Mostrar mensagens com a etiqueta Felipe Bragança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Felipe Bragança. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Sugestão da Semana #439

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque da Sugestão da Semana vai para Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança. Podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UM ANIMAL AMARELO

Ficha Técnica:
Título Original: Um Animal Amarelo
Realizador: Felipe Bragança
Elenco: Higor Campagnaro, Isabél Zuaa, Matamba Joaquim, Catarina Wallenstein, Tainá Medina, Lucília Raimundo, Herson Capri, Márcio Vito, Diogo Dória, Adriano Luz, Thiago Lacerda, Sophie Charlotte
Género: Drama
Classificação: N/A
Duração: 115 minutos

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

IndieLisboa'20: Um Animal Amarelo (2020), de Felipe Bragança

*7/10*


Um Animal Amarelo marca o regresso de Felipe Bragança ao IndieLisboa (depois de Tragam-me a Cabeça de Carmen M., co-realizado com Catarina Wallenstein), numa longa-metragem corajosa que aborda e satiriza aspectos ligados ao colonialismo e à escravatura, interligando personagens entre o Brasil, Moçambique e Portugal.

"Brasil, 2017. Fernando, um falido cineasta brasileiro, cresceu assombrado pelas memórias violentas de seu avô e assombrado pelo espírito de um homem moçambicano que lhe prometia riquezas e glória. Acossado pelo actual estado político e cultural de seu país, o cineasta mergulha em uma jornada de desventuras e inesperados milagres, em busca de fantasmas do passado. Uma triste e melancólica fábula tropical."

Os fantasmas do colonialismo pairam ao longo de toda a longa-metragem encarnados num osso fémur, passado de geração em geração, e por um Animal Amarelo, criatura sobrenatural que acompanha a família de Fernando há muitas décadas, e dá título ao filme de Felipe Bragança.


Entre a crítica sociopolítica brasileira, Um Animal Amarelo percorre séculos de escravatura, de abusos de parte a parte - dos portugueses sobre as colónias africanas e Brasil, dos brasileiros sobre os escravos africanos, etc. -, e introduz, para além da temática do racismo e da pobreza, a homossexualidade, a corrida aos diamantes, sempre com o assombro do passado ao lado de Fernando.

Felipe Bragança criou um filme a transbordar de ideias, com momentos hilariantes e de humor mordaz e até feroz. Peca por querer tocar em tantos pontos, perdendo por diversas vezes o foco e ser até difícil de acompanhar.

Do meta-cinema, aos moçambicanos que produzem pedras preciosas de forma inusual, à mulher que quis colocar um diamante no lugar do coração, até aos sonhos de riqueza que passaram de avô para neto, Um Animal Amarelo é uma experiência tão profunda quanto alucinogénica.

Destaque para o excelente trabalho da direcção de fotografia, de Glauco Firpo, e para o trabalho dos actores, em especial Isabél Zuaa, Catarina Wallenstein, Herson Capri e o protagonista Higor Campagnaro.


As memórias dos nossos antepassados - seja de brasileiros, portugueses ou moçambicanos - perdurarão muito além da vida, tomando a forma deste Animal Amarelo que persegue e acompanha o protagonista e sem que ele compreenda o verdadeiro peso que carrega ou aprenda como pode mudar o futuro. Felipe Bragança, por sua vez, tenta que essa reflexão surja na plateia através do humor e do inesperado.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

IndieLisboa'19: Tragam-me a Cabeça de Carmen M. (2019)

*6/10*

Esta Carmen Miranda dos tempos modernos, construída na pessoa de Catarina Wallenstein, questiona o Brasil e faz-nos questionar também. Ela(s), estrangeira(s) no Brasil, leva(m)-nos numa viagem alucinante ao país irmão em Tragam-me a Cabeça de Carmen M., realizado pela actriz portuguesa e por Felipe Bragança. O filme divide-se entre a Competição Nacional e a secção Herói Independente do IndieLisboa'19.

Ana (Catarina Wallenstein), uma actriz portuguesa no Rio de Janeiro, mergulha no actual pesadelo político brasileiro, enquanto se prepara para encarnar o papel da luso-brasileira Carmen Miranda, num misterioso filme que se avizinha. Mas a mitologia colorida da Embaixatriz do Samba choca com o presente cinzento. Um filme que se interroga sobre uma utopia «pan-tropical e futurista», celebrando o «canibalismo cultural» que, nos tempos da ditadura funcionou como forma de resistência. E hoje?


O experimentalismo do filme - que alterna entre o preto e branco e a cor, o presente, e o que aconteceu antes - transmite a loucura do trabalho de actriz, numa procura incessante pela voz de Carmen Miranda, suas origens e modo de pensar, gestos e sorrisos. As mesmas sensações que podemos ter ao analisar o Brasil contemporâneo. Tragam-me a Cabeça de Carmen M. não tem pudores na crítica política que faz. É livre e esperemos que assim o cinema possa continuar.

Tragam-me a Cabeça de Carmen M. constrói-se da inspiração da mulher que trouxe a modernidade ao seu tempo e quebrou convenções. A música é constante, lutemos para que nunca nos calem.

___

O filme passou no dia 5 de Maio, no Cinema São Jorge, e volta a ser exibido no dia 7 de Maio, às 22h30, no Cinema Ideal.