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sábado, 20 de julho de 2019

Momentos Para Recordar #60

No dia que se comemoram 50 anos da chegada do Homem à Lua, o Momentos Para Recordar propõe uma sessão dupla. Primeiro, Os Eleitos, de 1983, que relata os primeiros anos do programa espacial americano. Depois, O Primeiro Homem, de 2018, que nos apresenta a  Neil Armstrong e ao seu percurso até pisar a Lua, a 20 de Julho de 1969.

Os Eleitos (The Right Stuff), Philip Kaufman (1983)

O Primeiro Homem (First Man), de Damien Chazelle (2018)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Crítica: O Primeiro Homem na Lua / First Man (2018)

"That's one small step for man, one giant leap for mankind."
Neil Armstrong


*7/10*

O Primeiro Homem na Lua é, essencialmente, um filme de texturas, para além de uma lição de História com foco na vida familiar e dificuldades laborais dos astronautas. O filme poderia ter esperado mais uns meses e ser verdadeiro marco ao comemorar os 60 anos da chegada de Apolo 11 à Lua, mas teve pressa e não conquistou o buzz que merecia. Depois de La La LandDamien Chazelle continua impaciente, mas igualmente talentoso.

Em plena sintonia com Os Eleitos (1983), de Philip Kaufman, O Primeiro Homem na Lua também foca em especial este lado mais intimo dos pilotos e suas ambições. As más condições de trabalho e os perigos que corriam são muito bem ilustrados nos dois títulos, que sugiro para uma double bill.


O filme de Chazelle retrata a história da missão da NASA de colocar o homem na lua, focando-se em Neil Armstrong (Ryan Gosling), entre os anos de 1961 a 1969. Um relato baseado no livro de James R. Hansen, que explora o sacrifício de Armstrong e de uma nação, numa das missões mais perigosas da história da humanidade.

Empenhado e emotivo, apesar de contido, Ryan Gosling faz jus à personagem que interpreta, um Neil Amstrong dedicado ao trabalho, magoado pela vida, cujo percurso é muito apoiado e sustentado pela mulher - Claire Foy impecável no papel de Janet Armstrong -, que comanda a família na sua ausência.


Contudo, a alma de O Primeiro Homem na Lua vive da sensibilidade que se ganha com a utilização da película. 16 mm nos planos mais claustrofóbicos, dentro das naves espaciais - uma autêntica viagem no tempo -, onde alcançamos grande proximidade com as personagens; 35 mm quando as personagens têm os pés bem assentes na Terra, convivem ou estão com as famílias, fazendo-nos tirar o máximo partido das imagens; 65 mm quando o Homem chega à Lua, para dela desfrutarmos na sua plenitude - planos a condizer com a imensidade do espaço. Eis que as texturas dão vida ao filme, despertam os sentidos.

Damien Chazelle não traz grandes novidades com O Primeiro Homem na Lua mas mostra ao mundo como a película vive, cada vez mais, para proporcionar experiências que se pensavam já perdidas em cinema. Está viva e recomenda-se - até já chegou à Lua.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sugestão da Semana #347

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Primeiro Homem na Lua, de Damien Chazelle, protagonizado por Ryan Gosling.

O PRIMEIRO HOMEM NA LUA


Ficha Técnica:
Título Original: First Man
Realizador: Damien Chazelle
Actores:  Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler
Género: Biografia, Drama, História
Classificação: M/12
Duração: 141 minutos


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Crítica: La La Land - Melodia de Amor (2016)

"I guess I'll see you in the movies."
Sebastian

*8/10*

Damien Chazelle é bom - e frenético - no que faz, mas depois do surpreendente Whiplash, a ideia que se traduziu em La La Land merecia mais tempo para amadurecer. No entanto, é fácil deixarmo-nos levar pelas danças, música, nostalgia e, principalmente, pelo casal protagonista: Ryan Gosling e Emma Stone.

O filme começa como tudo começa em Los Angeles: na auto-estrada. Este é o lugar onde o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) encontra a aspirante a actriz Mia (Emma Stone), pela primeira vez. Sebastian tenta fazer com que as pessoas gostem de jazz tradicional no século XXI. Mia gostava de conseguir chegar ao fim de uma audição. Mas nenhum dos dois espera que o seu fatídico encontro os leve onde nunca poderiam chegar sozinhos.


Este musical dos tempos modernos, saudoso dos clássicos, chega cheio de memórias e um trabalho técnico soberbo. Já o argumento é um tanto banal, surpreendendo-nos com alguns momentos inesperados, mas perdendo-se, por vezes, em diálogos de repetição sem fim. Seria bom seguir a máxima que diz que "um olhar vale mais que mil palavras", mas tal só se aplicou mesmo no final do filme. Ainda assim, deixamo-nos levar pela música e pelo romance, pela melancolia e pelos sonhos a realizar, pelas cores vibrantes que nos transportam para outros tempos - que nunca existiram, afinal - onde o tradicional e o mais moderno se unem numa fusão divertida e arriscada. Guarda-roupa e direcção artística fazem um trabalho excelente no que toca a transportarem-nos para essa modernidade clássica.


Os sonhos comandam a narrativa e os protagonistas, que mereciam mais, brilham no meio do argumento imaturo. Há décadas que não se via um casal com tanta química como Gosling e Stone, que fazem par no cinema pela terceira vez (antes vimo-los juntos em Amor, Estúpido e Louco e Gangster Squad). Excelentes actores, desdobram-se também em cantores e bailarinos e saem-se bem nos três papéis, reforçando o talento que já sabíamos que tinham. A muito expressiva Emma Stone confirma aqui, por completo, o seu talento para a comédia, mostrando ainda como também sabe emocionar nos momentos dramáticos. Ryan Gosling mostra a sua versatilidade, provando como se sabe reinventar e surpreender.


A par da dupla de protagonistas, realização, montagem e direcção de fotografia fazem um trabalho exímio. Chazelle prossegue com o seu modo enérgico de filmar, onde a câmara dança com personagens e figurantes, perseguindo o jazz que o acompanha desde sempre, quer em Whiplash - Nos Limites, (e na curta-metragem homónima), quer na sua primeira longa-metragem, em 2009, Guy and Madeline on a Park Bench. Em La La Land um pouco menos de presença da câmara podia vir em seu benefício já que aqui, os sonhos e a nostalgia deveriam ter um pouco mais de destaque e mereciam ser apreciados com alguma calma. 

O trabalho de fotografia, de Linus Sandgren, compensa, todavia, todos os planos alvoraçados. As cores, o trabalho de luz e sombra iluminam de tal modo La La Land que nos hipnotizam por longos momentos, seja quando Sebastian e Mia dançam juntos em busca do carro dela ou observam as estrelas, ou quando o pianista toca, inspirado, deixando de lado as canções de Natal, ou mesmo quando Mia canta, emocionada, numa audição. A banda sonora de Justin Hurwitz torna ainda mais especial este musical (que nada seria sem o compositor), com temas alegres e difíceis de esquecer.


Comovente, romântico e sonhador são qualidades do mais recente filme do empenhado Damien Chazelle. Só mesmo o argumento apressado quebra ligeiramente a magia do musical moderno que homenageia os veteranos. O La La Land inesquecível chegaria daqui a uns anos, na sua plenitude. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Sugestão da Semana #257

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o tão falado La La Land: Melodia de Amor, de Damien Chazelle, o musical protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling.

LA LA LAND: MELODIA DE AMOR


Ficha Técnica:
Título Original: La La Land
Realizador: Damien Chazelle
Actores: Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt
Género: Comédia, Drama, Musical
Classificação: M/12
Duração: 128 minutos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Globos de Ouro 2017: Os Vencedores

A 74.ª edição dos Globos de Ouro acontece na madrugada de Domingo, em Los Angeles. Por aqui, estaremos a actualizar em tempo real os vencedores das categorias de cinema.


Melhor Filme - Drama
O Herói de Hacksaw Ridge
Hell or High Water - Custe o Que Custar
Lion - A Longa Viagem para Casa
Manchester by the Sea
Moonlight

Melhor Actriz - Drama
Amy AdamsO Primeiro Encontro (Arrival)
Jessica ChastainMiss Sloane
Isabelle Huppert, Ela (Elle)
Ruth NeggaLoving
Natalie PortmanJackie

Melhor Actor - Drama
Casey AffleckManchester by the Sea
Joel EdgertonLoving
Andrew GarfieldO Herói de Hacksaw Ridge
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
Denzel WashingtonVedações (Fences)

Melhor Filme - Comédia ou Musical
Mulheres do Século XX (20th Century Women)
Deadpool
La La Land: Melodia de Amor
Florence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Sing Street

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Annette BeningMulheres do Século XX (20th Century Women)
Lily CollinsRules Don't Apply
Hailee SteinfeldEdge of Seventeen
Emma StoneLa La Land: Melodia de Amor
Meryl StreepFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Colin FarrellA Lagosta (The Lobster)
Ryan GoslingLa La Land: Melodia de Amor
Hugh GrantFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Jonah HillOs Traficantes (War Dogs)
Ryan ReynoldsDeadpool

Melhor Filme de Animação
Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings)
Vaiana (Moana)
My Life as a Zucchini (Ma vie de Courgette)
Cantar! (Sing!)
Zootrópolis (Zootopia)

Melhor Filme Estrangeiro
Divines
Ela (Elle)
Neruda
O Vendedor (The Salesman)
Toni Erdmann

Melhor Actriz Secundária
Viola Davis, Vedações (Fences)
Naomie HarrisMoonlight
Nicole KidmanLion - A Longa Viagem para Casa
Octavia SpencerElementos Secretos (Hidden Figures)
Michelle WilliamsManchester by the Sea

Melhor Actor Secundário
Mahershala AliMoonlight
Jeff BridgesHell or High Water - Custe o Que Custar
Simon HelbergFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Dev PatelLion - A Longa Viagem para Casa
Aaron Taylor JohnsonAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)

Melhor Realizador
Damien ChazelleLa La Land: Melodia de Amor
Tom FordAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)
Mel Gibson, O Herói de Hacksaw Ridge
Barry JenkinsMoonlight
Kenneth LonerganManchester by the Sea

Melhor Argumento
Damien ChazelleLa La Land: Melodia de Amor
Tom FordAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)
Barry JenkinsMoonlight
Kenneth LonerganManchester by the Sea
Taylor SheridanHell or High Water - Custe o Que Custar

Melhor Banda Sonora Original
MoonlightNicholas Brittell
La La Land: Melodia de AmorJustin Hurwitz
O Primeiro Encontro(Arrival), Jóhann Jóhannsson
Lion - A Longa Viagem para CasaDustin O'Halloran e Hauschka
Elementos Secretos (Hidden Figures)Benjamin Wallfisch, Pharrell Williams e Hans Zimmer

Melhor Canção Original
Can't Stop the FeelingTrolls
City of StarsLa La Land: Melodia de Amor
FaithCantar! (Sing!)
GoldGold
How Far I'll GoVaiana (Moana)

Prémio Cecil B. DeMille
Meryl Streep

Artigo actualizado pela última vez às 4h05.

sábado, 5 de novembro de 2016

Novo trailer de La La Land

O musical La La Land tem um novo trailer. O filme é realizado por Damien Chazelle (Whiplash), e protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling. Já se fala em nomeações para os Oscars.


La La Land tem estreia prevista em Portugal para Janeiro de 2017.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Crítica: Whiplash - Nos Limites (2014)

"There are no two words in the English language more harmful than good job."
Terence Fletcher
*8.5/10*

O batimento cardíaco aumenta ao ritmo do da bateria e o corpo acompanha a sonoridade jazz. No fim, faltar-nos-ão as forças ao ver tanto esforço, raiva e vontade de ser o melhor, mas a motivação não terá limites. Damien Chazelle traz-nos muita teimosia e suor, acompanhados à bateria, em Whiplash - Nos Limites, a sua segunda longa-metragem. Para além de um exercício de estilo cheio de ritmo, somos conduzidos nesta aventura por dois protagonistas fabulosos e de personalidade singular: Andrew Neimann e Terence Fletcher - tão diferentes, mas, afinal, tão iguais.

Sob a direcção do exigente e impiedoso professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem e talentoso baterista, procura a perfeição a qualquer custo, mesmo que isso signifique perder a sua humanidade.

Com Andrew, suamos, sangramos e choramos de raiva, e, no final, ficamos mais exaustos do que o nosso herói da bateria. O argumento, simples e directo, dá o mote para todo o espectáculo sonoro e visual que se segue na luta pela perfeição. Tendo por base a sua própria experiência (esperemos que menos traumatizante), Damien Chazelle escreveu e realizou Whiplash - depois da curta-metragem homónima - e contagia facilmente a plateia com uma história que mostra o quanto é preciso batalhar para ser-se músico, centrada em duas personagens que dominam o filme.


A obsessão pela perfeição é seguida também nas interpretações de Miles Teller e J.K. Simmons em duas das melhores performances do ano. Teller mostra aqui verdadeiramente o que vale, da pura inocência de principiante à vontade crescente em ser o melhor, com o ego a aumentar e sem desistir perante as mais perturbadoras dificuldades. Como Andrew, Teller dá tudo o que tem e entrega-se de corpo e alma. Ele sua, sangra e chora, capaz de tudo para ser o melhor do mundo, mesmo nas situações mais adversas, numa vontade incontrolável de querer ser quase um super-humano. Ao seu lado, Simmons funde-se com Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Andrew é contudo capaz de lhe fazer frente e olhá-lo nos olhos quando todos os outros o evitam. É de um adversário à altura que Fletcher precisa, talvez, e será que Andrew é capaz do feito? Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. Ambos ambicionam a perfeição e parece ser isso o que tão estranhamente os une e os faz desafiarem-se mutuamente.


O argumento de Whiplash é complementado por toda a componente técnica que com ele se funde em uníssono. A realização de Damien Chazelle é inteligente e muito dinâmica, acompanhada e bem por uma montagem ritmada que parece dançar ao som da fundamental banda sonora - qual protagonista. A fotografia proporciona excelentes momentos em palco (e fora dele) com a luz a jogar a favor do jazz que paira no ar. O ambiente é frenético, cheio de fluidos, planos incómodos e detalhes arrepiantes que a câmara de Chazelle capta como ninguém. Poucas vezes, num filme sobre música, se consegue uma harmonia tão inquietante e completa.

Damien Chazelle traz-nos uma experiência visual e sensorial como poucas. E se Andrew não chegar a ser o melhor do mundo, pelo menos Whiplash - Nos Limites já é, com certeza, um dos melhores do ano.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sugestão da Semana #153

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai, inequivocamente, em Whiplash - Nos Limites. À batida de Miles Teller, junta-se muito suor, sangue, lágrimas e a sua grande interpretação, apenas superada por J.K. Simmons.

WHIPLASH - NOS LIMITES


Ficha Técnica:
Título Original: Whiplash
Realizador: Damien Chazelle
Actores: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul ReiserMelissa Benoist
Género: Drama, Música
Classificação: M/14
Duração: 107 minutos