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terça-feira, 3 de março de 2026

Sugestão da Semana #707

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda em dose dupla: Blue Moon, de Richard Linklater, e o português Terra Vil, de Luís Campos.

BLUE MOON



Ficha Técnica:
Título Original: Blue Moon
Realizador: Richard Linklater
Elenco: Ethan Hawke, Margaret Qualley, Bobby Cannavale, Andrew Scott, Jonah Lees, Simon Delaney
Género: Comédia, Drama, Histórico
Classificação: M/14
Duração: 100 minutos

TERRA VIL


Ficha Técnica:
Título Original: Terra Vil
Realizador: Luís Campos
Elenco: William Cesnek, Rúben Gomes, Lúcia Moniz, Francisca Sobrinho, Beatriz Relvas, Manuel Nabais, José Martins, Rita Revez, Filomena Gigante
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 96 minutos

domingo, 29 de janeiro de 2023

Sugestão da Semana #545

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Amadeo, de Vicente Alves do Ó, sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso. O Hoje Vi(vi) um Filme já escreveu sobre o filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Amadeo
Realizador: Vicente Alves do Ó
Elenco: Rafael Morais, Raquel Rocha Vieira, Ana Lopes, Eunice Muñoz, Ana Vilela da Costa, Lúcia Moniz, Rogério Samora, José Pimentão, Manuela Couto, Ricardo Barbosa
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Crítica: Amadeo (2023)

"Foge comigo. Tenho medo de ficar aqui para sempre e enlouquecer."

Amadeo

*7.5/10*

Depois de Florbela e Al Berto, Amadeo encerra a trilogia de filmes sobre artistas - dois poetas e um pintor - de Vicente Alves do Ó

Amadeo é um filme melancólico, marcado por duas pandemias - com cem anos de distância - e, inevitavelmente, toda a experiência de visualização é distinta daquela que seria caso não tivessem passados três anos pandémicos. Desde a conclusão das filmagens, no final de 2019, até à estreia, em 2023, alguns elementos da equipa do filme perderam a vida, sendo o mesmo dedicado a Eunice Muñoz Rogério Samora - que interpretaram a avó e o pai de Amadeo

Amadeo de Souza-Cardoso, nascido em Manhufe, Amarante, fixa-se em Paris onde integra um círculo de artistas modernistas, onde se contam ModiglianiPicasso, Apollinaire, Brancusi, Derain, Emmerico Nunes e Max Jacob. Com o início da Primeira Guerra Mundial, regressa a Portugal, à casa da família, juntamente com a sua mulher Lucie. Em 1918, com a chegada da pneumónica a Portugal, vai para Espinho com as irmãs e Lucie, até adoecer e falecer a 25 de Outubro de 1918, aos 30 anos.

São estes os momentos-chave do filme de Vicente Alves do Ó, que se divide em três partes: a estadia em casa dos pais durante a Primeira Guerra Mundial e a primeira exposição que organiza, em 1916, no Passos Manoel, no Porto; 1911 e a temporada passada em Paris, onde assistimos a uma vernissage em sua casa, onde marcam presença os maiores artistas da época como Modigliani e Picasso (e onde estão alguns dos melhores momentos da longa-metragem); e, por fim, 1918, e a chegada da doença. 

Amadeo carrega uma aura trágica tal qual o destino do seu protagonista: um homem com tamanha urgência em viver e com um talento grande demais para o país que o viu nascer. O jovem artista queria pintar o futuro que não chegou a viver, e que a guerra e uma pandemia fizeram adiar.

Rafael Morais incorpora o pintor de corpo e alma, e confere-lhe o ar sombrio de quem desespera por voltar a Paris e sair da "prisão" em que a guerra o colocou. Ele quer ser livre e compreendido e sabe que, em Portugal, isso não vai acontecer. Esta inquietação está latente no actor, bem como a sua extrema dedicação a Lucie e às irmãs.

Há que destacar também a fabulosa direcção de fotografia de Rui Poças, proporcionando planos que são autênticos quadros, a par dos que Amadeo pintou, numa fusão de artes.

Um dos mais talentosos e vanguardistas artistas portugueses do século XX tem finalmente um filme que o traz para a ribalta. Amadeo dá corpo e movimento ao pintor que é ainda tão desconhecido. O mistério em redor de um homem prometedor que morreu tão cedo torna-o, mais ainda, objecto de atento interesse. 

Os filmes de Vicente são de uma sensibilidade pouco comum no cinema português e Amadeo não foge à regra: é poético, livre e urgente como o seu protagonista.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Crítica: Listen (2020)

*7/10*

Listen, de Ana Rocha de Sousa, é um retrato cruel dos serviços sociais britânicos e da dor de uma família que luta por voltar a unir-se. A primeira longa-metragem da realizadora portuguesa revela fortes marcas de um realismo social, muito ao estilo de Eu, Daniel Blake, de Ken Loach, com a mesma frieza e agressividade de emoções, que se confunde quase com o cinema documental.

Bela (Lúcia Moniz) e Jota (Ruben Garcia) são emigrantes portugueses nos subúrbios de Londres, onde vivem com os três filhos. Os serviços sociais britânicos retiram-lhes, injustamente, os filhos, por suspeitas de maus tratos, após verificarem que a filha surda, de sete anos, tinha nódoas negras no corpo. O processo que se desencadeia parece não ter fim, e tudo se complica com o passar do tempo.

Listen é simples e directo a apresentar-nos a história: o casal português vive com dificuldades, enquanto se desdobra para cuidar dos três filhos, com especial atenção para a filha surda, a necessitar de um novo aparelho auditivo - para o qual não há dinheiro. As instituições sociais olham-nos com desconfiança e algum desprezo. O argumento inspira-se em vários casos reais que têm sido conhecidos ao longo dos anos, em que pais (britânicos ou de imigrantes) têm visto os seus filhos serem-lhes retirados pelas mais variadas razões, muitas delas baseadas apenas em suposições dos serviços, sendo as crianças encaminhadas para adopções irreversíveis. As batalhas têm sido difíceis e, muitas vezes, infrutíferas. 

É daí que nasce Listen, desenhando no ecrã a frieza do sistema e as injustiças já relatadas por várias vítimas da vida real. O desespero é crescente, e o filme de Ana Rocha de Sousa é especialmente bom a transmitir essa tensão à plateia ao longo da primeira metade. Depois, apesar dos pais estarem numa luta contra o tempo, tudo acontece demasiado depressa, e Listen ganharia mais fôlego e mais profundidade emocional com uma duração maior, evitando o desfecho apressado.

No elenco, destaque para o casal protagonista. A contenção de Ruben Garcia e a explosão de desespero de Lúcia Moniz revelam-se em duas grandes interpretações, tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão poderosas.

Com os seis prémios conquistados no Festival de Cinema de Veneza a comprová-lo, Listen é uma estreia auspiciosa para Ana Rocha de Sousa, que revela desde já um estilo bem vincado. Uma realizadora a não perder de vista.

domingo, 25 de outubro de 2020

Sugestão da Semana #440

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Listen, de Ana Rocha de Sousa, protagonizado por Lúcia Moniz e Ruben Garcia.

LISTEN


Ficha Técnica:
Título Original: Listen
Realizadora: Ana Rocha de Sousa
Elenco: Lúcia Moniz, Sophia Myles, Ruben Garcia, Maisie Sly, Kiran Sonia Sawar, António Capelo, Jay Lycurgo, Kem Croft, Ângela Pinto
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 73 minutos