famílias e animais com os seus donos. Partilham a intimidade dos dias, os hábitos, as crenças, os gostos e alguns traços físicos. A partir dos seus rostos e da coreografia dos gestos, descobrimos a história que os enlaça.
Apple TV+
Estreia a 13 de Novembro:
Fireball: Visitors From Darker Worlds (2020)
O segundo momento do Doclisboa 2020 começa já amanha, dia 5, prolongando-se até 11 de Novembro, sob o tema Deslocações. O Hoje Vi(vi) um Filme destaca alguns títulos que não deves perder na 18.ª edição do festival lisboeta.
My Dear Spies (Mes chers espions), de Vladimir Léon
"O realizador entrega ao irmão uma mala velha que trouxera de casa da mãe deles após a sua morte. Aí, encontram documentos que ligam os seus avós russos à inteligência soviética em Paris antes da Segunda Guerra Mundial. De Paris à Rússia, os irmãos deambulam pelas ruínas de mundos perdidos e histórias por contar. Conversam, cantam, bebem, encontram-se com muitas pessoas, amigos, testemunhas, historiadores, desencantando relatórios de contra-espionagem, testemunhos da vida quotidiana soviética, memórias do Gulag… Os medos do passado remoto ressurgem como fantasmas e parecem mais próximo de nós do que o esperado."
6 NOV / 19h00 - Culturgest
Nails in My Brain, de Hilal Baydarov
"Um jovem deambula pelas ruínas do que pode ou não ser a sua casa de infância, onde cada umbral a desmoronar-se abre para o passado. Independentemente do quanto tentou mudar, o jovem regressa sempre aos mesmos sítios, às mesmas questões, aos mesmos rostos, às mesmas memórias – os mesmos pregos no cérebro."
6 NOV / 20h00 - Cinema Ideal
Desterro, de Maria Clara Escobar
"Uma casa está em chamas. Todas as casas. Uma viagem resulta em várias viagens e essa é sem regresso. Muitas mulheres falam. Contam as suas histórias. A perda, a morte e a luta por ser, ao lado dos outros."
7 NOV / 19h00 - Culturgest
virar mar / meer werden (becoming sea), de Philipp Hartmann, Danilo Carvalho
"A água enquanto metáfora física e metafísica e pano de fundo da existência humana. Um ensaio entre documentário e ficção e entre os desertos do Sertão brasileiro e as zonas inundáveis de Dithmarschen no Norte da Alemanha. Tragédias e observações quotidianas em tempo de alterações climáticas."
8 NOV / 15h00 - Culturgest
Questo è il piano, de Luciana Fina
"Questo è il piano foi filmado em Março e Abril de 2020, numa área do Alentejo desprotegida, no aperto entre o apelo à sobrevivência da(s) espécie(s) e o exercício indomável da destruição."
8 NOV / 19h00 - Culturgest
Rift Finfinnee, de Daniel Kötter
"Uma viagem pela periferia de Adis Abeba, capital da Etiópia. Em planos de paisagens e arquitectura rigorosamente enquadrados e com uma banda sonora que entrelaça as conversas originais de forma complexa, o filme percorre o desfiladeiro do rio Akaki, analisando o fosso mais do que simbólico entre citadino e rural. O filme toma a geografia concreta, a arquitectura e a vida quotidiana de trabalhadores agrícolas e da construção no leste de Adis Abeba ('Finfinnee', em oromo) como ponto de partida para uma narrativa alegórica sobre a urbanização de uma sociedade africana à beira da guerra civil."
9 NOV / 20h00 - Cinema Ideal
Resistência Íntima (The Intimate Resistance), de Left Hand Rotation
"Um documentário interrompido por um vírus. Prolongar para sempre a mais curta das caminhadas e voltar para casa a cada passo, essa é a natureza da nossa intimidade errante. Interior e exterior são sinónimos. A fronteira é uma janela aberta."
9 NOV / 20h00 - Cinema Ideal
Amor Fati, de Cláudia Varejão
«Retratos de casais, amigos, famílias e animais com os seus donos. Partilham a intimidade dos dias, os hábitos, as crenças, os gostos e alguns traços físicos. A partir dos seus rostos e da coreografia dos gestos, descobrimos a história que os enlaça, convocando o discurso de Aristófanes no Banquete de Platão: “Não será a isto que vocês aspiram — a identificarem-se o mais possível um ao outro, de forma a não mais se separarem noite e dia? Se é essa a vossa aspiração, estou disposto a fundir-vos e soldar-vos numa só peça, de tal modo que, em vez de dois, passem a ser um só”.»
11 NOV / 20h00 - Cinema Ideal
Toda a informação sobre o Doclisboa 2020 em https://doclisboa.org/2020/.