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terça-feira, 3 de março de 2026

Sugestão da Semana #707

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda em dose dupla: Blue Moon, de Richard Linklater, e o português Terra Vil, de Luís Campos.

BLUE MOON



Ficha Técnica:
Título Original: Blue Moon
Realizador: Richard Linklater
Elenco: Ethan Hawke, Margaret Qualley, Bobby Cannavale, Andrew Scott, Jonah Lees, Simon Delaney
Género: Comédia, Drama, Histórico
Classificação: M/14
Duração: 100 minutos

TERRA VIL


Ficha Técnica:
Título Original: Terra Vil
Realizador: Luís Campos
Elenco: William Cesnek, Rúben Gomes, Lúcia Moniz, Francisca Sobrinho, Beatriz Relvas, Manuel Nabais, José Martins, Rita Revez, Filomena Gigante
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 96 minutos

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Algarve Film Week 2026: De 17 a 24 de Janeiro em Loulé

A 5.ª edição da Algarve Film Week regressa a Loulé de 17 a 24 de Janeiro. Da programação desta semana dedicada ao cinema, fazem parte a 12ª Monstrare – Mostra Internacional de Cinema Social e o MAIA – Mercado de Animação Ibero-Americano.

Terra Vil, de Luís Campos

O evento - que visa promover o encontro entre criadores, profissionais, estudantes e público em geral - decorrerá em vários locais: escolas do concelho, Auditório Solar da Música Nova, Palácio Gama Lobo, Pavilhão Multiusos 25 de Abril, em Almancil na Black Box, e o Cineteatro Louletano. A entrada é livre.

Monstrare – Mostra Internacional de Cinema Social

A Monstrare, o primeiro festival de cinema social criado em Portugal, arranca a sua 12ª edição este Sábado, 17 de Janeiro, com o documentário Free Fish, de Bisan Owda, uma coprodução portuguesa rodada ao longo de um ano na Faixa de Gaza, que relata a história de dois irmãos palestinianos, ambos pescadores, separados pela guerra, mas ligados pelo mar. A noite encerra com o Concerto Cinema Jazz Project, de Arsénio Martins e Paulo Lopes.

18 de Janeiro é dedicado aos mais novos e às famílias, com a exibição de O Segredo dos Perlimps, do realizador brasileiro Alê Abreu, no Pavilhão Multiusos 25 de Abril, em Almancil. O filme aborda temas como a amizade, a empatia e o poder da imaginação.

As curtas-metragens e documentário chegam nos dias 19 e 20 de Janeiro, sessões com especial enfoque no público jovem e escolar. Entre os filmes exibidos destaque para Fauve, de Jérémy Comte, curta-metragem sobre infância e risco; From War, With Love, de Jordana Gasparinho, uma história de amor, através de cartas trocadas durante a Segunda Guerra Mundial; Paco, de Kent Donguines, sobre identidade e crescimento emocional; e o documentário Fragmented, de Balolas Carvalho e Tanya Marar, que cruza territórios e experiências fragmentadas entre Portugal, Palestina e Reino Unido. Estas sessões são acompanhadas pelo workshop Filmes na Minha Vida, dinamizado pela Plutão de Verão.

No dia 21 de Janeiro, a Monstrare apresenta no Cineteatro Louletano o documentário O Que é Feito de Ti, Sónia, de Catarina Neves, que interroga a invisibilidade social, a identidade e o tempo.

No dia seguinte, 22, também no Cineteatro Louletano, é exibida em antestreia nacional a longa-metragem Hot Milk, de Rebecca Lenkiewicz, um drama psicológico que explora relações familiares, desejo de emancipação e tensões emocionais na cidade costeira espanhola de Almería.

Hot Milk, de Rebecca Lenkiewicz

A programação da Monstrare inclui ainda, no dia 23 de Janeiro, a apresentação do livro Rosa, de Sónia Balacó, na Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, reforçando a ligação entre cinema, literatura e pensamento crítico.

A encerrar a programação da Monstrare estará Terra Vil, primeira longa-metragem de Luís Campos, exibido publicamente pela primeira vez em Portugal no Cineteatro Louletano, no dia 24 de Janeiro, às 14h30. O filme conta com William Cesnek, Ruben Gomes e Lúcia Moniz nos principais papéis e passa-se nas margens do Rio Douro, evocando a Tragédia de Entre-os-Rios, que permanece viva na memória colectiva nacional e continua a marcar as comunidades ribeirinhas da zona. 

MAIA - Mercado de Animação Ibero-Americano

O MAIA – Mercado de Animação Ibero-Americano irá integrar a Algarve Film Week em 2026. Organizado pela APPA – Associação Portuguesa de Produtores de Animação, recentemente instalada em Loulé, ao abrigo de um protocolo celebrado com a Câmara Municipal de Loulé, o MAIA introduz uma dimensão adicional de profissionalização, dinamismo e criatividade ao festival, o que reforça a sua projecção no panorama audiovisual ibero-americano. O encontro realiza-se em torno de dois eixos principais: o dos profissionais, através de um espaço de networking,  masterclasses, debates e reuniões speed meeting; e o dos Novos Autores, com sessões de pitching de curtas, séries e longas-metragens avaliadas por especialistas e reuniões speed meeting com produtores. O Brasil é o país convidado desta edição, celebrando a união cultural e linguística entre os países de língua portuguesa, ampliando a visibilidade das suas histórias, talentos e produções no contexto ibero-americano.

Prémios Cinetendinha

No Sábado, 24 de Janeiro, às 18h00, realizam-se os Prémios Cinetendinha, no Cineteatro Louletano, uma iniciativa promovida pelo crítico de cinema e jornalista Rui Pedro Tendinha que distingue os melhores filmes e interpretações do ano. Em 2026, os prémios chegam à sua 6.ª edição, com transmissões garantidas no Sapo.pt e na SIC Radical.

sábado, 8 de julho de 2023

FESTin 2023: Vencedores

O FESTin anunciou os vencedores da sua 14.ª edição, que terminou esta Sexta-feira, dia 7 de Julho. Noites alienígenas, de Sérgio de Carvalho, foi o grande vencedor do festival.

Noites alienígenas, de Sérgio de Carvalho

Chico Diaz conquistou o prémio de Melhor Actor; Carolina Torres recebeu o prémio de Melhor Actriz; Flávia Neves foi Melhor Realizadora; Uma Halibur Hamutuk - A casa que nos une venceu na categoria de Melhor Documentário; e Monte Clérigo foi eleita Melhor Curta.

Eis a lista de todos os premiados do FESTin 2023:

Prémio Pessoa Melhor Filme Ficção - Noites Alienígenas (Brasil), de Sérgio de Carvalho

Menção Honrosa: Fogaréu (Brasil), de Flávia Neves

Melhor filme do público - Fogaréu (Brasil), de Flávia Neves

Prémio Pessoa Melhor Realizador Ficção - Flavia Neves, Fogaréu (Brasil)

Prémio Pessoa Melhor Actor Ficção - Chico Diaz, Noites Alienígenas (Brasil)

Prémio Pessoa Melhor Actriz - Carolina Torres, Barranco do Inferno (Portugal)

Prémio Pessoa Melhor Documentário - Uma Halibur Hamutuk - A casa que nos une, de Ricardo Dias (Timor-Leste/Portugal)

Menção Honrosa: Kobra Auto-retrato, de Lina Chamie (Brasil)

Melhor filme do público - Lupicínio: Confissões de um Sofredor, Alfredo Manevy (Brasil)

Prémio Pessoa Melhor Curta - Monte Clérigo, de Luís Campos (Portugal)

Menção Honrosa: Caiçara, de Oskar Metsavaht (Brasil)

Melhor filme do público - Flor de Laranjeira, Rúben Sevivas (Portugal)


Mais informações sobre o  FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa podem ser consultadas em https://festin-festival.com/.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

MOTELx'17: Entrevistas - Luís Campos (Carga)

O MOTELx'17 começa hoje e fica em Lisboa até 10 de Setembro, e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017 estão a concorrer 9 curtas-metragens nacionais: #blessed, de Diogo LopesCarga, de Luís CamposDepois do Silêncio, de Guilherme DanielEntelekheia, de Hugo MalainhoA Instalação do Medo, de Ricardo LeiteMãe QueridaJoão Silva SantosO Candeeiro - Um Filme à Luz de Lisboa, de Henrique Costa e Hugo PassarinhoRevenge Porn, de Guilherme Trindade e Thursday Night, de Gonçalo Almeida.


Continuamos a conhecer melhor os realizadores e filmes nacionais seleccionados. Hoje começamos com a entrevista a Luís Campos, realizador de Carga.

De onde surgiu a ideia de fazer este filme?
Luís Campos (LC): A ideia de fazer o Carga nasceu de uma forte vontade de conjugar a paisagem litoral e as idiossincrasias da região de Cortegaça / Esmoriz (tradição pesqueira, venda de lenha, etc.) com uma narrativa fictícia que fosse capaz de envolver comboios de carga, crianças em situação de opressão e de atribuir uma certa fantasia ao conceito realista e pertinente da ida / fuga / migração das gerações mais jovens de Portugal ao longo dos últimos anos.

As bonecas que surgem numa das imagens promocionais do filme, já por si, causam uma espécie de arrepio. Como é que um brinquedo consegue tomar tais proporções quase fantasmagóricas?
LC: As bonecas são um desses vários elementos visuais que me suscitaram o desejo de retratar a peculiar paisagem da região. As bonecas já estavam lá, tal e qual como aparecem no filme, e são elas próprias uma característica do bairro dos pescadores que liga Cortegaça a Esmoriz. Têm o seu quê de creepy, de mórbido, bem junto à bandeira nacional que as acompanha e foi esse espírito que tentei incutir na narrativa do filme (e na realidade dos seus personagens). Esse plano das bonecas é por si só capaz de transmitir uma certa ausência de esperança e de futuro, directamente ligada à (propositada) inexistência de personagens femininas no filme. É um plano meio apocalíptico, como a gigantesca relva do campo de futebol do bairro, que transmite uma certa ideia de passado abandonado, de ruína. E praticamente tudo isso já faz parte daquela paisagem, não partiu da nossa imaginação. Apenas construímos uma narrativa fictícia em torno de (e capaz de ser potenciada por) tudo isso.

Ao mesmo tempo, as crianças assumem um papel fundamental na curta-metragem. Como foi trabalhar com actores tão jovens?
LC: Foi óptimo, recompensador e desafiante. Nenhum dos dois actores protagonistas tinha qualquer experiência prévia na representação e foi necessário encontrar delicadas formas de comunicação nos diversos momentos. Eles próprios são filhos ou netos de actuais pescadores locais, eles próprios fazem parte daquela paisagem. Fiz o casting nas ruas, cruzando-me e conversando com eles, com a ajuda do Humberto Rocha (produtor do filme, que é natural e residente naquela região). Sabia que precisava de um determinado tipo de olhares e de expressões de rosto capazes de sustentar o ambiente e o tom que eu procurava para o filme. Encontrei o que procurava no Gustavo e no André, que abraçaram o desafio com intensidade e com elevado sentido de compromisso. Passaram umas férias de verão diferentes do costume e estão de parabéns pelo resultado final, que é muito bem conseguido de ambos, e só lhes posso estar grato pelo que conseguiram atribuir ao filme.


O que pode o público esperar da curta-metragem?
LC: Espero que alguma tensão e algum deslumbre visual. Aquela paisagem é realmente maravilhosa, de intrigante, e espero que o desafio narrativo que o filme propõe lhe consiga corresponder.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
LC: É um papel fundamental, maioritariamente de causa, resistência e amor pelo cinema, que deveria ser mais e mais reconhecido pela sociedade em geral. Os organizadores da larga maioria dos festivais nacionais batalham arduamente para subsistir, ano após ano; os festivais de cinema não são um negócio propriamente rentável ou lucrativo e exigem muito trabalho de muitas pessoas para fazer nascer cada nova edição. Não deixar cair a diversidade da oferta que os nossos festivais eventualmente propõem é uma missão suficientemente digna (e difícil) para não ser aqui considerada. Todos os espaços são poucos para exibir cinema nacional e qualquer janela que possa ajudar a mostrar os filmes que por cá se vão fazendo é sempre benéfica, inclusive na lógica da exportação de conteúdos agora que cada vez mais o mundo está atento ao que acontece neste ímpar cantinho à beira-mar plantado. A concentração de público num determinado festival permite que as obras consigam chegar a pessoas que de outra forma não teriam oportunidade de visualizar os filmes, suscitando e estimulando curiosidade pela transversalidade do cinema. Os festivais têm esse papel activo na própria formação e educação de público. Parece-me que, portanto e apesar de existirem sempre formas de reforçar as actividades de divulgação ao cinema nacional por parte dos festivais existentes, é importante termos uma consciência e um sentimento de celebração pelo que com muito mérito e nobreza por cá vai sendo conquistado: vem aí a 11.ª(!!) edição do MOTELx. É incalculável o valor do trabalho que o festival tem colocado no estímulo e na divulgação do cinema nacional (e na diversidade das propostas que apresenta). Essa sensibilidade e reconhecimento são muito importantes para que eventos como o MOTELx e outros vários possam continuar a existir.

Sinopse
Numa pequena vila piscatória, dois rapazes são forçados a tomar parte activa no tráfico de substâncias ilícitas. Quando o mais velho prepara um plano de fuga, o mais novo vê-se obrigado a lidar com as adversidades de ser deixado para trás.