Título Original: Blue Moon
terça-feira, 3 de março de 2026
Sugestão da Semana #707
Título Original: Blue Moon
domingo, 29 de janeiro de 2023
Sugestão da Semana #545
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Crítica: Amadeo (2023)
"Foge comigo. Tenho medo de ficar aqui para sempre e enlouquecer."
Amadeo
*7.5/10*
Depois de Florbela e Al Berto, Amadeo encerra a trilogia de filmes sobre artistas - dois poetas e um pintor - de Vicente Alves do Ó.
Amadeo é um filme melancólico, marcado por duas pandemias - com cem anos de distância - e, inevitavelmente, toda a experiência de visualização é distinta daquela que seria caso não tivessem passados três anos pandémicos. Desde a conclusão das filmagens, no final de 2019, até à estreia, em 2023, alguns elementos da equipa do filme perderam a vida, sendo o mesmo dedicado a Eunice Muñoz e Rogério Samora - que interpretaram a avó e o pai de Amadeo.
Amadeo de Souza-Cardoso, nascido em Manhufe, Amarante, fixa-se em Paris onde integra um círculo de artistas modernistas, onde se contam Modigliani, Picasso, Apollinaire, Brancusi, Derain, Emmerico Nunes e Max Jacob. Com o início da Primeira Guerra Mundial, regressa a Portugal, à casa da família, juntamente com a sua mulher Lucie. Em 1918, com a chegada da pneumónica a Portugal, vai para Espinho com as irmãs e Lucie, até adoecer e falecer a 25 de Outubro de 1918, aos 30 anos.
São estes os momentos-chave do filme de Vicente Alves do Ó, que se divide em três partes: a estadia em casa dos pais durante a Primeira Guerra Mundial e a primeira exposição que organiza, em 1916, no Passos Manoel, no Porto; 1911 e a temporada passada em Paris, onde assistimos a uma vernissage em sua casa, onde marcam presença os maiores artistas da época como Modigliani e Picasso (e onde estão alguns dos melhores momentos da longa-metragem); e, por fim, 1918, e a chegada da doença.
Amadeo carrega uma aura trágica tal qual o destino do seu protagonista: um homem com tamanha urgência em viver e com um talento grande demais para o país que o viu nascer. O jovem artista queria pintar o futuro que não chegou a viver, e que a guerra e uma pandemia fizeram adiar.
Rafael Morais incorpora o pintor de corpo e alma, e confere-lhe o ar sombrio de quem desespera por voltar a Paris e sair da "prisão" em que a guerra o colocou. Ele quer ser livre e compreendido e sabe que, em Portugal, isso não vai acontecer. Esta inquietação está latente no actor, bem como a sua extrema dedicação a Lucie e às irmãs.
Há que destacar também a fabulosa direcção de fotografia de Rui Poças, proporcionando planos que são autênticos quadros, a par dos que Amadeo pintou, numa fusão de artes.
Um dos mais talentosos e vanguardistas artistas portugueses do século XX tem finalmente um filme que o traz para a ribalta. Amadeo dá corpo e movimento ao pintor que é ainda tão desconhecido. O mistério em redor de um homem prometedor que morreu tão cedo torna-o, mais ainda, objecto de atento interesse.
Os filmes de Vicente são de uma sensibilidade pouco comum no cinema português e Amadeo não foge à regra: é poético, livre e urgente como o seu protagonista.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Crítica: Listen (2020)
*7/10*
Listen, de Ana Rocha de Sousa, é um retrato cruel dos serviços sociais britânicos e da dor de uma família que luta por voltar a unir-se. A primeira longa-metragem da realizadora portuguesa revela fortes marcas de um realismo social, muito ao estilo de Eu, Daniel Blake, de Ken Loach, com a mesma frieza e agressividade de emoções, que se confunde quase com o cinema documental.
Bela (Lúcia Moniz) e Jota (Ruben Garcia) são emigrantes portugueses nos subúrbios de Londres, onde vivem com os três filhos. Os serviços sociais britânicos retiram-lhes, injustamente, os filhos, por suspeitas de maus tratos, após verificarem que a filha surda, de sete anos, tinha nódoas negras no corpo. O processo que se desencadeia parece não ter fim, e tudo se complica com o passar do tempo.
Listen é simples e directo a apresentar-nos a história: o casal português vive com dificuldades, enquanto se desdobra para cuidar dos três filhos, com especial atenção para a filha surda, a necessitar de um novo aparelho auditivo - para o qual não há dinheiro. As instituições sociais olham-nos com desconfiança e algum desprezo. O argumento inspira-se em vários casos reais que têm sido conhecidos ao longo dos anos, em que pais (britânicos ou de imigrantes) têm visto os seus filhos serem-lhes retirados pelas mais variadas razões, muitas delas baseadas apenas em suposições dos serviços, sendo as crianças encaminhadas para adopções irreversíveis. As batalhas têm sido difíceis e, muitas vezes, infrutíferas.
É daí que nasce Listen, desenhando no ecrã a frieza do sistema e as injustiças já relatadas por várias vítimas da vida real. O desespero é crescente, e o filme de Ana Rocha de Sousa é especialmente bom a transmitir essa tensão à plateia ao longo da primeira metade. Depois, apesar dos pais estarem numa luta contra o tempo, tudo acontece demasiado depressa, e Listen ganharia mais fôlego e mais profundidade emocional com uma duração maior, evitando o desfecho apressado.
No elenco, destaque para o casal protagonista. A contenção de Ruben Garcia e a explosão de desespero de Lúcia Moniz revelam-se em duas grandes interpretações, tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão poderosas.
Com os seis prémios conquistados no Festival de Cinema de Veneza a comprová-lo, Listen é uma estreia auspiciosa para Ana Rocha de Sousa, que revela desde já um estilo bem vincado. Uma realizadora a não perder de vista.
domingo, 25 de outubro de 2020
Sugestão da Semana #440
Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Listen, de Ana Rocha de Sousa, protagonizado por Lúcia Moniz e Ruben Garcia.
LISTEN
Duração: 73 minutos
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