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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Curtas Vila do Conde 2022: Competição Nacional

O Curtas Vila do Conde 2022 terminou há um mês, mas não é tarde para falar sobre algumas das curtas-metragens da Competição Nacional desta 30.ª edição do festival. Dos 14 filmes na corrida, assistimos a sete. 

Eis a análise:

Aos Dezasseis (At Sixteen), Carlos Lobo

"Uma escola, um parque de skate e um concerto. Sara acaba de fazer dezasseis anos. Curta-metragem sobre a adolescência através da história de uma jovem, assolada por inúmeras incertezas sobre o seu lugar na sociedade."

Aos Dezasseis é um filme de poucas palavras. Sara transmite tudo através do olhar, seja curiosidade, receio, interesse e, principalmente, incerteza. 

Carlos Lobo filma com muito ritmo as actividades, da coreografia inicial, às manobras de skate, até ao concerto final. E Sara surge e revela-se entre as necessidades de agitação e solidão, euforia e desilusão, e todas as dúvidas e ânsias que a adolescência faz despertar.


As Sacrificadas (The Left Behind), Aurélie Oliveira Pernet

"No Verão, as montanhas portuguesas são devastadas pelos incêndios. Otília debate-se entre o trabalho como empregada de limpeza na piscina municipal e a necessidade de cuidar sozinha da mãe. Sufocada pelo quotidiano, as chamas despertam a solidão, o desespero e desejo de escapar."

Aurélie Oliveira Pernet tem uma estreia auspiciosa no Curtas Vila do Conde 2022. As Sacrificadas é a sua segunda curta-metragem, onde segue a vida de uma filha que vive para o trabalho e para cuidar da mãe doente, anulando-se enquanto mulher. 

O filme passa-se no Verão, durante a época de incêndios, no interior do país. A realizadora envolve a plateia na acção, seguindo a rotina de Otília - entre a Água e o Fogo, os elementos mais destacados em As Sacrificadas -, da tranquilidade do emprego nas piscinas, à difícil relação com a mãe. O fogo ronda os terrenos perto da casa da protagonista, mas é lá dentro, nas notícias que a televisão anuncia, que mais se sente o seu calor - adensado pelas discussões entre mãe e filha.

No papel principal, destaque para o desempenho de Tânia Alves que é a alma da curta-metragem, num sofrimento espelhado no rosto, mas sufocado na voz. O desespero, a desconfiança e a solidão de Otília são o combustível que poderá acender o rastilho da vontade de escapar.


Garrano, David Doutel e Vasco Sá

"Um cavalo Garrano é forçado a puxar uma carga pesada sob um sol escaldante, e Joel, um jovem rapaz, descobre um homem que está prestes a incendiar uma floresta."

Garrano marca o regresso da dupla Vasco Sá e David Doutel e do seu característico estilo de animação, para contar uma história de fuga e cativeiro, no meio de um potencial incêndio florestal. O mistério em redor da raça do seu cavalo intriga o pequeno Joel. O pai diz-lhe que eles são "selvagens como o fogo" mas o deles amansou e é agora sobrecarregado com o trabalho que o Homem não tem força para executar. 

As paisagens do norte de Portugal, de onde o garrano é originário, são replicadas fielmente no ecrã, entre a neblina, os terrenos montanhosos e acidentados e a floresta abundante. O argumento assenta nos abusos de que cavalo e criança são alvo, numa espécie de alegoria entre os dois personagens, animal e humano, e no modo em que cada um encontra uma potencial fuga.


Ice Merchants, João Gonzalez

"Um homem e o seu filho saltam de pára-quedas todos os dias, da sua casa fria e vertiginosa presa no alto de um precipício, para se deslocarem à aldeia que se situa na planície abaixo, onde vendem o gelo que produzem durante a noite."

A delicadeza da história e do traço de João Gonzalez, em Ice Merchants, confere à curta-metragem uma sensibilidade pouco comum. Compreende-se que tenha conquistado o Prémio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2022. 

A relação terna e de amor incondicional entre pai e filho, que vivem num precipício gelado, é pontuada por detalhes deliciosos - e cheios de pistas para o que aí vem. O baloiço nas alturas, o salto de pára-quedas, os objectos simbólicos dentro de casa ou o ritual da compra de chapéus, que todos os dias usam, bem como a perspectiva de perigo constante, tudo contribui para a criação de empatia e verdadeira preocupação da parte da plateia. Paira um sentimento de nostalgia sobre aquela casa que passa para o outro lado do ecrã, a par da espiritualidade que vai crescendo no decurso da acção.

Sem falas, embalado pela banda sonora e pelo som do vento ou dos objectos, Ice Merchants é comoção e amor, capaz de tocar bem fundo.


O Casaco Rosa (The Pink Jacket), Mónica Santos

"Um filme-musical político sobre um Casaco Rosa sempre com alguma na manga. No conforto do seu lar, Casaco Rosa tortura e costura os opositores do sistema." 

De uma originalidade surpreendente, Mónica Santos conta a história de um conhecido agente da PIDE através da animação, cheia de cor e de música. Contrastando com o visual alegre da curta-metragem, os tecidos e objectos de costura são autênticos agentes de tortura, ao serviço do protagonista. As palavras cantadas narram a acção e as imagens, aparentemente tão delicadas, são capazes de arrepiar, por saber como aquela história é real. 

O Casaco Rosa é o resultado de um excelente trabalho de toda a equipa, com extrema atenção aos pormenores, sem deixar faltar as vozes da liberdade e da esperança, ecoando pelo rádio, enquanto se espera que a revolução aconteça e que a impunidade não vingue.


Saturno (Saturn), Luís Costa e André Guiomar

"Saturno conta a história de Caveirinha, um pescador humilde que vive numa difícil situação social. Imediatamente após a morte do seu filho no mar, enfrenta a dificuldade de enterrá-lo com dignidade." 

André Guiomar e Luís Costa filmam em película, e Saturno capta a dor e o luto de uma família que perdeu um filho. Os rostos fechados dizem muito mais do que as poucas palavras que trocam. As escolhas e a esperança que tentam encontrar para seguir em frente não são fáceis. Ana Moreira e Joaquim Castro demonstram o sofrimento das suas personagens num desempenho contido, onde as emoções transparecem em cada expressão, em cada silêncio.

O plano sequência final mostra como o rio pode acalmar a dor. O som das suas águas sobrepõe-se ao do motor do barco e o ambiente introspectivo que se sente naquele pequeno espaço transpõe a lente da câmara e o ecrã, estendendo-se à plateia.


2ª Pessoa (2nd Person), Rita Barbosa

"Um cano velho de uma casa-de-banho provocou uma infiltração num tecto. Nesse tecto, viriam a crescer cogumelos de uma espécie tóxica da ordem Poriales. Sentada na sanita, a senhora desta casa, olha para cima e observa aquele mágico e misterioso fungo que não é bicho, nem é planta. O cogumelo é o futuro, pensou."

Duas personagens, um homem e uma mulher, recordam momentos que os marcaram no passado. Apenas se ouvem as suas vozes, e é a da senhora que nos fica mais presente, recordando o casamento sem amor e um encontro sexual com outra mulher, que parece ter mudado a sua vida. As memórias transformam-se por vezes em fantasia, confusas, apoiadas pelas histórias que cria sobre as pessoas que gosta de observar pela janela. Ao mesmo tempo, reflecte sobre as (im)possibilidades da Natureza.

A acompanhar as vozes e histórias, vêem-se imagens de lixo, de um bairro degradado, do quotidiano de cada prédio, através dos habitantes que surgem, por vezes, às janelas e varandas. Provavelmente, os mesmos que a narradora espia através dos vidros.

Em Segunda Pessoa, destaque para o trabalho de som, que transforma os desabafos das personagens em quase sussurros, e hiperboliza o som do que se vê da janela, ao longe.


Os restantes filmes em Competição foram: Heitor Sem Nome, de Vasco Saltão, O Teu Peso em Ouro, de Sandro Aguilar, Pê, de Margarida Vila-Nova, Raticida, de João Niza Ribeiro, See You Later Space Island, de Alice dos Reis, Skola di Tarafe, de Sónia Vaz Borges e Filipa César, e Uma Rapariga Imaterial, de André Godinho. Mais informações sobre o Curtas Vila do Conde em https://festival.curtas.pt/.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Curtas Vila do Conde 2022: Mistida (2022), Falcão Nhaga

*7.5/10*

Um reencontro de emoções de duas pessoas que nunca se afastaram fisicamente, mas afetuosamente estão mais distantes do que julgam. Mistida, de Falcão Nhaga, simboliza o reencontro de laços entre mãe e filho, e venceu os prémios para Melhor Filme e Melhor Realizador na competição Take One! do Curtas Vila do Conde 2022 (após uma passagem pela secção La Cinef, do Festival de Cannes, e pelo IndieLisboa).

"Uma mãe imigrante (Bia Gomes), aflita das costas, liga ao filho (Welket Bungué) para que ele a ajude a carregar os sacos de compras para casa. Durante o percurso, os dois conversam sobre o futuro através do passado, numa revinda às suas amarguras e alegrias."

As saudades que a mãe sente da Guiné-Bissau e da família que lá deixou, e o desejo de regressar, entram em conflito com os sonhos do filho de continuar a sua vida e as suas aspirações profissionais e românticas em Portugal. Na conversa, marcada por muitos silêncios, onde se recuperam forças e pensamentos, mãe e filho recordam o passado: as reuniões de família à mesa na Guiné-Bissau, as canções de embalar esquecidas no tempo, as brincadeiras de criança, os primeiros beijos e o confronto com o racismo em Portugal.


Mistida constrói-se numa aura de nostalgia, num leve confronto de gerações, mas onde abundam os planos que nos elevam o olhar para cima, para o céu, para o futuro, e carregam esperança.

Bia Gomes e Welket Bungué estão irrepreensíveis na curta-metragem de Falcão Nhaga, neste que é um auspicioso trabalho de final de curso. Venham muitos mais como este.

domingo, 17 de julho de 2022

Curtas Vila do Conde 2022: Vencedores

O Festival Curtas Vila do Conde termina este Domingo e já são conhecidos os vencedores desta 30.ª edição. Nest, de Hlynur Pálmason, conquistou o grande prémio do evento.

Nest

Conhece a lista completa de premiados:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio

Nest, Hlynur Pálmason


Melhor Filme de Ficção

Cuerdas, Estibaliz Urresola Solaguren


Melhor Documentário

Haulout, Evgenia Arbugaeva, Maxim Arbugaev


Melhor Animação

Scale, de Joseph Pierce


Candidatos Curtas Vila do Conde ao EFA

The Potemkinists, Radu Jude


COMPETIÇÃO NACIONAL

Prémio Fundação INATEL+ Prémio Pixel Bunker para melhor Filme Português

Ice Merchants, João Gonzalez


Prémio Kino Sound Studio para melhor realizador português

Aos Dezasseis, Carlos Lobo


COMPETIÇÃO EXPERIMENTAL

Prémio Escola das Artes, Universidade Portuguesa para melhor filme

Darkness, Darkness, Burning Bright – Oraison, Gaëlle Rouard


Menção Honrosa

The Spiral, María Silvia Esteve


COMPETIÇÃO TAKE ONE!

Prémio Showreel + Prémio Instituto Português do Desporto e da Juventude + Prémio Restart + para melhor filme

Mistida, Falcão Nhaga


Prémio Blit para melhor realizador Take One!

Mistida, Falcão Nhaga


Menção Honrosa

Mesa Posta, Beatriz de Sousa


PRÉMIO DO PÚBLICO

Prémio do Público Fricon para melhor filme da competição internacional

Ice Merchants, João Gonzalez


Prémio do Público SPA para melhor filme da competição nacional 

Garrano, David Doutel e Vasco Sá


MUSIC VIDEOS

Pedro Pestana & Nils Meisel - Alento de Leonor Pacheco


MY GENERATION

The Glory Of Terrible Eliz, Eliška Kováříková e Adam Struhala


CURTINHAS

Prémio Curtinhas

Caiaque, Solène Bosseboeuf, Flore Dechorgnat, Tiphaine Klein, Auguste Lefort, Antoine Rossi


1ª Menção Honrosa Curtinhas

2020: Odisseia 3º Esquerdo, Ricardo Leite


2ª Menção Honrosa Curtinhas

Peixes Não se Afogam, Anna Azevedo


Mais informações sobre o Curtas Vila do Conde em https://festival.curtas.pt/.

domingo, 26 de junho de 2022

Curtas Vila do Conde 2022 com programa fechado

 A 30.ª edição do Curtas Vila do Conde já tem programação fechada. O festival acontece entre os dias 9 e 17 de Julho.

The Potemkinists, Radu Jude

Na Competição Internacional, destaque para os novos filmes de Radu Jude, Antonin Peretjatko, Hlynur Pálmason, Yann Gonzalez e Tsai Ming-liang. Fora de competição, encontram-se estreias nacionais da secção Da Curta à Longa como Fogo Fátuo, de João Pedro Rodrigues, O Joelho de Ahed, de Nadav Lapid, e Saudade do Futuro, de Anna Azevedo Gomes. Os três realizadores estarão em Vila do Conde para apresentarem as sessões e conversarem com o público. 

Em foco, na secção New Voices, estará a realizadora francesa Céline Devaux, num programa que integra, entre outros, Toda a Gente Gosta de Jeanne, uma coprodução portuguesa que estreou na última edição do Festival de Cannes, rodada em Lisboa. 

Fogo Fátuo, João Pedro Rodrigues

Radu Jude vai marcar presença em Vila do Conde para apresentar The Potemkinists, "uma comédia sobre a arte, a memória e a força da resistência". Já Tsai Ming-Liang traz ao Curtas 2022, The Night, "retrato sobre o ritmo, a beleza e as mudanças da cidade de Hong Kong". Em Hideous, de Yann Gonzalez, acompanha "a estrela pop Oliver Sim (membro dos The XX) enquanto uma entrevista num talk show se transforma numa viagem surreal de amor, vergonha e massacre". Por outro lado, o islandês Hlynur Pálmason filma Nest, "uma história onde três irmãos constroem juntos uma casa na árvore durante um ano". Em Yellow Saturday, Antonin Peretjatko regista "dois anos de Coletes Amarelos vistos pelos olhos de um homem com a mesma idade de Emmanuel Macron". 

Na Competição Nacional, destaque as estreias nacionais de Aos Dezasseis, de Carlos Lobo; Ice Merchants, de João Gonzalez; Garrano, de David Doutel e Vasco Sá, Skola di Tarafe, de Sónia Vaz Borges e Filipa César, See You Later Space Island, de Alice dos Reis. Em estreia mundial, o Curtas passará O Casaco Rosa, de Mónica Santos, O Teu Peso em Ouro, de Sandro Aguilar, Pê, de Margarida Vila-Nova, Saturno, de Luís Costa e André Guiomar; Uma Rapariga Imaterial, de André Godinho, As Sacrificadas, de Aurélie Oliveira Pernet, Heitor sem Nome, de Vasco Saltão, Raticida, de João Niza Ribeiro, e Segunda Pessoa, de Rita Barbosa. 

Ice Merchants, João Gonzalez

Fora de competição, o Curtas Vila do Conde vai exibir O Homem do Lixo, de Laura Gonçalves, Azul, de Ágata Pinto, Tornar-se Um Homem na Idade Média, de Pedro Neves Marques, By Flávio, de Pedro Cabeleira, e Catraias, de Tânia Dinis. 

A Competição Experimental apresentará 19 obras em estreia nacional, entre as quais When There Is No More Music To Write, And Other Roman Stories, de Eric Baudelaire, e A Human Certainty, de Morgan Quaintance. 

À 30.ª edição do Curtas regressam o programa especial desenvolvido para jovens e público familiar (Curtinhas e My Generation), a competição Take One!, dedicada a filmes de escola, e ainda uma selecção de curtas proposta pela European Film Academy. Ao programa Stereo, junta-se a exibição de Da Weasel: Agora e Para Sempre, documentário sobre a história e percurso da banda portuguesa. 

Destaque ainda para Curtas 30 Anos, Exposição Documental, que leva o público numa "viagem pela história e evolução do Curtas, através de um conjunto de folhetos, cartazes, catálogos, livros e outras publicações que marcaram estes últimos 30 anos".

O programa completo da 30.ª edição do Curtas de Vila do Conde pode ser consultado em www.curtas.pt.

sábado, 18 de junho de 2022

Marie Losier apresenta exposição e terá uma selecção de filmes no Curtas Vila do Conde

A convite do Curtas Vila do Conde, Marie Losier desenvolveu a exposição Excesso Chamalo, em parceria com David Legrand, que estará patente na Solar - Galeria de Arte Cinemática, entre 9 de Julho e 4 de Setembro. Em paralelo, o Curtas vai exibir uma selecção de filmes da realizadora, bem como um programa de filmes escolhidos por Losier, que marcaram o seu percurso artístico.

A viver em Nova Iorque nos últimos 20 anos, Marie Losier é uma cineasta e curadora francesa conhecida, principalmente, pelos trabalhos filmográficos em torno de músicos, artistas e cineastas avant-garde, como Guy Maddin, Tony Conrad, Alan Veg e Genesis Breyer P-Orridge. Os seus documentários "parecem querer subverter as regras convencionais do género. Em plena era do digital, Marie Losier é uma cineasta comprometida com o analógico e com uma vontade, fora do vulgar, de criar arte em relação com os outros".

A Carte Blanche a Marie Losier integra obras que descobriu no The Anthology Film Archives, fundado por Jonas Mekas, Stan Brakhage, Jerome Hill e Peter Kubelka. "Filmes que, segundo Losier, são exemplos vivos e poéticos de uma certa liberdade de filmar, experimentar e brincar com os formatos convencionais". A selecção integra obras de Pola Chapelle, J. J. Murphy, George Kuchar, Tony Conrad, entre outros, e serão exibidas na sala 2 do Teatro Municipal de Vila do Conde, 

A exposição Excesso Chamalo inaugura no dia 9 de Julho, pelas 18h30, estando prevista a realização de uma visita guiada com a artista e David Legrand no dia 13 de Julho, pelas 16h30. O programa paralelo da exposição inclui ainda a performance interactiva de rua La Galerie du Cartable, da autoria de Legrand, a ter lugar às 21h15 de dia 13, assim como uma conversa entre Marie Losier, João Pedro Rodrigues e Sandro Aguilar a ter lugar no dia 14 de Julho, às 14h30, na Sala 2 do Teatro Municipal de Vila do Conde.

Este programa foi desenvolvido no âmbito da Temporada Portugal-França 2022. Mais informação sobre o festival em https://festival.curtas.pt/.

PROGRAMAÇÃO CARTE BLANCHE MARIE LOSIER & DAVID LEGRAND

A Divided World, Arne Sucksdorf

A Mater of Baobab, Pola Chapelle

Black Cabinet, Christne Rebet

Evil of Dracula, Martha Colburn

Felix in Wonderland, Marie Losier

Hold me While I'm Naked, George Kuchar

Litany of Happy People, Karpo Godina

One Day, Séverine Hubard

Rock'n roll — In Loving Memory, François Reichenbach

Science Ficton, J. J. Murphy

Sex Without Glasses, Ross McLaren

Song for Rent, Jack Smith

Taxidermisez-moi, Marie Losier

The Musicians, Mikhaïl Kobakhidzé

The Ontological Cowboy, Marie Losier

The Touch Retouched, Marie Losier

The White Rose, Bruce Conner

Tony Conrand, DreaMinimalist, Marie Losier

Tony's Oscular Pets, Tony Conrad

domingo, 12 de junho de 2022

Curtas Vila do Conde 2022 apresenta Filmes-concerto com Steve Gunn, Raül Refree e Rodrigo Amado

A 30.ª edição do Curtas Vila do Conde apresenta diversas propostas de filmes-concerto com os músicos Steve Gunn, Raül Refree e Rodrigo Amado.

Steve Gunn por Stephanie Nicole Smit

A secção Stereo apresenta um programa que aposta na junção entre a música e o cinema. Este ano, o festival apresentará performances de Steve Gunn para filmes de Stan Brakhage, a colaboração de Raül Refree e Pedro Maia no universo de Nosferatu, de F.W. Murnau, uma revisita ao período pós-25 de Abril na performance Porto 1975 Mobilização Geral e uma versão adaptada de I Don’t Know Karate But I know Ka-razor!, de Filipe Marques. A secção vai integrar também várias sessões  de cinema ao ar livre e a habitual Competição de Vídeos Musicais.

Steve Gunn conta com vários discos em nome próprio e muitas colaborações com nomes como Kurt Vile, Mike Cooper, Marcia Bassett ou Bardo Pond. No Curtas, o músico apresenta um espectáculo imersivo, onde vai acompanhar o filme Visions in Meditation 1-4, de Stan Brakhage, "uma narrativa visual meditativa que circula por diversas paisagens e momentos de profundo simbolismo humano". A apresentação terá lugar a dia 16 deJulho, pelas 23h45 no Teatro Municipal de Vila do Conde.

La peste - Una deconstrucción musical y visual de Nosferatu é uma proposta de reinterpretação visual e musical para novas leituras de Nosferatu, de F.W. Murnau. Concebido com a música de Raül Refree e imagens de Pedro Maia, o espectáculo "toma como pilares a epidemia, os animais, a morte ou as paisagens da Transilvânia para lhes adicionar novas  texturas tensionadas através do órgão barroco, do piano ou da percussão electrónica". A estreia nacional no Curtas está marcada para 12 de Julho, pelas 23h45, no Teatro Municipal.

Com o início das celebrações oficiais do 50.º aniversário da Revolução dos Cravos (a ser assinalada em 2024), o Curtas apresenta Porto 1975 Mobilização Geral, "espectáculo construído a partir de filmagens que José Alves de Sousa captou na cidade do Porto desde o 'verão quente' de 1975 até inícios da década de 1980". Os registos mostram as mobilizações populares em várias datas importantes para o "regime democrático actual, entre o 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975 (com a celebração do primeiro aniversário do 25 de Abril pelo meio) ou os acontecimentos durante este período do PREC". Rodrigo Amado (saxofone), Hernâni Faustino (contrabaixo), Carla Santana (electrónica) e João Valinho (bateria) compõem a banda sonora para as palavras de Rodrigo Brandão. Passa no dia 13 de Julho em Vila do Conde.

I Don’t Know Karate But I know Ka-razor!

A partir do trabalho apresentado na Galeria Municipal do Porto em 2019, I Don’t Know Karate But I know Ka-razor! é uma versão adaptada para "filme-concerto do trabalho que Filipe Marques tem vindo a desenvolver em torno da problematização da impotência da condição humana, no controlo de contaminações invisíveis e no equilíbrio de forças e resistências". Acompanhando as imagens do artista, sobem ao palco Mané Fernandes, José Marrucho e DJ Lynce, que actua ainda numa after-party após o concerto. O espectáculo está marcado para 14 de Julho no Auditório Municipal de Vila do Conde.

O Curtas continua a promover também uma competição dedicada a videoclipes, que integra, entre outros, Conjunto Corona, Chão Maior, Sereias, Best Youth, Moullinex e Rodrigo Leão. Nesta secção estão ainda programadas sessões de cinema ao ar livre no Pátio da Solar - Galeria de Arte Cinemática, com a exibição, em cópias recentemente restauradas, de Songs For Drella, de Ed Lachman, "onde se regista a breve reunião de Lou Reed e John Cale para a gravação e apresentação de Songs for Drella, disco dedicado ao grande mentor da banda Andy Warhol", ou The Last Waltz, de Martin Scorsese, que filmou há 50 anos a última reunião dos The Band, cujo concerto de despedida contou com a participação de Neil Young, Bob Dylan e Joni Mitchell.

O Curtas Vila do Conde regressa entre os dias 9 e 17 de Julho. Em breve serão anunciadas mais informações sobre a programação.


PROGRAMAÇÃO STEREO

10 de Julho, 21h45, Cinema ao Ar Livre, Solar - Galeria de Arte Cinemática

The Last Waltz, de Martin Scorsese

Preço: 4€


12 de Julho, 21h45, Cinema ao Ar Livre, Solar - Galeria de Arte Cinemática

Italo Disco. The Sparkling Sound of the 80s, de Alessandro Melazzini

Preço: 4€


12 de Julho, 23h45, Teatro Municipal de Vila do Conde

“La peste. Una deconstrucción musical y visual de Nosferatu”

Com: Raül Refree e Pedro Maia

Preço: 6€


13 de Julho, 21h45, Cinema ao Ar Livre, Solar - Galeria de Arte Cinemática

Songs For Drella, de Ed Lachman

Preço: 4€


13 de Julho, 23h45, Teatro Municipal de Vila do Conde

Porto 1975 Mobilização Geral

Com: Rodrigo Amado, Hernâni Faustino, Carla Santana, João Valinho & lírica de Rodrigo Brandão. Filmes de Alves de Sousa. 

Preço: 6€


14 de Julho, 23h30, Auditório Municipal de Vila do Conde

I Don’t Know Karate But I know Ka-razor!

Com: Mané Fernandes, José Marrucho e DJ Lynce. Vídeo de Filipe Marques

Preço: 6€


15 de Julho, 23h45, Teatro Municipal de Vila do Conde

Competição Vídeos Musicais


16 de Julho, 23h45, Teatro Municipal de Vila do Conde

Steve Gunn Plays Stan Brakhage

Preço: 10€


Mais informação sobre o festival em https://festival.curtas.pt/.

sábado, 28 de maio de 2022

Curtas Vila do Conde 2022: Obras de Carla Simón e Chema García Ibarra em foco

A 30.ª edição do Curtas Vila do Conde vai apresentar dois focos nas obras de Carla Simón e Chema García Ibarra.

Alcarràs, Carla Simón

Os filmes de Carla Simón farão parte da secção InFocus, com uma retrospectiva integral da obra da realizadora, incluindo a antestreia de Alcarràs (vencedor do Urso de Ouro na última Berlinale), filme que "segue uma família rural forçada a abandonar o seu local de trabalho e de residência, após um acordo verbal do passado ser esquecido pelos herdeiros que detêm as terras". Este foco integrará ainda Correspondencia, curta-metragem realizada com Dominga Sotomayor.

Na secção New Voices, o destaque vai para Chema García Ibarra, num programa que inclui a sua longa de estreia, Espiritu sagrado (2021), e todas as suas curtas-metragens, El Ataque de los robots de Nebulosa - 5 (2008), Protopartículas (2009), Misterio (2013), Uranes (2013), La disco resplandece (2016) e Leyenda dorada (2018).

O Curtas de Vila do Conde regressa entre os dias 9 e 17 de Julho e já havia anunciado parte do seu programa para o Cinema Revisitado. Mais informações sobre a programação do festival serão reveladas em breve.

quarta-feira, 30 de março de 2022

Curtas Vila do Conde 2022: Cinema Revisitado com François Reichenbach, António Campos e Alain Resnais

O Curtas Vila do Conde 2022 revelou a programação da secção Cinema Revisitado, que contará com nomes como François Reichenbach, António Campos e Alain Resnais.

Haverá programas comemorativos dos centenários de nascimento de António Campos e Alain Resnais, um programa especial sobre a obra de François Reichenbach (desenvolvido em co-produção com a Casa do Cinema Manoel de Oliveira) e a exibição única de The Outsiders – The Complete Novel, de Francis Ford Coppola. 

L'Amerique insolite, de François Reichenbach

François Reichenbach destacou-se "por uma notável capacidade de observação e um aguçado sentido de humor, assim como a vontade constante de retratar corpos, documentar paisagens e cidades, e registrar os seus sons e vozes". O festival trará uma retrospectiva de parte da sua obra, que integrará cerca de duas dezenas de filmes, exibidos no Porto e em Vila do Conde, entre os quais Nus Masculins, L'Amerique insolite, Les Marines e Prisons à l'américaine. 

Tendo sido um dos primeiros cineastas em Portugal e dedicar-se ao documentário na perspectiva da antropologia visual, a obra de António Campos tem "sido alvo de retrospectivas e estudo nos anos recentes, assim como de um esforço de digitalização dentro do Plano de Digitalização do Cinema Português da Cinemateca Portuguesa e do projecto FILMar/EEA Grant". Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, o Curtas Vila do Conde apresenta um programa especial que assinala o centenário do seu nascimento, onde se integram títulos como Almadraba Atuneira, A Invenção do Amor, Um Tesoiro e Gente da Praia de Vieira. 

Também o centenário de nascimento de Alain Resnais, será assinalado com um ciclo que o Curtas lhe dedica e contará com a exibição de quatro curtas metragens: Nuit et brouillard, Guernica, Le chant du Styrène e Toute la mémoire du monde. 

No Cinema Revisitado, destaque ainda  para a exibição de The Outsiders – The Complete Novel, onde Francis Ford Coppola revisita o filme baseado no romance de S.E. Hinton, adicionando-lhe 20 minutos de filmagens que aproximam o início e desfecho da longa à história versada no livro que a inspira.

O Curtas Vila do Conde acontece de 9 e 17 de Julho, no ano em que assinala 30 anos de existência. Mais informações sobre o festival em https://festival.curtas.pt/.